O que é ser índio sendo surdo? Um olhar transdisciplinar |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
21/06/2017 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
- Claudete Cameschi de Souza
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
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Banca |
- Celina Aparecida Garcia de Souza Nascimento
- Claudete Cameschi de Souza
- Márcia Aparecida Amador Mascia
- Vania Maria Lescano Guerra
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Resumo |
MUSSATO, Michelle Sousa. O que é ser índio sendo surdo?: um olhar transdisciplinar. Três Lagoas, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2017, 177f. (Dissertação de Mestrado)
Ao lançar um olhar sobre os discursos dos sujeitos surdos de etnia Terena, apresenta-se uma diversidade de representações, construções, deslocamentos e traços identitários atravessados por relações de saber-poder. Dessa forma, nossa hipótese é que esses sujeitos de pesquisa estão à margem da sociedade hegemônica numa dupla exclusão: por serem indígenas e surdos, uma vez que não se encontra uma discursividade que os legitime, que os inscreva como índio surdo. Assim, tendo o discurso como objeto de pesquisa, o objetivo é problematizar o processo de constituição identitária do sujeito surdo indígena por meio de narrativas de si e do outro, pela subjetividade do sujeito em descrever como se vê, como vê o outro (seus pares e o branco) e como acredita que o outro o vê (seus pares e o branco), sendo índio e surdo. Como objetivos específicos buscamos: analisar os modos de dizer nos quais são evocadas as representações do índio surdo sobre si; interpretar os modos de dizer nos quais são evocadas as representações do índio surdos a partir de como ele acredita que o outro o vê na sala de aula e na aldeia onde reside; compreender os modos de dizer nos quais são evocadas as representações do índio surdo acerca da língua de sinais emergente, língua brasileira de sinais, língua portuguesa e língua terena. Desse modo, o indígena surdo é trazido para o centro da nossa investigação por meio de entrevistas gravadas/filmadas em vídeo em língua de sinais, transcritas, na cidade de Miranda, no ano de 2015 e que, devido às regularidades apresentadas, quatorze recortes constituem nosso corpus. Para tanto, valemo-nos das contribuições teóricas da perspectiva discursiva, por entendermos que o discurso se constitui sobre o primado dos interdiscursos, construído, sobretudo, pela presença do o(O)utro, pela heterogeneidade, com auxílio do suporte teórico-metodológico foucaultiano, o arqueogenealógico, que vem suplementar as metodologias teóricas da perspectiva discursiva. O primeiro capítulo volta-se às condições de produção dos discursos, para que, na análise dos dizeres do índio surdo Terena, se possa compreender onde esse sujeito se encontra e como se dá esse entre-lugar que se forja num espaço-tempo simultaneamente real e virtual, caracterizando-se como um limiar, uma fronteira, que une e separa, que abarca e delimita, que abre horizontes e restringe possibilidades. O segundo capítulo tece a base teórica para a sustentação de nossos gestos de interpretação, trazendo uma reflexão mais elaborada a respeito das noções teóricas da Análise do Discurso, dos estudos culturais e também do método arqueogenealógico de Foucault, que nos apoiam na construção do dispositivo de análise em meio a transdisciplinaridade. Por fim, no terceiro capítulo são empreendidos os gestos analíticos divididos em três eixos: Como me vejo?: representação de si; Como acredito que o outro me vê?: representação de si e do outro; Em que universo linguístico me encontro?: representação de língua/linguagem. Dessa forma, foram observadas representações de si, do outro sobre si e da língua/linguagem que não legitimam, que não garantem a inscrição dos sujeitos como sendo índios surdos, pois os traços que constituem a identidade do surdo indígena por meio das (re)construções de sentido acerca da Língua Portuguesa, Libras, Língua Terena e língua de sinais emergentes ressoam vozes que perpetuam a imagem estereotipada do sujeito surdo indígena como sujeito da falta, como corpo deficiente, como aquele que é anormal por ser diferente do branco, sob uma in(ex)clusão.
