Doutorado em Estudos de Linguagens

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Trabalhos

Trabalhos Disponíveis

TRABALHO Ações
DOR, SOFRIMENTO E MORTE DE SI: REPRESENTAÇÕES DO COLAPSO SUBJETIVO EM A ARTE DA AUTOMUTILAÇÃO, DE FELIPE LION, E UM BURACO COM MEU NOME, DE JARID ARRAES
Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
Tipo Tese
Data 16/12/2025
Área LETRAS
Orientador(es)
  • Rosana Cristina Zanelatto Santos
Coorientador(es)
    Orientando(s)
    • Luiz Antonio Piesanti
    Banca
    • Andre Rezende Benatti
    • Flávio Amorim da Rocha
    • Juliana Ciambra Rahe Bertin
    • Leoné Astride Barzotto
    • MELLY FÁTIMA GOES SENA
    • Ramiro Giroldo
    • Rosana Cristina Zanelatto Santos
    Resumo A presente tese se propõe a investigar as representações da dor, do sofrimento e da morte de si
    na poesia contemporânea brasileira, a partir da problematização do suicídio e do colapso
    subjetivo como experiências historicamente silenciadas, estigmatizadas e esteticamente
    elaboradas pela linguagem literária. O objetivo geral consiste em investigar essas
    representações, tendo como objetos de estudo A arte da automutilação, de Felipe Lion (2013),
    e Um buraco com meu nome, de Jarid Arraes (2018), analisando os atravessamentos entre tema,
    em uma perspectiva histórica, pulsões de morte, em uma perspectiva psicanalítica, e estilo, em
    uma perspectiva estilística, de modo a observar como as obras transformam o corpo ferido
    (física, patológica e simbolicamente) em enunciação poética e performática. Os objetivos
    específicos são: discutir a historiografia do suicídio e da morte de si, e suas representações
    literárias, observando seus deslocamentos simbólicos ao longo do tempo; examinar, à luz da
    psicanálise, as pulsões de vida e de morte implicadas nos poemas de ambos os autores dos
    corpora; e compreender o modo como o estilo e as escolhas formais de cada autor articulam a
    experiência da dor, do sofrimento e da morte de si mesmo (consumada ou simbólica) à criação
    estética. Os corpora da pesquisa são constituídos pelas duas coletâneas poéticas supracitadas,
    analisadas a partir de uma abordagem qualitativa de caráter comparatista, fundamentada na
    leitura e análise dos textos literários, no processo de construção de sentidos a partir das nuances,
    convergências e ressonâncias que emergem entre autores de formações e contextos distintos. O
    aporte teórico articula fundamentos da Nova História, especialmente em Georges Minois e
    Philippe Ariès, da psicanálise, com Sigmund Freud e Marcelo Veras, e da crítica literária
    contemporânea, com destaque para Alfredo Bosi, Norma Goldstein e Antonio Candido. Quanto
    ao percurso metodológico, o estudo se organiza em três capítulos: o primeiro apresenta a
    perspectiva histórica do suicídio e da morte de si, bem como um levantamento do estado da arte
    por meio do Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES; o segundo desenvolve a abordagem
    psicanalítica, com ênfase na teoria das pulsões e no conceito de morte de si; e o terceiro se
    dedica à análise estilística das obras, considerando os elementos formais da linguagem poética.
    Os poemas de Lion (2013) serão analisados conforme a organização tripartida de sua obra,
    enquanto os de Arraes (2018) são selecionados a partir dos três primeiros eixos (“selvageria”,
    “fera” e “corpo aberto”), que versam, respectivamente, sobre a dimensão primária da dor, o
    caráter conflituoso da existência e a exposição física e simbólica do sofrimento. Os resultados
    evidenciam que, embora oriundas de trajetórias autorais distintas, ambas as obras convergem
    na elaboração simbólica da morte de si como experiência estética, seja por meio da
    fragmentação imagética, da introspecção e da contemplação da morte em Lion (2013), seja pela
    articulação entre corpo, violência, sofrimento social e resistência na poética de Arraes (2018),
    demonstrando que, além de tematizar a dor, a poesia a encena formalmente por meio de cortes,
    silêncios, imagens corporais violentas e intensificação rítmica.
    A COSTUREIRA E O CANGACEIRO: IDENTIDADE BRASILEIRA, RESGATE HISTÓRICO E ECOS REGIONALISTAS NO ROMANCE DE FRANCES DE PONTES PEEBLES
    Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
    Tipo Tese
    Data 15/12/2025
    Área LETRAS
    Orientador(es)
    • Danglei de Castro Pereira
    Coorientador(es)
      Orientando(s)
      • Nathalie Elias da Silva Cavalcante
      Banca
      • Adriana Lins Precioso
      • Danglei de Castro Pereira
      • Lucilo Antonio Rodrigues
      • Ramiro Giroldo
      • Rosana Cristina Zanelatto Santos
      • Samuel Carlos Melo
      • Wagner Corsino Enedino
      Resumo Em 2009, foi publicado no Brasil o romance A costureira e o cangaceiro de Frances de
      Pontes Peebles. A obra em questão foi originalmente escrita em inglês. Frances de Pontes
      Peebles é filha de mãe pernambucana e pai norte-americano. Este estudo propõe-se a analisar
      o romance filiando-o à tradição da literatura brasileira, mais especificamente, ao regionalismo
      literário na contemporaneidade. O que norteia a leitura da obra é o seu vínculo com as
      questões de pertença e identidade nacional, ficcionalização da história política do Brasil a
      partir da Revolução de 30, memória coletiva do cangaço e da seca de 1932. Para isso, no
      campo da historiografia e crítica literárias brasileira, recorri a nomes como Antônio Cândido,
      Fernando Cerisara Gil, Luís Bueno e Tânia Pellegrini, problematizando a relevância do
      romance em sua relação às matrizes da literatura nacional. No âmbito da História e da cultura,
      explorei a emergência do cangaço como meio de vida, suas formas endêmicas e epidêmicas
      no sertão nordestino, bem como as manifestações culturais populares ligadas à mítica que
      hoje circunda o cangaceirismo, tornando-o uma forma de expressão identitária do sertão
      brasileiro. Observei como o romance utiliza-se de material farto para uma composição
      verossímil dos espaços do campo e da cidade no Nordeste do Brasil, englobando de maneira
      coerente suas tradições culturais e sua História.
      DICIONÁRIO FRASEOTERMINOLÓGICO MONOLÍNGUE COM EQUIVALENTES EM ESPANHOL DE COLOCAÇÕES ESPECIALIZADAS DA ÁREA CÍVEL DO DIREITO
      Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
      Tipo Tese
      Data 12/12/2025
      Área LETRAS
      Orientador(es)
      • Elizabete Aparecida Marques
      Coorientador(es)
        Orientando(s)
        • Camila Candido Oliveira Menezes
        Banca
        • Aparecida Negri Isquerdo
        • Bruno Oliveira Maroneze
        • Cleci Regina Bevilacqua
        • Elizabete Aparecida Marques
        • Mariângela de Araújo
        • Maurizio Babini
        • Renato Rodrigues Pereira
        Resumo Situado no âmbito dos estudos lexicais, este trabalho compreende a Terminologia e
        a Terminografia como aporte teórico e metodológico para tratamento e compilação
        das Colocações Especializadas ou fraseotermos (Gréciano,1997) que constituem
        elementos imprescindíveis no contexto de uma linguagem de especialidade, neste
        caso, a jurídica, e são formados por uma base nominal ou verbal estável e um
        colocado que a especifica, com sentido composicional. Assim, esta investigação
        apresenta cunho teórico, mas principalmente prático, por se propor a elaborar um
        dicionário fraseoterminológico semibilíngue (português-espanhol) de colocações da
        área cível do Direito, disponível em formato impresso e digital, com o objetivo de
        atender aos consulentes especializados e semiespecializados, como tradutores,
        estudantes e professores do curso de Direito, que desenvolvam exames de
        proficiência, pesquisas e participem em eventos e cursos em instituições estrangeiras.
        Diante disso, este estudo fundamenta-se na Teoria Comunicativa da Terminologia
        (TCT) de Cabré (1993, 1999) para a realização do percurso investigativometodológico. O corpus de investigação em Língua Portuguesa é composto de
        sentenças da área cível do Direito publicadas no Diário Eletrônico, meio de publicação
        oficial do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, seção judiciária de Mato
        Grosso do Sul, no período de 2010 a 2024, considerando os meses mais produtivos.
        Para a extração dos padrões fraseológicos, com base na composição e delimitação
        das unidades estabelecidas por Hausmann (1984, 1985) e González Rey (2015), foi
        usado o software AntConc; para a construção do mapa conceitual da área cível e de
        seus campos nocionais, utilizou-se o Cmap Tools; para a elaboração das fichas
        terminológicas e posterior criação de um dicionário, fez-se uso do software FLEx
        (FieldWorks Language Explorer); e para a busca dos correspondentes em Língua
        Espanhola, foram consultados dicionários jurídicos, como o Diccionario panhispánico
        del español jurídico – RAE (Machado, 2020). Os dados coletados demonstram que a
        área em questão é lexicalmente rica, haja vista a quantidade de 335 fraseotermos
        validados pelo especialista e que compõem as entradas do Dicionário. Com base
        neste fato e por razões práticas, apresentamos a ampliação das informações no
        repertório, com o aumento da quantidade de verbetes do dicionário e com o adicional
        da informação de correspondência em Língua Espanhola
        A CORPORIFICAÇÃO TENSIVA DA POLÊMICA: UMA PROPOSTA TIPOLÓGICA DE ENUNCIADOS SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19
        Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
        Tipo Tese
        Data 05/12/2025
        Área LETRAS
        Orientador(es)
        • Sueli Maria Ramos da Silva
        Coorientador(es)
          Orientando(s)
          • Marcelo Eduardo da Silva
          Banca
          • Alexandre Marcelo Bueno
          • Aline Saddi Chaves
          • Eluiza Bortolotto Ghizzi
          • Geraldo Vicente Martins
          • Norma Descini de Campos
          • Sueli Maria Ramos da Silva
          Resumo Entre 11 de março de 2020 e 5 de maio de 2023, o planeta esteve em meio à pandemia de
          Covid-19. Foi um tempo de disputas travadas entre as pessoas que respeitaram e as que
          rechaçaram as normativas defendidas por grande parte dos especialistas da área da saúde.
