| OS 50 TONS DE UMA MULHER: LUTA E RESISTÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO FEMININA NA GUERRA DO PARAGUAI |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
15/12/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Laura Marin Lugo Magdalena
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| Banca |
- Helen Paola Vieira Bueno
- Janete Rosa da Fonseca
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| Resumo |
Este trabalho analisa a presença historicamente invisibilizada das mulheres na Guerra do Paraguai (1864–1870), por meio de uma narrativa biográfica que articula memória familiar, experiência feminina e Estudos Culturais. Francisca Martinez, mulher paraguaia que atuou como sargenta durante a Guerra Guasu, segundo relatos transmitidos oralmente, encontrou uma imagem do Arcanjo São Miguel em meio aos destroços da guerra. Esse episódio marcou
profundamente os descendentes, configurando-se com identidade religiosa, cultural e simbólica que acompanha a família por mais de um século. A investigação analisa a memória feminina como eixo estruturante nas dinâmicas familiares, destacando o papel das mulheres na preservação da fé, no cuidado e na transmissão dos saberes. A narrativa das descendentes de Francisca evidencia múltiplas camadas de resistência: desde a sobrevivência em campo de batalha até as experiências de violência de gênero enfrentadas por suas sucessoras, como assassinatos, abusos, exploração, entre outros. Nesse sentido, o estudo demonstra como a violência contra a mulher, historicamente vinculada ao patriarcado, atravessa temporalidades distintas e permanece como problema grave no século XXI, sendo corroborada por índices
contemporâneos de feminicídio no Brasil. A pesquisa estrutura-se teoricamente a partir de autores dos Estudos Culturais: como Bhabha, Hall, Butler, Cevasco e hooks e metodologicamente adota abordagem qualitativa, com ênfase na narrativa biográfica e na análise das memórias de geração a geração. Discute-se como a escrita se constitui como um ato de resistência, especialmente para mulheres historicamente silenciadas pela historiografia oficial da guerra, que privilegiou figuras e feitos masculinos. Conclui-se que as mulheres, ao mesmo tempo em que sustentaram suas famílias em contextos de guerra, também criaram espaços de fé, afeto e identidade. Assim, a pesquisa associa o protagonismo feminino no debate acadêmico, ampliando a compreensão das mulheres como agentes de transformação social, sujeitos históricos e guardiãs de memórias e tradições. |
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| A ALIMENTAÇÃO ESCOLAR NAS ESCOLAS PANTANEIRAS DO MUNICÍPIO DE AQUIDAUANA/MS SOB O OLHAR DOS ESTUDOS CULTURAIS: DESAFIOS, MEMÓRIAS E NARRATIVAS |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
04/12/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
- Miguel Rodrigues de Sousa Neto
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Ursula Coelho de Barros Oliveira
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| Banca |
- Helen Paola Vieira Bueno
- Iara Quelho de Castro
- Miguel Rodrigues de Sousa Neto
- Sandra Nara da Silva Novais
- Thais Leao Vieira
- Vera Lucia Ferreira Vargas Cesco
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| Resumo |
A alimentação escolar é um direito de todos os alunos matriculados na rede pública de ensino, norteada pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar do Ministério da Educação, destinado à transferência de recursos da união para os estados e municípios para aquisição de gêneros alimentícios que irão compor o cardápio escolar, devendo ser saudável e adequado, satisfazendo as necessidades nutricionais, garantindo o desenvolvimento físico e intelectual,
com acesso de forma igualitária, respeitando as diferenças biológicas entre idades, regionalidade, cultura, condições de saúde e aqueles que se encontram em vulnerabilidade social. Aquidauana é um município brasileiro do estado de MS, localizado na região dos Pantanais, e em 2024 o município foi responsável por uma rede de ensino público de 4.280 alunos, sendo 212 distribuídos por quatro escolas localizadas dentro de fazendas no Pantanal,
as chamadas Escolas Pantaneiras. Essas escolas são alternativas de acesso à educação dos filhos dos trabalhadores das fazendas da região. A distância do município para as escolas e entre as fazendas varia de 50 a 160 km e, por isso, em algumas escolas os alunos ficam alojados em regime de internato, e os que vão diariamente precisam acordar muito cedo, chegando à escola
com fome devido a distância de casa, ocasião na qual a alimentação torna-se mais do que necessária. O objetivo geral da pesquisa foi verificar a existência de uma cultura alimentar pantaneira e a sua presença na alimentação dessas escolas. E como objetivo específico, analisar dados relativos à alimentação nestas unidades escolares, bem como as memórias e narrativas dos trabalhadores da educação envolvidos no processo, dos alunos e de seus familiares, residentes nas fazendas do interior do Pantanal de Mato Grosso do Sul, da região de Aquidauana, sob o olhar dos estudos culturais. Os procedimentos metodológicos incluíram levantamentos bibliográficos, diário de campo, observação em campo, aplicação de questionário norteador, realização de entrevista semiestruturada e compilação de memórias e narrativas de fontes orais. Para a análise dos dados, utilizou-se uma abordagem mista, qualitativa e quantitativa. A análise qualitativa incidiu sobre as memórias e narrativas, enquanto a análise quantitativa baseou-se na mensuração das respostas dos entrevistados. Como conclusão foi possível identificar que pelo meio onde vivem os pantaneiros, os alunos, pais e merendeiras não reconhecem os alimentos enviados pela secretaria de educação e que fazem parte do cardápio, como parte da cultura e identidade alimentar pantaneira, e que não lhes são dados oportunidade de fala, nem de escuta, em poder ajudar a compor o cardápio com alimentos que possuem sentido e representação para a comunidade, portanto, não sendo cumpridas as políticas públicas existentes que garantam seus direitos em relação à alimentação escolar. |
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| SIRIRI DE MATO GROSSO: A SUBJETIVAÇÃO DA ALMA PARA MANUTENÇÃO DO PERTENCER |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
24/11/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
- Patricia Zaczuk Bassinello
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| Coorientador(es) |
