Doutorado em Ecologia e Conservação

Atenção! O edital referente ao processo seletivo e arquivos pertinentes ao curso estão disponíveis no site do curso.
Os resultados dos processos seletivos serão divulgados no site do curso.

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TRABALHO Ações
Structure and trophic interactions in anuran metacommunities in Midwestern Brazil
Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
Tipo Tese
Data 17/03/2021
Área ECOLOGIA
Orientador(es)
    Coorientador(es)
    Orientando(s)
      Banca
        Resumo Comunidades e metacomunidades variam em composição no tempo e no espaço. Da
        mesma forma, as interações entre as espécies também podem variar ao longo dessas
        dimensões. Meu objetivo nesta tese é compreender os efeitos do tempo e do espaço nas
        metacomunidades de anuros, bem como nas interações anuro-presa. No primeiro capítulo,
        analisei os padrões estruturais das redes de interação anuros-presas em diferentes partes do
        mundo. Como resultado sugiro que diferentes processos, mediados principalmente pela
        latitude, estão moldando a arquitetura das redes anuros-presas em todo o mundo. No segundo
        capítulo, examinei os padrões sazonais da contribuição local para a diversidade beta (LCBD)
        de anuros em diferentes ecorregiões do Oeste do Brasil e avaliei sua correlação com a riqueza
        e se os preditores ambientais e/ou espaciais guiam os padrões de LCBD. Eu descobri que os
        padrões de LCBD são semelhantes entre as estações, com os locais tendendo a contribuir da
        mesma forma para a exclusividade da comunidade durante a estação seca e chuvosa. Entre as
        ecorregiões estudadas, o Cerrado apresentou os maiores valores de LCBD em ambas as
        estações. Além disso, a LCBD foi negativamente correlacionada com a riqueza de espécies na
        estação seca. Também descobri que a variação da LCBD foi explicada pela ecorregião na
        estação seca, mas na estação chuvosa os modelos globais ambientais e espaciais não foram
        significativos. Finalmente, no terceiro capítulo, avaliei a mudança das interações anuro-presa
        entre as estações e entre quatro ecorregiões no Oeste do Brasil. Meus resultados indicaram
        que a variação na beta diversidade das interações entre as estações e entre as áreas foi gerada
        por diferenças na disponibilidade de presas. A beta diversidade das interações entre
        ecorregiões e estações do ano foi alta e impulsionada principalmente pela religação das
        interações. Além disso, a diversidade beta das espécies foi positivamente relacionada à
        distância geográfica, mas o mesmo não ocorreu com a beta diversidade das interações. Eu
        proponho que a flutuação na abundância das presas junto com a capacidade limitada de
        dispersão dos anuros e presas são responsáveis pelo padrão temporal e espacial das redes
        entre anuros e presas. Assim, as metacomunidades de anuros e suas interações variam no
        tempo e no espaço, mas os processos que estão conduzindo esses padrões são únicos e
        diferem dependendo da ecorregião
        Estrutura da Comunidade de Fungos Endofíticos eBioprospecção de Isolados de Aspilia grazielae (Santos), Espécie Vegetal Endêmica de Mato Grosso do Sul
        Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
        Tipo Tese
        Data 13/11/2020
        Área ECOLOGIA
        Orientador(es)
        • Maria Rita Marques
        Coorientador(es)
        • Alinne Pereira de Castro
        Orientando(s)
        • Carlos Eduardo Weirich
        Banca
        • Aline Pedroso Lorenz
        • Bianca Obes Correa
        • Cirano José Ulhoa
        • Gecele Matos Paggi
        • Maria Rita Marques
        • Wellington Santos Fava
