| QUANDO A LEI REAGE À LÍNGUA: UMA ANÁLISE CRÍTICA DE PROJETOS DE LEI BRASILEIROS CONTRÁRIOS À “LINGUAGEM NEUTRA” |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
20/02/2026 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Patricia Graciela da Rocha
|
| Coorientador(es) |
- Argus Romero Abreu de Morais
|
| Orientando(s) |
|
| Banca |
- Adriana Lúcia de Escobar Chaves de Barros
- Ana Karla Pereira de Miranda
- Fabiana Pocas Biondo
- Patricia Graciela da Rocha
- Rodrigo Acosta Pereira
|
| Resumo |
Ao longo de minha trajetória acadêmica e de pesquisa, observei como as questões
relacionadas à linguagem não binária/linguagem (LNB/LN) neutra têm se intensificado
no Brasil, especialmente no contexto político e legislativo. A partir dessa observação,
decidi investigar as justificativas legisativa contrárias ao uso da LNB/LN, um tema que
tem gerado debates acirrados em torno de questões de gênero, linguística e direitos
humanos. Este trabalho se dedica a analisar os argumentos presentes nos projetos de
lei (PLs) estaduais e distritais de 2020 a 2024, que buscam restringir ou proibir a
utilização dessa variante linguística. O objetivo principal desta dissertação é examinar as
motivações e os discursos ideológicos que sustentam as propostas legislativas contra a
LNB/LN, observando como esses argumentos refletem tensões políticas e sociais sobre
identidade de gênero e o papel da linguagem na sociedade. A pesquisa foi desenvolvida
por meio de uma análise qualitativa dos textos dos PLs, com foco nas justificativas
apresentadas pelos parlamentares. A análise envolveu também uma revisão de autores
relevantes na área da linguística, como Spolsky (2009), Bagno (2005) e Freitag (2024),
para contextualizar as argumentações dos opositores da LNB/LN. Este trabalho examina
como essas justificativas utilizam a "proteção" da língua portuguesa e da norma culta
como justificativa para a exclusão de práticas linguísticas dissidentes, como a LNB/LN.
Além disso, a dissertação explora como a mobilização de uma “ideologia linguística
conservadora” no discurso legislativo visa defender um modelo de linguagem
monolíngue, ao mesmo tempo que desconsidera as transformações sociais e identitárias
em curso. Ao longo da análise, também observei que as críticas à LNB/LN não se limitam
a um debate linguístico, mas envolvem questões políticas e sociais, como o medo da
ameaça à "identidade nacional" e a "preservação da nação". Nesse contexto, os
discursos que associam a LNB/LN à “ideologia de gênero” e ao “politicamente correto”
servem para reforçar um modelo linguístico tradicional que exclui vozes marginalizadas
e impede a visibilidade de identidades não binárias. A dissertação conclui que, ao
contrário do que defendem os PLs, a LNB/LN não é uma ameaça à língua, mas uma
resposta legítima a demandas sociais por mais inclusão e representação de grupos
historicamente invisibilizados. |
|
| Arquivo da exterioridade: pré-coisas da fronteira-sul |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
20/02/2026 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Edgar Cezar Nolasco dos Santos
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
|
| Banca |
- Carlos Vinicius da Silva Figueiredo
- Edgar Cezar Nolasco dos Santos
- Lucilene Machado Garcia Arf
- Luiz Lopes
- Marta Francisco de Oliveira
|
| Resumo |
Esta dissertação visa uma teorização descolonial por meio da conceituação de arquivo
da exterioridade (NOLASCO, 2019), a qual será estabelecida a partir das obras Livro
de pré-coisas: roteiro para uma excursão poética no Pantanal (2021), O livro das
ignorãças (2016) e Livro sobre nada (2016), de Manoel de Barros. Sob a égide da
crítica biográfica fronteiriça (NOLASCO, 2015), o bios e o lócus se encontrarão como
ponto de partida para as discussões epistêmicas que buscam pensar esse arquivo
outro desprendido da visada hegemônica da modernidade/colonialidade, posto que o
arquivo da fronteira se ampara nas memórias e experivivências que abrangem os
corpos da exterioridade (MIGNOLO, 2017). Para tanto, amparada na epistemologia
fronteiriça que se vale à descolonialidade, o escritor e intelectual Manoel de Barros
possibilita uma aproximação biolocal (NOLASCO, 2015) para que esse arquivo local
seja exumado e pensado da/na condição de fronteira, tanto geográfica quanto
epistêmica, que habita nossos corpos. Desse modo, realizamos um percurso teóricoconceitual para refletirmos o processo de conceituação e mesmo os saberes que
cruzam as fronteiras, posto que a ideia de arquivo conserva em si um movimento
epistêmico. Nesse sentido, o arquivo da exterioridade não está para o arquivo
moderno de Derrida (2001), uma vez que ele parte e contempla um pensamento pósabissal (SANTOS, 2010). Com isso, os conceitos que sulearão a proposta consistem
em exterioridade, desobediência epistêmica, desprendimento, paradigma outro,
pensamento próprio, despoética, cultura local, balbucio teórico e desrazão. Outrossim,
o trabalho se encontra desenvolvido em três capítulos, nomeadamente: “PRÉCOISAS DE UM ARQUIVO FRONTEIRIÇO”, no qual irei trabalhar a ideia de
exterioridade amparada pelos conceitos de desobediência epistêmica e
desprendimento, visando discutir o movimento do arquivo da exterioridade e
fundamentar o pensamento de fronteira (MIGNOLO, 2017) que dele emerge, tendo
como base os livros Epistemologias do Sul (2010), organizado por Boaventura de
Souza Santos e Maria Paula Meneses, Desobediencia epistémica (2010a) e Histórias
locais/ projetos globais (2010), de Walter Mignolo. O segundo capítulo, intitulado “A
IGNORÂNCIA DA FRONTEIRA: despoética de um pensamento próprio”, se centra
em trabalhar a ideia de ignorãças a partir de um paradigma outro (MIGNOLO, 2003),
contemplado pelo texto de Walter Mignolo “Prefacio a la edición castellana ‘Un
paradigma otro’: colonialidad global, pensamiento fronterizo y cosmopolitismo crítico”
(2003), sustentado pelos saberes locais e pela opção descolonial de pensar a partir
das experiências do biolócus, propiciando, assim, a fundamentação de um
pensamento próprio, como apresenta Rodolfo Kusch em El pensamiento indígena y
popular en América (200). Ambos os conceitos fundamentarão a base para uma
possível gramática da despoética que nasce do pensamento fronteiriço e da abertura
desse arquivo outro, como aborda Mignolo em “Prolegómeno a una gramática de la
descolonialidad” (2010). Já o último e terceiro capítulo, nomeado “TEORIZAÇÃO