- Antonio Firmino de Oliveira Neto
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| Orientando(s) |
- Jehferson Guimarães Alves da Rosa
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| Banca |
- Antonio Firmino de Oliveira Neto
- Marcelo Victor da Rosa
- Marcos Rogerio Heck Dorneles
- Maria Helena da Silva Andrade
- Milton Augusto Pasquotto Mariani
- Patricia Zaczuk Bassinello
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| Resumo |
Esta dissertação investiga o Siriri, manifestação cultural típica do Centro-Oeste brasileiro, especialmente do estado de Mato Grosso, compreendendo-o como linguagem artística e forma de resistência identitária. O estudo analisa o fenômeno da “subjetivação da alma do povo” — a expressão simbólica das vivências, valores e memórias coletivas — em meio às tensões entre tradição e modernidade, resistência e mercantilização. A pesquisa fundamenta-se nos Estudos Culturais, dialogando com autores como Raymond Williams, E. P. Thompson, Néstor García Canclini e bell hooks, para discutir a cultura como prática política, híbrida e transformadora. O percurso metodológico incluiu pesquisa bibliográfica e entrevistas com dançarinos, músicos e lideranças de quatro grupos de Siriri, buscando compreender a dança em sua dimensão estética, social e comunicacional. A análise revelou que o Siriri ultrapassa o aspecto folclórico e se configura como linguagem viva que articula corpo, música e memória coletiva, sendo um espaço de subjetivação e pertencimento. Originário de comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas, o Siriri expressa a resistência e a reinvenção de grupos historicamente marginalizados, consolidando-se como patrimônio imaterial de grande relevância. Apesar do processo de espetacularização e da inserção em circuitos turísticos e midiáticos, o Siriri mantém sua essência comunitária, ressignificando tradições e reafirmando identidades locais. O estudo evidencia que a dança atua como pedagogia popular e meio de transmissão cultural entre gerações, promovendo a valorização das culturas regionais e fortalecendo o sentimento de pertencimento. Conclui-se que o Siriri ultrapassa a expressão artística: é uma linguagem de vida e resistência, um ato político que salvaguarda identidades e revela a alma plural do povo mato-grossense, reafirmando a importância de políticas culturais voltadas à sua preservação e difusão. |
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| MÃOS QUE TECEM SENTIDOS: O CMILCG/MS E A POÉTICA DA DIFERENÇA |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
19/11/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- JUVEIRCE CHRISTIANE MEDEIROS RAMOS CONDI
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| Banca |
- Antonio Firmino de Oliveira Neto
- Cleyton Rodrigues dos Santos
- Helen Paola Vieira Bueno
- Janete Rosa da Fonseca
- Richéle Timm dos Passos da Silva
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| Resumo |
Este estudo tem como foco o trabalho que é realizado no Centro Municipal de Interpretação de Libras de Campo Grande/MS (CMILCG), analisado sob a ótica dos Estudos Culturais no período de 2021 a 2024. O CMILCG configura-se como uma importante iniciativa municipal voltada à mediação linguística entre surdos e ouvintes, promovendo o acesso à informação, à educação e aos serviços públicos por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). A partir do arcabouço teórico do campo dos Estudos Culturais, que considera a cultura como lugar de disputas e significações, a pesquisa investigou como esse espaço institucional contribui para a visibilidade, valorização e reconhecimento da identidade surda na sociedade. Foram analisadas as práticas discursivas, ações institucionais e formas de representação dos sujeitos surdos no contexto da política pública de inclusão linguística. O estudo utilizou abordagem qualitativa, uma vez que evidencia a intenção de compreender e interpretar um processo, com o procedimento técnico da revisão bibliográfica e análise documental. Para a coleta de dados realizou-se questionários usuários surdos do centro. Observou-se que o CMILCG/MS representa mais que um local de tradução; ele opera como agente de transformação social ao contribuir para o fortalecimento da cultura surda e da cidadania. Ao reconhecer as diferenças e atuar no enfrentamento das desigualdades comunicacionais, o centro reafirma a importância da Libras como expressão legítima da diversidade cultural e linguística. A pesquisa aponta que experiências como essa devem ser fortalecidas como instrumento de justiça social e inclusão efetiva. O CMILCG através das mãos que tecem sentidos nos mostra a poética da diferença. |
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| AS AMARRAS DO VESTIBULAR: UMA ANÁLISE DECOLONIAL DO INGRESSO DA PESSOA SURDA NA SELEÇÃO DO VESTIBULAR |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
11/11/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Karolaine Leonel de Oliveira
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| Banca |
- Flávio Vilas-Bôas Trovão
- Helen Paola Vieira Bueno
- Janete Rosa da Fonseca
- Miguel Rodrigues de Sousa Neto
- SIGLIA PIMENTEL HOHER CAMARGO
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| Resumo |
Direcionamos a presente pesquisa diante da necessidade de identificarmos as dificuldades ou
mecanismos de acessibilidade dispostos a estudantes com deficiência auditiva, frente ao
processo exame seletivo Vestibular – UFMS. A priori, quando se trata sobre inclusão, atentase ao cumprimento das Leis Educacionais a Lei 14.191, de 2021, que insere a Educação
Bilíngue de Surdos na Lei Brasileira de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei
9.394, de 1996) como uma modalidade de ensino independente quando se refere sem tardar a
interpor os estudantes ao acesso ao ensino superior procurando alternativas para um ambiente
bilíngue. Os pressupostos teóricos fundamentais na abordagem deste tema em questão apontam
que o propósito de inclusão não consiste em identificar e legitimar as diferenças e sim assegurar
a equidade de direitos entre os estudantes e percebe-se que o processo inclusivo educacional
tem a necessidade de apropriar-se de novos ensinamentos apontados para novas práticas
pedagógicas e possibilitando maior favorecimento na garantia de seu espaço individual e social
como cidadão. |