Palavras-chave: Análise do Discurso; identidade; surdez; índio Terena. |
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Memória, Identidade e Representação Social: Uma leitura de O Ultimo Conhaque de Carlos Herculano Lopes |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
15/03/2017 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
- Ricardo Magalhaes Bulhoes
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Lydyane de Almeida Menzotti Silva
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Banca |
- João Adalberto Campato Junior
- Jose Batista de Sales
- Ricardo Magalhaes Bulhoes
- Wagner Corsino Enedino
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Resumo |
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Narrar a morte: um estudo de “Memórias póstumas de Brás Cubas” e “Fim””. |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
15/03/2017 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
- Ricardo Magalhaes Bulhoes
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Kátia Cristina Pelegrino Sellin
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Banca |
- Cristiane Rodrigues de Souza
- Eliane Aparecida Galvão Ribeiro Ferreira
- João Adalberto Campato Junior
- Ricardo Magalhaes Bulhoes
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Resumo |
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Entre o discurso oficial e o discurso Kinikinau: representações de escola e território |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
24/02/2017 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
- Claudete Cameschi de Souza
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
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Banca |
- Celina Aparecida Garcia de Souza Nascimento
- Claudete Cameschi de Souza
- Marlene Durigan
- Roberto Leiser Baronas
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Resumo |
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O Princípio da Cooperação em contexto forense: as máximas conversacionais em audiências judiciais |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
23/02/2017 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Claudia Poliana de Escobar de Araujo
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Banca |
- Claudia Cristina Ferreira
- Solange de Carvalho Fortilli
- Ulisses Tadeu Vaz de Oliveira
- Vanessa Hagemeyer Burgo
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Resumo |
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O processo de subjetivação do indígena em material didático subsidiado pelas (novas) tecnologias |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
21/11/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
- Vania Maria Lescano Guerra
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
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Banca |
- Celina Aparecida Garcia de Souza Nascimento
- Claudete Cameschi de Souza
- Silvane Aparecida de Freitas
- Vania Maria Lescano Guerra
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Resumo |
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"A Tradução e a omissão dos marcadores discursivos nas legendas da série Friends: o (des)respeito às funções comunicativas" |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
31/08/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Nayra Modesto dos Santos Nunes
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Banca |
- Claudete Cameschi de Souza
- Claudia Cristina Ferreira
- Ulisses Tadeu Vaz de Oliveira
- Vanessa Hagemeyer Burgo
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Resumo |
Este estudo visa a analisar como os marcadores discursivos são traduzidos na legendagem dos
diálogos da série televisiva americana Friends, averiguando se essa tradução consegue estabelecer e
manter os mesmos efeitos de sentido em língua portuguesa. O córpus é constituído por quinze
fragmentos, extraídos dos primeiros episódios da primeira, da quinta e da décima temporadas da série,
transmitida pelo canal Warner, e também disponíveis em DVD ou na internet. A análise do áudio e da
transcrição da legendagem foram apresentados em dois formatos: o roteiro de fala seguido pelos
personagens em língua inglesa e a legendagem em língua portuguesa. Quanto aos procedimentos
metodológicos, esta pesquisa seguiu a abordagem empírico-indutiva, com natureza qualitativointerpretativa.
O arcabouço teórico está ancorado em conceitos da Análise da Conversação, expostos
por Chafe (1982), Fávero, Andrade e Aquino (2007), Fraser (1988, 1994), Galembeck (1999),
Galembeck e Carvalho (1997), Hilgert (2011), Marcuschi (1989, 2001, 2006) e Preti (2003), em
relação de interface com conceitos oriundos dos Estudos da Tradução, salientados por Arrojo (2007),
Frota (2000), Gorovitz (2006), Oustinoff (2011), Paes (1990) e Rodrigues (2000). Vale ressaltar que
os marcadores discursivos desempenham um papel relevante na manutenção da interação verbal,
contribuindo para o monitoramento da conversação e para a organização do texto falado. Eles podem
atuar como organizadores e/ou articuladores textuais, indicadores de força ilocutória do discurso,
planejadores verbais, atenuadores, dentre outras funções. Reconhecer os marcadores discursivos como
elementos essenciais no processo de significação da atividade linguística implica reconhecer a
dimensão interacional da linguagem.
Palavras-chave: Tradução. Legendas. Marcadores discursivos. Estratégias comunicativas |
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Luiz Vilela em contexto extracurricular: Alternativas Metodológicas para o Ensino de Literatura” |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
30/08/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
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Banca |
- Ana Lucia Espindola
- Luiz Gonzaga Marchezan
- Rauer Ribeiro Rodrigues
- Rita de Cássia Silva Dionísio Santos
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Resumo |
A proposta do projeto pedagógico, cuja aplicação é relatada nesta dissertação, abordou a problemática da aprendizagem do ensino de leitura literária em sala de aula e caminhos que visam contribuir na formação do leitor literário. A pesquisa, dividida em dois grandes momentos, desenvolveu, na primeira fase, a descrição e aplicação das cinco alternativas metodológicas concebidas por Maria da Glória Bordini e Vera Teixeira Aguiar, apresentadas no livro Literatura: a formação do leitor ─ alternativas metodológicas (1993). A segunda fase se desenvolveu com a criação de um Círculo de Leitura nos moldes propostos inicialmente por Luzia de Maria, no livro O clube do livro: ser leitor, que diferença faz? (2009), e posteriormente discutidos por Rildo Cosson, em Círculos de leitura e letramento literário (2014). Como corpus literário para aplicação da pesquisa, utilizou-se a obra do escritor mineiro Luiz Vilela. As obras de Vilela tratam de temas universais, permitem a expansão do pensamento crítico e foram selecionadas narrativas adequadas à faixa etária dos alunos. Entre os alunos do ensino fundamental que participaram do projeto, os textos despertaram grande interesse e motivação, resultando em análises críticas e sensíveis da realidade. As alternativas, no primeiro momento, e o Círculo de Leitura, no segundo momento, em conjunto com a obra de Luiz Vilela, pareceram adequadas, uma vez que as metodologias e a proposta do círculo decorrem de um longo processo de pesquisa em que foram validadas e reestruturadas. Para despertar nos alunos o interesse de se tornarem leitores literários, optamos por estruturar as aulas fora do período obrigatório, utilizando autor brasileiro que expõe temas com profundidade e sensibilidade, ao mesmo tempo em que propicia reflexão crítica sobre a linguagem e a sociedade. Os resultados da pesquisa demonstraram a importância tanto da aplicação das alternativas quanto da formação do Círculo de Leitura e a necessidade de adaptá-los ao público ao qual a proposta é direcionada. Mostraram também que a escolha de textos literários fora dos best-sellers e das imposições da indústria cultural e da cultura de massa resultam em formação literária e crítica que normalmente não verificamos na escolarização da literatura, nos moldes escolares triviais.
