Doutorado em Estudos de Linguagens

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TRABALHO Ações
EU, TU E O NOSSO AMBIENTE: O CUIDADO TRIDIMENSIONAL EM UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO LINGUÍSTICO-AMBIENTAL CRÍTICA
Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
Tipo Tese
Data 11/07/2025
Área LETRAS
Orientador(es)
  • Fabiana Pocas Biondo
Coorientador(es)
    Orientando(s)
    • Luciene da Silva Santos Bomfim
    Banca
    • Ana Karla Pereira de Miranda
    • Elaine de Moraes Santos
    • Fabiana Pocas Biondo
    • Maria Conceicao Alves de Lima
    • Patricia Graciela da Rocha
    • Ruberval Franco Maciel
    Resumo Desenvolvido por meio de uma pesquisa-ação, este trabalho foi realizado no contexto
    do Ensino Médio Integrado à Educação Profissional, em uma instituição federal de
    Educação Profissional e Tecnológica (EPT), na região Centro-Oeste do Brasil, e
    envolveu 45 adolescentes de 14 a 17 anos, matriculados nos 1º e 2º anos do Curso
    Técnico Integrado em Informática, além de 05 professores e 02 profissionais da saúde
    (psicóloga e enfermeira). A investigação teve por objetivo analisar o processo de (des)
    (re) construção de repertórios acerca do cuidado tridimensional (eu, outro e meio
    ambiente), durante a pandemia da Covid-19, a partir de um projeto de ensino
    colaborativo e transdisciplinar, que teve duração de oito meses e foi desenvolvido de
    forma remota. Ancorada nos pressupostos da Educação Linguístico-Ambiental e nos
    Letramentos Críticos, esta pesquisa adotou uma abordagem qualitativointerpretativista, fundamentando-se em autores como Paulo Freire, Monte Mór, Moita
    Lopes, Leonardo Boff, Edgar Morin, Félix Guattari, Crystiane Ribeiro, dentre outros.
    Os dados, gerados por meio de atividades multimodais (histórias em quadrinhos,
    mapas, depoimentos, vídeos, fotografias), foram analisados à luz dos quatro
    processos de conhecimento propostos por Cope, Kalantzis e Pinheiro (2020) —
    experienciar (o conhecido e o novo); conceitualizar (por nomeação e com teoria);
    analisar (funcionalmente e criticamente); e aplicar (apropriadamente e criativamente)
    — sendo organizados segundo três categorias analíticas: cuidado de si, do outro e do
    meio ambiente. Os resultados apontam movimentos de (des) (re) construção de
    repertórios e de desenvolvimento de pensamento crítico, especialmente nas ações
    voltadas ao cuidado com o ambiente. Contudo, a análise também evidenciou
    contradições, com a presença de discursos de responsabilização individual e
    autovigilância, revelando a força da subjetivação neoliberal nas percepções dos
    participantes, principalmente na dimensão do “eu”. Concluímos que propostas
    educativas ancoradas no cuidado tridimensional, na colaboração e na
    transdisciplinaridade têm potencial para contribuir na formação de sujeitos mais
    éticos, críticos e socialmente engajados, ainda que tal processo seja não linear e
    atravessado por tensões ideológicas. Esta pesquisa oferece subsídios teóricos e
    metodológicos para o campo da Educação Linguístico-Ambiental Crítica, ampliando
    as discussões sobre os desafios e as possibilidades de formação emancipatória em
    tempos de crise socioambiental.
    AS INTERAÇÕES EM PRÁTICAS DE REVISÃO E DE REESCRITA TEXTUAIS REALIZADAS POR MEIO DO MODELO DE ROTAÇÃO POR ESTAÇÕES NO ENSINO MÉDIO INTEGRADO
    Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
    Tipo Tese
    Data 27/06/2025
    Área LETRAS
    Orientador(es)
    • Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
    Coorientador(es)
      Orientando(s)
      • Vinicius da Silva Zacarias
      Banca
      • Ana Karla Pereira de Miranda
      • Ana Luzia Videira Parisotto
      • Cláudia Valéria Doná Hila
      • Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
      • Elaine de Moraes Santos
      • Fabiana Pocas Biondo
      • Rosângela Hammes Rodrigues
      Resumo Esta tese trata da interação entre os estudantes e da deles com o professor nas práticas de revisão e de reescrita de textos dissertativo-argumentativos do Enem, realizadas por meio de metodologias ativas. O trabalho resulta de uma pesquisa de natureza qualitativa, de cunho interpretativista, filiada à Linguística Aplicada (Moita Lopes, 1994, 2006) e desenvolvida metodologicamente a partir de princípios da concepção de pesquisa-ação (Thiollent, 2011). A tese defendida é a de que a participação dos estudantes em atividades de revisão e de reescrita, em grupos, organizadas a partir de uma metodologia ativa ligada à educação híbrida, o modelo de rotação por estações, em conjunto com as ações realizadas pelo docente ao longo da atividade educativa, contribui para o desenvolvimento da autonomia desses discentes enquanto revisores de seus próprios textos. Assim, o objetivo geral do estudo é compreender como as interações dos estudantes de ensino médio integrado, entre si e com o docente, durante a participação em atividades de revisão e reescrita coletivas pautadas pelo modelo de rotação por estações pode desenvolver a autonomia desses aprendizes como revisores de suas próprias produções textuais. Os objetivos específicos são: i) analisar a contribuição dos andaimes presentes nas interações entre os estudantes e nas deles com o docente, durante as atividades de revisão e reescrita realizadas coletivamente, para o desenvolvimento dos educandos enquanto revisores de textos; e ii) analisar quais aspectos das discussões em grupo aparecem refletidos na produção textual dos estudantes quando eles precisam revisar e reescrever seus próprios textos sem o auxílio de um leitor externo. As principais bases teóricas em que se apoia o trabalho são: o entendimento enunciativo-discursivo da linguagem (Bakhtin, 2015, 2016; Volóchinov, 2017, 2019); a compreensão da escrita como trabalho (Fiad; Mayrink-Sabinson, 1994 [1991]); os estudos de Vigotski (2001, 2007) sobre interação, colaboração e internalização, bem como os de Van de Pol, Volman e Beishuizen (2010) acerca da andaimagem. Os dados foram gerados a partir de um projeto de ensino sobre a redação do Enem, conduzido pelo autor deste trabalho, no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) – câmpus Coxim, em 2023, por meio de gravações das interações em áudio, questionários, entrevistas, materiais escritos pelos discentes e pelo pesquisador, bem como anotações de campo. A contribuição do estudo está no fato de que ele permite ampliar a compreensão, o desenvolvimento e o aprimoramento do trabalho com revisão e reescrita textuais coletivas e colaborativas por meio de metodologias ativas, consistindo em um aporte para a formação de professores. Os resultados indicam que tanto as interações estabelecidas entre os estudantes quanto as deles com o educador contribuíram para o desenvolvimento dos educandos enquanto revisores de seus próprios textos. Isso se deu pelo fato de que os participantes internalizaram progressivamente saberes e práticas importantes para revisar e reescrever, partindo de situações em que recebiam mais colaboração externa para outras em que esse suporte diminuía. Ademais, a investigação evidencia a atuação do professor como fator essencial para o desenvolvimento da autonomia dos discentes na revisão e na reescrita de seus textos.
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      BILINGUISMO, ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO: Percepções de Alunos, Egressos e Docentes no Curso de Licenciatura em Letras Libras da UFGD
      Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
      Tipo Tese
      Data 26/05/2025
      Área LETRAS
      Orientador(es)
      • Patricia Graciela da Rocha
      Coorientador(es)
        Orientando(s)
        • Maiara Cano Romero Pereira
        Banca
        • Adriana Lúcia de Escobar Chaves de Barros
        • Ana Karla Pereira de Miranda
        • Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
        • Joao Tobias Lima Sales
        • Mauricio Loubet
        • Patricia Graciela da Rocha
        • Rodrigo Acosta Pereira
        Resumo RESUMO
        Nas últimas décadas, as políticas de inclusão no ensino superior brasileiro têm buscado garantir o acesso e a permanência de estudantes surdos por meio da oferta de cursos específicos, como a Licenciatura em Letras Libras. Nesse contexto, os cursos na modalidade
        a distância assumem papel importante, especialmente em regiões afastadas dos grandes
        centros. No entanto, apesar dos avanços, ainda são escassos os estudos que investigam de
        forma aprofundada os desafios e as potencialidades desses cursos na formação bilíngue de professores surdos e ouvintes. A partir dessas observações iniciais, desenvolvemos esta pesquisa com o propósito de analisar o Curso de Licenciatura em Letras Libras, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), oferecido na modalidade a distância, com especial atenção aos processos de ensino e aprendizagem, à formação docente e às
        condições de acessibilidade linguística oferecidas aos estudantes. Nosso objetivo geral foi analisar as percepções de docentes, alunos e egressos do curso de Letras Libras da UFGD sobre os desafios e as potencialidades da formação bilíngue, com foco nas questões de bilinguismo e inclusão, nas dificuldades no ensino e na aprendizagem, nas metodologias e nos recursos de ensino, bem como nos desafios do Ensino a Distância (EaD). Com base nesse objetivo, os objetivos específicos foram: identificar as práticas pedagógicas desenvolvidas no curso, levantar as lacunas percebidas pelos sujeitos da pesquisa e apontar estratégias que possam contribuir para uma formação mais efetiva e inclusiva, considerando as especificidades linguísticas e educacionais dos estudantes. Fundamentamos esta pesquisa na perspectiva da Linguística Aplicada, compreendida como um campo transdisciplinar e socialmente comprometido, que busca refletir e intervir sobre problemas reais relacionados à linguagem em contextos diversos, entre eles a educação de surdos e a formação docente. Assim, dialogamos com estudos sobre a educação bilíngue de surdos com foco na formação de professores e nos desafios da acessibilidade linguística no ensino superior, articulando-nos ainda às discussões sobre educação a distância e o uso de tecnologias inclusivas. Nosso referencial teórico contempla autores que abordam a formação de professores surdos e ouvintes para o ensino bilíngue, como Quadros (2017), Fernandes (2019), Skliar (2006), Stumpf (2013) e Borges (2012), as políticas de inclusão e acessibilidade comunicacional, e nos apoiamos na Análise de Conteúdo como método qualitativo para a interpretação dos dados gerados. Como resultado, por um lado, destacamos que as análises apontaram que docentes, alunos e egressos percebem lacunas significativas na formação em Língua Portuguesa como Segunda Língua (L2), especialmente entre alunos surdos, que ingressam no ensino superior com carência de uma base linguística na L2 desde a educação básica. Nesse sentido, as dificuldades no domínio da escrita em Língua Portuguesa geram sentimentos de insegurança e dependência, o que compromete a autonomia desses estudantes. Dessa maneira, a reestruturação curricular do curso, ao reduzir a carga horária de disciplinas
        voltadas à L2, não contribui para a superação desses desafios. Por outro lado, o uso de recursos tecnológicos e estratégias visuais emergiu como importante potencialidade, a ser melhor explorada, apontando caminhos para o fortalecimento da proposta bilíngue.