        Resumo O uso de novas tecnologias para o estudo do DNA vem crescendo nos últimos anos. Essas mudanças iniciaram em 2005, com o surgimento das primeiras tecnologias conhecidas como NGS (Next Generation Sequencing), permitindo uma nova abordagem de sequenciamento em larga escala. Essas novas tecnologias promovem o sequenciamento de DNA em plataformas capazes de gerar informação sobre milhões de pares de bases. Neste trabalho, utilizamos a plataforma Illumina MiSeq para investigar e comparar a estrutura da comunidade de fungos endofíticos da espécie vegetal Aspilia grazielae. Também utilizamos o método de plaqueamento de fragmentos vegetais (folhas e raízes) em meio BDA para isolamento de fungos endofíticos in vivo. Este trabalho foi dividido em três capítulos, que abordam aspectos relacionados à estrutura da comunidade dos fungos endofíticos e o seu potencial biotecnológico para biorremediação e bioprospecção. Foi investigado como a mineração influencia na estrutura da comunidade de fungos endofíticos de plantas crescidas em duas áreas, uma nativa e outra de recuperação (capítulo 1), o potencial biotecnológico para biorremediação de Fe+2 e Mn+2 pelos fungos que apresentaram maior tolerância e esses metais (capítulo 2), e a capacidade de três isolados do gênero Aspergillus em promover o crescimento de mudas de Aspilia grazielae (capítulo 3). De acordo com os resultados apresentados no capítulo 1, encontramos uma redução significativa do filo de Ascomycota na área de recuperação, indicando grande impacto do processo antropogênico nessa comunidade. Portanto, embora nosso estudo seja um instantâneo dessa comunidade complexa, sugerimos a importância de preservar a área nativa dos maciços do Pantanal, não apenas para conservar a biodiversidade da micobiota, mas também como fonte de comunidade endofítica da rizosfera para colonizar áreas de recuperação de atividades de mineração que poderiam ser fundamentais para o sucesso das iniciativas de restauração. No capítulo 2, no qual avaliamos o potencial de biorremediação pelos isolados do gênero Aspergillus e Penicillium, constatamos que o gênero Aspergillus se mostrou mais tolerante aos metais testados do que o gênero Penicillium. Contudo, para fins de biorremediação, os isolados de Aspergillus não foram tão eficientes na remoção dos metais em meio líquido quanto o gênero Penicillium. Um isolado do gênero Penicillium (CR1) mostrou ser o mais eficiente para remoção de metais, principalmente de Fe+2, dentre todos os isolados testados, indicando que o mesmo apresenta um alto potencial para biorremediação de Fe+2. Tais resultados sugerem que a cepa CR1 tem potencial para aplicabilidade na remediação de metais pesados de solos e águas poluídos. No capítulo 3, os resultados mostraram a capacidade dos isolados de Aspergillus em crescer em meio de cultura contendo soluções concentradas de Fe+2 e Mn+2. Observou-se também que os isolados promoveram o crescimento vegetativo das mudas de A. grazielae, quando adicionados ao solo, atuando como bioestimuladores de crescimento, e com potencial para biofertilizantes em programas de agricultura sustentável. No entanto, mais estudos são necessários para propor a preparação de uma bioformulação indutora de crescimento, e revelar os mecanismos pelos quais estes fungos atuam.
        Sexual and density dependent behavior in two neotropical small mammals
        Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
        Tipo Tese
        Data 30/09/2020
        Área ECOLOGIA
        Orientador(es)
        • Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos
        Coorientador(es)
          Orientando(s)
          • Thiago Mateus Rocha dos Santos
          Banca
          • Camila dos Santos de Barros
          • Erich Arnold Fischer
          • Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos
          • Mauricio de Almeida Gomes
          • Wellington Hannibal Lopes
          Resumo 1. Área de vida e seleção de recursos são importantes abordagens ecológicas para o compreendimento de como os animais ocupam o espaço e como eles utilizam os recursos. O sexo dos animais é um importante fator intrínseco que pode mediar ou alterar em como o indivíduo uso o habitat e seleciona o recurso. Outro importante fator é a densidade populacional que pode limitar ou facilitar tanto a formação e ocupação da área de vida como a seleção dos recursos.