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| AS AMARRAS DO VESTIBULAR: UMA ANÁLISE DECOLONIAL DA AVALIAÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS E DO SER SURDO NA SELEÇÃO DO VESTIBULAR DA UFMS |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
10/11/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Helen Paola Vieira Bueno
- Janete Rosa da Fonseca
- SIGLIA PIMENTEL HOHER CAMARGO
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| Resumo |
Direcionamos a presente pesquisa diante da necessidade de identificarmos as dificuldades ou
mecanismos de acessibilidade dispostos a estudantes com deficiência auditiva, frente ao
processo exame seletivo Vestibular – UFMS. A priori, quando se trata sobre inclusão, atentase ao cumprimento das Leis Educacionais a Lei 14.191, de 2021, que insere a Educação
Bilíngue de Surdos na Lei Brasileira de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei
9.394, de 1996) como uma modalidade de ensino independente quando se refere sem tardar a
interpor os estudantes ao acesso ao ensino superior procurando alternativas para um ambiente
bilíngue. Os pressupostos teóricos fundamentais na abordagem deste tema em questão apontam
que o propósito de inclusão não consiste em identificar e legitimar as diferenças e sim assegurar
a equidade de direitos entre os estudantes e percebe-se que o processo inclusivo educacional
tem a necessidade de apropriar-se de novos ensinamentos apontados para novas práticas
pedagógicas e possibilitando maior favorecimento na garantia de seu espaço individual e social
como cidadão. |
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| (NA) BEIRA (DO) RIO, (NA) BEIRA (DA) VIDA: GERAÇÕES DE PROTAGONISMO NA (RE) INVENÇÃO DO PAPEL FEMININO EM PARNAÍBA |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
04/11/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- MARCOS VINICÍUS PACHÊCO SOUSA
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| Banca |
- Alcides Freire Ramos
- Danilo Leite Moreira
- Dulceli de Lourdes Tonet Estacheski
- Iara Quelho de Castro
- Janete Rosa da Fonseca
- Mirian Cristina de Moura Garrido
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| Resumo |
Este estudo investiga a representação das experiências femininas e a dinâmica social das populações marginalizadas que habitavam as proximidades do rio Parnaíba, em um período de intensas alterações urbanísticas e culturais. A partir da análise da obra Beira Rio Beira Vida, de Assis Brasil, propõe-se uma investigação sobre as vivênvias das mulheres em contextos de exclusão, observando como suas trajetórias se entrelaçam com as mudanças no ambiente urbano e nas dinâmicas sociais locais. A narrativa permite examinar os modos pelos quais essas personagens desafiam expectativas impostas, ressignificam seus papéis e ocupam posições de resistência e
reinvenção diante das estruturas vigentes. Dessa forma, o deslocamento das prostitutas e a presença das habitações precárias foram percebidos pelas autoridades como um obstáculo à imagem de modernidade desejada para a cidade, sendo tratadas como questões a serem regulamentadas e afastadas dos circuitos mais visíveis da urbe. Nesse contexto, políticas de controle e fiscalização da circulação feminina e das atividades relacionadas ao comércio sexual foram intensificadas. A investigação da narrativa revela, ainda, uma sociedade rigidamente estratificada, em que o protagonismo das mulheres, especialmente das prostitutas, emerge como resistência e sobrevivência frente à exclusão econômica e ao estigma social. Assim, a história é conduzida por meio das memórias de Luíza, personagem central que articula vivências pessoais com a paisagem social e cultural da cidade, conferindo à narrativa uma
dimensão íntima e reflexiva sobre o papel das mulheres em espaços de marginalização. |
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| COLONIALIDADE DO PODER E ETNOCÍDIOS INDÍGENAS: PARADOXOS DA AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS PARA UM FUTURO ANCESTRAL |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
16/10/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Felipe Augusto Rondon de Oliveira
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| Banca |
- Aguinaldo Rodrigues Gomes
- Iara Quelho de Castro
- Noemia dos Santos Pereira Moura
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| Resumo |
A colonialidade do poder e o eurocentrismo estão na base e nas origens da desigualdade social no Brasil, a partir da ausência da formação de um verdadeiro Estado-Nação, na medida em que, ao longo de toda sua história, desde o Período Colonial até os últimos movimentos de ocupação do seu território, a distribuição da terra e dos meios de produção foi baseada na questão racial, e utilizada como forma de dominação das minorias étnicas. Nesse mesmo contexto, o Brasil se constituiu a partir de múltiplos etnocídios, especialmente os praticados contra os Povos Indígenas, à exemplo do que ocorre no presente momento no estado de Mato Grosso do Sul, intimamente relacionado à luta pela demarcação de seus territórios. O presente estudo, que se trata de pesquisa autoetnográfica e bibliográfica, de enfoque qualitativo, pretende responder ao seguinte problema: Quais são os limites, as compreensões e as perspectivas dos povos indígenas acerca da autodeterminação dos povos, no contexto da luta por seus direitos, diante de um Estado Etnocida e das estruturas coloniais de poder? O objetivo geral deste estudo é compreender a autodeterminação dos povos indígenas, no contexto de formação colonial e etnocida do Estado brasileiro, criticamente como paradoxo na garantia da sobrevivência física e cultural desses povos, na perspectiva de um futuro ancestral. Assim, cinco objetivos específicos foram traçados, cada um deles correspondendo a um capítulo, sendo o primeiro
deles apresentar uma breve trajetória do autor enquanto pesquisador e ao mesmo tempo profissional que atua na defesa das políticas públicas de educação para os povos indígenas, relatando-se experiências que fundamentam as conclusões desta pesquisa, pelo olhar próprio do autor, e naquilo que ele considera uma visão dos povos indígenas sobre a autodeterminação; o segundo discorrer sobre a colonialidade do poder, o eurocentrismo e as origens da desigualdade social no Brasil, a partir da distribuição e ocupação dos seus territórios, tendo como principal referencial teórico os estudos do sociólogo peruano Aníbal Quijano; o terceiro analisar o conceito de etnocídio, e o particular caso dos etnocídios indígenas que marcaram a história do Brasil, a partir das lições do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, se aprofundando no etnocídio indígena que caracteriza até os dias de hoje a ocupação territorial de Mato Grosso do Sul; o quarto objetivo específico conceituar e analisar a autodeterminação dos povos indígenas, na perspectiva do Estado e de Organismos Internacionais, desde sua