          Atentos a essa conjuntura, pensamos semioticamente essa polêmica para defendermos a tese
          de que ela pode ser percebida enquanto corpo discursivo (Discini, 2015), a ponto de
          apresentar um estilo (Discini, 2015). A partir de então, nos perguntamos: como se desenvolve
          a ‘corporificação’ da polêmica? Inspirados por essa indagação, nosso objetivo geral é propor
          uma tipologia da polêmica a partir da análise de corpus formado por textos de gêneros
          diversos selecionados por terem pontos em comum que assinalam para as noções de totus
          (princípio que remete à totalidade de manifestações de determinado ator/corpo enunciativo)
          e unus (que indica uma unidade). Os textos datam sobretudo de 2020 e 2021 (auge do período
          pandêmico, quando os embates públicos ficaram exacerbados por conta de medidas como
          distanciamento social, fechamento de estabelecimentos comerciais e religiosos) e são levados
          em consideração por manifestarem conflitos de posicionamentos divergentes que emergiram
          em vários setores da sociedade e por comporem, a nosso ver, uma síntese de elementos capazes
          de serem ordenados ao mesmo tempo como gráficos e redes tensivos e como amostras de
          perturbação na/da relação Si-Outro. Perturbação essa que, conforme verificado nas análises, é o
          elemento crucial que (re)constrói a polêmica, graduada a partir da percepção da foria e seus
          acréscimos ou decréscimos de mais ou de menos para formular diagramas, gráficos e redes
          tensivos. Fazem parte do corpus: um pronunciamento do bispo evangélico Edir Macedo
          veiculado em redes sociais e uma celebração ministrada pelo bispo-auxiliar católico Nivaldo
          dos Santos Ferreira (ambas de março de 2020, com comentários sobre o coronavírus);
          propaganda institucional do governo de Mato Grosso do Sul (“Coronavírus: a balada pode
          esperar”, de janeiro de 2021), sobre o distanciamento social; reportagem relatando entrega de
          alimentos a pessoas em situação de rua em Belém; a confecção de cartilha sobre cuidados
          sanitários em Dourados (MS) impressa na língua guarani; denúncia a respeito de comentários
          racistas referentes a indígenas terem preferência à vacina; um evento em que um cliente de
          sorveteria em Campinas (SP) tem acesso raivoso ao ser abordado por usar inadequadamente a
          máscara no estabelecimento; projeto de extensão de acolhimento a imigrantes formulado por
          uma universidade em Campo Grande. Nossos objetivos específicos perpassam por: apontar
          como os enunciadores envolvidos nesse processo utilizaram argumentos retóricos (como
          éthos, páthos e algumas figuras de linguagem) visando a angariar a opinião pública; como as
          investidas de cada lado fizeram sobressair diante do público o afeto como elemento
          persuasivo; e como esse embate de pontos de vistas díspares influiu na aspectualização dos
          atores envolvidos. Destarte, precisamos dar conta do espaço contínuo entre os termos opostos
          indicados no quadrado semiótico original da Semiótica Discursiva. Para tanto, propomos
          como base teórica pressupostos da Semiótica Tensiva e da Sociossemiótica, por entendermos
          que essas correntes acrescentam outros operadores às análises (como relações gradativas e os
          regimes de interação e sentido, respectivamente). Mobilizamos, ademais, conceitos como
          quase-presença (ferramenta de medição da densidade do corpo), éthos (a imagem do
          enunciador perante o enunciatário) e páthos (o afeto que influencia o enunciatário).
          Metodologicamente, nos moldes de redes e diagramas tensivos, são graduados elementos
          conforme similaridades e/ou distinções enunciativas que configuram um corpo discursivo
          polêmico. Entender os embates de opiniões durante o período pandêmico contribui para que
          possamos interpretar melhor nosso próprio agir em sociedade. Assim sendo, consideramos que
          nossas análises auxiliam nos esforços para a compreensão científica (especificamente na
          Semiótica) sobre o dissenso e colabora para a retomada da retórica nas pesquisas semióticas.
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            A dimensão estética da arquitetura ante o paradigma da ecologia: Contribuições da semiótica pragmatista de Charles S. Peirce
            Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
            Tipo Tese
            Data 27/11/2025
            Área LETRAS
            Orientador(es)
            • Eluiza Bortolotto Ghizzi
            Coorientador(es)
              Orientando(s)
              • Gabriela Lima Mascarenhas Moreira
              Banca
              • Eluiza Bortolotto Ghizzi
              • Geraldo Vicente Martins
              • Ivo Assad Ibri
              • Juliana Couto Trujillo
              • Lucia Ferraz Nogueira de Souza Dantas
              • Sueli Maria Ramos da Silva
              Resumo Envolvendo questões fundamentais acerca dos modos humanos de habitar o mundo diante de um contexto de agravante crise ambiental, observamos contínuos desenvolvimentos do pensamento ecológico no campo da arquitetura, os quais nos conduzem a pressupor a constituição de um novo paradigma da arquitetura contemporânea. Partindo do conceito de campo ampliado, com base em ensaios de Rosalind Krauss (1941-) e de Anthony Vidler (1941-2023), fomos instigados a considerar a importância das interações entre disciplinas e o papel da dimensão estética da arquitetura como elementos para a formação de um modelo ecológico para o conhecimento e as práticas arquitetônicas. Tomamos a estética, a semiótica e a filosofia pragmatista de Charles Sanders Peirce (1839-1914) como referencial teórico e metodológico para a elaboração dessa reflexão, bem como para a análise de projetos, intervenções e obras que nos permitam averiguar o modo como esse modelo vem atuando e a validade de se afirmar o seu estabelecimento nesse campo. A opção por esse referencial se justifica, no decorrer do trabalho, conforme identificamos possíveis aproximações entre o pensamento ecológico, como
              vem sendo denominado esse conjunto de ideias, princípios e valores associados à ecologia, e a filosofia peirciana, em sua perspectiva não-dualista, não-antropocêntrica e não-logocêntrica do mundo. Ao mesmo tempo, o pensamento ecológico e a filosofia peirciana mostram-se coerentes com a noção de campo ampliado, em sua abordagem interdisciplinar. Tendo em vista a pluralidade de métodos, critérios, tipologias e materialidades arquitetônicas observadas, recorremos a uma proposta de classificação de exemplos selecionados com base na semiótica de Peirce e em uma lógica da habituação, ou normalidade, fundamentada no conceito peirciano de hábito e em sua teoria dos interpretantes, e corroborada pela noção de ciência normal, incluída na estrutura delineada por Thomas Kuhn (1922-1996) para o processo de evolução nas ciências. Com a realização da pesquisa, somos levados a ponderar que a constituição de um paradigma ecológico da arquitetura não se define pela disseminação de um modelo de solução formal, método de projeto, procedimento técnico ou construtivo, mas pelo movimento de busca por um ideal compartilhado.
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              FORMAÇÃO EM LÍNGUA INGLESA A PARTIR DOS LETRAMENTOS CRÍTICOS E DA PERSPECTIVA DECOLONIAL EM CONTEXTO DE INSTITUTO FEDERAL
              Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
              Tipo Tese
              Data 24/11/2025
              Área LETRAS
              Orientador(es)
              • Nara Hiroko Takaki
              Coorientador(es)
                Orientando(s)
                • Noemi Lopes da Silva
                Banca
                • Ana Karla Pereira de Miranda
                • Andréa Machado de Almeida Mattos
                • Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
                • Elizabete Aparecida Marques
                • Nara Hiroko Takaki
                • Ruberval Franco Maciel
                • Simone Batista da Silva
                Resumo Partindo da pergunta: “Quais tensionamentos surgem e como influenciam a construção de sentidos em aulas de língua inglesa ministradas a alunos do ensino médio técnico desde uma perspectiva crítico-decolonial?”, o objetivo geral desta tese é analisar os tensionamentos e as possibilidades de uma prática pedagógica fundamentada nos letramentos críticos e na perspectiva decolonial no ensino de língua inglesa em um Instituto Federal. De forma mais específica, buscou-se: (1) discutir as tensões e resistências emergentes no contexto da pesquisa, problematizando os desafios de promover a agentividade discente frente a estruturas coloniais de poder, saber e ser; e (2) refletir criticamente sobre os dados da pesquisa e sobre minha própria prática docente, construindo narrativas (auto)críticas sobre minhas praxiologias. A pesquisa foi realizada entre setembro e dezembro de 2023, ao longo de onze aulas ministradas semanalmente, tendo como base teórica as perspectivas dos letramentos críticos (Janks, 2014, 2016; Menezes de Souza, 2011; Monte Mór, 2015, 2019) e da decolonialidade (Maldonado-Torres, 2007; Quijano, 2000; Walsh, 2009, 2013, 2018). A metodologia adotada foi qualitativa (Denzin, 2006), de caráter autoetnográfico (Pardo, 2019) e (auto)crítico-reflexivo (Takaki, 2019), considerando tanto a participação discente quanto a atuação da pesquisadora no processo. As análises evidenciam que os tensionamentos decorrentes da adoção de uma pedagogia crítico-decolonial impactaram significativamente as formas de participação estudantil. Tais tensões revelam movimentos de resistência e possibilidades de reexistência no espaço escolar. No campo da prática docente, as reflexões apontam para a importância da escuta sensível, da revisão de concepções transmissivas ainda presentes no ensino e da valorização de práticas reflexivas no cotidiano da sala de aula. Conclui-se que esta tese contribui para o debate sobre práticas pedagógicas decoloniais no ensino de formação em línguas não somente em contexto de IF e para a compreensão do papel da afetividade, da escuta e do inacabamento como dimensões formativas centrais em processos educativos críticos.