          2. Aqui nós apresentamos dois estudo, um relacionado à área de vida do gambá Didelphis albiventris em uma área urbana e o outro sobre a seleção de recursos no roedor Thrichomys fosteri em uma região do Pantanal. No primeiro nós investigamos a relação da massa corpórea e do sexo influenciando a área de vida, hipotetizando que machos devem ter áreas de vida maiores que fêmeas e animais maiores devem ter áreas devida maiores. No segundo estudo, nós hipotetizamos que o principal recurso para o roedor deve ser a formação de bromélias comum na área de estudo pois a proteção deve ser o fator chave na seleção de recursos, entretanto fêmeas devem selecionar mais esse recurso que machos. Nós também hipotetizamos que a abundância de coespecíficos deve promover uma seleção negativa pelas fêmeas e positiva para os machos, devido às diferenças comportamentais relacionadas aos sexos.

          3. Não encontramos relação do sexo nem o peso com o tamanho da área de vida em D. albiventris, entretanto fêmeas apresentaram baixa sobreposição das áreas core entre elas do que os machos. A formação de bromélias foi o principal recurso para T. fosteri, entretanto a força de seleção foi quase o dobro para fêmeas que para machos. A densidade populacional leva à uma seleção negativa pelas fêmeas enquanto para machos leva à uma seleção positiva.

          4. A limitação espacial e as barreiras urbanas podem ser um fator que explica a ausência de efeito da massa e sexo na área de vida dos gambás. Além disso, suplementação de alimentação com restos humanos e o hábito generalista também podem limitar a movimentação de animais urbanos. A baixa sobreposição das áreas core de fêmeas pode ser uma resposta do comportamento reprodutivo onde fêmeas necessitam de áreas mais exclusivas para o cuidado da prole. A seleção maior de fêmeas de T. fosteri por bromélias também pode ser explicada pela maior necessidade de proteção das fêmeas que possuem seu sucesso reprodutivo na sobrevivência da prole e da mesma forma, elas tendem a evitar áreas com alta densidade populacional. Já machos, maximizam seu sucesso reprodutivo cobrindo um maior número de fêmeas, assim eles devem se expor mais e não evitar áreas com alta densidade de indivíduos.
          Metacomunidade de Chrysomelidae (Coleoptera) em remanescentes florestais e sua relação com os atributos locais e da paisagem
          Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
          Tipo Tese
          Data 03/09/2020
          Área ECOLOGIA
          Orientador(es)
          • Danilo Bandini Ribeiro
          Coorientador(es)
          • Josue Raizer
          Orientando(s)
          • Thiago Silva Teles
          Banca
          • Camila Aoki
          • Diogo Borges Provete
          • Francisco Valente Neto
          • Mauricio de Almeida Gomes
          • Pedro Giovâni da Silva
          Resumo Mudanças na cobertura e uso do solo têm sido uma grande ameaça à biodiversidade por reduzir áreas de habitat natural e por alterar a dinâmica de metacomunidades originais, via fragmentação de habitat. Nesta tese, meu objetivo é compreender os efeitos das características da paisagem (i.e., composição e estrutura) e das características do habitat sobre a metacomunidade de Chrysomelidae (Coleoptera), habitantes de fragmentos relictuais de floresta semidecídua em uma paisagem com intensa prática agrícola. No primeiro capítulo apresento uma descrição da região de estudo, da assembleia destes besouros quanto a sua riqueza e composição, e os padrões espaciais e temporais de distribuição na área e período de estudo. Ao todo, foram capturados 610 indivíduos de 135 espécies pertencentes a sete subfamílias em 18 remanescentes florestais. Galerucinae e Eumolpinae apresentaram a maior riqueza e abundância. O maior pico de abundância e riqueza aconteceu em outubro de 2017, enquanto os menores valores foram registrados em fevereiro de 2018. No segundo capítulo, descrevo os efeitos da paisagem e do habitat sobre a riqueza e composição dos besouros crisomelídeos. Os resultados mostram que a riqueza de Chrysomelidae depende de características da paisagem e de processos espacialmente estruturados, que são independentes das características do habitat e paisagem. Quanto à composição de espécies, os resultados evidenciam a importância dos processos espacialmente estruturados em escala ampla, sendo estes processos responsáveis por determinar a variação na composição de espécies. As características da paisagem e do habitat não explicaram significativamente a variação na composição de espécies. Estes resultados de que a assembleia de crisomelídeos não está relacionada aos atributos da paisagem e do habitat, mas sim às estruturas espaciais, indica que há processos espacialmente estruturados que são independentes das características da paisagem e do habitat. Sendo assim, esta assembleia deve se organizar de acordo com a dinâmica de manchas, na qual as manchas de habitat são relativamente homogêneas (na perspectiva das espécies) e a dispersão é o fator mais importante que pode estar estruturando esta metacomunidade.