concepção jurídico-normativa, a partir dos sistemas internacional e interamericano de direitos humanos, adentrando ao ordenamento jurídico brasileiro, mas também em suas concepções sociológica e antropológica; e o quinto e último objetivo específico, respondendo ao problema proposto, apresentar a autodeterminação dos povos indígenas, em perspectiva decolonial e na visão dos Povos Indígenas, como fundamento e mecanismo para a resistência às estruturas coloniais de poder e aos múltiplos etnocídios indígenas do passado e do presente em nosso país, com foco no pensamento de autores indígenas, e com particular atenção ao caso de Mato Grosso
do Sul, como chave para a garantia de um futuro ancestral, com base no pensamento de Ailton Krenak, ressaltando as contradições e o paradoxo da autodeterminação dos povos como direito humano fundamental, mas que serve à políticas públicas que acabam sendo instrumento de perdas culturais. |
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| OS IMPACTOS DOS MARCADORES SOCIAIS NO PERFIL DOS PORTADORES DE ISTS (HIV/ AIDS E SÍFILIS) |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
30/09/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
- Aguinaldo Rodrigues Gomes
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Nádia Érica Falcão Pereira
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| Banca |
- Aguinaldo Rodrigues Gomes
- Carla Denari Giuliani
- Miguel Rodrigues de Sousa Neto
- Patricia Zaczuk Bassinello
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| Resumo |
As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como o HIV/Aids e a sífilis, permanecem como um grave problema de saúde pública, cuja incidência reflete desigualdades estruturais profundamente enraizadas na sociedade brasileira. Esses agravos atingem de forma mais intensa grupos sociais marcados por vulnerabilidades históricas associadas ao gênero, à raça/cor, à classe, à orientação sexual e à localização territorial. Diante desse cenário, o presente estudo tem como objetivo geral analisar os impactos dos marcadores sociais no perfil das pessoas acometidas por ISTs, especialmente HIV/Aids e sífilis, no Brasil. Como objetivos específicos, busca identificar os principais referenciais teóricos mobilizados nas produções acadêmicas que tratam do tema; mapear as abordagens metodológicas predominantes nos estudos selecionados; e examinar as lacunas e recorrências que atravessam o estado da arte sobre o assunto. A questão norteadora que orienta a pesquisa é: como os marcadores sociais influenciam os perfis das pessoas acometidas por ISTs no Brasil? Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, com análise crítica de teses e dissertações selecionadas no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES. Os resultados evidenciam que a produção acadêmica recente tem priorizado abordagens
qualitativas, interseccionais e comprometidas com uma leitura ampliada da saúde.
Constatou-se que os marcadores sociais não apenas condicionam a exposição ao
risco e o acesso aos serviços, mas também moldam as experiências de adoecimento
e os modos de cuidado. A pesquisa conclui que a compreensão das ISTs exige o
reconhecimento da desigualdade como elemento estruturante do adoecimento e
reforça a necessidade de políticas públicas sensíveis às diferenças sociais e culturais
que compõem os sujeitos da epidemia. |
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| Os fantasmas da Colonialidade que assombram a América Latina: Interdisciplinaridade e Estudos Culturais no Gótico Tropical de Mariana Enriquez e Carlos Mayolo |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
29/09/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Marcos Antonio Leite Junior
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| Banca |
- Fabio da Silva Sousa
- Miguel Rodrigues de Sousa Neto
- Tereza Maria Spyer Dulci
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| Resumo |
O objetivo desta pesquisa é investigar o gótico tropical como ferramenta de denúncia e resistência na América Latina, por meio das obras “Nossa parte de noite”, de Mariana Enriquez, e “Carne de tu carne”, de Carlos Mayolo. O gótico tropical é uma vertente do gótico que trata das especificidades da América Latina, inserindo aspectos geográficos, históricos e culturais do país em que foi produzido, neste caso, Argentina e Colômbia. Poresse motivo, considera-se uma abordagem importante para identificar diversas violências que os povos latino-americanos ainda enfrentam, bem como as formas como resistem e sobrevivem. O trabalho discute principalmente os aspectos ligados às famílias ricas e sua atuação na manutenção da colonialidade. Assim, defendo que o eurocentrismo e a colonialidade são pontos importantes para a análise, uma vez que essas famílias se perpetuam no poder a partir da violência em diferentes períodos: colonização do Sul Global, morte e roubo de terras indígenas, roubo de terras camponesas, exploração dos/as trabalhadores/as e, na atualidade, a manutenção da colonialidade na América Latina. A pesquisa se desenvolve a partir de uma perspectiva interdisciplinar dos Estudos Culturais e dialoga com os Estudos Descoloniais e o Feminismo Comunitário. Entre os/as autores/as estão: Douglas Kellner (2001), Raymond Williams (2015), Néstor García Canclini (2019), Aníbal Quijano (2005a, 2005b), María Lugones (2008), Breny Mendoza (2014, 2021), Rita Segato (2012, 2014, 2019), Julieta Paredes (2015) e Lorena Cabnal (2019). Conclui-se que Enriquez e Mayolo explicitam essas violências em suas obras; entretanto, os aspectos comparativos não se restringem apenas às dimensões estéticas. Em “Nossa parte de noite” e “Carne de tu carne”, a maior semelhança encontrada na reprodução das violências ocorre por meio de famílias latifundiárias que procuram se diferenciar a partir de uma linhagem longa e “especial”. Espera-se que o estudo contribua para as discussões interdisciplinares que envolvem os temas aqui apresentados. |