Palavras-chave: Círculo de Leitura. Escolarização da Literatura. Formação de leitores. Leitor literário. Literatura Brasileira Contemporânea. |
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A construção "se não me engano" no português do Brasil |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
26/08/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Munique Pedro Pereira Pinto
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Banca |
- Edson Rosa Francisco de Souza
- Joceli Catarina Stassi Se
- Solange de Carvalho Fortilli
- Taisa Peres de Oliveira
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Resumo |
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Estrangeirismo linguístico do inglês: um estudo em três versões do dicionário Aurélio eletrônico” |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
19/07/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
- Elizabete Aparecida Marques
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Maira de Oliveira Ferreira
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Banca |
- Ana Paula Tribesse Patrício Dargel
- Aparecida Negri Isquerdo
- Elizabete Aparecida Marques
- Marlene Durigan
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Resumo |
FERREIRA, Maira de Oliveira Estrangeirismos da língua inglesa: um estudo em três versões do dicionário Aurélio eletrônico. Três Lagoas: Câmpus de Três Lagoas, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2016.148f. (Dissertação de Mestrado).
O léxico é o domínio da língua que mais se aproxima da realidade extralinguística pelo fato de representar valores, crenças, hábitos e costumes de um povo. É o conjunto de palavras por meio das quais a sociedade armazena seu conhecimento de mundo, sua cultura. O léxico registra o conhecimento de mundo, está diretamente relacionado ao processo de nomeação do que nos cerca, pois nomeia ao mesmo tempo que cria, descreve e delimita. O objetivo geral deste trabalho é efetuar uma análise das unidades lexicais inseridas no Dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999; 2004; 2010) oriundas da língua inglesa, os estrangeirismos. Entendemos como estrangeirismos as unidades lexicais que não sofreram mudanças quanto à sua grafia da língua original e como empréstimo as palavras que já sofreram mudanças quanto à sua grafia, ou seja, os itens lexicais que já sofreram o processo de mudança e aportuguesamento. Temos como objetivo específico analisar as três versões do Dicionário Aurélio no que concerne à delimitação do contingente de verbetes que tem sua etimologia na língua inglesa. Para tanto, verificamos o acréscimo dos estrangeirismos nas versões 3.0, 5.0 e 8.0. O trabalho visa também a verificar a incorporação de estrangeirismos de base inglesa no português brasileiro por áreas do conhecimento, bem como analisar em que proporção esses estrangeirismos foram incorporados nas três diferentes versões do Aurélio, com o intuito de verificar que áreas do conhecimento tiveram maior incremento dessas unidades lexicais no decorrer das três versões. A metodologia desta pesquisa é documental, pois tem como fonte de dados as três versões eletrônicas do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. O corpus de análise compreende os estrangeirismos extraídos dessa obra lexicográfica. Analisamos a nomenclatura dos dicionários mencionados a fim de evidenciar o acréscimo dos estrangeirismos de uma versão para a outra e, para isso, os dados são apresentados em quadros e tabelas, em ordem alfabética, seguidos de uma análise quantitativa-qualitativa, das três versões. Os dados ratificam a ampliação de estrangeirismos da língua inglesa da segunda para a terceira versão do dicionário, confirmando o crescimento lexical da língua portuguesa com a inclusão dessas unidades lexicais para designar novos referentes que, por alguma razão, não foram nomeados em português. O mesmo procedimento metodológico foi utilizado para a análise das áreas mais produtivas, ou seja, as marcas de uso de maior ocorrência de estrangeirismos. Comparando, portanto, as três versões, os dados revelam que as áreas de maior incremento de itens lexicais da língua inglesa (estrangeirismos) foram, ao longo de 11 anos: i) Esporte com 27 acréscimos em relação à primeira versão por nós analisada; ii) Informática, que contém 42 acréscimos de itens lexicais. |
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Uma Leitura de O Fazedor de Velhos, de Rodrigo Lacerda |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
01/04/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Marcilene Moreira Donadoni
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Banca |
- João Luís Cardoso Tápias Ceccantini
- Jose Batista de Sales
- Kelcilene Gracia Rodrigues
- Rauer Ribeiro Rodrigues
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Resumo |
O objetivo principal desta dissertação é analisar a estrutura do romance juvenil O Fazedor de Velhos (2008), de Rodrigo Lacerda. (1969 - ). Na pesquisa, foram analisados os elementos estruturais da narrativa, como as configurações de personagem, tempo, espaço e narrador. Acreditamos que as personagens lacerdianas, foco deste trabalho, configuram-se por meio da manifestação da intertextualidade na diegese. Deste modo, o livro, a literatura e o romance de formação auxiliam a compreender esse processo de configuração. Como objetivo secundário, elaboramos a fortuna crítica do autor, a partir de comentários de sua produção e da catalogação de críticas e notícias de jornais das principais mídias brasileiras.
Palavras-chave: Literatura juvenil brasileira. Fortuna crítica. Estrutura narrativa. Rodrigo Lacerda. |
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Processos Identitários do Agente de Escola e Vigilância Penitenciária: Recorte discursivo do trabalho nas muralhas |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
30/03/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
- Celina Aparecida Garcia de Souza Nascimento
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
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Banca |
- Celina Aparecida Garcia de Souza Nascimento
- Claudete Cameschi de Souza
- Luciene Jung de Campos
- Silvane Aparecida de Freitas
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Resumo |
BIASI, Evelyn Yamashita. Processos Identitários do Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária: recorte discursivo do trabalho nas muralhas. Três Lagoas, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, 2016. 115f. (Dissertação de Mestrado).