SOBRE O NADA: a desrazão do arquivo”, terá sua discussão centrada nos conceitos
de cultura local (NOLASCO, 2010), balbucio teórico (ACHUGAR, 2006), tomando
esses saberes desarquivados como conhecimentos que possibilitam pensarmos em
uma desrazão, ou seja, uma razão outra (MIGNOLO, 2010b) que é exumada dessas
memórias e experiências. Portanto, das obras de Manoel e dos teóricos citados,
buscamos alcançar esse arquivo que ficou esquecido em nossos corpos e saberes,
de maneira a propor uma reflexão desprendida e desobediente dos pressupostos
modernos ocidentais. |
|
| O SILÊNCIO DO ESQUECIMENTO E A DOR DO VAZIO: PSICANÁLISE E ESCRITA DE AUTORIA FEMININA EM A NATUREZA DA MORDIDA, DE CARLA MADEIRA |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
19/02/2026 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
|
| Banca |
- Andre Rezende Benatti
- Geovana Quinalha de Oliveira
- Jair Zandona
- Jordana Cristina Blos Veiga Xavier
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
|
| Resumo |
Esta pesquisa objetiva analisar o romance A natureza da mordida, de Carla Madeira
(2022), escritora de origem brasileira, jornalista e publicitária. A composição do romance
é tecida por temáticas estruturais narrativas cujos efeitos podem ser analisados a partir das
teorias do silenciamento, das diferentes manifestações da violência e das questões de
gênero — temáticas também presentes na constituição narrativa dos outros romances da
autora, Tudo é rio (2021) e Véspera (2021). O feminino e suas experiências intrínsecas,
marcadas pelo silenciamento compulsório — entendido como um processo histórico,
social e simbólico de interdição da fala e da escuta, que priva determinados sujeitos do
reconhecimento de sua enunciação como discurso legítimo — e pelas inumeráveis formas
de violência impingidas às mulheres, evidenciam, historicamente, tentativas de relegar
existências ao apagamento, à privação do discurso e à impossibilidade de conceituação de
si enquanto sujeito. Remete-se, nesse sentido, ao que Vera Iaconelli (2025) propõe em sua
análise acerca da linguagem preceder o nascimento e operar como dispositivo de
colonização e alienação. Ademais, Márcia Hoppe Navarro (1995) demonstra, em “Por
uma voz autônoma: o papel da mulher na história e na ficção latino-americana
contemporânea”, que os romances escritos por mulheres evidenciam as relações
existentes entre a literatura e o contexto sociopolítico de uma determinada sociedade ou
grupo social. Interessa-nos, então, perscrutar as microestruturas narrativas que tecem esse
feminino permeado pelo silêncio, pela falta e pela experiência do vazio ou da ausência de
si na narrativa de Madeira (2022). Para a análise do texto literário, mobilizam-se as
perspectivas de E. M. Forster, Mikhail Bakhtin e Käte Hamburger, entre outros. No que
tange às teorias psicanalíticas, dialoga-se com os apontamentos de Sigmund Freud,
Jacques Lacan, Luce Irigaray, Maria Rita Kehl e Vladimir Safatle. Por fim, as análises
relativas ao gênero, à violência e à sua representação literária fundamentam-se nas
concepções de Lúcia Osana Zolin, Eurídice Figueiredo, Jaime Ginzburg e Judith Butler. |
|
| A construção do gênero na poesia de Emily Dickinson e de Florbela Espanca |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
12/02/2026 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- LETÍCIA RODRIGUES DE OLIVEIRA
|
| Banca |
- Elton Luiz Aliandro Furlanetto
- Flávio Amorim da Rocha
- Jair Zandona
- Jordana Cristina Blos Veiga Xavier
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
|
| Resumo |
A presente dissertação foi desenvolvida no curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGEL-UFMS). A pesquisa investiga a construção do gênero na poesia de Emily Dickinson e de Florbela Espanca, por meio de uma abordagem que articula crítica feminista, estudos literários e análise poética. Partindo da hipótese de que ambas as poetas constroem e buscam ressignificar normas de gênero em seus respectivos contextos históricos e sociais, este trabalho discute como seus poemas expressam essas tensões, especialmente no que se refere às expectativas em torno da identidade feminina e às relações que a moldam. O referencial teórico mobilizado é composto, principalmente, por autoras como Judith Butler, Teresa de Lauretis e Gayle Rubin, cujas contribuições permitem compreender o gênero como uma construção discursiva, histórica e política. Ao tratar de duas escritoras distintas, o objetivo não é estabelecer comparações hierárquicas, mas evidenciar como, cada uma à sua maneira, vivenciou opressões e restrições, enfrentando os limites impostos às mulheres na tradição literária e criando estratégias poéticas para afirmar suas vozes em um espaço que também lhes pertence por direito. Trata-se também de um trabalho de resgate, impulsionado pela crítica feminista e pelos estudos de gênero, que busca reler o passado à luz do presente e da crítica contemporânea, com o intuito de compreender poetas que, em seu tempo, não foram plenamente compreendidas |
|
| A REDAÇÃO DO ENEM EM TEMPOS DE CHATGPT: PROBLEMATIZAÇÕES PARA A EDUCAÇÃO LINGUÍSTICA EM LÍNGUA PORTUGUESA |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
20/01/2026 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- FERNANDA VICTÓRIA CRUZ ADEGAS
|
| Banca |
- ALAN RICARDO COSTA
- Ana Luzia Videira Parisotto
- Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
- Patricia Graciela da Rocha
- Rosivaldo Gomes
|
| Resumo |