        Concluímos, com esta pesquisa, que a efetivação de uma formação verdadeiramente inclusiva exige ações concretas de reestruturação curricular, investimento na formação de professores e intérpretes, além do aprimoramento dos materiais didáticos acessíveis a diferentes perfis de estudantes.
        Palavras-chave: Letras Libras. Formação docente. Acessibilidade linguística. Bilinguismo.
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        MEMÓRIA, TRAUMA E VIOLÊNCIA NAS OBRAS DE RUBEM FONSECA: UMA ANÁLISE DO AUTORITARISMO E SUAS HERANÇAS NA LITERATURA BRASILEIRA
        Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
        Tipo Tese
        Data 23/05/2025
        Área LETRAS
        Orientador(es)
        • Andre Rezende Benatti
        Coorientador(es)
          Orientando(s)
          • Hans Stander Loureiro Lopes
          Banca
          • Andre Rezende Benatti
          • Geraldo Vicente Martins
          • Livia Santos de Souza
          • Ramiro Giroldo
          • Raquel da Silva Ortega
          • Rosana Cristina Zanelatto Santos
          Resumo A presente tese propõe uma análise crítica da obra de Rubem Fonseca sob a perspectiva da
          memória, do trauma e da violência, refletindo sobre os efeitos do autoritarismo e de suas
          heranças na sociedade e na literatura brasileira. A pesquisa tem como objetivo investigar de
          que maneira a narrativa de Fonseca articula elementos históricos da repressão e da
          desigualdade social, especialmente durante e após o regime militar, revelando uma literatura
          atravessada por marcas da violência institucional e estrutural. A hipótese central sustenta que
          a ficção de Fonseca não apenas retrata a brutalidade e a marginalização social, mas também
          funciona como testemunho e denúncia dos mecanismos de poder que perpetuam o
          autoritarismo no Brasil. A análise literária está amparada em um conjunto de autores que
          contribuem para a compreensão da memória histórica e da violência, como Michel Foucault,
          Beatriz Sarlo, Sidnei Chalhoub, Lilia Schwarcz e Flávio dos Santos Gomes. Os contos de
          Rubem Fonseca são examinados à luz de episódios históricos de repressão, tortura,
          desigualdade racial e social, com destaque para os relatos do projeto Brasil: Nunca Mais
          (Arns, 2011) e para as confissões de Cláudio Guerra, em Memórias de uma guerra suja
          (Guerra, 2012). A metodologia envolve análise textual e revisão bibliográfica, priorizando a
          relação entre literatura e memória coletiva. Conclui-se que a obra fonsequiana configura uma
          poética da denúncia, em que os traumas sociais da ditadura militar e suas reverberações são
          mobilizados como matéria literária, produzindo uma crítica contundente ao pacto autoritário
          brasileiro. A literatura, nesse sentido, emerge como espaço de resistência, de enfrentamento
          ao silenciamento e de resgate da dignidade das vítimas esquecidas pela história oficial.
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          Marcas das dimensões constitutivas do jornalismo nas adaptações dos livros-reportagem Olga (1985) e Corações Sujos (2000) para a linguagem audiovisual
          Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
          Tipo Tese
          Data 31/03/2025
          Área LETRAS
          Orientador(es)
          • Marcos Paulo da Silva
          Coorientador(es)
            Orientando(s)
            • Debora Alves Pereira Cabrita
            Banca
            • Cintia Xavier
            • Felipe Simão Pontes
            • Geraldo Vicente Martins
            • Marcia Gomes Marques
            • Marcos Paulo da Silva
            • Ramiro Giroldo
            • Rogério Pereira Borges
            Resumo Esta pesquisa apresenta como objetivo central identificar as principais marcas simbólicas das dimensões estético-expressiva, pragmática e ético-deontológica do jornalismo que se esvaem e/ou que eventualmente (e paradoxalmente) são sublinhadas no processo de transposição de narrativas jornalísticas complexas – em especial, os livros-reportagem – para adaptações audiovisuais de ficção, utilizando-se como recorte empírico a transposição (Hutcheon, 2011) dos livros Olga e Corações Sujos, do jornalista Fernando Morais (1985, 2000), para os longa-metragens homônimos dirigidos respectivamente pelos cineastas Jayme Monjardim (2004) e Vicente Amorim (2011). Volta-se, portanto, aos processos de construção de "efeito de real" (Charaudeau, 2006) envolvidos nas negociações simbólicas edificadas nas fronteiras entre a não-ficção e a ficção. Utiliza-se o conceito de livro-reportagem como extensão do jornalismo convencional que diferencia-se das demais publicações jornalísticas por três condições essenciais: conteúdo, tratamento e função (Lima, 1995). O livro-reportagem não apresenta a periodicidade e o imediatismo do jornal diário, mas costuma refletir a inquietude do profissional jornalista que tem a possibilidade de aprofundar temas da contemporaneidade, além de atingir uma audiência heterogênea e dispersa geograficamente. O trabalho inscreve-se no âmbito de discussões amplas, devotadas à busca pela especificidade do jornalismo em situações fronteiriças, nas quais a atividade social e a prática profissional dialogam com outras práticas culturais e sociais – tais como o cinema e a literatura. A análise evidencia como as escolhas estéticas e narrativas dos diretores influenciaram a representação dos eventos históricos, ora enfatizando, ora diluindo elementos simbólicos do jornalismo. Olga (2004), por exemplo, privilegia uma abordagem emocional e melodramática, impactando o modo como a militância política da personagem é retratada, enquanto Corações Sujos (2011) constrói uma narrativa mais próxima da verossimilhança histórica, refletindo preocupações com autenticidade cultural e documental. Assim, esta pesquisa reforça a importância do cinema como agente de reinterpretação da memória histórica e destaca os impactos da transposição narrativa na construção simbólica dos fatos.

            Palavras-chaves: deontologia jornalística; linguagem audiovisual; livro-reportagem; adaptação; transposição.