          Reforço populacional do jabuti Chelonoidis carbonarius (Spix,1824) em um remanescente urbano de Cerrado
          Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
          Tipo Tese
          Data 30/07/2020
          Área ECOLOGIA
          Orientador(es)
            Coorientador(es)
            Orientando(s)
              Banca
              • Diego Jose Santana Silva
              • Laura Verrastro Vinas
              • Liliana Piatti
              • Rudi Ricardo Laps
              Resumo Processos de resgate de fauna e reintrodução de animais silvestres são comuns no Brasil e seus efeitos sobre as populações residentes são desconhecidos. Com o objetivo de ajudar a dar um destino mais apropriado para os animais encontrados nos centros de triagem e reabilitação de animais silvestres, esse projeto realizou um reforço populacional de jabutis-piranga (Chelonoidis carbonarius) com animais provindos desses centros. O estudo foi estruturado em dois capítulos: a primeira discute os aspectos gerais do reforço populacional de jabutis e a segunda parte aborda os padrões espaciais dos indivíduos soltos no ambiente natural. O trabalho foi realizado no fragmento florestal da UFMS (Campo Grande, MS, Brasil). Vinte e seis jabutis provenientes do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) passaram por exames clínicos e físicos, sendo 11 soltos (equipados com GPS) no fragmento através da técnica de soltura gradual. Durante o período de aclimatação, foram fornecidos alimento e água, bem como um monitoramento sanitário e nutricional. Após esse período, os indivíduos foram soltos e monitorados, tendo sua movimentação e saúde avaliados. Um indivíduo morreu durante o período de monitoramento e apenas um animal voltou ao local de soltura para se alimentar. Os animais eventualmente foram encontrados fora da reserva, caminhando pelo campus da universidade. Os jabutis se dispersaram de maneira rápida e curta. Nem que nem o sexo nem o peso do animal influenciaram os parâmetros dos modelos de dispersão. O movimento dos animais soltos foi semelhante ao dos nativos, possuindo áreas de vida de tamanho semelhante. Além disso, nem o peso e nem o sexo influenciaram no tamanho das áreas de vidas. Podemos considerar que a translocação dos indivíduos foi bem-sucedida a curto prazo, visto que houve uma alta sobrevivência dos animais soltos, bem como o estabelecimento de suas áreas de vida dentro do perímetro do local de soltura.