Em 2022, com o surgimento do ChatGPT, intensificaram-se os debates sobre os limites de seu uso, especialmente no contexto educacional. O ChatGPT é uma tecnologia de Inteligência Artificial Generativa (IAG) capaz de produzir textos de forma automática. Nesse cenário, a produção textual tornou-se um dos principais focos de discussão, sobretudo diante da capacidade de a ferramenta gerar textos (verbais e não verbais) de diferentes gêneros discursivos, em poucos segundos. Diante disso, esta pesquisa quali-quantitativa (Bortoni-Ricardo, 2013; Paiva, 2019), de cunho exploratório, descritivo-interpretativista e documental (Gil, 2002; Moita-Lopes, 1994; Paiva, 2019), de perspectiva netnográfica (Kozinets, 2007; 2014) e de base autonetnográfica, possui como objetivo geral analisar e compreender como a redação do Enem é gerada e mensurada pelo ChatGPT, com o propósito de identificar a padronização do texto e sua relação com o funcionamento da ferramenta. Como objetivos específicos, cito: I) examinar como o ChatGPT corrige e mensura redações do Enem escritas por seres humanos; II) investigar como o ChatGPT corrige e mensura redações do Enem elaboradas por ele mesmo; III) problematizar os padrões presentes nas redações feitas por candidatos e pela tecnologia mencionada; IV) discutir os reflexos que a redação do Enem, na forma em que está posta, pode ter na educação linguística, frente à eclosão de tecnologias de IAG, como o ChatGPT. O arcabouço teórico concentra-se, majoritariamente, em: estudos sobre educação linguística e concepção interacionista da língua-linguagem (Bakhtin, 2003 [1979]; Ferraz, 2024; Volóchinov, 2018 etc.); conceitos de produção textual, redação, redação do Enem como gênero discursivo (Bunzen, 2007; Dering, 2021; Geraldi, 2013 [1997], Marcuschi, 2008; Oliveira, 2021; Ribeiro, 2018; Ribeiro; Coscarelli, 2023 etc.); avaliação, correção e mensuração textual (Antunes, 2006; Kanashiro, 2012; Ribeiro; Coscarelli, 2023; Suassuna, 2014 etc.); estudos sobre letramentos críticos (Kalantzis, Cope e Pinheiro, 2020; Monte Mor, 2015; 2023; Signorini, 2012 etc.); conceito de IA, IAG e o funcionamento do ChatGPT (Boa Sorte et al., 2021; Buzato; Leite, 2024; Kaufman, 2022; Kaufman; Santaella, 2020; McCarthy, 2007; Russel; Norvig, 2021 etc.). Como resultados, destaco que: I) o desvio percentual entre as notas atribuídas pelo ChatGPT em comparação com as do ser humano não apresenta discrepâncias fortemente acentuadas, o que corrobora minha hipótese de que a redação do Enem assemelha-se ao funcionamento do ChatGPT quanto à padronização da escrita imposta pelos critérios da matriz de correção; II) a ferramenta tende a privilegiar competências previstas pela matriz de correção da prova mais relacionadas aos aspectos linguísticos, em detrimento dos discursivos; III) a redação escrita por um candidato assemelha-se consideravelmente com a gerada pelo ChatGPT, devido, entre outros aspectos, à pouca flexibilidade presente na matriz de correção; IV) é necessário reformular os critérios, de modo que permitam mais autoria e criatividade ao candidato na escrita do texto. |
|
| A mulher amarela no discurso ocidental em Mulan: tradição, exotismo e normalização |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
19/01/2026 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
|
| Banca |
- Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
- Elaine de Moraes Santos
- Jefferson Gustavo dos Santos Campos
- Kátia Alexsandra dos Santos
- Rosivaldo Gomes
|
| Resumo |
Cientificamente, a invisibilidade asiática é um tema ainda pouco explorado sob o
prisma da linguagem, ainda mais quando atrelada ao audiovisual, mas de extrema
relevância no cenário acadêmico atual. Nas práticas discursivas cinematográficas, é
regular (Foucault, 2010) que as representações de pessoas amarelas estejam
ligadas a algum tipo de estereótipo criado por discursos opressores. Ciente disso, o
objetivo geral desta pesquisa de mestrado é analisar o modo como a personagem
chinesa Mulan, uma mulher amarela, é discursivizada em uma animação da Disney,
cujo título é homônimo: Mulan (1998). Os objetivos específicos, por sua vez, são: a)
investigar, à luz dos Estudos Discursivos Foucaultianos, as condições de
possibilidade que permitiram a produção de discursos sobre a mulher amarela na
animação Mulan (1998); b) analisar como as interseccionalidades entre gênero,
racialização e pertencimento étnico são mobilizadas nos discursos que configuram a
subjetivação da personagem; c) problematizar os processos de estereotipação da
mulher amarela retratada, no entrecruzamento entre os elementos
narrativo-discursivos na animação e as relações de poder presentes na sociedade. A
fim de alcançá-los, aciono o método arqueogenealógico (Araújo, 2007; Foucault,
2010; Navarro, 2015) e filio-me à perspectiva teórica e metodológica dos Estudos
Discursivos Foucaultianos (Navarro, 2011, 2020), um arcabouço robusto para a
análise de como os discursos se constituem na sociedade e como se
(re)estabelecem em diferentes tempos. Essa abordagem entra em diálogo com as
teorias feministas e o feminismo asiático (Akotirene, 2018; Lugones, 2005; Lee;
Shimabuko; Higa, 2018), que ajudam a compreender mais profundamente sobre a
interseccionalidade inerente às categorias de raça e gênero na construção das
representações de mulheres asiáticas. A tese defendida nesta pesquisa é a de que
as audiovisualidades de Mulan (1998) colaboram para a construção e a
disseminação de representações estereotipadas sobre a personagem Mulan,
reforçando, ainda mais, dinâmicas sócio-históricas violentas enraizadas. Mais do
que isso, essas representações reforçam e retroalimentam as relações de poder das
dinâmicas sócio-históricas de violência, disseminando preconceitos e limitando a
identidade complexa da comunidade asiática, da raça amarela, em sua
heterogeneidade. |
|
| MULHERES EMPILHADAS E RESISTÊNCIAS EMPENHADAS: VOZES DE MULHERES INDÍGENAS |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
17/12/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Marta Francisco de Oliveira
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- Paula de Vasconcelos Rego
|
| Banca |
- Geovana Quinalha de Oliveira
- Lilibeth Janneth Zambrano Contreras
- Lucilene Machado Garcia Arf
- MARIA SUELY DE OLIVEIRA LOPES
- Marta Francisco de Oliveira
|
| Resumo |
Em muitos períodos e sociedades, as mulheres foram vistas como personagens
coadjuvantes nas representações culturais, sociais, políticas e literárias, além de
serem submetidas a múltiplas violências, ao silenciamento e à invisibilização que
permanecem, infelizmente, até os dias de hoje. Nesse ínterim, esta pesquisa parte
da compreensão acerca de como as relações sociais têm se pautado na herança da
normalização de ataques, agressões e inferiorização direcionadas às mulheres;
afinal, a subordinação e desqualificação do corpo feminino se constrói ao longo da
sociedade. Em Mulheres Empilhadas, obra publicada pela intelectual brasileira
Patrícia Melo em 2019, a autora tematiza a questão da violência contra a mulher no
Brasil no qual apresenta um cenário onde a lei e o sistema vão em sentidos
contrários quando se trata de corpos/sujeitos que a sociedade, de modo geral, sob
vários aspectos ainda considera inexistentes, como os de mulheres indígenas.