                As palavras fantásticas delas: registro crítico historiográfico da literatura fantástica de autoria feminina de Mato Grosso do Sul
                Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                Tipo Tese
                Data 06/10/2025
                Área LETRAS
                Orientador(es)
                • Ramiro Giroldo
                Coorientador(es)
                  Orientando(s)
                  • Adrianna Alberti
                  Banca
                  • Andre Rezende Benatti
                  • Bruno Anselmi Matangrano
                  • Geovana Quinalha de Oliveira
                  • Gregório Foganholi Dantas
                  • Paulo Custódio de Oliveira
                  • Ramiro Giroldo
                  • Rosana Cristina Zanelatto Santos
                  Resumo Esta pesquisa é realizada com o objetivo de construir um registro histórico e crítico da produção artístico-literária de autoria feminina de Mato Grosso do Sul, em especial o que se entende por narrativa literária fantástica. Parto de uma proposta que se aproxima do campo da História das Mulheres, sob a perspectiva do feminismo interseccional. Como parte da metodologia, através de pesquisa bibliográfica, foi elaborada revisão de trabalhos e pesquisas sobre feminismo, produção literária e resgate de literatura de autoria feminina, teorias da literatura fantástica e literatura sul-mato-grossense, para compreender as nuances da discussão do apagamento dessas literaturas e produções. A pesquisa se alinha com trabalhos que buscam destacar o fantástico nacional e é justificada pelo ineditismo do registro em Mato Grosso do Sul. Para tanto, foi considerado como recorte temporal a partir da criação do Estado, datado de 1977, até o momento presente, para a análise do corpus foi feito levantamento de dados entre junho de 2021 e maio de 2024, levando em consideração autoras e publicações encontradas até a última data. Tendo em vista a discussão sobre as diferentes abordagens possíveis da teoria acerca de fantástico, desde sua caracterização (gênero, categoria estética ou modo narrativo), até as nuances de influências históricas e reflexivas sobre a construção da tradição literária fantástica (como o fantástico europeu, o realismo maravilhoso latino-americano e o realismo animista africano), estabeleceu-se, como definição referencial, o fantástico como um modo amplo de construção narrativo, que não se dá por meios exclusivos, definidos e definitivos; porém, foi refinada a definição para observar as narrativas que trazem a ruptura com a realidade intradiegética, intrinsecamente atrelada à verossimilhança com a realidade externa à obra; onde o elemento fantástico pode ser sobrenatural, ou transgressor da realidade, inexplicável, incômodo, estranho ou insólito; e passa a existir a partir e através da linguagem, pois, de outra maneira não se explica ou é possível sua existência. Deu-se, dessa forma, a leitura crítica das obras, selecionando como escopo a produção no formato de conto, com o intuito de esmiuçar três pontos: a construção da narrativa em relação ao elemento fantástico; os aspectos relacionais da obra com o contexto histórico e social em que a escritora está inserida; e a representação da mulher (quando cabível). Busquei compreender como se dá a construção do imaginário fantástico das escritoras sul-mato-grossenses que, por sua vez, permite observar como representam suas percepções de existência, tornando indissociável perceber e discutir alguns aspectos relacionados a sua forma, conteúdo e contexto.
                  EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS: parâmetros para um tratamento lexicográfico didático
                  Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                  Tipo Tese
                  Data 26/09/2025
                  Área LETRAS
                  Orientador(es)
                  • Renato Rodrigues Pereira
                  Coorientador(es)
                  • Maria Eugênia Olímpio de Oliveira Silva
                  Orientando(s)
                  • Simone Marques dos Santos Ribeiro
                  Banca
                  • Aparecida Negri Isquerdo
                  • Beatriz Aparecida Alencar
                  • Bruno Oliveira Maroneze
                  • Elizabete Aparecida Marques
                  • MARIA CRISTINA PARREIRA DA SILVA
                  • Mariângela de Araújo
                  • Renato Rodrigues Pereira
                  Resumo É de conhecimento comum, pelo menos na área acadêmica, que no ensino de uma língua estrangeira (LE), para além do domínio de estruturas gramaticais e estruturais do idioma, é preciso conhecer também os elementos lexicais e culturais que possam possibilitar a comunicação em distintas situações discursivas. Nesse sentido, as unidades fraseológicas
                  (UF), sobretudo as expressões idiomáticas (EI), desempenham um papel importante no aprendizado, pois constituem uma parte do acervo lexical que apresenta uma estreita relação com a cultura. Pelo alto grau de complexidade que possuem, elas, por vezes, demandam mais atenção no processo de ensino/aprendizagem tanto por parte dos professores quanto os
                  estudantes. Os dicionários, nessa perspectiva, podem ocupar um lugar de destaque nesse processo, posto que ajudam a compreender as EI mais usuais e importantes para o desenvolvimento das competênciasdo estudante. Justifica-se, assim, nossa investigação, à medida que percebemos, enquanto professora e pesquisadora, que o tratamento das EI nos dicionários pedagógicos de espanhol e português ainda é insuficiente ou inconsistente, não atendendo plenamente às necessidades do processo de ensino/aprendizagem de LE. Partimos, assim, da hipótese de que, embora as EI estejam presentes nos dicionários pedagógicos, seu
                  tratamento permanece insatisfatório, marcado pela ausência de critérios claros de seleção e organização, bem como por informações insuficientes e, por vezes, incoerentes ao consulente. Acreditamos que a adoção de critérios mais didáticos e coerentes com os princípios da Lexicografia Pedagógica possa melhorar significativamente a compreensão e o uso dessas UF
                  pelos estudantes.Com base nesse panorama, elaboramos uma proposta de tratamento lexicográfico voltado às EI, com vistas à sua incorporação em futuros repertórios lexicográficos organizados de maneira mais didática. Para tanto, objetivamos: i) apresentar um panorama das disciplinas que norteiam a elaboração de dicionários monolíngues, bilíngues e semibilíngues pedagógicos; eii) analisar o tratamento lexicográfico dispensado às
                  EI em dicionários de espanhol e de português, com vistas a identificar critérios seguidos pelos autores dessas obras e que possam servir de base para nossa proposta. Para o alcance dos objetivos estabelecidos, além de nos orientarmos pelos princípios teóricos e metodológicos da Lexicografia Geral e Pedagógica, da Fraseologia e da Fraseografia, guiamo-nos pelas seguintes questões norteadoras: i) as EI são contempladas nos repertórios lexicográficos em ambas as línguas? Se afirmativo, como?; e ii) há coerência entre as informações apresentadas na front mattere seu registro na macro e microestrutura?;iii) As diferentes formas de tratamento adotadas por dicionários voltados à aprendizagem do espanhol como língua
                  estrangeira são suficientes para atender às necessidades do consulente brasileiro em processo de aquisição dessa língua? O resultado das análises demonstra falhas recorrentes no tratamento das EI, como a ausência de critérios explícitos na front matter, inconsistências na lematização, uso aleatório de marcas de uso e falta de distinção tipológica entre UF. Embora a
                  inserção de definições perifrásticas represente um ponto positivo, essas obras ainda carecem de sistematicidade e clareza suficientes para atender adequadamente às necessidades do consulente em formação. Em face disso, apresentamos parâmetros lexicográficos didáticos dispensados às EI, destinados a dicionários pedagógicos dirigidos a aprendizes de espanhol
                  como LE, de níveis inicial e intermediário. Esperamos que nossas reflexões e nossos parâmetrospara o registro de EI possam ser somados aos estudos metalexicográficos e metafraseográficos e, sobretudo, colaborar com o processo de elaboração e/ou reorganização de obras lexicográficas pedagógicas, de forma que atendam às necessidades dos consulentes.