              Reforço populacional do jabuti Chelonoidis carbonarius (Spix,1824) em um remanescente urbano de Cerrado
              Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
              Tipo Tese
              Data 30/07/2020
              Área ECOLOGIA APLICADA
              Orientador(es)
              • Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos
              Coorientador(es)
              • Zaida Ortega Diago
              Orientando(s)
              • Patricia Sayuri Shibuya
              Banca
              • Diego Jose Santana Silva
              • LARISSA NASCIMENTO BARRETO
              • Laura Verrastro Vinas
              • Liliana Piatti
              • Rudi Ricardo Laps
              Resumo Processos de resgate de fauna e reintrodução de animais silvestres são comuns no Brasil e seus efeitos sobre as populações residentes são desconhecidos. Com o objetivo de ajudar a dar um destino mais apropriado para os animais encontrados nos centros de triagem e reabilitação de animais silvestres, esse projeto realizou um reforço populacional de jabutis-piranga (Chelonoidis carbonarius) com animais provindos desses centros. O estudo foi estruturado em dois capítulos: a primeira discute os aspectos gerais do reforço populacional de jabutis e a segunda parte aborda os padrões espaciais dos indivíduos soltos no ambiente natural. O trabalho foi realizado no fragmento florestal da UFMS (Campo Grande, MS, Brasil). Vinte e seis jabutis provenientes do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) passaram por exames clínicos e físicos, sendo 11 soltos (equipados com GPS) no fragmento através da técnica de soltura gradual. Durante o período de aclimatação, foram fornecidos alimento e água, bem como um monitoramento sanitário e nutricional. Após esse período, os indivíduos foram soltos e monitorados, tendo sua movimentação e saúde avaliados. Um indivíduo morreu durante o período de monitoramento e apenas um animal voltou ao local de soltura para se alimentar. Os animais eventualmente foram encontrados fora da reserva, caminhando pelo campus da universidade. Os jabutis se dispersaram de maneira rápida e curta. Nem que nem o sexo nem o peso do animal influenciaram os parâmetros dos modelos de dispersão. O movimento dos animais soltos foi semelhante ao dos nativos, possuindo áreas de vida de tamanho semelhante. Além disso, nem o peso e nem o sexo influenciaram no tamanho das áreas de vidas. Podemos considerar que a translocação dos indivíduos foi bem-sucedida a curto prazo, visto que houve uma alta sobrevivência dos animais soltos, bem como o estabelecimento de suas áreas de vida dentro do perímetro do local de soltura.
              Flora, fenologia reprodutiva e redes de interações plantas-borboletas na Borda Oeste do Pantanal, MS
              Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
              Tipo Tese
              Data 30/06/2020
              Área ECOLOGIA
              Orientador(es)
                Coorientador(es)
                Orientando(s)
                  Banca
                  • André Rodrigo Rech
                  • Camila Silveira de Souza
                  • Erich Arnold Fischer
                  • Maria Rosangela Sigrist
                  Resumo A borda oeste do Pantanal engloba enclaves de relevo residual caracterizados por
                  diversas fitofisionomias, que contrastam com a vegetação aquática na planície
                  inundável pantaneira. Dentre essas formações, encontram-se as vegetações típicas de
                  mata decídua, que ocorrem nas encostas calcáreas e manchas de solo ferruginoso, e as
                  vegetações de cangas, que ocorrem sobre lajedos ferruginosos. Ambas as vegetações
                  estão sujeitas a condições ambientais extremas, definidas pela constituição edafo
                  topográfica, baixa precipitação e retenção hídrica do solo, resultando em uma
                  heterogeneidade de micro-habitas que determina a distribuição, abundância e interações
                  entre as espécies. Essas áreas estão também sujeitas à intensa ação antrópica, que
                  constitui em importante risco na manutenção de populações de espécies endêmicas ou
                  vulneráveis. Estudos ecológicos sobre a distribuição espacial e temporal das espécies,
                  bem como suas interações com polinizadores locais, são ferramentas importantes em
                  projetos de conservação. Seis áreas distribuídas entre fitofisionomias de canga, mata
                  decídua ferruginosa e mata decídua calcárea foram monitoradas durante o período de
                  janeiro de 2017 a dezembro de 2018, quanto aos seus aspectos florísticos, de
                  diversidade funcional, fenologia reprodutiva e de suas interações com lepidópteros
                  visitantes florais. As matas decíduas calcárea e ferruginosa foram semelhantes tanto na
                  prevalência dos atributos funcionais quanto no arranjo dos grupos funcionais. Os grupos
                  funcionais de canga refletem o arranjo espacial das espécies (espécies abundantes e
                  esparsas no lajedo, além de espécies relacionadas às ilhas de vegetação) e as estratégias
                  ecológicas frente ao estresse ambiental (herbáceas anuais, árvores e arbustos,