Nesse sentido, esta pesquisa se ancora no romance em questão a fim de evidenciar
as múltiplas violências que estabelece uma relação entre a realidade e a ficção, bem
como a busca pela re-existência que vai no sentido contrário de empilhar mulheres
mortas, se direcionando ao enfrentamento de amarras imposta pela sociedade,
buscando uma perspectiva diferente daquelas que foram construídas por séculos
para que seja possível empenhar a resistência para com as mulheres, especialmente
as mulheres indígenas. Sendo assim, analisando sob a luz da teoria ou crítica
literária feminista, partimos dos estudos de Rita Laura Segato, María Lugones,
Françoise Vergès e outras teóricas e teóricos para fundamentar a questão da
violência retratada na obra literária diante de um contexto real e sócio-político que
reforça as estruturas do patriarcado nos discursos do nosso cotidiano. |
|
| Uma máquina para porcos: entre figuras animalescas, horror e violência nas narrativas contemporâneas Amnesia: A Machine for Pigs e Porco de Raça |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
26/09/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- Bella Beatriz Martins Gomes de Oliveira
|
| Banca |
- Andre Rezende Benatti
- Jair Zandona
- MELLY FÁTIMA GOES SENA
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
- Wagner Corsino Enedino
|
| Resumo |
Este estudo tem como objetivo apresentar e analisar as vivências animalescas e violentas experienciadas pelos personagens nas narrativas contemporâneas Porco de Raça (2021) e Amnesia: a Machine For Pigs (2013), a fim de verificar como os efeitos do preconceito e da submissão das minorias às demandas sociais e/ou às imposições de uma cultura opressora influenciam a vida cotidiana dos sujeitos envolvidos nos enredos. Para atingir tal objetivo, nos valemos do método comparatista, considerando a comparação como um meio analítico capaz de, num movimento dialético de aproximação e de distanciamento, trazer para a cena acadêmica um texto literário e um jogo. O texto literário Porco de Raça, de Bruno Ribeiro, e o jogo Amnesia: a Machine for Pigs, desenvolvido pela The Chinese Room, apresentam os efeitos do preconceito e da submissão, demonstrando para o leitor/o jogador não só o processo de desumanização dos personagens, mas também o delírio e seu consequente efeito de animalização das minorias envolvidas nas narrativas. Para a consecução deste trabalho, utilizamos como aportes teóricos: Sigmund Freud (2006), H. P. Lovecraft (2020), Walter Benjamin (1986; 1994), Hannah Arendt (2009; 2011) e Theodor Adorno (2008), para observar o horror e a violência presentes nas narrativas, assim como: Tzvetan Todorov, Gérard Genette (1972) e Mieke Bal (2021), para tratar sobre os aspectos narratológicos dos corpora em questão. Ante a escassez de estudos sobre esse tema no âmbito dos cursos de pós-graduação tanto na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) quanto em Mato Grosso do Sul, esta iniciativa apresenta uma proposta inovadora e original ao aproximar literatura e jogo/videogame em uma análise comparatista, visto que ambos os corpora em análise constroem narrativas complexas e críticas sobre o horror e a violência. Tal aproximação amplia os horizontes dos estudos de linguagens e evidencia a relevância de novas mídias na interpretação das formas narrativas contemporâneas. |
|
| ACERVOS URBANOS: A PAISAGEM COMO GALERIA DE ARTE - uma cartografia de Campo Grande (MS) |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
24/09/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- Diana Cler Rodrigues de Souza
|
| Banca |
- Angela Maria Guida
- Antonio Flávio Alves Rabelo
- Dora de Andrade Silva
- Marcos Paulo da Silva
- Paulo Cesar Antonini de Souza
|
| Resumo |
A dissertação explora a ideia de cartografia além dos mapas convencionais, propondo uma abordagem que se conecta com a arte e a vivência cotidiana. A cartografia, tradicionalmente associada ao mapeamento físico das cidades, é aqui expandida para incluir elementos afetivos e culturais, refletindo não apenas a geografia, mas também as relações e sentimentos que constituem os espaços urbanos. A partir de teorias de autores como Amorim (2010) e Girardi (2007), destaca-se a cartografia como um processo criativo e dinâmico, interligado à arte
e à filosofia, e não apenas como uma representação técnica do espaço. Também aborda a cartografia de Campo Grande, especificamente da zona Oeste, refletindo sobre a forma como os espaços urbanos e seus conflitos são representados por meio de manifestações como graffiti, mural e pixação. Em vez de ver esses elementos como vandalismo, o texto propõe que eles sejam encarados como parte da cartografia de uma cidade em constante movimento, representando uma forma de arte popular e periférica. A pesquisa se inspira em uma visão da cartografia como um campo dinâmico, que reflete a interação
constante entre o pesquisador e o território, como ressaltado por Costa (2014). Ao integrar a ideia de cartografia à arte e à cultura, propõe-se uma nova forma de olhar a cidade, de construir mapas que não se limitam a representar fronteiras, mas que, como nos questiona Martin-Barbero (2004), possam ser
usados para "criar novos caminhos" e descobrir diferentes relações com o espaço. A cartografia é apresentada, portanto, não como um fim, mas como um processo contínuo e multifacetado, capaz de desafiar a visão tradicional dos espaços urbanos e suas dinâmicas culturais. Exploramos a história e as principais características de Campo Grande, MS comparando as vivências do centro e da periferia considerando a arte presente nesses locais e como a criação artística se relaciona com o tempo e o espaço. Utilizasse, para este fim, a proposta de pesquisa dos autores Moretti (2003) e Zaidler (2014). Por fim, apresenta-se as conclusões da pesquisa, o que inclui a criação de mapas de algumas áreas da cidade, estes sendo organizados não pensando apenas nas ruas, lojas e outros lugares, mas uma representação de uma cidade que pensa a partir da arte nela contida. |
| Download |
|
|
| PRÁTICAS SEMIÓTICAS NO BANHO DE SÃO JOÃO:PATRIMÔNIO CULTURAL IMATERIAL EM CORUMBÁ-MS |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
19/09/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Sueli Maria Ramos da Silva
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
|
| Banca |
- Alexandre Marcelo Bueno
- Aline Saddi Chaves
- Eluiza Bortolotto Ghizzi
- Geraldo Vicente Martins
- Sueli Maria Ramos da Silva
|
| Resumo |
Este estudo analisa as práticas semióticas presentes no Banho de São João, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, a partir da abordagem da Semiótica Discursiva. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Mato Grosso do Sul em 2010 e, mais recentemente, pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2021, essa tradição constitui uma das manifestações religiosas e culturais mais relevantes da região, sendo celebrada em Corumbá e Ladário, com foco desta dissertação na primeira. A pesquisa está estruturada em três objetivos específicos: (i) descrever a história e a cultura do Banho de São João de Corumbá-MS, com ênfase em suas origens, tradições, crenças e valores; (ii) analisar três situações rituais: a descida dos andores em direção às margens do rio Paraguai, o encontro dos andores no ritual do cumprimento das imagens do santo e o banho de São João nas águas do rio Paraguai, registradas fotograficamente, bem como as cantigas de São João presentes no documentário Banho de São João nas águas do Rio Paraguai (2023), interpretadas à luz da semiótica da canção, a fim de descrever os processos de construção de sentido e suas articulações multissemióticas no contexto festivo; e (iii) refletir sobre o percurso metodológico e analítico desenvolvido, discutindo as contribuições da Semiótica Discursiva para a compreensão das práticas sociais plurais do Banho de São João, avaliando, ao mesmo tempo, a pertinência das ferramentas teóricas empregadas. No que se refere à metodologia, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e bibliográfico, fundamentada na Semiótica Discursiva, especialmente no percurso gerativo do sentido, com ênfase no nível discursivo e na análise da figuratividade. Considerando a especificidade dos objetos selecionados, recorremos também aos desdobramentos da semiótica plástica, sobretudo por meio da análise de textos visuais com base em categorias do plano de expressão, em especial a categoria topológica, assim como aos desdobramentos da semiótica da canção. A investigação parte da seguinte questão: como a Semiótica Discursiva pode auxiliar na compreensão e no desbastamento de sentidos de práticas sociais de natureza multissemiótica e plural, como o Banho de São João? A escolha desse objeto de estudo deve-se à sua relevância cultural e religiosa em Corumbá-MS. A análise das práticas semióticas da festividade permite compreender suas expressões culturais e seu papel na preservação dos costumes e tradições locais. Esperamos, assim, que a pesquisa contribua para o campo da Semiótica Discursiva, ao aplicar seus conceitos a um contexto cultural específico e ainda pouco explorado, abrindo novas possibilidades para investigações futuras acerca dessa festividade.