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| O ETERNO AMANHECER: INTERDISCIPLINARIDADE E ESTUDOS CULTURAIS NAS DISPUTAS PELAS LINGUAGENS, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA DO FILME ROJO AMANECER (MÉXICO) |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
29/09/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- PRISCILA ROBERTA ALVES LEMOS
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| Banca |
- Fabio da Silva Sousa
- Larissa Jacheta Riberti
- Patricia Zaczuk Bassinello
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| Resumo |
Esta pesquisa pretende analisar a obra audiovisual Rojo Amanecer (1990), que tem como temática o evento histórico mexicano conhecido como o Massacre de Tlatelolco, ocorrido em 1968, com olhar nas relações de memória, trauma, resistência. Como base metodológica, serão utilizados os conceitos de Cultura de Mídia, de Douglas Kellner (2001); Mediações Culturais, de Jesús Martín-Barbero (1997) e; Linguagens em diálogo com os caminhos metodológicos e audiovisuais de Marcos Napolitano (2011). O trabalho será apresentado em três capítulos. No primeiro capítulo será apresentado o contexto do México nas décadas de 1960 e 1980, períodos em que acontecem os eventos do massacre e da obra. O segundo capítulo será a apresentação da obra Rojo Amanecer, o contexto de sua produção e elenco até sua estreia. No terceiro capítulo, abordaremos as políticas de memória de Tlatelolco e a repercussão de Rojo Amanecer nas redes sociais. |
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| A DIFERENÇA NA CULTURA ESCOLAR: AUTOBIOGRAFIA DE UMA PROFESSORA DE APOIO |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
17/09/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
- Aguinaldo Rodrigues Gomes
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| Coorientador(es) |
- José Simão da Silva Sobrinho
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Aguinaldo Rodrigues Gomes
- Helen Paola Vieira Bueno
- Vanusa Meneghel
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| Resumo |
A pesquisa aborda o trabalho do professor de apoio domiciliar no contexto da educação inclusiva. Ao adotar uma abordagem metodológica híbrida – combinando narrativa autobiográfica e garimpagem de dados – a investigação possibilita um olhar crítico, subjetivo e reflexivo sobre a experiência docente, ancorado tanto nos relatos pessoais quanto na análise de fontes acadêmicas e material pedagógico. Esta estratégia metodológica posiciona a experiência pessoal como núcleo do processo de pesquisa. A autobiografia utiliza a memória, registros e diferentes formas de narração (diários, entrevistas, vídeos), permitindo uma reconstrução dos sentidos da prática pedagógica. Ao refletir sobre suas vivências, a pesquisadora ressignifica o próprio percurso profissional e pessoal. Assim, a autobiografia funciona como instrumento de introspecção, reflexão crítica e compreensão das influências socioculturais no processo de ensino-aprendizagem. Ao investigar o professor de apoio domiciliar, a pesquisa ilumina dimensões pouco exploradas, como a invisibilidade institucional desse profissional, e reforça a importância de práticas e políticas mais inclusivas e reconhecedoras do apoio pedagógico especializado. Através da garimpagem de dados, a autora identificou a escassez de estudos sobre o apoio domiciliar na educação inclusiva, identificou o apagamento dessa prática fora do espaço escolar formal. Esse vácuo científico reflete estruturas escolares e políticas centralizadoras, que negligenciam práticas inclusivas domiciliares. A dissertação avança para uma análise crítica da medicalização. Com o uso excessivo de diagnósticos e medicamentos, a educação tende a patologizar comportamentos, ignorando fatores sociais e pedagógicos. A escola, mesmo sob discurso inclusivo, opera como espaço de normatização que pode excluir alunos não alinhados ao padrão. A dissertação defende cautela no uso de diagnósticos e medicamentos, ressaltando que o apoio do profissional de saúde pode ser necessário, mas não pode comprometer a complexidade educativa. A autobiografia evidenciou que, no trabalho cotidiano, a autora empregou atividades lúdicas – jogos matemáticos, mapas mentais, cronogramas personalizados, dinâmicas criativas – reconhecidas como ressonâncias, na prática docente, de estudos em Etnomatemática e em Construtivismo. Essas atividades valorizam a singularidade de cada aluno, promovem autonomia, autoestima e vínculo afetivo. Ensinar em contextos inclusivos é um exercício de improviso, escuta e construção conjunta de sentidos, transformando a docência em experiência compartilhada e afetiva. Atuar como professora de apoio domiciliar significa mediar entre escola e família, ensino formal e cotidianidade, normatividade e pluralidade humana. Essa posição destaca a pedagogia da escuta, do cuidado e da presença, que emerge em sujeitos sensíveis às particularidades do processo educativo. Demanda, enfim, uma pedagogia culturalmente sensível à diferença. |
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| ESTOU AQUI DENTRO, E DAÍ? PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E SUA PARTICIPAÇÃO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
11/09/2025 |
| Área |
INTERDISCIPLINAR |
| Orientador(es) |
- Marina Brasiliano Salerno
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Mateus Fernandes Adriano Nazaro
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| Banca |
- Marcelo Braz Vieira
- Marcelo Victor da Rosa
- Marina Brasiliano Salerno
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| Resumo |
Esta pesquisa teve como objetivo analisar a percepção de estudantes com deficiência, matriculados em escolas das redes municipal e estadual de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, sobre a Educação Física Escolar na perspectiva da inclusão, com base nos referenciais dos Estudos Culturais. Os objetivos específicos desta pesquisa incluem: a) examinar os conteúdos abordados nas aulas de Educação Física; b) compreender a percepção dos/as estudantes com deficiência sobre sua relação com colegas e professores/as de Educação Física; c) investigar a interação dos/as alunos com os/as professores de apoio; d) analisar o sentimento de pertencimento dos/as estudantes em relação às aulas de Educação Física Escolar. As questões que motivaram esta pesquisa surgiram da constatação de que muitos estudos se dedicam a investigar o discurso docente e suas práticas pedagógicas nas aulas de Educação Física, entretanto, pouco se volta para avaliar a participação dos alunos e alunas com