Este trabalho tem por objetivo analisar os processos identitários do Agente de Escolta e Vigilância Penitenciário (AEVP) do Estado de São Paulo. Partimos do pressuposto de que o trabalhador do sistema penitenciário ocupa um papel de poder na configuração social decorrente do exercício de sua função disciplinarizadora enquanto agente mantenedor da ordem carcerária e social, e temos como hipótese de pesquisa que os riscos vivenciados pelo trabalhador e a características do trabalho invisível contribuam para a exclusão desse sujeito. De acordo com Dejours (2011), o trabalho possibilita a construção da identidade e a geração de saúde mental a partir do reconhecimento do outro, assim como pode ser fonte de descompensação psíquica e somática do sujeito por meio da exclusão do sujeito ao coletivo. Diante desses questionamentos, três objetivos específicos foram propostos: a) investigar como os riscos pessoais influenciam na formação dos processos identitários do trabalhador de muralha; b) discutir como as formas de reconhecimento e o sentido atribuído ao trabalho influenciam na constituição da subjetividade e; c) descrever as relações imaginárias e de saber-poder presentes nas relações do trabalho de muralha do sistema penitenciário. A base teórica está fundamentada na Análise do Discurso de linha francesa que compreende o discurso como lugar onde se pode observar a relação entre língua e ideologia, compreendendo o sujeito do inconsciente como ser clivado, incompleto e inconsciente (PÊCHEUX, 1969, 1991, 1999, 2012). Para tanto, ancoramo-nos nas ideias de posição-sujeito de Orlandi (2015) e nas noções de formações imaginárias e ideológicas (PÊCHEUX, 1990). Considerando o caráter transdisciplinar da AD, utilizamos como base para a investigação das relações e construção da identidade no/pelo trabalho a teoria psicodinâmica de Dejours (1992, 1999, 2011). O córpus foi constituído por meio de 17 sequências discursivas recortadas de entrevistas semi direcionadas com oito profissionais que atuam na função em diversas localidades do Estado de São Paulo. A escolha dos recortes se deu a partir do método foucaultiano arquegenealógico (FOUCAULT, 1969, 1996, 2010), pautado nas regularidades e dispersões do discurso. Este estudo foi estruturado a partir de três capítulos: no primeiro tecemos o fio teórico condutor da pesquisa a partir das noções de formação imaginária, ideológica, discursiva e do interdiscurso trouxemos a concepção de sujeito a partir do viés discursivo e das teorias do trabalho; no segundo historicizamos a posição de sujeito-trabalhador de muralha e as concepções históricas sobre o trabalho, bem como as condições de produção e metodológicas do estudo; no último realizamos as análises e as problematizações sobre a relação dos sujeitos com o trabalho e destacamos as formações imaginárias decorrentes desta relação. Os resultados indicam que as situações de risco são permeadas por contradições que envolvem a representação de vulnerabilidade do trabalhador frente ao poder do interno e a possibilidade de desenvolvimento de um trabalho criativo. Outra contradição que se instala envolve a (in)visibilidade do trabalhador: por um lado, o sujeito acredita que quanto maior sua invisibilidade maior é a eficácia do trabalho; de outro lado, o sujeito vivencia o sofrimento por não desenvolver uma função socialmente valorizada. O sentido atribuído ao trabalho aparece atrelado ao esvaziamento a partir da não-produção de aspectos materiais em contrapartida ao preenchimento de sentido enquanto função mantenedora da ordem carcerária. Ainda, a relação de saber-poder oscila entre o agente de muralha, o interno e o Estado, visto que ora um e ora outro detém o poder dentro do espaço penitenciário.
Palavras-chaves: Discurso. Identidade. Trabalho. Vigilância. Muralha. |
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O Processo Identitário do Sujeito Indígena: uma análise discursiva da Carta do Cacique Seattle |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
29/03/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
- Vania Maria Lescano Guerra
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- João Paulo Ferreira Tinôco Machado
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Banca |
- Marcos Lúcio de Sousa Góis
- Marlene Durigan
- Roberto Leiser Baronas
- Vania Maria Lescano Guerra
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Resumo |
MACHADO, João Paulo F. Tinoco. O processo identitário do sujeito indígena: uma análise discursiva da Carta do Cacique Seattle. 2016. 162 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas. 2016.
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo geral estudar o processo de constituição identitária do indígenaarticulado na Carta do Cacique Seattle de 1854, sobretudo as possíveis representações de terra que rastreamos na carta, ora para o indígena, ora para o “homem branco”. Para tanto, perscrutamos as relações de saber e poder e as formações discursivas com o intuito de desvelar os gestos de resistência de Seattle e seu povo. Nosso estudo está fundamentado nas relações de saber/poder discutidas por Foucault (2014ab, 2013, 2012) sob a pluma da Análise do Discurso de linha francesa. Buscamos também conhecimentos a respeito da desconstrução de Derrida (2001), sob a visão discursivo-desconstrutivista de Coracini (2006, 2007, 2014) e Guerra (2008, 2010, 2012, 2013); conceitos de cunho culturalista quanto à crítica pós-colonial de Bhabha (2013) e Santos (2003, 2007, 2009, 2010); e concepções de identidade estudadas por Bhabha (2013), Hall (2013) e Castells (2013). Temos o desejo de trazer o olhar e saberes do indígena a fim de desestabilizar saberes hegemônicos que tentam desvalorizar os saberes dos sujeitos marginalizados.Formulamos a hipótese de pesquisa de que a Carta tem de ser examinada como um monumento, isto é, a Carta torna-se uma Nova História para que desse modo obtenhamos a possibilidade de estudar o processo identitário do indígena, que é construído por meio de tensões e resistências; ações que vão de encontro aos saberes hegemônicos, ao capitalismo, à industrialização e aos interesses do governo que privilegiam grupos específicos.Podemos dizer que osujeito indígena Seattle enfrenta preconceitos, sofrendo gestos de exclusão, por não ser igual ao outro, razão por quebusca, no passado, memórias que lhe podem trazer segurança no presente. E, dentro dessa arena, onde conflitosemergem, o processo identitárioagonístico é engendrado, uma vez que o sofrimento e a angústia perpassam a busca da identidade do colonizado, sempre numa construção relacional com o colonizador.