                  suculentas), mas as três áreas estudadas apresentaram baixa riqueza funcional. A
                  floração e a frutificação nesses ecossitemas foram anuais, não-sazonais e fracamente
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                  sincrônicas no nível de espécie, mas com forte sincronia entre indivíduos na
                  comunidade. Como era esperado, de acordo com outros estudos em ambientes sazonais,
                  as fenofases apresentaram correlação com fatores abióticos, como temperatura,
                  precipitação e comprimento do dia. As redes de interações com lepidópteros visitantes
                  florais apresentaram baixa conectância, mas especialização, aninhamento e
                  modularidade significativos. E como estudo de caso, cangas da região do Maciço do
                  Urucum possuem uma grande riqueza de espécies e alta diversidade beta, semelhantes a
                  de outros afloramentos ferruginosos do Brasil. As informações resultantes desse estudo
                  podem nortear e embasar futuras ações de manejo e conservação de espécies endêmicas
                  e dos ecossistemas sazonais da borda oeste do Pantanal.
                  FLORA, FENOLOGIA REPRODUTIVA E REDE DE INTERAÇÕES PLANTAS-LEPIDÓPTEROS NA BORDA OESTE DO PANTANAL SUL
                  Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                  Tipo Tese
                  Data 30/06/2020
                  Área ECOLOGIA
                  Orientador(es)
                    Coorientador(es)
                    Orientando(s)
                      Banca
                      • André Rodrigo Rech
                      • Camila Silveira de Souza
                      • Erich Arnold Fischer
                      • Maria Rosangela Sigrist
                      Resumo A borda oeste do Pantanal engloba enclaves de relevo residual caracterizados por
                      diversas fitofisionomias, que contrastam com a vegetação aquática na planície
                      inundável pantaneira. Dentre essas formações, encontram-se as vegetações típicas de
                      mata decídua, que ocorrem nas encostas calcáreas e manchas de solo ferruginoso, e as
                      vegetações de cangas, que ocorrem sobre lajedos ferruginosos. Ambas as vegetações
                      estão sujeitas a condições ambientais extremas, definidas pela constituição edafo
                      topográfica, baixa precipitação e retenção hídrica do solo, resultando em uma
                      heterogeneidade de micro-habitas que determina a distribuição, abundância e interações
                      entre as espécies. Essas áreas estão também sujeitas à intensa ação antrópica, que
                      constitui em importante risco na manutenção de populações de espécies endêmicas ou
                      vulneráveis. Estudos ecológicos sobre a distribuição espacial e temporal das espécies,
                      bem como suas interações com polinizadores locais, são ferramentas importantes em
                      projetos de conservação. Seis áreas distribuídas entre fitofisionomias de canga, mata
                      decídua ferruginosa e mata decídua calcárea foram monitoradas durante o período de
                      janeiro de 2017 a dezembro de 2018, quanto aos seus aspectos florísticos, de
                      diversidade funcional, fenologia reprodutiva e de suas interações com lepidópteros
                      visitantes florais. As matas decíduas calcárea e ferruginosa foram semelhantes tanto na
                      prevalência dos atributos funcionais quanto no arranjo dos grupos funcionais. Os grupos
                      funcionais de canga refletem o arranjo espacial das espécies (espécies abundantes e
                      esparsas no lajedo, além de espécies relacionadas às ilhas de vegetação) e as estratégias
                      ecológicas frente ao estresse ambiental (herbáceas anuais, árvores e arbustos,
                      suculentas), mas as três áreas estudadas apresentaram baixa riqueza funcional. A
                      floração e a frutificação nesses ecossitemas foram anuais, não-sazonais e fracamente
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                      sincrônicas no nível de espécie, mas com forte sincronia entre indivíduos na
                      comunidade. Como era esperado, de acordo com outros estudos em ambientes sazonais,
                      as fenofases apresentaram correlação com fatores abióticos, como temperatura,
                      precipitação e comprimento do dia. As redes de interações com lepidópteros visitantes
                      florais apresentaram baixa conectância, mas especialização, aninhamento e
                      modularidade significativos. E como estudo de caso, cangas da região do Maciço do
                      Urucum possuem uma grande riqueza de espécies e alta diversidade beta, semelhantes a
                      de outros afloramentos ferruginosos do Brasil. As informações resultantes desse estudo
                      podem nortear e embasar futuras ações de manejo e conservação de espécies endêmicas
                      e dos ecossistemas sazonais da borda oeste do Pantanal.