Palavras-chave: Práticas semióticas; Banho de São João; Memória; Identidade; Patrimônio Imaterial. |
| Download |
|
|
| Neologismos na literatura feminina sul-mato-grossense contemporânea |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
16/09/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
|
| Banca |
- Aparecida Negri Isquerdo
- Bruno Oliveira Maroneze
- Elis de Almeida Cardoso Caretta
- Marilze Tavares
- Renato Rodrigues Pereira
|
| Resumo |
Esta pesquisa tem como objetivo identificar, analisar e descrever os neologismos presentes nas obras solos das escritoras sul-mato-grossenses Diana Pilatti e Tânia Souza, contribuindo assim, com a valorização e divulgação da literatura feminina de Mato Grosso do Sul. Temos como aporte teórico os estudos de Alves (2007), Biderman (1981), Cardoso (2018), Saussure (2012), Polguère (2018), entre outros, que nos balizam quanto aos conceitos e classificações de neologia e neologia literária. Nosso corpus de análise é composto por 6 obras solos de cada uma das escritoras, sendo verificada a presença de neologismos em todas as obras. Analisamos a quantidade de neologismos presentes em cada livro, quais processos neológicos foram utilizados na criação dos neologismos, qual a classe gramatical dos neologismos criados e das lexias de base. Nosso corpus de exclusão é o Buscador do Google, de modo que só consideramos neologismo uma lexia que não seja encontrada por ele exceto se está presente no contexto das obras analisadas. Desse modo, encontramos um total de 226 neologismos, sendo o processo neológico sintático mais utilizado por nossas escritoras, por meio da composição foram criados 178 neologismos e pela derivação, 19. Os demais foram criados por outros processos com pouca ocorrência. A classe gramatical mais utilizada das lexias de base foi substantivo, sendo essa, também, a classe gramatical predominante entre os neologismos criados. |
| Download |
|
|
| DINÂMICAS DA TOPONÍMIA URBANA: UM ESTUDO DA REGIÃO DO BANDEIRA EM CAMPO GRANDE/MS |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
05/09/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- Patricia Mara Medina Leirias dos Santos
|
| Banca |
- Ana Claudia Castiglioni
- Ana Paula Tribesse Patrício Dargel
- Aparecida Negri Isquerdo
- Elizabete Aparecida Marques
- Renato Rodrigues Pereira
|
| Resumo |
O léxico, conjunto de palavras de uma língua, desempenha um papel fundamental no processo
de nomeação de pessoas e de lugares. No contexto da nomeação de lugares, tem um papel
crucial na atribuição de nomes que se reportam a significados e categorias, construindo, assim,
uma representação simbólica do espaço habitado. Nesse contexto, os topônimos, denominações
atribuídas a lugares geográficos, como cidades, rios, montanhas, ruas, avenidas..., incorporam
sentidos construídos historicamente pelos denominadores. A Toponímia, é uma disciplina da
Onomástica que se ocupa do estudo dos nomes próprios de lugares, sua origem e evolução. A
Toponímia, dado o seu caráter interdisciplinar, mantém interfaces com a Geografia, a História,
Antropologia, entre outras áreas do saber, e, em razão disso, desempenha um papel importante
na preservação da história, memória e identidade cultural de uma região. Este estudo foca nos
nomes de logradouros (como bairros, parcelamentos, ruas, avenidas e travessas) da região
urbana do Bandeira, localizada na cidade de Campo Grande/MS, utilizando como base teórica
os princípios da Onomástica, com ênfase na Toponímia. A pesquisa adota os pressupostos
teórico-metodológicos propostos por Dick (1990a; 1990b; 1996, 1998; 1999; 2006; 2004),
alinhados com o projeto do Atlas Toponímico do Estado de Mato Grosso do Sul (ATEMS), ao
qual este estudo está associado. O corpus analisado foi obtido por meio de consulta a mapas
oficiais da cidade de Campo Grande/MS, disponibilizados pela SEMADUR, órgão da
Prefeitura Municipal de Campo Grande. Os dados foram analisados parcialmente segundo as
dimensões quantitativa e qualitativa. Esta dissertação conta com uma primeira análise
quantitativa, expressos por meio de tabelas e gráficos que forneceram dados acerca da língua
de origem, da taxionomia e da estrutura morfológica dos topônimos da região urbana do
Bandeira que, por sua vez, abriga 11 bairros, 113 parcelamentos e 1858 logradouros. Na análise
qualitativa, considerou-se a motivação semântica dos topônimos, além da discussão acerca da
relação entre a história social, cultural e política da cidade e as tendências toponímicas
identificadas nos dados. Os resultados parciais da pesquisa apontaram para a tendência de
taxionomias de natureza antropocultural, sendo as mais produtivas as taxionomias os
antropotopônimo, os corotopônimos e os axiotopônimos. No que se refere os topônimos de
natureza física, se destacam os fitotopônimos, os litotopônimos e os hidrotopônimos. A
tendência observada nas taxionomias de natureza antropocultural, se alinha às características a
toponímia urbana da cidade de Campo Grande/MS, já realizadas em outras regiões de Campo
Grande (Central, Imbirussu, Segredo, Prosa e Anhanduizinho). |
|
| A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DE MACHADO DE ASSIS NA OBRA DE SILVIANO SANTIAGO E DE JOSÉ ALMEIDA JÚNIOR |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
05/09/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
|
| Banca |
- Altamir Botoso
- Flávio Amorim da Rocha
- Jordana Cristina Blos Veiga Xavier
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
- Wellington Furtado Ramos
|
| Resumo |
A figura de Machado de Assis desperta, no mínimo, a curiosidade de porquê ainda ser foco de
olhares contemporâneos nas letras brasileiras. Sua pessoa é motivo de estudo não somente
pelo seu trabalho literário, mas também pelo prestígio alcançado em vida, sendo um escritor
negro em um período escravocrata. Esta dissertação de mestrado, apresentada ao Programa de
Pós-Graduação em Estudos de Linguagens (PPGEL) da UFMS, tem por objetivo demonstrar
como é construída a imagem desse escritor com base nos romances históricos
contemporâneos Machado, de Silviano Santiago (2017), e O homem que odiava Machado
de Assis, de José Almeida Júnior (2019). Não se trata de uma biografia do escritor; mas da
maneira como esses autores constroem a imagem machadiana na criação de seus
protagonistas em suas respectivas obras. Santiago faz um recorte de 1905 a 1908 e apresenta o
escritor consagrado no pós-morte de sua esposa Carolina. Já Almeida Júnior traz à cena a
visão narrativa de uma personagem ficcional, conhecida na infância do escritor centenário, e
que teve sua vida amorosa entrelaçada com a dele desde a adolescência, destacando o
contexto histórico da escravidão. A metodologia utilizada é especificamente bibliográfica e
demonstra que a figura machadiana é demonstrada por Santiago sob o viés autobiográfico,
enquanto Almeida Júnior, na voz do narrador Pedro Junqueira, destaca um Machado de Assis
mais humanizado. |
| Download |
|
|
| DJAMILA RIBEIRO: UM CASO DE EXPERIÊNCIA, ANCESTRALIDADE E FELICIDADE NAS NARRATIVAS NEGRO-BRASILEIRAS |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
05/09/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- José Fernando Rocha Graça
|
| Banca |
- Alessandra Corrêa de Souza
- Alexandra Santos Pinheiro
- Andre Rezende Benatti
- Livia Santos de Souza
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
|
| Resumo |
Os temas da ancestralidade e da memória são recorrentes quando se inicia o estudo a
respeito das culturas de uma maneira geral. O objetivo desta pesquisa é dar visibilidade
acadêmica à literatura negro-brasileira e à sua ancestralidade, a fim de ampliar o olhar
para além de um cânone literário consagrado e valorizar seus autores, na tentativa de
romper com a colonialidade e com narrativas de dor, a partir de uma conexão com a
ancestralidade, tendo por corpus Cartas para minha avó (2021), de Djamila Ribeiro. A
análise se apresenta por meio de pesquisa bibliográfica e de relatos de experiências.