Palavras-chave: Identidade; análise discursivo-desconstrutivista;pós-colonialidade; Carta do Cacique Seattle. |
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Olhar discursivo sobre língua e sujeito: alunos de língua espanhola do Mato Grosso do Sul |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
29/03/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
- Celina Aparecida Garcia de Souza Nascimento
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Élida Cristina de Carvalho Castilho
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Banca |
- Celina Aparecida Garcia de Souza Nascimento
- Nara Maria Fiel De Quevedo Sgarbi
- Roberto Leiser Baronas
- Vania Maria Lescano Guerra
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Resumo |
Esta dissertação objetiva analisar a constituição identitária de alunos de língua espanhola da
cidade de Campo Grande/MS sobre a aprendizagem desse idioma, segundo o método
arquegenealógico de Foucault (2008) e alicerçado nos princípios teórico-metodológicos da
Análise de Discurso de linha francesa (PÊCHEUX, 1999 e 2002) e na Linguística Aplicada
(MOITA LOPES, 2006, 2010 e 2013; KLEIMAN, 2013). Nos conceitos de representação e
identidade apoiamo-nos em Coracini (2007), no sociólogo Bauman (2005) e em Hall (2005),
estudiosos dos Estudos Culturais e na noção de relações de saber-poder de Foucault (1984),
que à luz das suas reflexões, buscamos analisar quais são as formações discursivas que
determinam os sentidos, a respeito da constituição das verdades e/ou saberes, poderes e
resistências nos discursos dos sujeitos-alunos. Partindo-se da premissa de que a aprendizagem
de uma segunda língua se encontra ancorada na escola e na sociedade em geral em visões
positivistas, de ascensão pessoal e profissional, a vantagens do seu aprendizado, a hipótese
assumida é a de que os discursos dos alunos estudantes de língua espanhola sul matogrossenses
tendem a desvalorizar e (re)negar a aprendizagem desse idioma, pela condição
fronteiriça do espanhol do Estado e pela simbologia que o status linguístico da língua
espanhola frente a língua inglesa, por exemplo, não lhe proporciona. A coleta do corpus deuse
por aplicação de um questionário com perguntas semiestruturadas e por gravação de
entrevista aos alunos do Ensino Médio da escola E.E. Manoel Bonifácio Nunes da Cunha.
Dividida em três capítulos, no primeiro deles, fundamentamos a perspectiva teórica discursiva
e os principais conceitos operatórios que nortearam nossas análises, a saber, formação
discursiva, interdiscurso, memória, representação, identidade, poder-saber. No segundo,
apresentamos, além das informações das condições e contextualização da pesquisa,
apontamentos sobre a historicidade do ensino de espanhol no país e a enunciação particular do
processo de ensino e aprendizagem desse estado de fronteira a partir de Nolasco (2013) e
Sturza (2010), ou seja, da singularidade duplamente marcada do ensino desse idioma em solo
nacional e, sobretudo, em MS. Finalizamos, no terceiro capítulo, com as análises das
representações discursivas dos sujeitos-alunos sobre a aprendizagem da língua espanhola,
dividida em três eixos de representações: a língua “instrumento”, a língua “(re)negada” e
sujeito e a língua espanhola. Como considerações finais, as análises apontaram que apesar da
sustentação em seus discursos dos regimes de verdades sobre a aprendizagem de línguas na
contemporaneidade, os efeitos que os silenciamentos e a resistências se articulam, refletem a
heterogeneidade constitutiva que os discursos sobre a língua espanhola se materializam no
contexto da educação nacional e, sobretudo, no Estado de Mato Grosso do Sul. “Invadidas”
por interdiscursos, concluímos que as formações discursivas desses sujeitos-alunos não
“descolam” das formações discursivas sociais, governamentais, midiáticas e educacionais,
quanto ao aprendizado de uma segunda língua, de “poder disciplinar” (FOUCAULT, 2008).
Palavras-chave: Discurso; Processo Identitário; Língua Espanhola. |
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O processo de hibridização de gêneros literários em Toni Brandão: um olhar sobre o universo ficcional de Grogue |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
11/03/2016 |
Área |
LITERATURA BRASILEIRA |
Orientador(es) |
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Luiz Fernando Marques dos Santos
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Banca |
- João Adalberto Campato Junior
- Ricardo Magalhaes Bulhoes
- Wagner Corsino Enedino
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Resumo |
SANTOS, Luiz Fernando Marques dos. O processo de hibridização de gêneros literários em Toni Brandão: um olhar sobre o universo ficcional de Grogue. Três Lagoas: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2016, 118 p. (Dissertação de Mestrado).