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            Entre nomes e territórios: a toponímia dos acidentes humanos rurais da Região Geográfica Intermediária de Dourados/MS
            Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
            Tipo Tese
            Data 28/03/2025
            Área LETRAS
            Orientador(es)
            • Aparecida Negri Isquerdo
            Coorientador(es)
              Orientando(s)
              • Silmara Cristina Batista da Silva de Souza
              Banca
              • Ana Claudia Castiglioni
              • Ana Paula Tribesse Patrício Dargel
              • Aparecida Negri Isquerdo
              • Bruno Oliveira Maroneze
              • Elizabete Aparecida Marques
              • Maria Célia Dias de Castro
              • Marilze Tavares
              Resumo A Toponímia, ramo da Onomástica que estuda os topônimos, tem como objeto de estudo os nomes próprios de lugares, considerando motivações linguísticas e extralinguísticas. Para tanto, parte-se do pressuposto de que a nomeação dos lugares pode registrar tantos fatos do “espírito humano” (Dick, 1992), quanto elementos característicos do “ambiente físico ou social” (Sapir, 1969), em que o denominador está inserido. Esta Tese tem como objeto de pesquisa a toponímia de acidentes humanos rurais (fazendas, sítios, chácaras, estâncias, assentamentos) da Região Geográfica Intermediária de Dourados/MS. (IBGE, 2017). O corpus da pesquisa é constituído por 2.874 topônimos extraídos dos mapas oficiais do IBGE (2019), com escala 1:100.000, pertencentes aos 34 municípios que compõem a área investigada. A pesquisa tem como objetivo geral analisar os topônimos que nomeiam os acidentes humanos rurais da região selecionada, considerando a motivação, a estrutura morfológica e a língua de origem do termo específico do sintagma toponímico. Para tanto, a pesquisa busca resposta para duas hipóteses: i) a situação de fronteira com o Paraguai, país que tem o espanhol e o guarani como línguas oficiais, além de abrigar significativa presença de povos indígenas contribuem para a configuração da toponímia regional; ii) a toponímia em regiões de fronteira reflete as origens culturais e linguísticas dos grupos migratórios que participaram do processo de colonização, evidenciando a dinâmica sociocultural desses movimentos. A pesquisa foi orientada, fundamentalmente, pelas contribuições teórico-metodológicas de Dauzat (1926), Leite de Vasconcellos (1928), Stewart (1954), Backheuser (1949-1950), Sapir (1969), Dick (1990; 1992; 1998; 1999, 2004, 2010), Ananias (2018) e Isquerdo e Dargel (2020). Além disso, os dados foram cotejados com resultados obtidos por Dick (1990; 1992), Tavares (2004), Cazarotto (2019), Ananias (2018) e Oliveira (2023), como busca de respostas para a segunda hipótese estabelecida para a pesquisa. Os resultados da pesquisa indicam maior frequência de topônimos de natureza antropocultural com 66,25% de registros, classificados segundo as seguintes taxes toponímicas (Dick, 1992): hagiotopônimos (24,74%), sendo mais frequentes São José, Santo Antônio, São João, Santa Maria; animotopônimos eufóricos (11,55%) como Boa Vista, Esperança e Paraíso e antropotopônimos (9.64%), destacando-se apelidos de família como Garcia, Martins e Silva. Em contrapartida, os topônimos de natureza física alcançaram 31,45%, com maior índice de frequência os fitotopônimos (9,53%), como Capão, Palmeira e Floresta; os hidrotopônimos com 5,78%, sendo os mais frequentes Água, Lagoa e Cabeceira e os zootopônimos com 5,05% como Sucuri e Vacaria. Topônimos não classificados: 2,30%. Em termos de estrutura, predominam os topônimos compostos (54,98%) seguidos dos com estruturas simples (40,98%), além de 4,04% não classificados, em sua maioria de base indígena. Foram identificados também topônimos formados por unidades complexas do léxico como em Vai-quem-quer, Passa frio e Olho d’água. Além disso, a toponímia estudada referenda a presença da herança lusitana na nomeação de lugares, bem como influências da realidade regional e de movimentos migratórios, o que confirma a presença de hibridização linguístico-cultural na toponímia regional. Nesse sentido, foram identificados na toponímia estudada traços de influência de grupos migratórios oriundos de diversas partes do território brasileiro, como em fazenda Fé do Sul e Arroio Corá que remetem, respectivamente, a elementos linguísticos característicos das regiões do sul do país e área de fronteira com o Paraguai; topônimos como Barretos, Aparecida do Norte, Copacabana que evidenciam homenagens a localidades do Sudeste do Brasil. Outro aspecto observado foi a influência histórico-social das regiões fronteiriças na toponímia, em topônimos como Rincão, Cerrito e Padilha-Cuê que atestam a presença das línguas oficiais do Paraguai na toponímia examinada. Nas cinco regiões imediatas que compõem a região selecionada ficou evidente a forte influência de acontecimentos históricos, como a Guerra do Paraguai, cuja memória se cristalizou em nomes como Cadete-Cuê e Marquês-Cuê, Tereré. Além dos aspectos apontados a toponímia remete ainda a processos de colonização ocorridos na região como o desencadeado pelo projeto de colonização “Marcha para o Oeste”, na região sul do estado, incluindo faixas de fronteira. As hipóteses estabelecidas para esta tese foram confirmadas. A primeira que sugeria que a situação de fronteira com o Paraguai e a presença significativa de povos indígenas contribuem para a configuração da toponímia regional, foi confirmada pela relevante incidência de topônimos indígenas associados a línguas que figuram como oficiais em diversos países. A segunda hipótese confirmada previa que a escolha de topônimos em regiões de fronteira reflete as origens culturais e linguísticas dos grupos migratórios que participaram do processo de colonização, hipótese também corroborada pela pesquisa.
              Palavras-Chave: Onomástica; Toponímia; Acidentes humanos rurais; Região Intermediária de Dourados/MS; História.
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              O Discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o indígena: a relutância de um arquivo colonial
              Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
              Tipo Tese
              Data 28/03/2025
              Área LETRAS
              Orientador(es)
              • Vania Maria Lescano Guerra
              Coorientador(es)
                Orientando(s)
                • Diego Almeida Oliveira
                Banca
                • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                • Marcos Antônio Bessa Oliveira
                • Marcos Aurélio Barbai
                • Silvane Aparecida de Freitas
                • Vania Maria Lescano Guerra
                • Wagner Corsino Enedino
                • Willian Diego de Almeida
                Resumo Um olhar atento para os discursos que têm circulado em nossa sociedade, a respeito do indígena,
                possibilita compreender que, desde os tempos do “descobrimento”, as diversas comunidades indígenas
                brasileiras são postas em um local de exclusão, à margem da sociedade. Nessa esteira, os enunciados
                (re)produzidos nos dias atuais encontram raízes nas discursividades do passado, em um arquivo
                colonial ainda muito presente na sociedade contemporânea. Partindo dessa conjectura, tem-se por
                objetivo identificar, mediante recortes discursivos, ou seja, nos discursos de Jair Bolsonaro, as relações
                de poder/saber, formações discursivas e interdiscursos que direcionam para o processo de
                exclusão/marginalização do indígena, bem como para suas condições de existência/resistência,
                problematizando essas discursividades e desviando a trajetória do pensamento para uma perspectiva
                horizontal, heterogênea e que considera a contribuição da diversidade de saberes nas relações sociais.
                Parte-se da hipótese de que os discursos bolsonaristas produzem reflexões sobre a condição de
                marginalização das comunidades indígenas brasileiras, de que seus pronunciamentos
                produzem(iram) resultados que vão além de convicções pessoais: são discursos que refletem o
                posicionamento de uma sociedade como um todo, que ainda não aprendeu a dar o merecido
                respeito ao indígena do nosso país. De forma transdisciplinar, a tese ancora-se nas teorias: da
                Análise do Discurso (AD) de origem francesa, no escopo de formar um outro lugar de conhecimento,
                onde a linguagem pode ser referida essencialmente à sua exterioridade, para a compreensão do seu
                funcionamento enquanto processo significativo; do método arqueogenealógico de Foucault (1990,
                1996, 2000a, 2000b, 2006, 2007, 2008a, 2008b), que embora tenha sido um historiador e filósofo, foi
                adotado pela AD para discutir questões como o saber, o poder e a vontade de verdade, trazendo
                conceitos caros à proposta de análise a ser empreendida nesta tese, como os de formação discursiva e
                memória discursiva; da obra derridiana (1994, 2001a, 2001b) que, seguindo a mesma linha de
                “adoção” pela AD, citada anteriormente, contribui com noções importantes como a de memória e
                arquivo; e, dos estudos decoloniais, como perspectiva diferenciada das teorias eurocêntricas de outros
                autores, que colaboram, portanto, de modo significativo, na desconstrução de um pensamento
                unilateral e colonizatório. De maneira metodológica, a tese divide-se em três partes. Na primeira parte,
                apresento as condições de produção dos dizeres de Jair Bolsonaro, no objetivo de elucidar em que
                circunstâncias esses discursos foram produzidos, trazendo à tona a trajetória do deputado federal que
                chegou à Presidência da República, nas eleições de 2018, sem participar da grande maioria dos debates
                políticos organizados naquele pleito eleitoral. A segunda parte detalha os pressupostos teóricos e
                metodológicos utilizados nesta pesquisa, apresentando os autores e suas concepções advindas da
                Análise do Discurso (AD), do método arqueogenealógico, da teoria derridiana e mobilizando conceitos
                dos estudos decoloniais. A terceira e última parte foi dividida em três “eixos” específicos, a fim de
                estabelecer um exame mais “didático” dos recortes discursivos: representações de si do
                sujeito/presidente; representação de terra do sujeito/presidente e representações que o
                sujeito/presidente tem dos indígenas brasileiros. Nela, tem-se a problematização dos discursos
                proferidos por Jair Bolsonaro, ao longo de mais de três décadas de carreira política, explorando
                questões que, em especial, envolvem a terra, e a discriminação sofrida pelos indígenas, desde o
                processo colonizatório até os dias atuais. Do gesto interpretativo analítico, resultados apontam para o
                processo de exclusão/marginalização do indígena, bem como para suas condições de
                existência/resistência, uma vez que, conforme a mobilidade do poder de Foucault (1990), o indígena
                resiste, se organiza para lutar contra esses discursos e contra a opressão da sociedade capitalista.