Assim, este trabalho orienta-se em livros, artigos científicos, publicações de revistas
impressas ou on-line que auxiliam na compreensão da construção da identidade negrobrasileira na literatura, levando em consideração, principalmente, as discussões acerca
do corpus literário negro-brasileiro configurado em Cartas para minha avó. Para levar
a cabo nossas discussões, consideramos as contribuições de: Abdias Nascimento (2016),
Chimamanda Ngozi Adichie (2019), Djamila Ribeiro (2018; 2019: 2021a; 2021b), Leda
Maria Martins (2021a; 2021b), dentre outros autores. |
| Download |
|
|
| DA TIRANIA À AÇÃO COMPLEXA: EM CENA, ANTÍGONA, DE SÓFOCLES |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
05/09/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- Júlia Graziela da Silva dos Santos
|
| Banca |
- Agnaldo Rodrigues da Silva
- João Carlos de Carvalho
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
- Wagner Corsino Enedino
- Wellington Furtado Ramos
|
| Resumo |
SANTOS, Julia Graziela. Da tirania à ação complexa: em cena, Antígona, de
Sófocles. 2024. 111 p. Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-graduação Estudos de
Linguagens. Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Brasil.
Este estudo versa sobre a Poética, de Aristóteles e a tragédia grega Antígona, de
Sófocles. Ambas as obras, ainda são exemplos de métodos de investigação atrelada à
busca pelo conhecimento para a compreensão do modo de estruturação nos campos
teóricos da: Filosofia; Literatura; Política; Estudos Comparados. Assim, ancorando-se
nas contribuições de Sandra Luna (2012) e Paulo Pinheiro (2017) sobre os aspectos que
circunscrevem a ação trágica; nos estudos de Newton Bignotto (2020), acerca da tirania,
nos pressupostos de Aristóteles (2017) e Anatol Rosenfeld (1993) no que tange à
tragédia clássica, bem como nas investigações de Anne Ubersfeld (2005), Patrice Pavis
(1999) e Renata Pallottini (1989) concernentes à configuração de personagem, o
objetivo central deste projeto foi investigar se a tirania - traço que caracteriza a
personagem Creonte na tragédia grega Antígona, de Sófocles -, configura-se, sobretudo,
como um pressuposto para que ocorra a ação complexa na obra. Cumpre destacar que
ação complexa é um termo inscrito na Poética, de Aristóteles, para elencar os elementos
fundamentais que compõem um modelo de tragédia clássica. Com efeito, a investigação
consistiu em examinar a ação complexa em Antígona e a análise da tirania do
personagem Creonte, como elemento seminal para a materialização da Ação Complexa,
na diegese, do dramaturgo grego Sófocles. Destaca-se, portanto, nesta pesquisa, a
relevância dos aspectos norteadores da Literatura Comparada como método analítico,
sobretudo para a compreensão do diálogo que se estabelece entre a Filosofia e os
Estudos Literários. |
| Download |
|
|
| ENTRE LOCUÇÕES E DISCURSOS: DESVENDANDO O FEMINEJO E A REPRESENTAÇÃO DA MULHER EM CANÇÕES SERTANEJAS |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
09/07/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Elizabete Aparecida Marques
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
|
| Banca |
- Ana Paula Tribesse Patrício Dargel
- Aparecida Negri Isquerdo
- Elizabete Aparecida Marques
- MARIA CRISTINA PARREIRA DA SILVA
- Renato Rodrigues Pereira
|
| Resumo |
A Fraseologia é uma disciplina que se ocupa do estudo das unidades fraseológicas
das línguas, ou seja, as combinações de palavras frequentes na comunicação
cotidiana dos indivíduos, as quais refletem aspectos culturais, históricos, sociais e
linguísticos (Corpas, 1996). Do mesmo modo, a música sertaneja, amplamente
popular no Brasil, está profundamente conectada à cultura e à identidade nacional
de uma comunidade (Napolitano, 2002). Tanto que, historicamente, as mulheres
enfrentaram inúmeras dificuldades para se expressar e participar ativamente da
sociedade, em razão da forte opressão presente em épocas passadas, algo refletido
na predominância masculina no gênero musical sertanejo. No entanto, com o
avanço do feminismo ao longo do século XX - movimento de luta pelos direitos das
mulheres -, elas conquistaram mais espaço e influência em diversos âmbitos,
inclusive no meio artístico. Tal fato, resulta no surgimento, por exemplo, do feminejo,
uma vertente musical que dá voz às experiências femininas dentro do cenário
sertanejo. Deste modo, a representação feminina refletida em canções deste gênero
exige uma dupla análise, orientada pelas questões fraseológicas e discursivas, isto
é, analisar os discursos, centrando-se nas locuções, das precursoras deste gênero
musical com o das sucessoras a fim de um entendimento da imagem da mulher
apresentada nessas canções. Para tanto, este estudo tem como objetivo geral
investigar a representação da mulher no feminejo por meio do léxico, com foco na
análise das locuções encontradas nos contextos discursivos das canções
selecionadas. Como objetivos específicos, propõe-se: analisar os fraseologismos
presentes nas letras das feminejas como recursos que contribuem na construção da
representatividade da mulher; investigar possíveis evoluções nos discursos sobre a
mulher, com base na comparação entre as precursoras e as artistas
contemporâneas do feminejo; e avaliar se os discursos das canções promovem um
efeito de sentido positivo e empoderador da figura feminina. Neste sentido, do ponto
de vista metodológico, o processo de análise leva em conta as músicas de Marília
Mendonça e Maiara e Maraísa, lançadas nos anos de 2014 a 2016, e, as canções
de Lauana Prado e Yasmin Santos, lançadas nos anos de 2020 a 2022. Esta
seleção de canções e período de tempo representam o avanço iniciado desde a
época de surgimento do feminejo até a consolidação do gênero. Logo, ao todo,
somaram-se 82 canções das quatro cantoras. Por conseguinte, no que se refere às
teorias feministas, discute-se a relação entre o feminejo e o feminismo, abordando a
evolução do gênero como expressão de empoderamento feminino. Analisa-se
também o papel do sertanejo na inclusão das mulheres, com destaque para artistas,
temáticas recorrentes e o surgimento do movimento. No âmbito dos estudos léxicos
e da fraseologia, apresentam-se os fundamentos teóricos da área, considerando sua
evolução, seus objetos de estudo e sua relação com o discurso. Discute-se ainda a
linguagem como prática social, vinculada à construção de identidades e às
dinâmicas de poder. Diante disso, a análise permite concluir que, embora o gênero
feminejo tenha avançado em termos de espaço e reconhecimento, os discursos das
canções ainda não demonstram, de forma significativa, uma evolução positiva da
representação da mulher.