deficiência. Além disso, são ainda mais escassas as pesquisas que analisam o processo de inclusão sob a perspectiva desses/dessas estudantes pelo viés dos Estudos Culturais. Essa realidade na EF escolar ainda precisa ser explorada e por esse aspecto foi que nos interessamos por essa temática sob uma perspectiva diferente daqueles que, em tese, participam das aulas: os alunos e alunas com deficiência. O estudo se configura de cunho qualitativo e para o levantamento dos dados optamos pelo método de entrevistas semiestruturadas, que possibilita a intervenção do pesquisador caso ainda exista a necessidade de complementação da informação (Thomas e Nelson, 2002). As entrevistas foram gravadas com auxílio de gravador de voz e foram posteriormente transcritas e analisadas a partir da análise de conteúdo proposta por Bardin (2010). As análises das entrevistas resultaram em três categorias: a) preferências e temas trabalhados nas aulas de Educação Física; b) interações com professores/as na Educação Física; c) participação e sentimento de pertencimento dos/as alunos/as com deficiência na Educação Física Escolar. Os resultados da pesquisa evidenciaram que os/as estudantes com deficiência vivenciaram situações de exclusão e/ou integração parcial nas aulas de Educação Física Escolar, com relatos de isolamento e atividades separadas. Estudantes com maiores barreiras relacionadas à mobilidade e à interação social expressaram percepções mais negativas quanto à participação. A ausência de vínculos com colegas e a falta de ações pedagógicas intencionais por parte dos/as professores/as também foram apontadas como fatores de exclusão. Por outro lado, a presença de profissionais de apoio foi destacada como um elemento facilitador da inclusão. |
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| A POLÍTICA CULTURAL DOS AFETOS: LITERATURA LÉSBICA BRASILEIRA E AS RELAÇÕES INTER-RACIAIS |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
29/08/2025 |
| Área |
SOCIAIS E HUMANIDADES |
| Orientador(es) |
- Miguel Rodrigues de Sousa Neto
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Jéssica Laíza Oliveira de Carvalho
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| Banca |
- Aguinaldo Rodrigues Gomes
- Iara Quelho de Castro
- Miguel Rodrigues de Sousa Neto
- Simone Becker
- Vera Lucia Puga
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| Resumo |
Esta dissertação investiga como os afetos, especialmente aqueles organizados em torno do amor, da felicidade e do desejo, operam nas relações lésbicas inter-raciais representadas na literatura lésbica brasileira contemporânea. A pesquisa se fundamenta nos Estudos Culturais, na Teoria dos Afetos e na perspectiva interseccional, articulando ainda o conceito de agenciamento (assemblage) para compreender de que maneira as experiências afetivas de mulheres lésbicas, atravessadas por marcadores de raça, gênero e sexualidade, são produzidas, reguladas e representadas literariamente. No primeiro capítulo, são discutidos os fundamentos teóricos-metodológicos da análise, com destaque para as contribuições de Brian Massumi, Eve Sedgwick, Sara Ahmed e Lauren Berlant para a chamada investigação dos afetos, em especial, a compreensão de Ahmed, que permite pensar os afetos como forças performativas, situadas e politicamente implicadas na produção das subjetividades. O segundo capítulo, aprofunda-se a reflexão sobre como a brevidade e a estrutura episódica da literatura lésbica brasileira se relacionam com modos precários de existência e com a reprodução — ou subversão — de regimes afetivos normativos, em especial o imperativo branco da felicidade, que opera como dispositivo de controle e apagamento das alteridades. As análises, tensionamentos e reflexões indicam que a literatura brasileira contemporânea se constitui como um espaço de negociação afetiva e política, onde os discursos sobre amor, desejo, felicidade e subjetividades são permanentemente atravessados pelas intersecções de gênero, raça, classe e sexualidade. A dissertação contribui, assim, para os debates sobre literatura, afetos e representatividade, sobretudo, ao evidenciar que os afetos, longe de serem elementos neutros ou puramente privados, são centrais na reprodução e na contestação das hierarquias sociais e raciais que estruturam o campo literário e as práticas culturais no Brasil. |
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| O saber-fazer das mulheres rurais na Festa da Farinha de Anastácio-MS: memória, cultura e resistência. |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
30/07/2025 |
| Área |
INTERDISCIPLINAR |
| Orientador(es) |
- Patricia Zaczuk Bassinello
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Edir Neves Barboza
- Janete Rosa da Fonseca
- Patricia Zaczuk Bassinello
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| Resumo |
Esta pesquisa tem como objetivo evidenciar o protagonismo das mulheres da Colônia Pulador, localizada na zona rural do município de Anastácio-MS, por meio da valorização de seus saberes gastronômicos e culturais. Esses saberes são interpretados como formas de resistência, reafirmação identitária e produção de conhecimento no contexto da Festa da Farinha, evento tradicional que celebra a cultura nordestina local. A investigação foi conduzida por meio de levantamento bibliográfico, entrevistas com moradoras da comunidade e a realização de uma oficina de culinária tradicional nordestina na escola local, envolvendo crianças do Ensino Fundamental. O estudo analisa a evolução da Festa da Farinha, inicialmente voltada à preservação das tradições nordestinas, mas que, com o passar dos anos, passou a sofrer interferências do mercado, impactando diretamente a participação feminina e os valores culturais originais. O trabalho ancora-se em referenciais teóricos do feminismo e dos estudos de gênero, com ênfase nas contribuições de Simone de Beauvoir, Judith Butler, Linda Nicholson, Telma Gurgel e Heloísa Buarque de Hollanda, bem como nas reflexões sobre identidade e cultura propostas por Stuart Hall, Néstor García Canclini e Raymond Williams. Através da análise da prática culinária como ato político e pedagógico, evidencia-se a importância de integrar os saberes tradicionais ao ambiente escolar como forma de resistência ao apagamento cultural e valorização das memórias coletivas femininas. A pesquisa reafirma a escola como espaço legítimo para a transmissão de saberes ancestrais e construção de uma educação mais plural, crítica e situada.