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                LÉXICO E RELIGIOSIDADE POPULAR E SUAS INTERFACES COM A CULTURA: DENOMINAÇÕES PARA “DIABO” E “FANTASMA” NO INTERIOR DE SÃO PAULO - DADOS DO PROJETO ALiB
                Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                Tipo Tese
                Data 21/03/2025
                Área LETRAS
                Orientador(es)
                • Aparecida Negri Isquerdo
                Coorientador(es)
                  Orientando(s)
                  • Adriana Pereira Santana
                  Banca
                  • Aparecida Negri Isquerdo
                  • Beatriz Aparecida Alencar
                  • Bruno Oliveira Maroneze
                  • Elizabete Aparecida Marques
                  • Geisa Borges da Costa
                  • Greize Alves da Silva
                  • Renato Rodrigues Pereira
                  Resumo O nível lexical de uma língua demonstra visões de cunho social, histórico e, sobretudo, cultural de uma sociedade, revelando formas como cada comunidade percebe o mundo. Assim, é por meio da inter-relação léxico, cultura e sociedade que os falantes elaboram e concretizam o conhecimento. Nesse sentido, esta Tese tem por objetivo mais amplo analisar um recorte do vocabulário utilizado pelos falantes paulistas no que tange a temas relacionados à área semântica Religião e Crenças, do Questionário Semântico-Lexical (QSL) do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), questão 147 – “Deus está no céu e no inferno está o_______” e questão 148 - “O que algumas pessoas dizem já ter visto, à noite, em cemitérios ou em casas, que se diz que é do outro mundo? ________” (Comitê Nacional..., 2001, p. 33), com ênfase na dimensão cultural do léxico. Para tanto, foram delimitados os seguintes objetivos específicos: identificar e sistematizar as denominações fornecidas pelos informantes do Projeto ALiB para nomear as entidades “diabo” e “fantasma”; analisar a distribuição diatópica das denominações apuradas, por meio de cartas linguísticas; discutir a proposta de um possível “falar paulista” na área investigada, além de investigar inter-relações entre o acervo lexical que compôs o corpus da pesquisa e vestígios de uma cultura transmitida de geração para geração. Para tanto, adotaram-se contribuições da Lexicologia (Biderman, 1998; 2001a; 2002); da Dialetologia e Geolinguística (Amaral, 1976; Cardoso, 2010; Cardoso et al, 2014a; Cardoso et al, 2014b) e da Antropologia Linguística (Duranti, 2000). O percurso metodológico foi traçado a partir dos dados registrados por meio de inquéritos linguísticos realizados nas 37 localidades do interior do estado de São Paulo, que compõem a rede de pontos do Projeto ALiB. Para a questão 147/QSL, foram apurados 337 registros lexicais que, após analisados, validados e agrupados, resultaram em 14 denominações para o conceito em questão: diabo, capeta, satanás, demônio, lúcifer, coisa ruim, cão, chifrudo, inimigo, tentação, cramulhano, sujo, bicho e tinhoso. Já a questão 148/QSL gerou 225 registros lexicais com 17 denominações validadas: assombração, fantasma, alma penada, vulto, alma, espírito, alma de outro mundo, visão, alma perdida, sombra, visagem, coisa do outro mundo, alma abandonada, alma vagabunda, encosto, espírito ruim e capa preta. O repertório de dados catalogados, além de ter dado mostras da norma lexical do português falado no interior de São Paulo, indicou as seguintes tendências em se tratando do recorte lexical analisado: i) consolidação da norma lexical dos falantes do interior do estado de São Paulo que, por sua vez, indica para casos de representação social, no âmbito da cultura dos paulistas – diabo, capeta, satanás, assombração, fantasma; ii) sinalização para vestígios de uma cultura cristalizada na configuração social, bem como a indicação de que a geração mais jovem (18-30 anos) se apropriou de formas lexicais utilizadas pela geração mais idosa (50-65 anos) para nomear a entidade em questão – inimigo, capeta, coisa de outro mundo, sombra –, o que sinaliza para o fenômeno do conservadorismo lexical, assim como, para a existência de denominações “candidatas” a caírem em desuso no léxico dos falantes em causa – tinhoso, sujo, alma de outro mundo; iii) presença do fenômeno tabus linguísticos que traduzem julgamentos sociais dos falantes e evidenciam a força de fatores extralinguísticos e culturais na seleção vocabular dos falantes paulistas – coisa ruim, tentação, visão, sombra.
                  Os resultados da pesquisa mostram, pois, para a confirmação das hipóteses de que o repertório lexical veiculado no interior de São Paulo para denominar conceitos associados à área semântica selecionada resulta da interação entre léxico e cultura, transmitidos de geração para geração, do mesmo modo que as denominações para conceitos associados à área semântica Religião e Crenças são resultantes de práticas herdadas de diversas culturas, por meio da comunicação. Por fim, a análise possibilita depreender que o conjunto vocabular analisado expressa aspectos significativos para a compreensão da linguagem como prática cultural e ratifica a preeminência do léxico e a amalgamada relação entre aspectos linguísticos, históricos e culturais da área semântica em questão, expressos pelos paulistas entrevistados.


                  PALAVRAS-CHAVE: léxico; diabo; fantasma; Projeto ALiB; São Paulo.
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                  Reconfigurações da noticiabilidade na pós-convergência: manifestações residuais no jornal Correio do Estado (MS)
                  Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                  Tipo Tese
                  Data 17/03/2025
                  Área LETRAS
                  Orientador(es)
                  • Marcos Paulo da Silva
                  Coorientador(es)
                    Orientando(s)
                    • Nathalia Lopes da Silva
                    Banca
                    • Laura Strelow Storch
                    • Marcia Gomes Marques
                    • Marcos Paulo da Silva
                    • Mario Luiz Fernandes
                    • Ramiro Giroldo
                    • Vivian de Carvalho Belochio
                    Resumo Esta pesquisa se propõe a problematizar possíveis alterações na lógica jornalística da noticiabilidade (Shoemaker, 2006; Shoemaker, Cohen, 2006; Silva, 2013) em um recorte geográfico regional peculiar – na redação jornalística do Correio do Estado, veículo localizado em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul – a partir de um contexto de transformações nas formas contemporâneas de sociabilidade e nos modos de produção, circulação e consumo de bens simbólicos que aportam numa cultura de “pós-convergência midiática” (Fagerjord, 2011, Nash, 2012, Ramírez, 2013). Para tanto, a pesquisa busca compreender e debater a hipotética dissolução da noção tradicional de regularidade temporal como característica central das rotinas produtivas (Martín-Barbero, 2003; Thompson, 1998) e da própria concepção de vida cotidiana (Heller, 2016; Souza Martins, 2003) como padrão cultural hegemônico da sociedade contemporânea (Berger e Luckmann, 1985; Giddens, 1991; Lipovetsky, 2005). Para que o objetivo central do estudo seja alcançado, reflete-se sobre como a desconstrução contemporânea da noção tradicional de vida cotidiana (Heller, 2016; Souza Martins, 2003) tenciona os conceitos de “convergência midiática” (Jenkins, 2001; 2008) e de “convergência jornalística” (Salaverría; Negredo, 2008, Barbosa, 2009) como construções culturais que abrem caminho para a lógica da “pós-convergência” (Fagerjord, 2010; Nash, 2012; Ramírez, 2020) e alteram a própria concepção de seleção noticiosa em um cenário regional – isto é, busca-se uma proposição para o conceito de pós-convergência jornalística e sua aderência residual na prática do jornalismo sul-mato-grossense. Em termos do itinerário do estudo, desenvolve-se uma discussão teórico-conceitual de caráter bibliográfico que embasa a etapa empírica da pesquisa, a qual é fundamentada no modelo metodológico proposto por Lopes (2003). Tal modelo prevê o desenvolvimento de quatro instâncias de pesquisa: a) epistemológica (vigilância epistêmica); b) teórica (definição de quadros de referência); c) metódica (proposição de quadros de análise); e d) técnica (construção da empiria e análise dos dados) (Lopes, 2003). Após a realização dos
                    procedimentos relacionados às três primeiras instâncias, a etapa relacionada à instância técnica envolveu três momentos: 1) observação direta na redação do veículo Correio do Estado e realização de entrevistas semiestruturadas com jornalistas do veículo, contemplando diferenças, como gênero, idade e nível hierárquico; 2) tratamento dos dados por meio da descrição e 3) interpretação dos dados, com base na discussão teórica-conceitual e na sistematização dos resultados. Como principais resultados destacam-se: a) a confirmação da ideia de que a noticiabilidade não se refere às características intrínsecas de um acontecimento, mas ao “julgamento pessoal” (Shoemaker, 2016), inscrito na construção de sentido coletivo da vida cotidiana, que determina se esse acontecimento tem potencial para se tornar notícia no espaço simbólico da redação, baseado nas dimensões do “desvio e da significância social” (Shoemaker, 2014); b) que os acontecimentos relacionados ao contexto local e regional sofrem menos influência de algoritmos e métricas digitais no processo de noticiabilidade; c) que as dimensões da noticiabilidade, como o desvio e significância social, envolvem aspectos que abarcam o contexto socioeconômico e cultural nas especificidades do Mato Grosso do Sul e de seus jogos de forças; d) que o processo de noticiabilidade no contexto Sul-mato-grossense também é moldado, sobremaneira, pelas suas particularidades culturais, econômicas e sociais; e) a identificação, ainda que de forma residual, das transformações em curso no processo de noticiabilidade em um contexto peculiar de pós-convergência jornalística.