                      Flora, fenologia reprodutiva e rede de interações plantas-lepidópteros na borda oeste do Pantanal sul
                      Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                      Tipo Tese
                      Data 30/06/2020
                      Área ECOLOGIA
                      Orientador(es)
                        Coorientador(es)
                        Orientando(s)
                          Banca
                          • André Rodrigo Rech
                          • Camila Silveira de Souza
                          • Erich Arnold Fischer
                          • Maria Rosangela Sigrist
                          Resumo A borda oeste do Pantanal engloba enclaves de relevo residual caracterizados por diversas fitofisionomias, que contrastam com a vegetação aquática na planície inundável pantaneira. Dentre essas formações, encontram-se as vegetações típicas de mata decídua, que ocorrem nas encostas calcáreas e manchas de solo ferruginoso, e as vegetações de cangas, que ocorrem sobre lajedos ferruginosos. Ambas as vegetações estão sujeitas a condições ambientais extremas, definidas pela constituição edafo-topográfica, baixa precipitação e retenção hídrica do solo, resultando em uma heterogeneidade de microhabitats que determina a distribuição, abundância e interações entre as espécies. Essas áreas estão também sujeitas à intensa ação antrópica, que constitui em importante risco na manutenção de populações de espécies endêmicas ou vulneráveis. Estudos ecológicos sobre a distribuição espacial e temporal das espécies, bem como suas interações com polinizadores locais, são ferramentas importantes em projetos de conservação. Seis áreas distribuídas entre fitofisionomias de canga, mata decídua ferruginosa e mata decídua calcárea foram monitoradas durante o período de janeiro de 2017 a dezembro de 2018, quanto aos seus aspectos florísticos, de diversidade funcional, fenologia reprodutiva e de suas interações com lepidópteros visitantes florais. As matas decíduas calcárea e ferruginosa foram semelhantes tanto na prevalência dos atributos funcionais quanto no arranjo dos grupos funcionais. Os grupos funcionais de canga refletem o arranjo espacial das espécies (espécies abundantes e esparsas no lajedo, além de espécies relacionadas às ilhas de vegetação) e as estratégias ecológicas frente ao estresse ambiental (herbáceas anuais, árvores e arbustos, suculentas), mas as três áreas estudadas apresentaram baixa riqueza funcional. A floração e a frutificação nesses ecossitemas foram anuais, não-sazonais e fracamente sincrônicas no nível de espécie, mas com forte sincronia entre indivíduos na comunidade. Como era esperado, de acordo com outros estudos em ambientes sazonais, as fenofases apresentaram correlação com fatores abióticos, como temperatura, precipitação e comprimento do dia. As redes de interações com lepidópteros visitantes florais apresentaram baixa conectância, mas especialização, aninhamento e modularidade significativos. E como estudo de caso, cangas da região do Maciço do Urucum possuem uma grande riqueza de espécies e alta diversidade beta, semelhantes a de outros afloramentos ferruginosos do Brasil. As informações resultantes desse estudo podem nortear e embasar futuras ações de manejo e conservação de espécies endêmicas e dos ecossistemas sazonais da borda oeste do Pantanal.