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                  CONTRIBUIÇÕES DECOLONIAIS PARA A EDUCAÇÃO SURDA: ANÁLISE DE UM ESTUDO (AUTO)ETNOGRÁFICO SOB A PERSPECTIVA DE UM DOCENTE UNIVERSITÁRIO SURDO
                  Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                  Tipo Tese
                  Data 11/09/2025
                  Área LETRAS
                  Orientador(es)
                  • Nara Hiroko Takaki
                  Coorientador(es)
                    Orientando(s)
                    • João Paulo Romero Miranda
                    Banca
                    • Adriana Lúcia de Escobar Chaves de Barros
                    • Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
                    • Nara Hiroko Takaki
                    • Rosivaldo Gomes
                    • Suzana Vinicia Mancilla Barreda
                    • VALÉRIA CAMPOS MUNIZ
                    • WILMA FAVORITO
                    Resumo Esta tese investiga como a autoetnografia contribui para a compreensão da decolonialidade nas
                    experiências do docente universitário surdo, focando na ressignificação identitária e no
                    empoderamento. As teorias decoloniais oferecem uma perspectiva crítica fundamental para
                    analisar e aprimorar a educação voltada para a comunidade surda, apresentando alternativas às
                    práticas que tradicionalmente negligenciam suas especificidades culturais e linguísticas. Este
                    estudo propõe questionar as ações educacionais eurocêntricas padronizadas e enfatizar a
                    valorização dos conhecimentos e vivências das pessoas surdas, reconhecendo sua identidade
                    como parte essencial de um processo educacional inclusivo bilingue e mais democrático. Com
                    base nessa visão, a pesquisa busca investigar como a perspectiva decolonial dos surdos pode
                    contribuir para a renovação das práticas pedagógicas e curriculares. A tese tem como objetivo
                    geral investigar as contribuições do pensamento decolonial para a educação de surdos,
                    analisando práticas educacionais excludentes e alternativas inclusivas, a partir de um estudo
                    autoetnográfico das experiências de um docente universitário surdo. Elencamos os objetivos
                    específicos, busca-se: (i) Realizar uma análise abrangente da bibliografia sobre estratégias
                    educacionais focadas nas pessoas surdas, destacando as teorias propostas por autores
                    decoloniais renomados como Aníbal Quijano e Walter Mignolo; (ii) Explorar as influências das
                    estruturas coloniais presentes no ambiente educacional e sua valorização da língua de sinais e
                    reconhecimento da cultura e identidade surda; (iii) Desenvolver uma análise dos relatos
                    (auto)etnográficos do pesquisador surdo que estabelecem vínculos entre vivências surdas e o
                    contexto educacional juntamente com os fundamentos decoloniais; (iv) Identificar estratégias e
                    métodos educacionais que apoiem uma educação bilíngue e inclusiva, descolonizadora ao
                    reconhecer e respeitar os conhecimentos e pontos de vista das comunidades surdas; e, (v)
                    Refletir e apresentar ideias teóricas que possam apoiar a melhoria do ensino universitário e
                    assegurar a efetiva participação de pessoas surdas no ambiente acadêmico. A metodologia de
                    pesquisa é qualitativa, com abordagem bibliográfica e interpretativista, ao considerar as
                    intersubjetividades do pesquisador, autor desta tese, e as visões dos autores(as) pesquisados(as)
                    concernentes à dois temas investigados, quais sejam: decolonialidade e (auto)etnografia. Como
                    procedimento metodológico, utilizou-se a autoetnografia como método principal para gerar
                    dados. a partir da concepção de que esta abordagem serve como ferramenta que pode
                    desconstruir estereótipos e ampliar a visibilidade do professor surdo e das comunidades surdas,
                    no contexto da decolonialidade. Os resultados indicam que a trajetória de um cidadão surdo é
                    permeada por desafios e pela luta contra estereótipos, revelando uma narrativa de resistência
                    que empodera e questiona a visão dominante ouvinte. A pesquisa evidencia a necessidade de
                    mais estudos nessa direção, mostrando-se essencial para a transformação das práticas
                    educativas, a interação com as inclusivas no ensino superior e as comunidades surdas
                    brasileiras.
                    PELOS CAMINHOS DA TOPONÍMIA DO NORDESTE PARAENSE: UMA ABORDAGEM LINGUÍSTICO-CULTURAL
                    Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                    Tipo Tese
                    Data 08/09/2025
                    Área LETRAS
                    Orientador(es)
                    • Aparecida Negri Isquerdo
                    Coorientador(es)
                      Orientando(s)
                      • Livia Regina Fernandes Souza
                      Banca
                      • Ana Paula Tribesse Patrício Dargel
                      • Aparecida Negri Isquerdo
                      • Carmen Lucia Reis Rodrigues
                      • Elizabete Aparecida Marques
                      • Marcelo Rocha Barros Goncalves
                      • Marilze Tavares
                      • Renato Rodrigues Pereira
                      Resumo Esta tese tem como objeto de investigação a toponímia dos acidentes físicos rurais e dos acidentes humanos urbanos de 26 municípios que integram as regiões imediatas de Castanhal, Bragança e Paragominas, no estado do Pará. A pesquisa concebe o topônimo como um signo linguístico que reflete aspectos do ambiente físico, da cultura e da história das populações que habitam ou habitaram um determinado espaço geográfico. O estudo em questão busca responder às seguintes perguntas, cujas respostas forneceram subsídios para a elaboração desta tese: i) Que razões motivaram a nomeação dos acidentes físicos rurais (rios, lagos, igarapés etc.) e dos acidentes humanos urbanos (municípios, vilas e distritos) da região intermediária de CastanhalPA? ii) Em que proporção a língua portuguesa e as línguas indígenas se perpetuam na toponímia das regiões imediatas de Bragança, Castanhal e Paragominas? Como primeira hipótese de pesquisa, considera-se que a nomeação dos acidentes físicos rurais e dos acidentes humanos urbanos das regiões analisadas está relacionada à busca pela reafirmação da identidade local, refletindo tanto a relação histórica com o ambiente físico quanto os valores culturais das comunidades indígenas e coloniais, em um processo de representação e ressignificação territorial.A segunda hipótese parte da premissa de que a toponímia da área investigada reflete a interação entre a língua portuguesa e as línguas indígenas, com a presença de nomes híbridos que preservam elementos da cultura local. Esta tese fundamenta-se, sobretudo, nas contribuições de Dick (1990; 1992; 1999; 2004), Dauzat ([1926]1963), Leite de Vasconcellos (1931), Stewart (1954) e Trapero (1995). Para a análise linguística e taxonômica foram consultados dicionários de língua portuguesa (Houaiss, 2017; Aulete, 2011), dicionários de línguas indígenas (Barbosa, 1951; Cunha, 1998; Sampaio, 1987), dicionários etimológicos (Cunha, 2010; Nascentes, 1955) e sites institucionais de prefeituras. Esta tese analisou um corpus de 1.001 topônimos, 707 referentes a acidentes físicos e 294 a acidentes humanos, extraídos de mapas municipais (IBGE, 2020), com escalas que variam de 1:700 a 1:6,000, e de mapas municipais para fins estatísticos (IBGE, 2010), cujas escalas variam de 1:50,000 a 1:300,000. No geral, os resultados deste estudo apontam que 32,56% dos topônimos analisados possuem origem indígena, dando mostras da influência cultural dos povos originários na nomeação dos acidentes geográficos da região. Quanto à motivação toponímica, conforme a classificação proposta por Dick (1992), observa-se a predominância de topônimos de natureza física, que correspondem a 52,64% do total, enquanto os topônimos de natureza antropocultural representam 37,76% das denominações. No conjunto dos topônimos classificados como de natureza física, destacam-se os fitotopônimos, que correspondem a 40,41%, do total. Já entre aqueles de natureza antropocultural, sobressaem os antropotopônimos, com 26%. Em síntese, a pesquisa revelou características subjacentes ao processo de nomeação, recuperando aspectos físicos e ambientais das regiões analisadas, que não se limitam apenas à configuração do relevo ou à presença de cursos d’água, mas também incluem elementos como a fauna e a flora. Topônimos como rio Cauaxi, igarapé Marambaia, igarapé Tauari e rio Tracuateua refletem a herança indígena na região, tanto na língua de origem quanto no valor cultural que carregam. Por exemplo, “cauaxi” é uma palavra indígena que remete a um recurso natural utilizado pelos povos locais. Tradicionalmente, o cauaxi é uma esponja de água doce empregada na confecção de objetos artesanais. Assim, a nomeação dos topônimos revela a maneira como os habitantes interpretam e estabelecem vínculos com o meio ambiente, conservando, por meio da linguagem, elementos naturais e culturais que fortalecem a identidade coletiva e a memória histórica do território.
                      Palavras-chave: Onomástica; Toponímia; Castanhal/PA; Cultura; Motivação.