Palavras-chave: Festa da Farinha; Feminismo Rural; Colônia Pulador; Cultura e resistência
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| Corpos Negros, Dor Visível: Entre a Cor, a Violência e o Silêncio nas Histórias de Mulheres Negras |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
29/07/2025 |
| Área |
INTERDISCIPLINAR |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Geovana Quinalha de Oliveira
- Helen Paola Vieira Bueno
- Janete Rosa da Fonseca
- Richéle Timm dos Passos da Silva
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| Resumo |
A presente pesquisa cujo tema é “Corpos Negros, Dor Visível: Entre A Cor, A Violência e o Silêncio Nas Histórias De Mulheres Negras” tratam-se em evidenciar que as mulheres foram silenciadas pelo colonialismo histórico e como o patriarcado impera na sociedade contemporânea como modelo machista e sexista que exclui e oprimi corpos femininos. O objetivo é demonstrar que a recorrência de violência contra mulheres é um processo histórico, patriarcal e cultural; possibilitar o conhecimento de histórias de vivências, violências e suas compreensões; propor uma análise sobre violência em suas dimensões histórica, cultural e social; diferenciar as tipificações de violências e seus conceitos. Utilizamos como método a pesquisa qualitativa por ser definida como uma abordagem que busca entender determinado fenômeno de forma aprofundada, descrevendo, analisando e interpretando dados que mensuram e que interpretam a realidade. A pesquisa qualitativa nos possibilitou trabalhar com nível de realidade que mensuram dados quantitativos, uma vez que os dados estatísticos corroboram para fundamentar e qualificar as interpretações para transparecer a realidade violenta vivenciada por mulheres. Buscamos nos referenciais bibliográficos compreender o movimento feminista negro, a decolonialidade e o processo colonizador que a sociedade brasileira fora submetida e que culminou no processo de estigmatização de mulheres. Para entendermos esse processo patriarcal e machista, as narrativas orais e histórias de vidas foram fundamentais para resgatar a dor da experiência de violências sofridas, e trazer o contexto do luto para luta. A decolonialidade é a base de referência para apresentar o feminismo interseccional, fazendo referências às feministas negras em que algum momento tivesse minha história de vida cruzada com a referência bibliográfica e apresentando-as de forma leve visando a normatização de suas lutas. Por fim, inferimos que políticas públicas de direitos às mulheres existem, estão sendo popularizadas, no entanto, para se fazerem eficazes necessitam contemplar Raça, Classe e Gênero e para que sejam válidas no objetivo de coibir os indicadores de violências contra mulheres, assim concluímos que as violências e opressões que mulheres negras vivenciam são atuais e que legislações estão sendo criadas, entretanto, às mulheres continuam sendo silenciadas, tornando-se apenas dados estatísticos. |
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| MARIA DA PENHA VAI À ESCOLA: QUEBRANDO BARREIRAS,CONSTRUINDO IGUALDADE |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
28/07/2025 |
| Área |
INTERDISCIPLINAR |
| Orientador(es) |
- Aguinaldo Rodrigues Gomes
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Aguinaldo Rodrigues Gomes
- CARMEM LUCIA SUSSEL MARIANO
- Iara Quelho de Castro
- Miguel Rodrigues de Sousa Neto
- Peterson José de Oliveira
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| Resumo |
Este trabalho apresenta uma análise das ações desenvolvidas pelo programa Maria da Penha vai à Escola, realizado em unidades de ensino do município de Campo Grande (MS), com foco na prevenção da violência de gênero. Estruturado em três seções, o estudo inicia com a discussão teórica em torno dos conceitos de gênero, educação e estudos culturais, abordando as relações entre esses campos e os desafios enfrentados na luta contra o patriarcado e o machismo institucionalizado. A segunda seção analisa as políticas públicas brasileiras e regionais voltadas à proteção das mulheres, com ênfase nas ações promovidas no estado de Mato Grosso do Sul e na atuação da Subsecretaria de Políticas Públicas para a Mulher (SEMU), destacando suas estratégias educativas e intersetoriais. Na terceira seção, são apresentados dados qualitativos coletados pela equipe da Coordenadoria de Projetos e Ações Temáticas (COPAT), com base nas experiências vivenciadas em atividades realizadas com adolescentes em escolas da rede pública. As ações pedagógicas, como rodas de conversa, dinâmicas em grupo, encenações e produções artísticas, possibilitaram a expressão de percepções, valores e experiências relacionadas à violência de gênero, revelando tanto a potência transformadora do programa quanto os desafios impostos por contextos escolares marcados por desigualdades estruturais, ausência de formação continuada e resistências culturais. Observou-se que a abordagem direta com adolescentes é estratégica na construção de uma consciência crítica e na desconstrução de estereótipos de gênero, favorecendo a formação de sujeitos ativos na promoção de uma cultura de paz, respeito e equidade. Diante disso, o estudo recomenda a ampliação e a institucionalização do programa no currículo da educação básica, bem como o fortalecimento da rede de proteção e a oferta sistemática de formação para educadores. Reitera-se o papel fundamental da escola como espaço privilegiado de transformação social e a importância da educação para os direitos das mulheres e meninas como política pública permanente e transversal. |
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| DIREITOS ABSTRATOS, DEVERES CONCRETOS” “CASAMENTO GAY”, FAMÍLIA E RELIGIÃO: UMA ANÁLISE DO PL 580/2007 |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
25/07/2025 |
| Área |
INTERDISCIPLINAR |
| Orientador(es) |
- Aguinaldo Rodrigues Gomes
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Vinícius Marques Fagundes Queiroz
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| Banca |
- Aguinaldo Rodrigues Gomes
- Antonio Ricardo Calori de Lion
- Miguel Rodrigues de Sousa Neto
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| Resumo |