Ancorado nas concepções de Candido (1989) e Souza (2002) acerca da crítica biográfica; nos estudos da cultura de massa desenvolvidos por Adorno e Horkheimer (2011), Benjamin (2013), Bulhões (2009), Lipovetsky (2004), Canclini (2015), Pereira (2010) e Schoolhammer (2009); Stalloni (2007) e Moisés (2012) sobre a inter-relação de gêneros, assim como as especificidades do texto narrativo conforme Friedman (2002), e dramático embasado em Pavis (1999), Pascolati (2009) e Ryngaert (1995), o objetivo deste trabalho é analisar, o processo de hibridização de gêneros na narrativa contemporânea juvenil Grogue (1997), de Toni Brandão. Escritor de romances, peças teatrais e textos no universo virtual, Brandão, munido de uma linguagem recorrente do contexto juvenil, traz para a arena narrativa, questões relacionadas ao convívio social contemporâneo. A partir da leitura da narrativa, destacamos sua constituição híbrida e arquitetada por uma inter-relação de gêneros literários, artísticos e midiáticos. Nos deparamos com uma literatura contemporânea juvenil que se configura por uma tênue fronteira entre a qualidade estética e produção de massa. Assim, esta dissertação se encontra dividida em três capítulos. O primeiro “Uma reflexão sobre a cultura de massa e o lugar de Toni Brandão na sociedade contemporânea” se atém a desenvolver uma reflexão acerca da influência e da presença da indústria cultural nas produções literárias contemporâneas, especialmente as juvenis de Brandão. Por meio da crítica biográfica, o segundo capítulo intitulado “Nas páginas, nos palcos e nas telas: um projeto estético que se aprimora nas obras de Toni Brandão” destaca trechos de entrevistas concedidas pelo escritor à pesquisa (versão integral em anexo) e aos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo visando compreender a configuração do projeto estético do artista. No terceiro e último capítulo “O hibridismo literário e a configuração da sociedade de consumo no universo juvenil de Grogue”, é realizada uma leitura estrutural da ficção, destacando sua composição híbrida, especialmente o discurso do narrador e o modo como se apresentam as personas que ocupam o todo composicional.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura brasileira; narrativa juvenil contemporânea; Toni Brandão; hibridização. |
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A pecadora sitiada e silenciada: uma abordagem sócio-biográfica da dramaturgia de Clarice Lispector |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
11/03/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Alana Regina Sousa de Menezes
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Banca |
- João Adalberto Campato Junior
- Ricardo Magalhaes Bulhoes
- Wagner Corsino Enedino
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Resumo |
MENEZES, Alana Regina Sousa de. A pecadora sitiada e silenciada: uma abordagem sócio-biográfica da dramaturgia de Clarice Lispector. Três Lagoas: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2015. (Dissertação de Mestrado).
O objetivo desta pesquisa é analisar o texto A pecadora queimada e os anjos harmoniosos (2005), única obra literária de Clarice Lispector escrita em gênero dramático. A leitura é feita partindo da análise do locus geohistórico no qual estava a autora inserida e que exerceu forte influência na arquitetura da obra; para ancorar tal estudo, utilizam-se os postulados de Nolasco (2004); Souza (2004) e Wellek e Warren (1971). A análise prossegue colocando em foco a teatralidade da obra em estudo, baseando-se nas contribuições de Magaldi (1998); Roubine (2003); Ubersfeld (2013); Ball (2008); Ryngaert (1995) e Pavis (1999). Para focalizar como se constituem as personagens e as vozes que se manifestam ou se silenciam no texto teatral clariciano, vêm sustentar este trabalho as contribuições seminais de Orlandi (2007); Enedino (2015) e Gomes (2007). Nesse segmento, será destacada a opressão ideológica que se impõe como obstáculo à autonomia feminina; por isso, fazem-se basilares as contribuições de Brandão e Branco (2004); Rago (2012) e Lipovetsky (2000). O último destaque dessa pesquisa é dado à maneira com a qual Clarice Lispector problematiza a temática da subalternidade feminina. Spivak (2010); Beverley (2004); Achugar (2006) e Mignolo (2003) trazem contribuições relevantes para esse tema, uma vez que em A pecadora queimada e os anjos harmoniosos, Clarice Lispector representa o subalterno como um sujeito histórico, cuja identidade constitui-se como uma “antítese” de um sujeito dominado e busca, nessa peça, trazer reflexões acerca do patriarcalismo que ainda perdura em tempos atuais. A obra em estudo consegue cumprir sua missão de suscitar profunda reflexão sobre a opressora influência da moral religiosa e das instituições patriarcais que se voltam à mulher, uma vez que apresenta um retrato crítico do destino de uma personagem que decide romper com os padrões de uma sociedade conservadora.
PALAVRAS-CHAVE: Subalternidade. Feminino. Dramaturgia. Crítica biográfica. Clarice Lispector. |
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O narrador-protagonista em Michel Laub: o diário da queda da maçã envenenada |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
10/03/2016 |
Área |
LITERATURA BRASILEIRA |
Orientador(es) |
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Leila Aparecida Cardoso de Freitas Lima
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Banca |
- José Antonio De Souza
- Ramiro Giroldo
- Ricardo Magalhaes Bulhoes
- Rosana Cristina Zanelatto Santos
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Resumo |
LIMA, Leila Aparecida Cardoso de Freitas. O narrador-protagonista em Michel Laub:
O diário da queda da maçã envenenada. 2016. Dissertação (Mestrado em Letras).