                      Um Brasil do pretérito imperfeito: perspectiva outra a partir de Silviano Santiago
                      Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                      Tipo Tese
                      Data 29/08/2025
                      Área LETRAS
                      Orientador(es)
                      • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                      Coorientador(es)
                        Orientando(s)
                        • Pedro Henrique Alves de Medeiros
                        Banca
                        • Carlos Igor de Oliveira Jitusumori
                        • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                        • Fabio Pereira do Vale Machado
                        • Leoné Astride Barzotto
                        • Marcio Antonio de Souza Maciel
                        • Marta Francisco de Oliveira
                        • Tiago Osiro Linhar
                        Resumo Esta tese de doutoramento tem por objetivo conceituar uma perspectiva outra de Brasil denominada de “Brasil do pretérito imperfeito” partindo do texto “Nó, nós” (2020) do escritor e intelectual mineiro Silviano Santiago, além de outros textos selecionados do referido autor, a partir de uma teorização crítica biográfica fronteiriça de base descolonial. Para tanto, o presente trabalho, de metodologia eminentemente bibliográfica, apresenta uma estruturação dividida em três capítulos eleitos à luz dos seguintes recortes históricos e temáticos debruçados sobre o Brasil desde a atualidade política do século XXI, percorrendo a modernidade no XX até sua invasão pelos portugueses no XV: I. Bolsonarismo (2018-2023), II. Modernismo (1922-2022) e III. Formação (1500-1959). A divisão tripartida supracitada se justifica mediante à necessidade de re-pensarmos possibilidades outras mediante às razões, práxis e paradigmas modernos/coloniais naturalizados por aqui como se fossem as únicas vias de existência e de pensamento possíveis, sobretudo, no que se refere às particularidades das nossas próprias questões, sejam as de cunho político, artístico-literário ou mesmo no cerne dos nossos processos formativos. Ademais, o eixo central desta tese se respalda na hipótese de que Silviano Santiago vem há décadas, de modo consciente ou não, formulando uma ideia outra de Brasil nos seus escritos, sendo essa, para minha teorização descolonial, a premissa de um Brasil do pretérito imperfeito. Isto é, um país que já existia antes da suposta descoberta pelos europeus, que foi invadido, violentado, sequestrado e que dessas diferenças coloniais até hoje, no século XXI, não conseguimos nos desprender a contento a fim de minar os eixos abissais de desigualdades, preconceitos e hegemonias que nos cooptam cotidianamente. Para isso, no primeiro capítulo, “BRASIL DO PRETÉRITO IMPERFEITO (2018-2023): para Bolsonaro a Bíblia pesa mais que a Constituição”, utilizo-me dos conceitos de matriz colonial de poder, corpo e geo-políticas e ética política descolonial. No segundo capítulo, “BRASIL DO PRETÉRITO IMPERFEITO (1922-2022): modernismo aberto para des-balanço”, valho-me das opções descoloniais, da desobediência epistêmica, do desprendimento e da provincialização da Europa. Por fim, no terceiro capítulo, “BRASIL DO PRETÉRITO IMPERFEITO (1500-1959): fisiologia da des-formação”, respaldo-me no paradigma outro, no pensamento próprio e na des-formação. Portanto, através da conjunção entre os três capítulos mencionados, da presença constante de Silviano e dos estudos descoloniais, busco problematizar como o Brasil, até hoje, não deu conta de resolver muitas das suas questões permeadas de fora a fora pelas diferenças coloniais estando, por muitas vezes, reproduzindo-as à última potência nos mais variados âmbitos da vida e do saber no país.
                        Escrevo com o corpo: inter-corporeidade em A hora da estrela, de Clarice Lispector
                        Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                        Tipo Tese
                        Data 27/08/2025
                        Área LETRAS
                        Orientador(es)
                        • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                        Coorientador(es)
                          Orientando(s)
                          • Marina Maura de Oliveira Noronha
                          Banca
                          • Carlos Igor de Oliveira Jitusumori
                          • Carlos Vinicius da Silva Figueiredo
                          • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                          • Fabio Pereira do Vale Machado
                          • Lucilene Machado Garcia Arf
                          • Luiz Lopes
                          • Marta Francisco de Oliveira
                          Resumo Esta tese propõe uma discussão teórico-crítica a partir da presença conceitual de
                          intercorporeidade (PESSANHA, 2018) na construção de todo o trabalho, e por escopo
                          desencadeador da discussão o livro A hora da estrela (1977), da intelectual Clarice
                          Lispector. Para tanto, utilizarei-me de uma metodologia outra assentada na crítica
                          biográfica fronteiriça (NOLASCO, 2015) que, a seu modo, tem por base de toda sua
                          teorização a presença do “bios” e do “lócus”, e, por relevância geoistóricoepistemológica, o fato que tal reflexão é pensada a partir do lócus aqui denominado
                          de fronteira-sul. Para tanto, as articulações sob o prisma da descolonialidade me
                          direcionam a um recorte teórico outro, ao observarmos que Clarice põe em prática um
                          “Escrever com o corpo” que abre espaço para o que busco conceituar de gramática
                          do corpo para esta tese, como ponto conclusivo parte da hipótese de que a autora em
                          seus projetos, e em especifico em A hora da estrela, re-escre(vi)ve corpográfias
                          (MIGNOLO) de si e também do outro. Portanto o “Escrevo com o corpo” de Clarice
                          me possibilita entender o que estou chamando de gramática do corpo e ao me valer
                          do “Prologómeno a uma gramática de la descolonialidad” (MIGNOLO, 2010) bem
                          como de outros teóricos, entre os quais alguns partem da fortuna crítica da escritora,
                          tratam ou aludem à discussão por mim proposta. Ademais, o trabalho em questão se
                          apresenta – dividido em três capítulos, como segue: no primeiro capítulo, “INTERCORPOREIDADE POLÍTICA EM A HORA DA ESTRELA, DE CLARICE
                          LISPECTOR: por uma crítica biográfica fronteiriça”, abordarei discussões que passam
                          pelo bios e lócus, justificadas pelas passagens do escritor-autor-personagem criador
                          de Macabéa, além da reflexão que também está envolta ao pensar a realidade
                          brasileira atravessada pelo social e pela política, tendo como contraponto uma
                          desobediência e um desprendimento, a partir dos livros fundamentais de Recusa do
                          não-lugar (2018), de Juliano Pessanha, Desobediencia epistémica (2010) de Walter
                          Mignolo, ¿Podemos pensar los no-europeos?(2018), de Facundo Giuliano, entre
                          outros. No segundo capítulo, “A HORA DA ESTRELA: re-escrevendo o pensamento
                          fronteiriço”, a discussão centra-se nos conceitos basilares como o de pensamento
                          próprio de Kusch, e que pode ser compreendido com o presente pensamento
                          fronteiriço e o conceito de re-escrever, levado a cabo pela descolonialidade. Tal
                          conceito de re-escrever se encena teoricamente na contracorrente do “descrever”
                          encontrado no livro em reflexão. Já no terceiro e último capítulo, “POR UMA
                          GRAMÁTICA DO CORPO EM A HORA DA ESTRELA”, dando continuidade com o
                          conceito de “intercorporeidade” a partir da inscrição e presença do corpo da
                          protagonista da narrativa Macabéa, será de fundamental importância arrolar uma
                          discussão teórica acerca da gramática do corpo, tendo como conceitos chaves o
                          conceito de gramática da descolonialidade (MIGNOLO, 2010) e os conceitos de
                          geopolítica e o de corpo-política, ambos de Walter Mignolo, entre outros.
                          Considerando que toda a discussão conceitual proposta vem assentada no
                          pensamento descolonial e fronteiriço, serão fundamentais os autores: Walter Mignolo,
                          Juliano Garcia Pessanha, Gloria Anzaldúa, Facundo Giuliano, Edgar Cézar Nolasco,
                          entre outros. Assim, espero que embasada pelo que tais autores propõem, eu possa
                          contornar a teorização que grassa em torno de uma prática outra a partir de A hora da
                          estrela que resulta no “Escrevo com o corpo” encontrado no título desta tese
                          configurando-se na gramática do corpo aqui proposto.
                          O corpo (geo)político boliviano: práticas de teorizações fronteiriças descoloniais
                          Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                          Tipo Tese
                          Data 22/08/2025
                          Área LETRAS
                          Orientador(es)
                          • Marta Francisco de Oliveira
                          Coorientador(es)
                            Orientando(s)
                            • Julia Evelyn Muniz Barreto Guzman
                            Banca
                            • Damaris Pereira Santana Lima
                            • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                            • Lilibeth Janneth Zambrano Contreras
                            • Marcio Antonio de Souza Maciel
                            • Marcos Antônio Bessa Oliveira
                            • Marta Francisco de Oliveira
                            • Pablo Mamani Ramirez
                            Resumo Esta tese tem como objetivo refletir acerca das configurações dos
                            corpos (geo)políticos bolivianos, entendidos como corpos situados em um lócus
                            específico — a Bolívia — e atravessados por diferentes epistemologias,
                            resistências e formas de existir e pensar. Para tanto, intenta, sob o viés da
                            crítica biográfica (SOUZA, 2002), da crítica biográfica fronteiriça (NOLASCO,
                            2013) e das teorizações descoloniais (MIGNOLO, 2003), construir uma reflexão
                            sobre como esses corpos (geo)políticos bolivianos vêm, desde o período
                            colonial, resistindo e praticando aquilo que hoje conceituamos como
                            descolonialidade. Para tal reflexão, recorre a Silvia Rivera Cusicanqui, Fausto
                            Reinaga, Juan José Bautista, Rafael Bautista Segales, Pablo Mamani Ramírez,
                            Walter Mignolo, Edgar Cézar Nolasco, Marcos Antônio Bessa-Oliveira, dentre
                            outros autores. A tese é organizada em quatro capítulos. No primeiro, intitulado
                            ―Pensar é o mesmo que sentir e viver: a re-volta do ser donde yo pienso‖, é
                            traçada uma malha histórica da formação da Bolívia, articulando os processos
                            coloniais e suas permanências na constituição dos corpos (geo)políticos
                            bolivianos. No segundo capítulo, ―Interculturalidade como projeto pluriversal
                            desde abajo‖, são discutidas as colonialidades do ser, do saber e do poder,
                            bem como suas rupturas a partir dos ideais do Estado Plurinacional e da
                            Interculturalidade, considerando os projetos descoloniais e a atuação dos
                            movimentos sociais que reconfiguram a cena política do país. O terceiro
                            capítulo, ―Práticas de teorizações descoloniais: os corpos pluriversais
                            bolivianos‖, dedica-se às práticas cotidianas que, embora por vezes
                            tensionadas pelas estruturas modernas, não deixam de produzir sentidos
                            outros, vinculados a modos próprios de existência e pensamento, o que dá
                            corpo e concretude à hipótese em desenvolvimento. Por fim, o quarto capítulo,
                            ―Voltar ao passado e caminhar no presente: haverá um futuro?‖, reflete sobre
                            os acontecimentos mais recentes, entre 2024 e 2025, problematizando as
                            formas de governo possíveis e os tensionamentos entre o Estado-nação e os
                            projetos de autogoverno indígena em curso no país, encerrando a
                            argumentação no intuito de comprovar a tese levantada.
