| Resumo |
Esta pesquisa tem natureza qualitativa e subverte a ideia de cola em provas escritas. Parte de sua universalidade e persistência sinalizando que os mecanismos de controle podem provocar seu aperfeiçoamento e mudanças de estratégia na sua utilização. Convencionalmente, a cola desafia os professores, seus métodos avaliativos, suas escolhas metodológicas, seu domínio de sala de aula e até mesmo sua presença nela. Sai-se desse contexto para investigar a utilização da cola como um processo de subversão, ou seja, partindo de uma conduta comum dos discentes para uma estratégia docente. Para tanto, tomamos a prova-escrita-em-fases como instrumento avaliativo. O estudo, desenvolvido com estudantes de um Curso de Licenciatura em Matemática, teve por principal objetivo investigar a utilização da cola em uma prova-escrita-em-fases como estratégia docente na formação inicial de professores de matemática. A Educação Matemática Realística (RME) foi tomada como abordagem para o ensino de matemática. Nesse ambiente, os alunos são conduzidos a terem participação ativa, a avaliação é integrada à ação de formação e posta em prol do ensino e aprendizagem, constituindo-se em um elemento de formação, uma oportunidade de aprendizagem e uma prática de investigação. Ao final, considera-se que a prova-escrita-em-fases altera a natureza dos instrumentos convencionais de avaliação, coloca o aluno no direito de errar sem ser penalizado e lhe oferece a oportunidade de ampliar seus conhecimentos, a partir de suas maneiras de lidar com seus tempos e caminhos. As intervenções inerentes às fases reduzem a utilidade da cola porque individualiza a prova. A cola como conduta marginal discente interessa a um tipo de prova que privilegia a repetição. No contexto desta estratégia docente, ela perde sua finalidade, uma vez que a prova realizada em fases elimina a regra da não comunicação. Desse modo, a utilização da cola desperta interesse nos alunos e incentiva o estudo. Já as intervenções revelaram ser um recurso potencial para o professor orientar a resolução dos estudantes e regular o ensino e a aprendizagem. |