Universidade Federal de mato Grosso do Sul.
RESUMO
Embasados em pressupostos da Teoria Literária, da Teoria Crítica e da Psicanálise,
apresentamos a análise do narrador-protagonista nos romances Diário da queda e A
maçã envenenada, de Michel Laub. Objetivamos averiguar a possibilidade de dissociar
o eu narrador e o eu narrado mediante a focalização autodiegética proposta pela teoria de
Gérard Genette, partindo da hipótese de que o tempo opera uma mudança ideológica entre
um eu e outro. Nesse percurso, no primeiro capítulo, apresentamos os enredos de todos
os romances de Michel Laub publicados até o presente momento: Música Anterior
(2001), Longe da água (2004), O segundo tempo (2006), O gato diz adeus (2009) e A
maçã envenenada (2013). No segundo capítulo, estabelecemos uma visada analítica em
Diário da queda (2011). Ao compreender que há um projeto de continuidade nas obras
de Laub, no terceiro capítulo, enfocamos Diário da queda e A maçã envenenada,
baseados na informação do próprio autor de que ambos compõem uma trilogia que será
completada no futuro. O ponto de partida de nossa análise foi a teoria de Genette. Tendo
em vista a presença do fluxo de consciência que revela o processo mental dos narradoresprotagonistas
de Diário da queda e A maçã envenenada, além de sua trajetória
traumática, os estudos psicanalíticos de Sigmund Freud também se fazem relevantes.
Além disso, autores como Norman Friedman, Walter Benjamin, Márcio Seligmann-Silva,
Jeanne Marie Gagnebin, Ronaldo Lima Lins e Giorgio Agamben foram convidados à
discussão. Essa visada analítica de ambos os romances resultou na ideia de que o eu
narrador, quando assume a enunciação (presente), revela características que não se
percebem no eu narrado (passado), sendo o fator temporal o responsável por essa
mudança ocorrida entre os dois eus. Remetendo-nos a Gagnebin (2006), temos a
impressão de que os narradores-protagonistas de Diário da queda e A maçã envenenada
mergulham em suas lembranças, tentando compreender o passado para agir sobre o
presente, escrevendo sobre essas lembranças e, finalmente, estando prontos para tentar
superar um doloroso passado e seguir em frente.
PALAVRAS-CHAVE: Narrador; Focalização; Tempo; Michel Laub. |
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A percepção carnavalesca do mundo: Uma leitura da peça Lisbela e o Prisioneiro. |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
05/01/2016 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
- Ricardo Magalhaes Bulhoes
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Fabricia Aparecida Lopes de Oliveira Rocha
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Banca |
- Jose Batista de Sales
- Ricardo Magalhaes Bulhoes
- Thiago Alves Valente
- Wagner Corsino Enedino
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Resumo |
RESUMO
O objetivo da dissertação é expor elementos da percepção carnavalesca no mundo na peça Lisbela e o Prisioneiro (1964/2003), escrita por Osman Lins (1924-1978). Para isso, levamos em conta a poética do “avesso” presente no texto e nos baseamos pelo conceito da carnavalização na literatura. Em nossa leitura, exploramos, sobretudo, o espelhamento que o texto faz da sociedade sem desconsiderar sua riqueza estrutural. Para entender como Lins assimilou elementos dessa cultura popular festiva na estrutura da peça, nos debruçamos sobre os estudos de Mikhail Bakhtin (1999, 2013) e Roberto da DaMatta (1986) acerca da cultura milenar oriunda do carnaval, enquanto fenômeno cultural complexo. Ambos os autores acreditam numa espécie de dualidade (ordinário versus extraordinário) na percepção do mundo e da vida humana e esse conceito foi fundamental para entender o texto de Lins de maneira mais profunda, uma vez que o autor organiza os elementos textuais de modo a sugerir implicitamente a ideia de uma ordem social extraordinária e mais voltada à “des-ordem”, à fantasia, como é usual, por exemplo, no carnaval. Por conta dessa inversão carnavalesca construída ficcionalmente, as personagens submissas se apropriaram do poder, numa espécie de inversão da ordem social estabelecida. Para demonstrar como essa hipótese se concretiza literariamente, nos baseamos também em estudos sobre o texto dramático e recorremos, especialmente, a Anne Ubersfeld (2013), Jean-Pierre Ryngaert (2013) e Patrice Pavis (2008), por entendermos essa poética do “avesso” como um aspecto produtor de linguagem. A ausência de estudos aprofundados sobre a presença dessa estética de “contrários”, assim como a falta de devido enfoque na riqueza estrutural da peça, nos levou a escolha do corpus e, por intermédio do resultado, desejamos contribuir com os estudos de literatura brasileira.
PALAVRAS-CHAVE: Carnavalização; Texto dramático; Osman Lins; Teatro brasileiro; Bakhtin. |
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O conector supondo que no português. |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
18/12/2015 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
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Banca |
- Flávia Bezerra de Menezes Hirata Vale
- Juliano Desiderato Antônio
- Solange de Carvalho Fortilli
- Taisa Peres de Oliveira
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Resumo |
BUENO, A. F. O Conector supondo que no português. Três Lagoas: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2015. (113 p.) Dissertação de Mestrado. (Orientação: OLIVEIRA, T. P.)