                            EU, TU E O NOSSO AMBIENTE: O CUIDADO TRIDIMENSIONAL EM UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO LINGUÍSTICO-AMBIENTAL CRÍTICA
                            Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                            Tipo Tese
                            Data 11/07/2025
                            Área LETRAS
                            Orientador(es)
                            • Fabiana Pocas Biondo
                            Coorientador(es)
                              Orientando(s)
                              • Luciene da Silva Santos Bomfim
                              Banca
                              • Ana Karla Pereira de Miranda
                              • Elaine de Moraes Santos
                              • Fabiana Pocas Biondo
                              • Maria Conceicao Alves de Lima
                              • Patricia Graciela da Rocha
                              • Ruberval Franco Maciel
                              Resumo Desenvolvido por meio de uma pesquisa-ação, este trabalho foi realizado no contexto
                              do Ensino Médio Integrado à Educação Profissional, em uma instituição federal de
                              Educação Profissional e Tecnológica (EPT), na região Centro-Oeste do Brasil, e
                              envolveu 45 adolescentes de 14 a 17 anos, matriculados nos 1º e 2º anos do Curso
                              Técnico Integrado em Informática, além de 05 professores e 02 profissionais da saúde
                              (psicóloga e enfermeira). A investigação teve por objetivo analisar o processo de (des)
                              (re) construção de repertórios acerca do cuidado tridimensional (eu, outro e meio
                              ambiente), durante a pandemia da Covid-19, a partir de um projeto de ensino
                              colaborativo e transdisciplinar, que teve duração de oito meses e foi desenvolvido de
                              forma remota. Ancorada nos pressupostos da Educação Linguístico-Ambiental e nos
                              Letramentos Críticos, esta pesquisa adotou uma abordagem qualitativointerpretativista, fundamentando-se em autores como Paulo Freire, Monte Mór, Moita
                              Lopes, Leonardo Boff, Edgar Morin, Félix Guattari, Crystiane Ribeiro, dentre outros.
                              Os dados, gerados por meio de atividades multimodais (histórias em quadrinhos,
                              mapas, depoimentos, vídeos, fotografias), foram analisados à luz dos quatro
                              processos de conhecimento propostos por Cope, Kalantzis e Pinheiro (2020) —
                              experienciar (o conhecido e o novo); conceitualizar (por nomeação e com teoria);
                              analisar (funcionalmente e criticamente); e aplicar (apropriadamente e criativamente)
                              — sendo organizados segundo três categorias analíticas: cuidado de si, do outro e do
                              meio ambiente. Os resultados apontam movimentos de (des) (re) construção de
                              repertórios e de desenvolvimento de pensamento crítico, especialmente nas ações
                              voltadas ao cuidado com o ambiente. Contudo, a análise também evidenciou
                              contradições, com a presença de discursos de responsabilização individual e
                              autovigilância, revelando a força da subjetivação neoliberal nas percepções dos
                              participantes, principalmente na dimensão do “eu”. Concluímos que propostas
                              educativas ancoradas no cuidado tridimensional, na colaboração e na
                              transdisciplinaridade têm potencial para contribuir na formação de sujeitos mais
                              éticos, críticos e socialmente engajados, ainda que tal processo seja não linear e
                              atravessado por tensões ideológicas. Esta pesquisa oferece subsídios teóricos e
                              metodológicos para o campo da Educação Linguístico-Ambiental Crítica, ampliando
                              as discussões sobre os desafios e as possibilidades de formação emancipatória em
                              tempos de crise socioambiental.
                              AS INTERAÇÕES EM PRÁTICAS DE REVISÃO E DE REESCRITA TEXTUAIS REALIZADAS POR MEIO DO MODELO DE ROTAÇÃO POR ESTAÇÕES NO ENSINO MÉDIO INTEGRADO
                              Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                              Tipo Tese
                              Data 27/06/2025
                              Área LETRAS
                              Orientador(es)
                              • Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
                              Coorientador(es)
                                Orientando(s)
                                • Vinicius da Silva Zacarias
                                Banca
                                • Ana Karla Pereira de Miranda
                                • Ana Luzia Videira Parisotto
                                • Cláudia Valéria Doná Hila
                                • Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
                                • Elaine de Moraes Santos
                                • Fabiana Pocas Biondo
                                • Rosângela Hammes Rodrigues
                                Resumo Esta tese trata da interação entre os estudantes e da deles com o professor nas práticas de revisão e de reescrita de textos dissertativo-argumentativos do Enem, realizadas por meio de metodologias ativas. O trabalho resulta de uma pesquisa de natureza qualitativa, de cunho interpretativista, filiada à Linguística Aplicada (Moita Lopes, 1994, 2006) e desenvolvida metodologicamente a partir de princípios da concepção de pesquisa-ação (Thiollent, 2011). A tese defendida é a de que a participação dos estudantes em atividades de revisão e de reescrita, em grupos, organizadas a partir de uma metodologia ativa ligada à educação híbrida, o modelo de rotação por estações, em conjunto com as ações realizadas pelo docente ao longo da atividade educativa, contribui para o desenvolvimento da autonomia desses discentes enquanto revisores de seus próprios textos. Assim, o objetivo geral do estudo é compreender como as interações dos estudantes de ensino médio integrado, entre si e com o docente, durante a participação em atividades de revisão e reescrita coletivas pautadas pelo modelo de rotação por estações pode desenvolver a autonomia desses aprendizes como revisores de suas próprias produções textuais. Os objetivos específicos são: i) analisar a contribuição dos andaimes presentes nas interações entre os estudantes e nas deles com o docente, durante as atividades de revisão e reescrita realizadas coletivamente, para o desenvolvimento dos educandos enquanto revisores de textos; e ii) analisar quais aspectos das discussões em grupo aparecem refletidos na produção textual dos estudantes quando eles precisam revisar e reescrever seus próprios textos sem o auxílio de um leitor externo. As principais bases teóricas em que se apoia o trabalho são: o entendimento enunciativo-discursivo da linguagem (Bakhtin, 2015, 2016; Volóchinov, 2017, 2019); a compreensão da escrita como trabalho (Fiad; Mayrink-Sabinson, 1994 [1991]); os estudos de Vigotski (2001, 2007) sobre interação, colaboração e internalização, bem como os de Van de Pol, Volman e Beishuizen (2010) acerca da andaimagem. Os dados foram gerados a partir de um projeto de ensino sobre a redação do Enem, conduzido pelo autor deste trabalho, no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) – câmpus Coxim, em 2023, por meio de gravações das interações em áudio, questionários, entrevistas, materiais escritos pelos discentes e pelo pesquisador, bem como anotações de campo. A contribuição do estudo está no fato de que ele permite ampliar a compreensão, o desenvolvimento e o aprimoramento do trabalho com revisão e reescrita textuais coletivas e colaborativas por meio de metodologias ativas, consistindo em um aporte para a formação de professores. Os resultados indicam que tanto as interações estabelecidas entre os estudantes quanto as deles com o educador contribuíram para o desenvolvimento dos educandos enquanto revisores de seus próprios textos. Isso se deu pelo fato de que os participantes internalizaram progressivamente saberes e práticas importantes para revisar e reescrever, partindo de situações em que recebiam mais colaboração externa para outras em que esse suporte diminuía. Ademais, a investigação evidencia a atuação do professor como fator essencial para o desenvolvimento da autonomia dos discentes na revisão e na reescrita de seus textos.