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                    Escrevivência Fronteiriça: corpogeografias de vida
                    Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                    Tipo Tese
                    Data 07/03/2025
                    Área LETRAS
                    Orientador(es)
                    • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                    Coorientador(es)
                      Orientando(s)
                      • Viviani Cavalcante de Oliveira Leite
                      Banca
                      • Angela Maria Guida
                      • Arnaldo Pinheiro Mont'Alvão Júnior
                      • Carlos Igor de Oliveira Jitusumori
                      • Carlos Vinicius da Silva Figueiredo
                      • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                      • Marta Francisco de Oliveira
                      • Tiago Osiro Linhar
                      Resumo Esta tese desenvolve uma teorização epistêmico-conceitual a partir do
                      conceito de Escrevivência, cunhado por Conceição Evaristo, expandindo-o para uma
                      perspectiva fronteiriça como prática epistêmica descolonial, articulando as dimensões do
                      ser, do saber e do método na produção de conhecimento a partir das fronteiras do
                      sistema-mundo moderno/colonial. A pesquisa estrutura-se em três eixos fundamentais
                      que correspondem aos seus capítulos centrais. O primeiro capítulo traça uma genealogia
                      da colonialidade do ser, estabelecendo conexões entre a perseguição histórica aos
                      corpos dissidentes - da fogueira europeia à colonização brasileira - e propondo a
                      escrevivência fronteiriça como prática de desobediência epistêmica por meio da inclusão
                      das corpogeografias de vida na produção do saber acadêmico. O segundo capítulo
                      desenvolve uma reflexão sobre as epistemologias da exterioridade, contrapondo o
                      mundo imaginário colonial ao mundo-vida fronteiriço, e articula os conceitos de
                      sentipensar e pensamento próprio para fundamentar a práxis do corpo epistêmico
                      fronteiriço escrevivente. O terceiro capítulo apresenta a gramática da escrevivência
                      fronteiriça como metodologia insurgente, fundamentada na ética do desprendimento e
                      na articulação entre corpopolítica e geopolítica do conhecimento, culminando na
                      continuidade do desenvolvimento da teorização das corpogeografias de vida, o sexto
                      sentido, como expressão desta prática metodológica. A pesquisa parte de uma
                      epistemologia de cunho crítico biográfico fronteiriço, uma vez que pensa a partir de lócus
                      e de corpos específicos, ancorada principalmente nas teorias descoloniais de Walter
                      Mignolo e nas reflexões teóricas de Edgar Cézar Nolasco. A investigação sustenta que
                      a escrevivência fronteiriça, ao emergir de corpos marcados pela diferença ontológica
                      colonial, subverte a estratégia fundamental do projeto moderno/colonial: a exclusão
                      epistêmica dos corpos e sua consequente desincorporação na produção de
                      conhecimento. Como limitações da pesquisa, reconhece-se que a própria natureza do
                      trabalho, ao propor uma metodologia emergente e situada, enfrenta o desafio de sua
                      validação nos marcos epistêmicos tradicionais da academia. Ademais, a amplitude das
                      experiências fronteiriças e a diversidade de contextos geopolíticos não podem ser
                      totalmente contempladas em um único estudo, sugerindo a necessidade de futuras
                      investigações que ampliem e aprofundem as proposições aqui apresentadas.
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                      UM ESTUDO SEMIÓTICO SOBRE O DOMÍNIO AFETIVO DA APRENDIZAGEM
                      Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                      Tipo Tese
                      Data 28/02/2025
                      Área LETRAS
                      Orientador(es)
                      • Sueli Maria Ramos da Silva
                      Coorientador(es)
                        Orientando(s)
                        • Poliana Quintiliano Silvesso de França
                        Banca
                        • Aline Saddi Chaves
                        • Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
                        • Daniervelin Renata Marques Pereira
                        • Eliane Aparecida Miqueletti
                        • Fabiana Pocas Biondo
                        • Geraldo Vicente Martins
                        • Sueli Maria Ramos da Silva
                        Resumo Após a promulgação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2017), a afetividade, enquanto modalidade de aprendizagem contemplada no currículo, passou a ser considerada em livros didáticos. Em vista das estratégias de letramento em língua adicional presentes em alguns deles (Franco; Tavares, 2018a, 2018b; Franco, 2018a, 2018b), a nossa hipótese é de que as estratégias selecionadas são insuficientes para promover as habilidades afetivas ligadas ao eixo da leitura. É necessário ressaltar que a afetividade tem sido alvo de diversos debates que relacionam políticas educacionais, políticas linguísticas, currículo e práticas didáticas (Arias, 2010, 2011; Freire, 2011; Kaneoya, 2015; Leite, 2018; Hooks, 2020), uma tendência crescente diante das revisões teóricas que permeiam o campo das linguagens e questionam a racionalização e a prática científica. Diante disso, o objetivo geral deste trabalho é analisar a constituição do domínio afetivo da aprendizagem no currículo nacional (Brasil, 2017a), considerando as discussões que embasam as políticas linguísticas e culminam na formulação de livros didáticos de língua inglesa. Por sua vez, os objetivos específicos consistem na análise do domínio afetivo na sua relação com os documentos que participam do currículo nacional; a classificação das habilidades afetivas presentes na BNCC para o componente curricular de Língua Inglesa, ensino fundamental, de modo a identificar relações entre o domínio cognitivo e afetivo. De igual modo, a análise da coleção de livros didáticos Way to English (Franco; Tavares, 2018a, 2018b; Franco, 2018a, 2018b) para os anos finais do ensino fundamental. Metodologicamente, a fim de contextualizar e justificar o nosso trabalho, apresentamos a semiótica didática (Greimas, 1979), uma prática de análise que tem se estruturado no interior da Semiótica Discursiva como eixo de articulação entre o ensino e a própria teoria. Trata-se de um projeto de semiótica aplicada ao ensino (Silva et al., 2024; Pereira, 2019; Portela, 2019). Teceremos também intersecções entre as noções de competencialização e responsabilização (Greimas, 1979), tomadas como efeitos de sentido dos discursos didáticos, além de algumas contextualizações políticas e dos documentos oficiais do currículo (PCNs, DCNs e BNCC – Língua Inglesa).. Propomos uma classificação das habilidades que correspondem ao domínio afetivo e cognitivo presentes na BNCC – Língua Inglesa, em articulação às proposições de Bloom, Krathwohl e Masia (1982) e Anderson et al. (2001), que viabilizam, no último capítulo, a análise da coleção de livros didáticos supracitada. A fim de fundamentar este trabalho, partimos da noção de interação, conforme as concepções teóricas da Semiótica Discursiva, acrescida de seus recentes desdobramentos tensivos (Zilberberg, 2011; Lima, 2014; Tatit, 2019; Mancini, 2020), que a concebe também como processo de apropriação afetiva da significação. Isso se deve às proposições metodológicas da teoria, que permitem, em uma análise do devir ascendente e descendente, articulada aos eixos intensidade x extensidade, bem como da modulação de suas subcategorias, observar as interações afetivas recorrentes no discurso. Como resultado, mostramos como a afetividade se apresenta nos enunciados curriculares e quais as estratégias envolvidas na promoção de habilidades que remetem a esse domínio, mais precisamente em relação às habilidades de leitura.

                        Palavras-chave: semiótica didática, semiótica tensiva, habilidades afetivas.
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                        LITERATURAS NATIVAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA: uma possibilidade de desobediência epistêmica
                        Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                        Tipo Tese
                        Data 17/12/2024
                        Área LETRAS
                        Orientador(es)
                        • Patricia Graciela da Rocha
                        Coorientador(es)
                          Orientando(s)
                          • Ivonete Nink Soares
                          Banca
                          • Adriana Oliveira de Sales
                          • Angela Maria Guida
                          • Fabiana Pocas Biondo
                          • Fernanda Vieira de Sant Anna
                          • Patricia Graciela da Rocha
                          • Rodrigo Acosta Pereira
                          • Suzana Vinicia Mancilla Barreda
                          Resumo A colonização de Pindorama, termo de origem tupi-guarani utilizado pelos povos nativos da
                          região costeira para se referir ao que hoje chamamos Brasil, deixou marcas profundas na
                          nossa cultura e sociedade. Desde então, as colonialidades do ser, do saber e do poder
                          persistem na sociedade brasileira e, de forma incisiva, no ambiente escolar. Muitos aspectos
                          relacionados à cultura europeia foram supervalorizados, causando o apagamento e a
                          desvalorização das diversidades identitárias do país, especialmente em relação aos grupos
                          minorizados, como os povos nativos. Durante séculos, a educação formal esteve restrita às
                          classes dominantes, com livros e materiais didáticos que refletiam apenas a visão dos
                          colonizadores. No entanto, nas últimas décadas, narrativas minoritárias, especialmente de
                          autoria de pessoas que se identificam com alguma etnia indígena, começaram a ser
                          incorporadas nos ambientes de aprendizagem, abrindo espaço para novas perspectivas
                          históricas e culturais. Em 10 de março de 2008, a Lei 11.645 tornou obrigatório o ensino das
                          histórias e culturas dos povos originários no currículo escolar nacional, com destaque nas
                          áreas de artes, literatura e história. Essa legislação promoveu um espaço nos currículos
                          escolares para a revisão de questões culturais e históricas antes silenciadas. Diante desse
                          contexto, este estudo, com base na linguística aplicada, objetiva refletir sobre como o trabalho
                          com literaturas nativas no ensino de língua portuguesa e literatura na Educação Básica,
                          especialmente no Ensino Médio, pode contribuir para a construção de uma nova perspectiva
                          sobre as identidades dos povos originários brasileiros. O estudo visa também à revisão de
                          mitos, crenças, preconceitos e estereótipos enraizados na sociedade e à promoção da
                          desobediência epistêmica no campo educacional. Para tanto, esta pesquisa qualitativa, de
                          caráter aplicado e exploratório, adota a metodologia de pesquisa-ação. A geração de dados
                          inclui a aplicação de dois questionários (inicial e final) e o desenvolvimento de uma sequência
                          didática de caráter decolonial, utilizando livros de literárias nativas. Essas atividades foram
                          realizadas com 30 alunos de uma turma da 2ª série do Ensino Médio de uma escola pública
                          em Porto Velho-RO, a fim de observar os impactos da Lei 11.645/08, implementada há mais
                          de 12 anos. A análise interpretativista foi conduzida a partir dos comentários dos alunos sobre
                          como se identificam e identificam o outro (o sujeito nativo), com base nas seguintes questões:
                          O que é ser indígena? O que define uma pessoa como indígena? Com esta pesquisa pretendo
                          contribuir para uma abordagem mais inclusiva e crítica no ensino de língua portuguesa e
                          literatura, desafiando preconceitos e promovendo uma compreensão mais profunda e
                          contextualizada das identidades e culturas que constituem o Brasil.