Esta dissertação tem como objeto de pesquisa investigar as disputas políticas em torno do "casamento gay", a partir das as interseções entre gênero, família e religião presentes no Projeto de Lei 580/2007, que propõe a proibição da união homoafetiva no Brasil. O método de pesquisa escolhido é de abordagem qualitativa, com material categorizado, com abordagens de estudo de caso intrínseco e Análise de Conteúdo (2011) com a finalidade de produzir um mapeamento exploratório próximo à realidade, fundamentado em uma pesquisa bibliográfica abrangente sobre a união homoafetiva no Brasil. As questões abordadas alinham-se às inquietações provenientes dos debates políticos sobre o "casamento gay" e das discussões emergentes após a aprovação do PL 580/2007 na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados, que propõe a proibição das uniões homoafetivas no Brasil. A partir de sua prática discursiva, questiona-se quais os tensionamentos provocados em relação aos mecanismos de poder que operam a normalização do sujeito subalternizado na cultura hegemônica brasileira. A documentação da pesquisa tem como objetivo geral realizar uma análise sistemática das audiências públicas realizadas no Plenário da Câmara dos Deputados e do PL 580/2007, além de verificar o impacto da proibição do "casamento gay" na sociedade brasileira, problematizando o conceito de "casamento" e o impacto da moral religiosa na conquista de direitos da população LGBTQIAPN+. Como referencial teórico, as discussões se assentam no campo dos Estudos Culturais. Os resultados da pesquisa revelam que, embora o Supremo Tribunal Federal tenha promovido avanços significativos com o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo em 2011, esses direitos permanecem vulneráveis diante da atuação de grupos conservadores e religiosos no Congresso Nacional, que mobilizam discursos de pânico moral e de defesa da “família tradicional” para tentar reverter conquistas da população LGBTQIAPN+. A análise evidenciou também a importância do afeto como fundamento jurídico, a centralidade da mídia como campo de disputa simbólica e a ausência de políticas públicas eficazes voltadas à proteção e inclusão plena dessas famílias. A pesquisa conclui que o reconhecimento jurídico das uniões homoafetivas deve ser compreendido não apenas como uma questão legal, mas como parte de uma luta mais ampla por cidadania sexual, dignidade e justiça social. A pesquisa desenvolvida durante o curso de mestrado, a relevância do trabalho reside na contribuição para os debates sobre os princípios de equidade e não discriminação consagrados na Constituição Federal Brasileira, ao analisar criticamente os dispositivos políticos, jurídicos e culturais que operam na exclusão ou no reconhecimento das diversas configurações familiares existentes na sociedade contemporânea. |
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| Escondidas no Fundo da Gruta: A invisibilidade de pessoas Trans e Travestis na cidade de Bonito/MS |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
22/07/2025 |
| Área |
INTERDISCIPLINAR |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- JHONATAN CAMARA GOMES SCHMIDT
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| Banca |
- Egeslaine de Nez
- Helen Paola Vieira Bueno
- Janete Rosa da Fonseca
- Marcelo Victor da Rosa
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| Resumo |
Bonito/MS, cidade internacionalmente reconhecida por sua beleza natural, esconde em suas paisagens uma realidade menos visível, porém urgente: a presença social de pessoas trans e travestis. Enquanto se promove como acolhedora e atrai turistas por sua riqueza ecológica, a cidade marginaliza certas existências, silenciando-as por meio de estruturas sociais, políticas e econômicas que negam visibilidade e pertencimento. Esta pesquisa teve como objetivo compreender como pessoas trans e travestis residentes na cidade de Bonito/MS percebem e vivenciam sua presença social, considerando as dinâmicas sociais, políticas, econômicas e culturais que impactam sua visibilidade ou invisibilidade. Fundamentado em autoras como Bhabha (1998), Butler (2003), Spivak (2010) e Crenshaw (1991), o estudo utilizou a história oral como metodologia principal, associada abordagem qualitativa. Foram entrevistadas sete pessoas trans e travestis, cujas narrativas revelam tanto experiências de exclusão quanto estratégias de resistência e reconstrução identitária. Os dados evidenciam que a dependência econômica no turismo reforça padrões cis-heteronormativos de beleza e comportamento, dificultando o acesso dessas pessoas ao mercado de trabalho formal e empurrando muitas para a informalidade e a prostituição. A pesquisa conclui que a invisibilidade não é ausência, mas uma produção ativa de silenciamento. Por fim, propõe a urgência de políticas públicas interseccionais que garantam reconhecimento, proteção e dignidade à população trans e travesti em Bonito/MS. Ao escutar e ecoar vozes historicamente silenciadas, este estudo reafirma que essas existências não voltarão ao fundo da gruta.
Palavras-chave: Invisibilidade. Travestis e pessoas trans. História oral |
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| A PEDAGOGIA CULTURAL EM UM CANAL EDUCATIVO: Currículo Cultural nas aulas de Educação Física |
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| Curso |
Mestrado em Estudos Culturais |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
03/04/2025 |
| Área |
INTERDISCIPLINAR |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Sarah da Silva Corrêa Lima
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| Banca |
- Janete Rosa da Fonseca
- Marcelo Victor da Rosa
- Solange Izabel Balbino
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| Resumo |
A Educação Física escolar tem um histórico fortemente ligado à disciplinarização do corpo. Sua trajetória ligada ao contexto militar e da saúde, reforçam sua construção identitária como uma disciplina curricular ligada ao cuidado e doutrinação do corpo-máquina. Devido ao período pandêmico vivido entre 2020 e 2022, foi preciso que as escolas remodelassem suas práticas de ensino para condições remotas, por esse motivo, a Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande (SEMED) organizou e disponibilizou vídeo-aulas, que foram transmitidas pela televisão aberta e, posteriormente, inseridas na plataforma digital Youtube. Deste modo, esta pesquisa teve como objetivo geral investigar as pedagogias culturais produzidas no currículo cultural dos vídeos da disciplina de Educação Física, disponíveis no canal “TV REME Campo Grande”, e como as relações de poder se estabelecem/tensionam por meio destes artefatos, tendo como objetivos específicos analisar como os marcadores sociais das diferenças (gênero; geração; classe social, e; raça) se apresentam nos vídeos analisados; problematizar como as relações de poder são estabelecidas neles; além de observar como elas formam diferentes sujeitos, com suas subjetividades e identidades, a partir do seu currículo. Esta pesquisa está orientada na perspectiva genealógica do poder, operador metodológico idealizado pelo filósofo Michel Foucault. O método genealógico não se trata de uma metodologia tradicional, com padrões e etapas pré-estabelecidos e que devem ser seguidos a rigor, mas, sim, de caminhos diversos que o pesquisador pode estabelecer, para que, por meio deles, consiga compreender como os sujeitos são formados, sob os atravessamentos das relações de poder, práticas microfísicas, jogos de poder e subjetivação. Como pôde ser observado, as pedagogias resultantes dos vídeos estão permeadas por relações de poder, as quais se tensionam com marcadores sociais da diferença de raça, gênero, geração, classe social, além de um currículo cultural específico de relações de poder, bem como as práticas pedagógicas na disciplina de Educação Física, corroborando para a produção identitária de que o currículo encontrado nela é o de disciplinadora do corpo, por aplicar os dispositivos metodológicos de poder disciplinar e biopoder efetivamente. Entretanto, esse currículo cultural também propiciou a produção de uma agência nos marcadores sociais de raça e gênero, possibilitando subjetividades outras que fogem das normas pré-estabelecidas. |
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