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                                BILINGUISMO, ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO: Percepções de Alunos, Egressos e Docentes no Curso de Licenciatura em Letras Libras da UFGD
                                Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                                Tipo Tese
                                Data 26/05/2025
                                Área LETRAS
                                Orientador(es)
                                • Patricia Graciela da Rocha
                                Coorientador(es)
                                  Orientando(s)
                                  • Maiara Cano Romero Pereira
                                  Banca
                                  • Adriana Lúcia de Escobar Chaves de Barros
                                  • Ana Karla Pereira de Miranda
                                  • Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
                                  • Joao Tobias Lima Sales
                                  • Mauricio Loubet
                                  • Patricia Graciela da Rocha
                                  • Rodrigo Acosta Pereira
                                  Resumo RESUMO
                                  Nas últimas décadas, as políticas de inclusão no ensino superior brasileiro têm buscado garantir o acesso e a permanência de estudantes surdos por meio da oferta de cursos específicos, como a Licenciatura em Letras Libras. Nesse contexto, os cursos na modalidade
                                  a distância assumem papel importante, especialmente em regiões afastadas dos grandes
                                  centros. No entanto, apesar dos avanços, ainda são escassos os estudos que investigam de
                                  forma aprofundada os desafios e as potencialidades desses cursos na formação bilíngue de professores surdos e ouvintes. A partir dessas observações iniciais, desenvolvemos esta pesquisa com o propósito de analisar o Curso de Licenciatura em Letras Libras, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), oferecido na modalidade a distância, com especial atenção aos processos de ensino e aprendizagem, à formação docente e às
                                  condições de acessibilidade linguística oferecidas aos estudantes. Nosso objetivo geral foi analisar as percepções de docentes, alunos e egressos do curso de Letras Libras da UFGD sobre os desafios e as potencialidades da formação bilíngue, com foco nas questões de bilinguismo e inclusão, nas dificuldades no ensino e na aprendizagem, nas metodologias e nos recursos de ensino, bem como nos desafios do Ensino a Distância (EaD). Com base nesse objetivo, os objetivos específicos foram: identificar as práticas pedagógicas desenvolvidas no curso, levantar as lacunas percebidas pelos sujeitos da pesquisa e apontar estratégias que possam contribuir para uma formação mais efetiva e inclusiva, considerando as especificidades linguísticas e educacionais dos estudantes. Fundamentamos esta pesquisa na perspectiva da Linguística Aplicada, compreendida como um campo transdisciplinar e socialmente comprometido, que busca refletir e intervir sobre problemas reais relacionados à linguagem em contextos diversos, entre eles a educação de surdos e a formação docente. Assim, dialogamos com estudos sobre a educação bilíngue de surdos com foco na formação de professores e nos desafios da acessibilidade linguística no ensino superior, articulando-nos ainda às discussões sobre educação a distância e o uso de tecnologias inclusivas. Nosso referencial teórico contempla autores que abordam a formação de professores surdos e ouvintes para o ensino bilíngue, como Quadros (2017), Fernandes (2019), Skliar (2006), Stumpf (2013) e Borges (2012), as políticas de inclusão e acessibilidade comunicacional, e nos apoiamos na Análise de Conteúdo como método qualitativo para a interpretação dos dados gerados. Como resultado, por um lado, destacamos que as análises apontaram que docentes, alunos e egressos percebem lacunas significativas na formação em Língua Portuguesa como Segunda Língua (L2), especialmente entre alunos surdos, que ingressam no ensino superior com carência de uma base linguística na L2 desde a educação básica. Nesse sentido, as dificuldades no domínio da escrita em Língua Portuguesa geram sentimentos de insegurança e dependência, o que compromete a autonomia desses estudantes. Dessa maneira, a reestruturação curricular do curso, ao reduzir a carga horária de disciplinas
                                  voltadas à L2, não contribui para a superação desses desafios. Por outro lado, o uso de recursos tecnológicos e estratégias visuais emergiu como importante potencialidade, a ser melhor explorada, apontando caminhos para o fortalecimento da proposta bilíngue.
                                  Concluímos, com esta pesquisa, que a efetivação de uma formação verdadeiramente inclusiva exige ações concretas de reestruturação curricular, investimento na formação de professores e intérpretes, além do aprimoramento dos materiais didáticos acessíveis a diferentes perfis de estudantes.
                                  Palavras-chave: Letras Libras. Formação docente. Acessibilidade linguística. Bilinguismo.
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                                  MEMÓRIA, TRAUMA E VIOLÊNCIA NAS OBRAS DE RUBEM FONSECA: UMA ANÁLISE DO AUTORITARISMO E SUAS HERANÇAS NA LITERATURA BRASILEIRA
                                  Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                                  Tipo Tese
                                  Data 23/05/2025
                                  Área LETRAS
                                  Orientador(es)
                                  • Andre Rezende Benatti
                                  Coorientador(es)
                                    Orientando(s)
                                    • Hans Stander Loureiro Lopes
                                    Banca
                                    • Andre Rezende Benatti
                                    • Geraldo Vicente Martins
                                    • Livia Santos de Souza
                                    • Ramiro Giroldo
                                    • Raquel da Silva Ortega
                                    • Rosana Cristina Zanelatto Santos
                                    Resumo A presente tese propõe uma análise crítica da obra de Rubem Fonseca sob a perspectiva da
                                    memória, do trauma e da violência, refletindo sobre os efeitos do autoritarismo e de suas
                                    heranças na sociedade e na literatura brasileira. A pesquisa tem como objetivo investigar de
                                    que maneira a narrativa de Fonseca articula elementos históricos da repressão e da
                                    desigualdade social, especialmente durante e após o regime militar, revelando uma literatura
                                    atravessada por marcas da violência institucional e estrutural. A hipótese central sustenta que
                                    a ficção de Fonseca não apenas retrata a brutalidade e a marginalização social, mas também
                                    funciona como testemunho e denúncia dos mecanismos de poder que perpetuam o
                                    autoritarismo no Brasil. A análise literária está amparada em um conjunto de autores que
                                    contribuem para a compreensão da memória histórica e da violência, como Michel Foucault,
                                    Beatriz Sarlo, Sidnei Chalhoub, Lilia Schwarcz e Flávio dos Santos Gomes. Os contos de
                                    Rubem Fonseca são examinados à luz de episódios históricos de repressão, tortura,
                                    desigualdade racial e social, com destaque para os relatos do projeto Brasil: Nunca Mais
                                    (Arns, 2011) e para as confissões de Cláudio Guerra, em Memórias de uma guerra suja
                                    (Guerra, 2012). A metodologia envolve análise textual e revisão bibliográfica, priorizando a
                                    relação entre literatura e memória coletiva. Conclui-se que a obra fonsequiana configura uma
                                    poética da denúncia, em que os traumas sociais da ditadura militar e suas reverberações são
                                    mobilizados como matéria literária, produzindo uma crítica contundente ao pacto autoritário
                                    brasileiro. A literatura, nesse sentido, emerge como espaço de resistência, de enfrentamento
                                    ao silenciamento e de resgate da dignidade das vítimas esquecidas pela história oficial.
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                                    Marcas das dimensões constitutivas do jornalismo nas adaptações dos livros-reportagem Olga (1985) e Corações Sujos (2000) para a linguagem audiovisual
                                    Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                                    Tipo Tese
                                    Data 31/03/2025
                                    Área LETRAS
                                    Orientador(es)
                                    • Marcos Paulo da Silva
                                    Coorientador(es)
                                      Orientando(s)
                                      • Debora Alves Pereira Cabrita
                                      Banca
                                      • Cintia Xavier
                                      • Felipe Simão Pontes
                                      • Geraldo Vicente Martins
                                      • Marcia Gomes Marques
                                      • Marcos Paulo da Silva
                                      • Ramiro Giroldo
                                      • Rogério Pereira Borges
                                      Resumo Esta pesquisa apresenta como objetivo central identificar as principais marcas simbólicas das dimensões estético-expressiva, pragmática e ético-deontológica do jornalismo que se esvaem e/ou que eventualmente (e paradoxalmente) são sublinhadas no processo de transposição de narrativas jornalísticas complexas – em especial, os livros-reportagem – para adaptações audiovisuais de ficção, utilizando-se como recorte empírico a transposição (Hutcheon, 2011) dos livros Olga e Corações Sujos, do jornalista Fernando Morais (1985, 2000), para os longa-metragens homônimos dirigidos respectivamente pelos cineastas Jayme Monjardim (2004) e Vicente Amorim (2011). Volta-se, portanto, aos processos de construção de "efeito de real" (Charaudeau, 2006) envolvidos nas negociações simbólicas edificadas nas fronteiras entre a não-ficção e a ficção. Utiliza-se o conceito de livro-reportagem como extensão do jornalismo convencional que diferencia-se das demais publicações jornalísticas por três condições essenciais: conteúdo, tratamento e função (Lima, 1995). O livro-reportagem não apresenta a periodicidade e o imediatismo do jornal diário, mas costuma refletir a inquietude do profissional jornalista que tem a possibilidade de aprofundar temas da contemporaneidade, além de atingir uma audiência heterogênea e dispersa geograficamente. O trabalho inscreve-se no âmbito de discussões amplas, devotadas à busca pela especificidade do jornalismo em situações fronteiriças, nas quais a atividade social e a prática profissional dialogam com outras práticas culturais e sociais – tais como o cinema e a literatura. A análise evidencia como as escolhas estéticas e narrativas dos diretores influenciaram a representação dos eventos históricos, ora enfatizando, ora diluindo elementos simbólicos do jornalismo. Olga (2004), por exemplo, privilegia uma abordagem emocional e melodramática, impactando o modo como a militância política da personagem é retratada, enquanto Corações Sujos (2011) constrói uma narrativa mais próxima da verossimilhança histórica, refletindo preocupações com autenticidade cultural e documental. Assim, esta pesquisa reforça a importância do cinema como agente de reinterpretação da memória histórica e destaca os impactos da transposição narrativa na construção simbólica dos fatos.

                                      Palavras-chaves: deontologia jornalística; linguagem audiovisual; livro-reportagem; adaptação; transposição.