                          DOCENTES NEGRAS DA UFMS E AS MODALIDADES DE IDENTIFICAÇÃO RACIALIZADA: DISCURSO E(M) RESISTÊNCIA
                          Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                          Tipo Tese
                          Data 17/12/2024
                          Área LETRAS
                          Orientador(es)
                          • Elaine de Moraes Santos
                          Coorientador(es)
                            Orientando(s)
                            • Ovidio da Conceição Batista Junior
                            Banca
                            • Argus Romero Abreu de Morais
                            • Elaine de Moraes Santos
                            • Juliana da Silveira
                            • Kátia Alexsandra dos Santos
                            • Marlon Leal Rodrigues
                            • Rosivaldo Gomes
                            • Thaize de Souza Reis
                            Resumo Esta pesquisa tem como objeto a irrupção de modalidades de identificação racializada quando professoras negras da UFMS produzem narrativas de si. Para tanto, aciono o dispositivo teórico-metodológico da Análise de Discurso pecheuxtiana, em diálogo com o Feminismo Negro. Metodologicamente de base qualitativo-interpretativista, a descrição e a interpretação das SDs – Sequências Discursivas (Courtine, 2009), recortadas das respostas obtidas em cinco entrevistas semiestruturadas, decorrem em relação direta e constitutiva com suas condições de produção (Orlandi, 2005). No bojo do arcabouço epistemológico, conjecturo a seguinte pergunta: “Como se constituem as modalidades de identificação racializada nas respostas de professoras autodeclaradas negras, ao falarem de suas trajetórias acadêmicas na UFMS?”. Mediante essa inquietude e somando-a às questões ontológicas de um pesquisador assentado em uma posição-sujeito de masculinidade – homem negro – estabeleço, como objetivo geral, analisar os processos de identificação racializada de professoras autodeclaradas negras na UFMS, no batimento entre os discursos de si e o gesto de interpretação (Orlandi, 2012) do analista. Na esteira do propósito maior, são objetivos específicos do estudo: a) problematizar como interseccionalidade se entrecruza na batalha por democracia racial e pelo fim da opressão sexista e patriarcal (Carneiro, 2003; Gonzalez, 2020; Kilomba, 2019) que atinge a trajetória de inserção e atuação de professoras negras na UFMS; b) delinear, à luz de uma disciplina de entremeio, as condições de produção e o processo de pesquisa no escopo do debate sobre discursos racializados e as modalidades de identificação; c) exercer uma escuta discursiva (Orlandi, 2005) das SDs. Tendo em vista os objetivos traçados, proponho a tese de que o construto discursivo da racialização na UFMS emerge como efeito da interpelação ideológica (Pêcheux; Fuchs, 1997) das sujeitas investigadas que se contra-identificam (Pêcheux, 2009) com uma formação social que, no escopo deste trabalho, regula uma FD patriarcal e racista. No batimento (Freire, 2021) entre as narrativas de si (delas) e uma posição-sujeito outra – a do pesquisador – para além de trajetórias marcadas pela interdição de discursos estabilizados sobre o que é ser professora negra no ensino superior e, concomitante às conquistas narradas, há, como recorrência, a produção da resistência (Pêcheux, 2014) ao epistemicídio (Carneiro, 2003). Nas SDs analisadas, isso se dá, principalmente, na articulação de duas marcas na superfície linguística: a negação e a presentificação da ausência. No que tange à historicidade com que irrompe a não identificação plena com os saberes defendidos pela forma-sujeito que opera regulando uma FD patriarcal e racista, no jogo entre reconhecimento e representação, a legitimidade do lugar ocupado pode ser parte preponderante na produção de mais sensibilidades epistêmicas racializadas em âmbito universitário.

                            Palavras-chave: Docentes negras. Masculinidade negra. Discursos racializados. Ensino superior.
                            Sentidos em versos: correlações poéticas, figuras e temas de identidade na obra de Cristiane Sobral
                            Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                            Tipo Tese
                            Data 12/12/2024
                            Área LETRAS
                            Orientador(es)
                            • Geraldo Vicente Martins
                            Coorientador(es)
                              Orientando(s)
                              • Andréia Reis Bacha
                              Banca
                              • Geraldo Vicente Martins
                              • José Antonio De Souza
                              • Julio Neves Pereira
                              • Leticia Moraes Lima
                              • Rosana Cristina Zanelatto Santos
                              • Sueli Maria Ramos da Silva
                              • Tiana Andreza Melo Antunes
                              Resumo Este trabalho analisa, na poesia de Cristiane Sobral, poeta mineira, os efeitos de sentido resultantes da correlação entre categorias do plano de conteúdo e categorias do plano de expressão, a partir dos quais é possível estabelecer a elocução de uma poética identitária própria, marcada pela especificidade de sua criação no contexto da literatura brasileira contemporânea cuja autoria provém de mulheres negras. Para isso, recorremos ao modelo teórico-metodológico proposto pela semiótica discursiva para estudar o modo de geração dos sentidos no interior desses textos na articulação dos elementos do conteúdo com elementos da expressão, decorrente das projeções semissimbólicas. Ainda, para respaldarmos nossas análises, fez-se necessário agregar aos estudos a semiótica das paixões, uma vez que a dimensão passional se faz presente nos textos poéticos, dos quais se tem a percepção dos “estados de alma do sujeito”, explícita ou implicitamente investidos no discurso. Além das análises propriamente ditas, discorremos sobre estudos da literatura de autoria feminina negra, destacando-se a proposição de uma estilística afrodescendente que perpassa as produções de autoria feminina negra; ademais, fez-se importante estabelecer a condição da mulher submetida ao escravismo, procedendo-se a um recorte histórico desse período. Finalmente, apresentamos a análise semiótica dos seguintes textos da obra Não vou mais lavar os pratos, de autoria de Cristiane Sobral (2016a): “Escuridão da vitória”; “Opção”; “Nzingas guerreiras”; “Escova progressiva”; “Refazendo a cabeça”; “Heroína crespa”; “Lente de contato”; “Verdade”, nos quais foi possível perceber a construção da temática da identidade negra a partir da correlação entre categorias do plano do conteúdo e do plano da expressão, cuja essência figurativa recai sobre o “cabelo negro”, em discurso que propõe o enaltecimento da mulher negra a partir de sua raiz identitária.

                              Palavras-chave: Poética; Conteúdo e expressão; Semissimbolismo; Dimensão passional.