Palavras-Chave: Representação feminina; Feminejo; Fraseologia; Locuções;
Discurso; |
| Download |
|
|
| DA ORALIDADE À FICÇÃO: A REPRESENTAÇÃO DE CÉLIA DE SOUZA NA LENDA URBANA DA BRUXA DA SAPOLÂNDIA EM CAMPO GRANDE-MS |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
24/06/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- Leonnardo Vieira de Sousa
|
| Banca |
- Altamir Botoso
- Ramiro Giroldo
- Volmir Cardoso Pereira
- Wellington Furtado Ramos
- William Teixeira da Silva
|
| Resumo |
A presente dissertação propõe um olhar sobre a história da “Bruxa da Sapolândia”, figura
emblemática do imaginário campo-grandense, a fim de compreender os limites entre
realidade e ficção. Este estudo teve como objetivo analisar a construção e a permanência
da imagem da “Bruxa da Sapolândia” ao longo do tempo, avaliando seus aspectos sociais,
culturais e religiosos e quais representações literárias, artísticas e culturais contribuíram
para consolidá-la no imaginário coletivo. Buscamos investigar os mecanismos de
sobrevivência dessa narrativa, desde sua circulação na tradição oral, atravessando sua
formação em lenda urbana, até sua transposição para a literatura ficcional contemporânea.
O estudo adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica,
análise de fontes documentais e entrevistas com autores relevantes na difusão da
narrativa, com destaque para o escritor André Alvez. Seu livro “A Bruxa da Sapolândia”
(2018) consiste em uma recriação literária e ficcional da história de Célia de Souza,
incorporando memórias de infância do autor que viveu ao lado do brejo conhecido como
Sapolândia e cresceu ouvindo a história da bruxa. Além da análise da obra literária, a
pesquisa contempla a criação de um conto rimado autoral e a elaboração de uma ilustração
digital representativa da personagem, como recursos criativos que reafirmam a
importância da figura da bruxa na cultura popular local e na memória afetiva dos
moradores de Campo Grande. O estudo evidencia a representação de Célia de Souza
enquanto sujeito social, cultural e político, analisando as dinâmicas que contribuíram para
sua alcunha como bruxa. Para tanto, consideramos fragmentos históricos, memória
coletiva e elementos do folclore presentes no contexto sul-mato-grossense, com ênfase
na cidade de Campo Grande. A fundamentação teórica foi embasada em autores como
Marlei Sigrist (2008), Silvia Federici (2017), Nilza Megale (1999), Luís da Câmara
Cascudo (2012), Nicholas Wolterstorff (2003), além de Mikhail Bakhtin (1987, 2002,
2003, 2010, 2011) e Fayga Ostrower (1987 e 1989), ressaltando a importância da
permanência e ressignificação das lendas urbanas como formas de resistência cultural e
preservação da memória popular.
Palavras-chave: Folclore, Bruxa da Sapolândia, Literatura Brasileira, Cultura Popular,
Oralidade, Memória Coletiva. |
| Download |
|
|
| Contribuições da música para a ressocialização dos privados de liberdade: uma revisão dos documentos normativos de Mato Grosso do Sul |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
07/03/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- William Teixeira da Silva
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- Priscila Acosta de Freitas
|
| Banca |
- Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
- Denise Silva
- Marcos Machado Chaves
- Mateus Berger Kuschick
- William Teixeira da Silva
|
| Resumo |
A pesquisa desenvolvida tem por objetivo estudar as contribuições que a música pode agregar no processo de ressocialização do público privados de liberdade do Estado de Mato Grosso do Sul, promovendo reflexões destacando a música como mecanismo de ressocialização. Objetiva-se, para tanto, apontar através da análise dos documentos formativos utilizados pela Secretaria de Estado do Mato Grosso do Sul, como a música pode afetar diretamente na ressocialização dos privados de liberdade. Por se tratar de um projeto de pesquisa, a mesma será baseada em estudo de autor como por exemplo Swanwick, Keith. Música, mente e educação e Foucault, M. Vigiar e Punir: história da violência nas prisões entre outros pensadores que elaboraram trabalhos pertinentes ao assunto. Para garantir o raciocínio lógico do trabalho, utiliza-se a metodologia baseada na pesquisa bibliográfica e documental. O projeto tem caráter essencialmente qualitativo, por meio de análise de leis, documentos, projetos e resoluções. O material documentado bem como as análises visão buscar novos resultados, fomentar discussões sobre a importância da música no processo de ressocialização dos privados de liberdade. Diante da pesquisa proposta, viso buscar novos resultados com o objetivo de fomentar discussões e reflexões sobre a importância da música no processo de reinserção e ressocialização dos privados de liberdade e as contribuições que ela pode trazer a reinserção deles.