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                                      Entre nomes e territórios: a toponímia dos acidentes humanos rurais da Região Geográfica Intermediária de Dourados/MS
                                      Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                                      Tipo Tese
                                      Data 28/03/2025
                                      Área LETRAS
                                      Orientador(es)
                                      • Aparecida Negri Isquerdo
                                      Coorientador(es)
                                        Orientando(s)
                                        • Silmara Cristina Batista da Silva de Souza
                                        Banca
                                        • Ana Claudia Castiglioni
                                        • Ana Paula Tribesse Patrício Dargel
                                        • Aparecida Negri Isquerdo
                                        • Bruno Oliveira Maroneze
                                        • Elizabete Aparecida Marques
                                        • Maria Célia Dias de Castro
                                        • Marilze Tavares
                                        Resumo A Toponímia, ramo da Onomástica que estuda os topônimos, tem como objeto de estudo os nomes próprios de lugares, considerando motivações linguísticas e extralinguísticas. Para tanto, parte-se do pressuposto de que a nomeação dos lugares pode registrar tantos fatos do “espírito humano” (Dick, 1992), quanto elementos característicos do “ambiente físico ou social” (Sapir, 1969), em que o denominador está inserido. Esta Tese tem como objeto de pesquisa a toponímia de acidentes humanos rurais (fazendas, sítios, chácaras, estâncias, assentamentos) da Região Geográfica Intermediária de Dourados/MS. (IBGE, 2017). O corpus da pesquisa é constituído por 2.874 topônimos extraídos dos mapas oficiais do IBGE (2019), com escala 1:100.000, pertencentes aos 34 municípios que compõem a área investigada. A pesquisa tem como objetivo geral analisar os topônimos que nomeiam os acidentes humanos rurais da região selecionada, considerando a motivação, a estrutura morfológica e a língua de origem do termo específico do sintagma toponímico. Para tanto, a pesquisa busca resposta para duas hipóteses: i) a situação de fronteira com o Paraguai, país que tem o espanhol e o guarani como línguas oficiais, além de abrigar significativa presença de povos indígenas contribuem para a configuração da toponímia regional; ii) a toponímia em regiões de fronteira reflete as origens culturais e linguísticas dos grupos migratórios que participaram do processo de colonização, evidenciando a dinâmica sociocultural desses movimentos. A pesquisa foi orientada, fundamentalmente, pelas contribuições teórico-metodológicas de Dauzat (1926), Leite de Vasconcellos (1928), Stewart (1954), Backheuser (1949-1950), Sapir (1969), Dick (1990; 1992; 1998; 1999, 2004, 2010), Ananias (2018) e Isquerdo e Dargel (2020). Além disso, os dados foram cotejados com resultados obtidos por Dick (1990; 1992), Tavares (2004), Cazarotto (2019), Ananias (2018) e Oliveira (2023), como busca de respostas para a segunda hipótese estabelecida para a pesquisa. Os resultados da pesquisa indicam maior frequência de topônimos de natureza antropocultural com 66,25% de registros, classificados segundo as seguintes taxes toponímicas (Dick, 1992): hagiotopônimos (24,74%), sendo mais frequentes São José, Santo Antônio, São João, Santa Maria; animotopônimos eufóricos (11,55%) como Boa Vista, Esperança e Paraíso e antropotopônimos (9.64%), destacando-se apelidos de família como Garcia, Martins e Silva. Em contrapartida, os topônimos de natureza física alcançaram 31,45%, com maior índice de frequência os fitotopônimos (9,53%), como Capão, Palmeira e Floresta; os hidrotopônimos com 5,78%, sendo os mais frequentes Água, Lagoa e Cabeceira e os zootopônimos com 5,05% como Sucuri e Vacaria. Topônimos não classificados: 2,30%. Em termos de estrutura, predominam os topônimos compostos (54,98%) seguidos dos com estruturas simples (40,98%), além de 4,04% não classificados, em sua maioria de base indígena. Foram identificados também topônimos formados por unidades complexas do léxico como em Vai-quem-quer, Passa frio e Olho d’água. Além disso, a toponímia estudada referenda a presença da herança lusitana na nomeação de lugares, bem como influências da realidade regional e de movimentos migratórios, o que confirma a presença de hibridização linguístico-cultural na toponímia regional. Nesse sentido, foram identificados na toponímia estudada traços de influência de grupos migratórios oriundos de diversas partes do território brasileiro, como em fazenda Fé do Sul e Arroio Corá que remetem, respectivamente, a elementos linguísticos característicos das regiões do sul do país e área de fronteira com o Paraguai; topônimos como Barretos, Aparecida do Norte, Copacabana que evidenciam homenagens a localidades do Sudeste do Brasil. Outro aspecto observado foi a influência histórico-social das regiões fronteiriças na toponímia, em topônimos como Rincão, Cerrito e Padilha-Cuê que atestam a presença das línguas oficiais do Paraguai na toponímia examinada. Nas cinco regiões imediatas que compõem a região selecionada ficou evidente a forte influência de acontecimentos históricos, como a Guerra do Paraguai, cuja memória se cristalizou em nomes como Cadete-Cuê e Marquês-Cuê, Tereré. Além dos aspectos apontados a toponímia remete ainda a processos de colonização ocorridos na região como o desencadeado pelo projeto de colonização “Marcha para o Oeste”, na região sul do estado, incluindo faixas de fronteira. As hipóteses estabelecidas para esta tese foram confirmadas. A primeira que sugeria que a situação de fronteira com o Paraguai e a presença significativa de povos indígenas contribuem para a configuração da toponímia regional, foi confirmada pela relevante incidência de topônimos indígenas associados a línguas que figuram como oficiais em diversos países. A segunda hipótese confirmada previa que a escolha de topônimos em regiões de fronteira reflete as origens culturais e linguísticas dos grupos migratórios que participaram do processo de colonização, hipótese também corroborada pela pesquisa.
                                        Palavras-Chave: Onomástica; Toponímia; Acidentes humanos rurais; Região Intermediária de Dourados/MS; História.
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                                        O Discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o indígena: a relutância de um arquivo colonial
                                        Curso Doutorado em Estudos de Linguagens
                                        Tipo Tese
                                        Data 28/03/2025
                                        Área LETRAS
                                        Orientador(es)
                                        • Vania Maria Lescano Guerra
                                        Coorientador(es)
                                          Orientando(s)
                                          • Diego Almeida Oliveira
                                          Banca
                                          • Edgar Cezar Nolasco dos Santos
                                          • Marcos Antônio Bessa Oliveira
                                          • Marcos Aurélio Barbai
                                          • Silvane Aparecida de Freitas
                                          • Vania Maria Lescano Guerra
                                          • Wagner Corsino Enedino
                                          • Willian Diego de Almeida
                                          Resumo Um olhar atento para os discursos que têm circulado em nossa sociedade, a respeito do indígena,
                                          possibilita compreender que, desde os tempos do “descobrimento”, as diversas comunidades indígenas
                                          brasileiras são postas em um local de exclusão, à margem da sociedade. Nessa esteira, os enunciados
                                          (re)produzidos nos dias atuais encontram raízes nas discursividades do passado, em um arquivo
                                          colonial ainda muito presente na sociedade contemporânea. Partindo dessa conjectura, tem-se por
                                          objetivo identificar, mediante recortes discursivos, ou seja, nos discursos de Jair Bolsonaro, as relações
                                          de poder/saber, formações discursivas e interdiscursos que direcionam para o processo de
                                          exclusão/marginalização do indígena, bem como para suas condições de existência/resistência,
                                          problematizando essas discursividades e desviando a trajetória do pensamento para uma perspectiva
                                          horizontal, heterogênea e que considera a contribuição da diversidade de saberes nas relações sociais.
                                          Parte-se da hipótese de que os discursos bolsonaristas produzem reflexões sobre a condição de
                                          marginalização das comunidades indígenas brasileiras, de que seus pronunciamentos
                                          produzem(iram) resultados que vão além de convicções pessoais: são discursos que refletem o
                                          posicionamento de uma sociedade como um todo, que ainda não aprendeu a dar o merecido
                                          respeito ao indígena do nosso país. De forma transdisciplinar, a tese ancora-se nas teorias: da
                                          Análise do Discurso (AD) de origem francesa, no escopo de formar um outro lugar de conhecimento,
                                          onde a linguagem pode ser referida essencialmente à sua exterioridade, para a compreensão do seu
                                          funcionamento enquanto processo significativo; do método arqueogenealógico de Foucault (1990,
                                          1996, 2000a, 2000b, 2006, 2007, 2008a, 2008b), que embora tenha sido um historiador e filósofo, foi
                                          adotado pela AD para discutir questões como o saber, o poder e a vontade de verdade, trazendo
                                          conceitos caros à proposta de análise a ser empreendida nesta tese, como os de formação discursiva e
                                          memória discursiva; da obra derridiana (1994, 2001a, 2001b) que, seguindo a mesma linha de
                                          “adoção” pela AD, citada anteriormente, contribui com noções importantes como a de memória e
                                          arquivo; e, dos estudos decoloniais, como perspectiva diferenciada das teorias eurocêntricas de outros
                                          autores, que colaboram, portanto, de modo significativo, na desconstrução de um pensamento
                                          unilateral e colonizatório. De maneira metodológica, a tese divide-se em três partes. Na primeira parte,
                                          apresento as condições de produção dos dizeres de Jair Bolsonaro, no objetivo de elucidar em que
                                          circunstâncias esses discursos foram produzidos, trazendo à tona a trajetória do deputado federal que
                                          chegou à Presidência da República, nas eleições de 2018, sem participar da grande maioria dos debates
                                          políticos organizados naquele pleito eleitoral. A segunda parte detalha os pressupostos teóricos e
                                          metodológicos utilizados nesta pesquisa, apresentando os autores e suas concepções advindas da
                                          Análise do Discurso (AD), do método arqueogenealógico, da teoria derridiana e mobilizando conceitos
                                          dos estudos decoloniais. A terceira e última parte foi dividida em três “eixos” específicos, a fim de
                                          estabelecer um exame mais “didático” dos recortes discursivos: representações de si do
                                          sujeito/presidente; representação de terra do sujeito/presidente e representações que o
                                          sujeito/presidente tem dos indígenas brasileiros. Nela, tem-se a problematização dos discursos
                                          proferidos por Jair Bolsonaro, ao longo de mais de três décadas de carreira política, explorando
                                          questões que, em especial, envolvem a terra, e a discriminação sofrida pelos indígenas, desde o
                                          processo colonizatório até os dias atuais. Do gesto interpretativo analítico, resultados apontam para o
                                          processo de exclusão/marginalização do indígena, bem como para suas condições de
                                          existência/resistência, uma vez que, conforme a mobilidade do poder de Foucault (1990), o indígena
                                          resiste, se organiza para lutar contra esses discursos e contra a opressão da sociedade capitalista.
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