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                              DIALOGANDO SOBRE EDUCAÇÃO DE SURDOS, (DE)COLONIALIDADE E LETRAMENTO VISUAL CRÍTICO
                              Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                              Tipo Tese
                              Data 12/12/2024
                              Área LETRAS
                              Orientador(es)
                              • Nara Hiroko Takaki
                              Coorientador(es)
                                Orientando(s)
                                • Maurício Loubet
                                Banca
                                • Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
                                • Danielle Cristina Mendes Pereira Ramos
                                • Felipe de Almeida Coura
                                • IVANI RODRIGUES SILVA
                                • Nara Hiroko Takaki
                                • Patricia Graciela da Rocha
                                • Rosivaldo Gomes
                                Resumo A educação de alunos Surdos é uma questão amplamente debatida devido aos inúmeros obstáculos linguísticos e metodológicos que comprometem o desenvolvimento da aprendizagem desses estudantes. Para desenvolver a pesquisa, estabelecemos o seguinte objetivo geral: problematizar as contribuições do letramento visual crítico e da perspectiva (de)colonial para a educação de Surdos. Partindo de tal objetivo, especificamente almejamos: 1) Discutir os conceitos de Letramento Visual Crítico articulando suas definições, características e relevância no contexto educacional; 2) Descrever as manifestações e implicações de ocorrências (de)coloniais na educação de Surdos. Com o intento de alcançarmos tais objetivos, selecionamos a pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa, para desenvolver as reflexões emergidas durante a pesquisa. O levantamento bibliográfico foi realizado em janeiro de 2023 e identificou teses e dissertações publicadas de 2000 a 2019. Sendo assim, recorremos a pesquisas atinentes à educação de Surdos (Ferreira, 2019; Mendes, 2015; Perlin, 2003; Giordani, 2003; Nascimento, Silva, 2019; Mahl, Ribas, 2013; Sá, 2006; Lane, 2008; Longman, 2007; Freitas, 2021; Lobato, 2023; Quadros, 1997 e entre outras), ao letramento visual crítico (Ferraz, 2011, 2012, 2014, 2019; Mizan, 2011, 2013; Cotrim, 2018; Ferraz e Mizan, 2019, 2023; Mizan e Ferraz, 2021; Cotrim e Ferraz, 2014; Takaki, 2012 e entre outras) e à (de)colonialidade (Maldonado-Torres, 2003; Mignolo, 2003, 2017; Quijano, 2005, 2007; Walsh, 2009 e entre outras). Além de discutirmos esses âmbitos, elaboramos três eixos reflexivos com indagações para fomentar as possíveis significações e pontos de vista gerados a partir de imagens que selecionamos. Os resultados indicam uma ausência de pesquisas focadas no letramento visual crítico para Surdos, destacando a necessidade de expandir os horizontes metodológicos e teóricos para incluir e valorizar as experiências visuais e comunicativas dos Surdos nesse âmbito de pesquisa.

                                Palavras-chave: Surdos, educação, letramento visual crítico, (de)colonialidade
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                                A POÉTICA ECOLÓGICA EM OBRAS DE MIA COUTO: UMA ANÁLISE ECOCRÍTICA
                                Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                                Tipo Tese
                                Data 05/12/2024
                                Área LETRAS
                                Orientador(es)
                                • Angela Maria Guida
                                Coorientador(es)
                                  Orientando(s)
                                  • Gleidson André Pereira de Melo
                                  Banca
                                  • Angela Maria Guida
                                  • Antônio Máximo von Söhsten Gomes Ferraz
                                  • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                                  • Leoné Astride Barzotto
                                  • Marta Francisco de Oliveira
                                  • Patricia Graciela da Rocha
                                  • Raysa Luana da Silva
                                  Resumo Esta tese tem como objetivo apresentar aspectos da poética ecológica em obras
                                  selecionadas do escritor moçambicano Mia Couto e analisar, sob a orientação dos
                                  pressupostos da ecocrítica, questões relacionadas à estreita relação entre humanos
                                  e natureza. Narrativas e cenários ambientais presentes nas obras de Mia Couto
                                  destacam-se por apresentarem características que podem ser lidas por meio da
                                  compreensão ecocrítica que perpassam por aspectos culturais e ambientais do
                                  lugar comum à relevância de temáticas ambientais de interesse global. Por este ângulo,
                                  o corpus literário sinaliza para um olhar crítico e atento às inter-relações entre o humano
                                  e a natureza, não por modismos ecológicos, mas sobre as atitudes humanas diante
                                  de contextos sociais, culturais e econômicos. A fim de alcançar os objetivos propostos,
                                  foram analisados os seguintes contos: “A palmeira de Nguézi”, Contos do nascer da
                                  Terra (Couto, 2014); “O embondeiro que sonhava pássaros” e “A princesa russa”,
                                  Cada homem é uma raça (Couto, 2013); “Chuva: a abensonhada”, Estórias
                                  abensonhadas (Couto, 2012); “Rosita”, Na berma de nenhuma estrada (Couto, 2016)
                                  e “O observatório”, As pequenas doenças da eternidade (Couto, 2023). As bases
                                  teóricas que fundamentaram os estudos ecocríticos foram amplas e incluíram autores
                                  como Cheryll Glotfelty, Timothy Morton, Greg Garrard, Terry Gifford, Donna Haraway,
                                  Catherine Walsh, Evando Nascimento, Stefano Mancuso, Malcom Ferdinand,
                                  Vandana Shiva e Ailton Krenak. Esta tese possibilitou reflexões que evidenciam a
                                  literatura de Mia Couto como uma das precursoras no âmbito dos estudos ecocríticos
                                  relacionados à literatura africana. Ao buscar respostas para os objetivos e hipótese
                                  de pesquisa, o estudo evidenciou que a poética ecológica nas obras de Mia Couto
                                  apresenta relevância fundamental para a compreensão das relações entre seres
                                  humanos e natureza. Diante do contexto transdisciplinar que envolve literatura e meio
                                  ambiente, o estudo fornece elementos importantes para a compreensão das relações
                                  humanas com a natureza na perspectiva ecocrítica, e amplia o diálogo entre diferentes
                                  áreas do conhecimento.
                                  Palavras-chave: Mia Couto; Literatura e meio ambiente; Ecocrítica; Ecologia decolonial;
                                  Ecologia das imagens.
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                                  A DESOBEDIÊNCIA POÉTICA DE CORPOS-ANTÍGONAS: CENAS DE CORPOS QUE NÃO IMPORTAM
                                  Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                                  Tipo Tese
                                  Data 04/12/2024
                                  Área LETRAS
                                  Orientador(es)
                                  • Angela Maria Guida
                                  Coorientador(es)
                                    Orientando(s)
                                    • Bruna Franco Neto
                                    Banca
                                    • Andre Rezende Benatti
                                    • Angela Maria Guida
                                    • Igor Teixeira Silva Fagundes
                                    • Leoné Astride Barzotto
                                    • Patricia Graciela da Rocha
                                    • Raysa Luana da Silva
                                    • Rosana Cristina Zanelatto Santos
                                    Resumo O presente trabalho apresenta uma investigação sobre a apropriação e a desapropriação, nos termos de Rivera Garza (2013), pela América Latina contemporânea da figura clássica Antígona. Assumindo uma perspectiva adjetiva de antígona, o trabalho explora novas possibilidades interpretativas de corpos-antígonas latino-americanas por meio da arte performática e da literatura. Para isso, ele se divide em dois momentos. No primeiro, compartilho as experiências de minhas vivências artísticas, tanto como artista quanto como espectadora e pesquisadora. Nessa troca, compartilho leituras a partir da vivência artística da minha participação no Projeto Agora Antígona — Performance em Rede, desenvolvido pela Grupo e Produtora Cultural Cabeça de Cuia, da Bahia, no início da pandemia de 2020. Esse projeto convocou artistas a reinterpretarem o mito de Antígona por meio de performances realizadas em rede, enfatizando a relevância contemporânea da desobediência e da resistência encarnadas pela personagem. Na reflexão proposta sobre as performances, trago algumas considerações acerca da performance, especialmente sob o olhar de Cohen (2002) e de Zumthor (2007), o primeiro elucidando a performance enquanto arte de fronteira, múltipla, e o segundo propondo a performance como um ato da linguagem, dotada de corporeidade. No segundo momento, volto a falar a partir da obra literária que aqui será lida: Antígona González. Uma obra latino-americana que, ainda que recupere a figura mitológica grega, transcende-a para as lutas do lado de cá, trazendo para o seu poema-dramatúrgico várias vozes de muitos corpos-antígonas, ficcionais e não-ficcionais. A leitura analítica de Antígona González vai se compondo por meio de três pontos especiais. São eles: o corpo, a desobediência e a memória. Esses pontos também são discutidos se entrelaçando e resgatando a abordagem performática trazida na primeira parte. O corpo lido nessas obras, literária e performática, vai sendo construído e amparado nas teorias de David Lapoujade (2002), Deleuze (2002), Le Breton (2007), José Gil (1997), Butler (2019) e Henz (2012). O corpo, nessas obras, é entendido não apenas como uma entidade física, mas como um espaço de resistência, criação de sentido e elaboração de memórias. A desobediência é outro ponto fundamental do trabalho, abordada tanto como um ato político quanto como uma prática epistêmica. Para amparar a discussão, são trazidas as teorias de Frédéric Gros (2018), Judith Butler (2022), Walter Mignolo (2008) e outros para demonstrar como a desobediência desses corpos-antígonas, nas obras analisadas, se manifesta como uma resistência à necropolítica (Mbembe, 2018) e ao controle social, político e cultural. A desobediência é, portanto, vista como uma alternativa radical e poética à violência do estado e à hierarquização da vida. Entrelaçando toda a escrita do trabalho, a memória é explorada como um processo de construção e reconstrução contínua, mediado pela arte, literária ou não, e pela performance. Para tanto, é proposto diálogo com os trabalhos de Assmann (2011), Gagnebin (2006) e Rivera Garza (2013) para argumentar que as obras literárias e performáticas investigadas não apenas recuperam memórias silenciadas, mas também criam novos espaços de resistência e identidade. A memória, na perspectiva do trabalho, é um ato de desobediência contra a história oficial e os regimes de esquecimento.