Palavras-chave: Música e linguagem, privados de liberdade e ressocialização. |
| Download |
|
|
| A PRESENÇA DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO DO CAMPO EM MATO GROSSO DO SUL |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
06/03/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- William Teixeira da Silva
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- Mirian Monteiro Veiga Fagundes
|
| Banca |
- Denise Silva
- Marcos Machado Chaves
- Mateus Berger Kuschick
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
- William Teixeira da Silva
|
| Resumo |
A Educação do Campo no Brasil completou 26 anos em 2024 e tem sido um tema amplamente discutido devido às suas especificidades e desafios. Voltada para atender populações rurais, quilombolas, ribeirinhas e de assentamentos da reforma agrária, essa modalidade de educação visa garantir o direito à educação com qualidade, respeitando as particularidades culturais e produtivas dessas comunidades. O objetivo deste trabalho é fazer uma análise desse homem do campo, que reivindica a educação do campo como igualdade de oportunidades, justiça social e o reconhecimento do campo como um espaço legítimo de produção de conhecimento e cultura, colocando em foco o ensino-aprendizagem das escolas do campo e a importância de novas práticas de ensino, propondo assim a linguagem musical como ferramenta pedagógica na alfabetização. Será adotada como fundamentação teórica o dialogismo enquanto princípio pedagógico na educação musical. Trazendo como metodologia a pesquisa bibliográfica, a partir de um estado do conhecimento e de uma revisão de publicações acadêmicas relevantes, baseada, principalmente, em teses, dissertações e artigos científicos. A estrutura adotada para o trabalho se faz em três capítulos, sendo o primeiro capítulo um mapeamento bibliográfico do estado do conhecimento, a partir dos descritores ‘Música’ e ‘Educação do Campo’, temas esses que trazem a música como ferramenta pedagógica na alfabetização escolar do campo promovendo reflexões sobre práticas educacionais contextualizadas, considerando as especificidades culturais e sociais do meio rural. O segundo capítulo traz a fundamentação teórica: o dialogismo como princípio pedagógico da educação musical, com apresentação do conceito de dialogismo proposta pelo filósofo e teórico da cultura europeia Mikhail Mikhailovich Bakhtin (1895-1975), que sendo aplicado como princípio pedagógico na educação musical implica em promover um ambiente de aprendizado, em que a troca de experiências, a interatividade e as relações dialógicas são centrais. As considerações de Bakhtin sobre a linguagem e a interação humana encontram uma profunda ressonância com as reflexões que Paulo Freire “propõe acerca do ser humano e de seu lugar no centro das relações com o mundo, mediadas pela palavra, material colocado como mola propulsora do trabalho alfabetizador” (Moura, 2012, p. 62). Ambas as perspectivas compartilham a ideia de que a palavra é um elemento essencial e transformador, atuando como uma ferramenta mediadora nas relações entre o sujeito e o mundo. É destacado a música e a sua relação com o contexto histórico, visando apresentar a pedagogia musical europeia da primeira metade do século XX, trazendo como referencial teórico, o compositor, musicólogo e pedagogo Zoltán Kodály (1882-1967). No terceiro capítulo, a educação no campo em MS: para quem e como? mostrará como a educação e o trabalho no campo são considerados elementos cruciais para compreender as relações sociais, econômicas e culturais que moldam a vida das pessoas nessas áreas. A pesquisa trará o histórico da educação do campo e o papel do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) como um dos protagonistas da educação do campo na perspectiva de que a educação tradicional, predominantemente concebida para atender às demandas das áreas urbanas, não atendia às necessidades das crianças e jovens pertencentes à realidade dos assentamentos rurais. E por último uma análise da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDBEN nº 9.394/1996 e o Currículo de Referências de Sidrolândia/MS, abrangendo os assuntos relacionados à escola do campo e à utilização dos recursos pedagógicos no que se refere à linguagem da música em toda sua esfera. |
| Download |
|
|
| “MANO, PEGA A VISÃO”: CARACTERÍSTICAS DA FALA DOS JOVENS CONTEMPORÂNEOS NO ENSINO MÉDIO E OS PROCESSOS CRIATIVOS QUE CONSTITUEM A SUA VARIEDADE LINGUÍSTICA |
|
| Curso |
Mestrado em Estudos de Linguagens |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
05/03/2025 |
| Área |
LETRAS |
| Orientador(es) |
- Patricia Graciela da Rocha
|
| Coorientador(es) |
|
| Orientando(s) |
- Luclecia Silva de Almeida Matias
|
| Banca |
- Adriana Lúcia de Escobar Chaves de Barros
- Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro
- Fabiana Pocas Biondo
- Patricia Graciela da Rocha
- Rodrigo Acosta Pereira
|
| Resumo |
Ao longo de quase duas décadas lecionando a disciplina de Língua Portuguesa nas
séries finais do Ensino Fundamental II e, em especial, no Ensino Médio, tenho observado
a forma de falar dos jovens: são expressões que de repente surgem e não muito tempo
depois deixam de ser usadas. Em meu locus de atuação profissional testemunhei um
ciclo de surgimento, alastramento, desaparecimento e invenções de termos, expressões,
gírias, siglas, palavras conhecidas que ganham novos significados… tudo sendo
incorporado ao repertório linguístico dos alunos, por esta razão considerei pertinente
estudar a variação linguística social, especificamente a presente na oralidade dos
adolescentes. Este trabalho apresenta como tema, portanto, a fala dos adolescentes
enquanto variedade linguística que se manifesta no ambiente escolar em suas interações
de conversação e tem como objeto principal investigar as características da fala dos
jovens contemporâneos no Ensino Médio – de uma Escola Estadual de Campo Grande
– MS – analisando os processos criativos que motivam as variações linguísticas na fala
dos alunos. Os objetivos específicos desta pesquisa consistem em: elaborar e aplicar,
no primeiro ano do Ensino Médio, uma Sequência Didática a partir da temática “Variação
Linguística”; fazer um levantamento das variantes linguísticas utilizadas pelos jovens
participantes da pesquisa, por meio da aplicação da Sequência Didática nas aulas de
Língua Portuguesa; identificar os processos linguísticos de criação de palavras ou
expressões mencionadas por esses jovens e identificar variantes linguísticas utilizadas
pelos pais e/ou avós dos estudantes participantes da pesquisa e as expressões
correspondentes utilizadas pelos adolescentes que representam, possivelmente, uma
variação ou mudança geracional. A geração dos dados se deu por meio da pesquisaação em duas turmas do primeiro ano do Ensino Médio, em uma escola da rede estadual
de ensino da cidade de Campo Grande, MS. Embora o corpus tenha sido gerado em
uma escola específica e os participantes sejam uma pequena parcela dos estudantes
matriculados (cerca de 60 estudantes), entendo que esse grupo de jovens possa
representar a comunidade de fala de adolescentes de uma forma geral, enquanto grupo
social de uma mesma faixa etária, que apresenta características muito semelhantes em
sua forma de falar. Ancorada nas perspectivas da Sociolinguística Variacionista proposta
por Labov (2008 [1972]), a pesquisa apoia-se, ainda, nas reflexões de Bagno (2014)
sobre as mudanças e variações da língua, na Pedagogia da Variação Linguística
defendida por Bortoni-Ricardo (2004), na teoria da diversidade linguística, defendida por
Soares (2017), e na valorização da diversidade na linguagem, adotada por Hooks (2019).
Por meio da aplicação da Sequência Didática, identifiquei que a fala dos adolescentes
se caracteriza por um repertório linguístico peculiar que identifica e diferencia o grupo
social dos demais grupos, sendo este o resultado de diversos fatores extralinguísticos
que interferem nos processos criativos das variantes presentes no vocabulário dessa
comunidade de fala, como o fato de estarem inseridos numa sociedade em que
prevalece a aceleração social e tecnológica, refletindo, por exemplo, no encurtamento
das palavras. Além disso, a influências das mídias digitais, para a incorporação de
memes no vocabulário dos jovens e estes carregam uma característica - a efemeridade.
A influência da língua inglesa norte-americana também representa um fator relevante
para a constituição do repertório linguístico dos adolescentes, resultando nos
estrangeirismos entranhados nas falas desse grupo social. |
| Download |
|
|