Esta pesquisa tem como objetivo principal investigar, sob a luz da teoria funcionalista, o uso de supondo (que) como conector. O trabalho está embasado em uma teoria funcionalista e considera a língua em sua dinamicidade, sujeita a mudanças. É nesse contexto que visamos comprovar que supondo (que) pode assumir uma função diferente da função de predicação prevista pelo verbo: a de conectivo condicional. Sabe-se que os conectores adverbiais comumente se desenvolvem a partir de verbos, advérbios e preposições, como demonstra a extensa literatura sobre gramaticalização de conjunções (Traugott, 1985; Thompson e Longrace, 1985; Lenker e Meurman-Solin, 2007). Hirata-Vale (2012) e Oliveira (2008; 2014) têm apontado o fato de que supondo que pode ser usado como conector adverbial de valor condicional. Propostas semelhantes à de Visconti (2004), que analisa o conector supposing (that) como conjunção condicional no inglês. Para testá-lo como conector, usamos como base os critérios definidores das conjunções adverbiais de Kortmann (1996): (i) os subordinadores adverbiais são formas que não se flexionam; (ii) os subordinadores adverbiais operam sobre uma oração subordinada finita; (iii) eles não cumprem uma função sintática; (iv) assumem uma posição não flexível na margem da cláusula sobre a qual eles operam e (v) não pertencem a um registro da língua; e os parâmetros de condicionalidade definidos por Dancygier (1998): (i) formas verbais utilizadas e a não-factualidade marcada por elas; (ii) postura epistêmica na oração condicional; (iii) causalidade entre p e q; (iv) sequencialidade entre a prótase a a pódose; (v) não assertividade do conector; (vi) posição da oração condicional e (vii) função do conector como introdutor de espaços mentais. Para tais análises, devemos levar em conta o uso do supondo que em situações reais da língua, portanto, o material que forma o corpus analisado foi coletado do Corpus do Português, (www.corpusdoportugues.org.br), composto por textos nos registros oral e escrito, em português do século XIII ao século XX e, como forma de complementação da amostragem para análise, utilizamos a máquina de busca webcorpora, ferramenta computacional que busca dados linguísticos na internet. Espera-se com este trabalho demonstrar o estatuto conjuncional de supondo que e o valor condicional estabelecido por ele.
Palavras chaves: Gramaticalização, Conector Condicional, Funcionalismo. |
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Orações condicionais correlativas no português |
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Curso |
Mestrado em Letras |
Tipo |
Dissertação |
Data |
17/12/2015 |
Área |
LETRAS |
Orientador(es) |
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Coorientador(es) |
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Orientando(s) |
- Gabriela Almeida de Souza
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Banca |
- Edson Rosa Francisco de Souza
- Joceli Catarina Stassi Se
- Solange de Carvalho Fortilli
- Taisa Peres de Oliveira
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Resumo |
SOUZA, Gabriela Almeida. Orações condicionais correlativas no português. Três Lagoas, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 2015. 111f (Dissertação de Mestrado)
Este trabalho tem como tema o estudo das construções condicionais correlativas hipotéticas cuja estrutura é “se p, então q” ou “se p, aí q”. A análise se baseia nos paradigmas funcionalistas propostos, principalmente, por Butler (2003), Neves (2012), Hirata (1999), Oliveira e Hirata-Vale (2011) por meio dos quais a linguagem é observada considerando-se o seu uso em contextos efetivos de comunicação. O objetivo geral da pesquisa é descrever a manifestação das construções condicionais correlativas hipotéticas das estruturas “Se p então q” e “Se p aí q” no português falado e escrito utilizados entre os séculos XX e XXI. Como objetivos específicos, esperamos mostrar que no uso da língua os falantes têm à disposição uma gama de possibilidades para a expressão da condicionalidade; que há determinados fatores sintáticos e semânticos que motivam a interpretação condicional de algumas construções; que a escolha de uma dada construção está vinculada a questões pragmático-discursivas; que cada escolha codifica determinada função aos termos dessas orações. Diante de tal propósito, utilizaremos como parâmetros para especificar nosso objeto os domínios cognitivos; os graus de hipoteticidade; formas verbais da oração núcleo; formas verbais da oração condicional; e a ordem nas construções condicionais. Por meio de nossas análises, podemos obter uma caracterização desse tipo de construção no português, abrangendo tanto a modalidade falada quanto a modalidade escrita da língua. Além disso, espera-se que possamos contribuir de modo efetivo para os estudos sobre a linguagem, apresentando a real complexidade da língua e do seu uso. Nossas análises evidenciam que as construções condicionais correlativas hipotéticas manifestam sentidos diferentes e específicos em determinados contextos, portanto, não podem ser consideradas como equivalentes às condicionais tidas como canônicas, uma vez que as condicionais correlativas hipotéticas manifestam sentido e estrutura diferentes daqueles que são manifestos pela condicional canônica. Foi possível perceber que essas estruturas correlativas manifestam um valor bicondicional, o qual não está necessariamente presente no sentido das condicionais canônicas, além do sentido, o comportamento das condicionais correlativas hipotéticas é distinto daquele que se observa nas demais condicionais quando considerada a ordenação das orações. Por meio dessa pesquisa evidenciou-se que as condicionais correlativas hipotéticas devem ser consideradas como um outro tipo de condicional, o qual apresenta estrutura e sentido mais específico, uma vez que nessas condicionais a relação entre a prótase e a apódose é mais estreita.
Palavras chaves: Funcionalismo, Condicionais, Português falado e escrito. |
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