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                                    O ESPAÇO E A CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO MELANCÓLICO: UM ESTUDO DE BARBA ENSOPADA DE SANGUE E OUTRAS OBRAS DE DANIEL GALERA
                                    Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                                    Tipo Tese
                                    Data 22/11/2024
                                    Área LETRAS
                                    Orientador(es)
                                    • Ramiro Giroldo
                                    Coorientador(es)
                                      Orientando(s)
                                      • Samara Pereira Souza de Lima
                                      Banca
                                      • Altamir Botoso
                                      • Andre Rezende Benatti
                                      • Fábio Dobashi Furuzato
                                      • Ramiro Giroldo
                                      • Rosana Cristina Zanelatto Santos
                                      • Volmir Cardoso Pereira
                                      • Wellington Furtado Ramos
                                      Resumo A presente tese tem como objetivo analisar a confluência e as implicações entre o elemento espaço ficcional e a melancolia, de modo a verificar a configuração do sujeito melancólico no romance brasileiro contemporâneo Barba ensopada de sangue (2022), e em outras obras de Daniel Galera. No decorrer da pesquisa, foram observados os conceitos de melancolia e as suas possibilidades de manifestação, por meio dos estudos de pesquisadores como Sigmund Freud (2011), Luiz Costa Lima (2017), Moacyr Scliar (2003), Hélder Moura (2022), e Jean Starobinski (2016), dentre outros. No que tange ao espaço ficcional, foram apresentadas as concepções dos estudiosos Gaston Bachelard (1978), Ricardo Gullón (1980), e Osman Lins (1976). A tese buscou analisar como o espaço contribui para provocar e revelar as nuances melancólicas que compõem a formação do protagonista de Barba ensopada de sangue (2022). As implicações entre espaço e melancolia, e a constituição do sujeito melancólico, também foram analisadas em outros personagens do autor, nas obras Até o dia em que o cão morreu (2007), Mãos de cavalo (2010), Cordilheira (2008), Meia-noite e vinte (2016) e O deus das avencas (2021). Nesse ínterim, em Barba ensopada de sangue (2022), questões como a composição do espaço hostil, a cidade em que o enredo se desenvolve, e outras manifestações simbólicas desse elemento articulador da narrativa foram essenciais para evidenciar aspectos melancólicos como a crise familiar, a solidão, a sensação de não pertencimento, a rejeição, o isolamento, a despretensão, e o vazio existencial do protagonista representado. Ademais, por meio deste estudo, é possível afirmar que a nuance melancólica é uma constante na representação dos personagens analisados, o que indica um aspecto estético da produção de Daniel Galera. Desse modo, a presente tese se mostra significativa pelas contribuições que alavanca acerca da consonância entre espaço e melancolia na constituição de personagens do autor, em especial, o protagonista de Barba ensopada de sangue (2022).
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                                      Corpos-vozes nas cenas de vidas guineenses
                                      Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                                      Tipo Tese
                                      Data 25/10/2024
                                      Área LITERATURA COMPARADA
                                      Orientador(es)
                                      • Angela Maria Guida
                                      Coorientador(es)
                                        Orientando(s)
                                        • Betinha Yadira Augusto Bidemy
                                        Banca
                                        • Angela Maria Guida
                                        • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                                        • Igor Teixeira Silva Fagundes
                                        • Marta Francisco de Oliveira
                                        • Patricia Graciela da Rocha
                                        • Raysa Luana da Silva
                                        • Vicente Aguimar Parreiras
                                        Resumo Esta tese buscou apresentar, por meio de narrativas diversas produzidas na GuinéBissau, um espaço para discutir e refletir acerca das relações existentes entre saberes
                                        literários e culturais construídos nos ambientes institucionais ou fora deles, com
                                        ênfase em produções engendradas por mulheres, de modo especial, Odete Semedo
                                        e Domingas Samy. Odete Semedo é uma poeta atuante nas pautas ligadas à
                                        alteridade feminina, na vida política do país e direitos das mulheres guineenses.
                                        Domingas Samy também volta seu olhar para as alteridades femininas e as tradições
                                        do povo guineense. A ela coube o pioneirismo de ter publicado a primeira obra em
                                        prosa na Guiné-Bissau – o livro de contos A escola, em 1993, obra com a qual
                                        dialogamos nesta tese, chamando atenção para questões como colonialismo
                                        português e casamentos arranjados. Demonstramos a relevância do Partido Africano
                                        para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e sobretudo a participação
                                        das mulheres na luta armada, em especial, Carmem Pereira e Titina Silá, excombatentes, que foram figuras emblemáticas dentro do PAIGC, sendo Titina
                                        considerada hoje Heroína nacional da Guiné-Bissau. As narrativas de ex-combatentes
                                        junto às narrativas de mulheres comuns do cotidiano junto às narrativas de mulheres
                                        literatas guineenses apareceram lado a lado nesta tese como elementos importantes
                                        na construção das cenas de vidas femininas da Guiné-Bissau, por isso teorias ligadas
                                        à oratura, oralitura e a ética e filosofia ubuntu nos foram caras para as reflexões nesta
                                        tese. Tentamos demonstrar com esta pesquisa que pensar literatura separadamente
                                        de política é uma tarefa difícil em qualquer situação, sobretudo, quando se trata de
                                        uma literatura produzida em países de África, ex-colônias, sob a rubrica de mulheres
                                        pretas. Desse modo, os corpos-vozes, os corpos-textos desta tese constituem-se
                                        naturalmente como corpos políticos. Minha hipótese de pesquisa, desse modo, centrase na proposta de ler os corpos-vozes das cenas femininas guineenses como
                                        movimentos de desobediência epistêmica, em que privilegio produções e saberes do
                                        universo acadêmico e também fora dele. Uma hipótese que sustenta que produções
                                        literárias e culturais guineenses que mesmo que não se proponham a ser políticas,
                                        uma vez estando em lugar de resistência, de desobediência epistêmica são narrativas
                                        que se colocam como políticas. É isso que defendo, porque são produzidas, em sua
                                        maioria, em uma língua não hegemônica, em uma língua ancestral étnica ou crioula,
                                        enfim, em uma língua que não é a do colonizador. Produções de autoria feminina
                                        engendradas em uma sociedade que ainda se encontra pautada em valores
                                        masculinos, logo, o diálogo com essas obras também é político. Uma política do
                                        feminino.
                                        Memoria y violencia en las producciones artísticas colombianas contemporáneas: Doris Salcedo, Óscar Muñoz y Clemencia Echeverri
                                        Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                                        Tipo Tese
                                        Data 24/10/2024
                                        Área LITERATURA COMPARADA
                                        Orientador(es)
                                        • Angela Maria Guida
                                        Coorientador(es)
                                          Orientando(s)
                                          • Miguel Angel Ariza Benavides
                                          Banca
                                          • Angela Maria Guida
                                          • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                                          • Igor Teixeira Silva Fagundes
                                          • Marcia Gomes Marques
                                          • Marcos Antônio Bessa Oliveira
                                          • Patricia Graciela da Rocha
                                          • Raysa Luana da Silva
                                          Resumo A partir do estudo das obras de Doris Salcedo: 6 e 7 de Noviembre (2002) e Quebrantos (2019),
                                          de Óscar Muñoz: Ambulatorio (1994), Proyecto para um Memorial (2004-2005), Biografias (2002),
                                          Aliento (1995), Impresiones débiles (2011) e de Clemencia Echeverri: Treno (2007), Nóctulo
                                          (2015) e Duelos (2019), o seguinte trabalho propõe problematizar a relação entre arte, memória
                                          e corpo em um cenário de violência. Através de uma análise das obras e da forma como os
                                          diferentes atores da violência - vítimas, responsáveis e testemunhas - são representados.
                                          Buscando também promover uma reflexão sobre as possíveis relações desses conceitos com o
                                          poder estatal e suas instituições de forma concreta, metafórica ou simbólica nas obras de arte.
                                          Para isso, será realizado um estudo e análise teórica, abordando principalmente os conceitos de
                                          memória, imagem e representação nas obras artísticas dos três artistas mencionados. Como
                                          ponto de debate teórico entre as diferentes obras e os conceitos abordados, a seguinte pergunta
                                          será levantada como norte de estudo: como, através das obras artísticas desses três artistas, se
                                          propõe uma forma alternativa de formulação da memória histórica dos corpos representados em
                                          contextos de violência, neste caso o colombiano, e como essa memória pode-se inscrever nos
                                          corpos físicos, teóricos, artísticos e institucionais, que se perguntam sobre a memória da
                                          violência? Refletindo e mostrando alguns dos limites da representação e a abertura para as
                                          possibilidades do irrepresentável e indizível através da arte, bem como algumas de suas
                                          possibilidades expressivas. A tese está dividida em cinco capítulos: o primeiro é introdutório para
                                          alguns conceitos básicos que permeiam as obras estudadas, bem como para entender o contexto
                                          político e social a partir do qual os artistas e suas obras são abordados neste trabalho; um capítulo
                                          será dedicado a cada artista. II. Doris Salcedo, III. Óscar Muñoz, IV. Clemencia Echeverri e o
                                          quinto e último capítulo corresponderá a uma reflexão da confluência artística e metodológica
                                          entre os três artistas assim como as suas possíveis diferenças. Busco demonstrar com o estudo
                                          desses três artistas e com algumas das suas obras, parte das formas em que se constitui a
                                          memória da violência e o conflito armado na Colômbia, como também, possíveis caminhos que
                                          vislumbrem outras possibilidades de entender e criar memória dessa violência através da relação
                                          entre arte e memória.
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