                          FLORA, FENOLOGIA REPRODUTIVA E REDE DE INTERAÇÕES PLANTAS-LEPIDÓPTEROS NA BORDA OESTE DO PANTANAL SUL
                          Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                          Tipo Tese
                          Data 30/06/2020
                          Área ECOLOGIA
                          Orientador(es)
                          • Andrea Cardoso de Araujo
                          Coorientador(es)
                            Orientando(s)
                            • Michele Soares de Lima
                            Banca
                            • André Rodrigo Rech
                            • Camila Silveira de Souza
                            • Erich Arnold Fischer
                            • Maria Rosangela Sigrist
                            Resumo A borda oeste do Pantanal engloba enclaves de relevo residual caracterizados por diversas fitofisionomias, que contrastam com a vegetação aquática na planície inundável pantaneira. Dentre essas formações, encontram-se as vegetações típicas de mata decídua, que ocorrem nas encostas calcáreas e manchas de solo ferruginoso, e as vegetações de cangas, que ocorrem sobre lajedos ferruginosos. Ambas as vegetações estão sujeitas a condições ambientais extremas, definidas pela constituição edafo-topográfica, baixa precipitação e retenção hídrica do solo, resultando em uma heterogeneidade de microhabitats que determina a distribuição, abundância e interações entre as espécies. Essas áreas estão também sujeitas à intensa ação antrópica, que constitui em importante risco na manutenção de populações de espécies endêmicas ou vulneráveis. Estudos ecológicos sobre a distribuição espacial e temporal das espécies, bem como suas interações com polinizadores locais, são ferramentas importantes em projetos de conservação. Seis áreas distribuídas entre fitofisionomias de canga, mata decídua ferruginosa e mata decídua calcárea foram monitoradas durante o período de janeiro de 2017 a dezembro de 2018, quanto aos seus aspectos florísticos, de diversidade funcional, fenologia reprodutiva e de suas interações com lepidópteros visitantes florais. As matas decíduas calcárea e ferruginosa foram semelhantes tanto na prevalência dos atributos funcionais quanto no arranjo dos grupos funcionais. Os grupos funcionais de canga refletem o arranjo espacial das espécies (espécies abundantes e esparsas no lajedo, além de espécies relacionadas às ilhas de vegetação) e as estratégias ecológicas frente ao estresse ambiental (herbáceas anuais, árvores e arbustos, suculentas), mas as três áreas estudadas apresentaram baixa riqueza funcional. A floração e a frutificação nesses ecossitemas foram anuais, não-sazonais e fracamente sincrônicas no nível de espécie, mas com forte sincronia entre indivíduos na comunidade. Como era esperado, de acordo com outros estudos em ambientes sazonais, as fenofases apresentaram correlação com fatores abióticos, como temperatura, precipitação e comprimento do dia. As redes de interações com lepidópteros visitantes florais apresentaram baixa conectância, mas especialização, aninhamento e modularidade significativos. E como estudo de caso, cangas da região do Maciço do Urucum possuem uma grande riqueza de espécies e alta diversidade beta, semelhantes a de outros afloramentos ferruginosos do Brasil. As informações resultantes desse estudo podem nortear e embasar futuras ações de manejo e conservação de espécies endêmicas e dos ecossistemas sazonais da borda oeste do Pantanal.
                            Understanding the threshold of species loss by combining local knowledge with in-field data on mammal and bird species in the Cerrado Hotspot
                            Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                            Tipo Tese
                            Data 29/06/2020
                            Área ECOLOGIA DE ECOSSISTEMAS
                            Orientador(es)
                            • Fabio de Oliveira Roque
                            Coorientador(es)
                              Orientando(s)
                              • Isabel Melo Vasquez
                              Banca
                              • Danilo Bandini Ribeiro
                              • Fabio de Oliveira Roque
                              • Mauricio de Almeida Gomes
                              • Maurício Silveira
                              • Rudi Ricardo Laps
                              Resumo A mudança no uso da terra induzida pelos seres humanos é a ameaça mais importante que afeta a sobrevivência de várias espécies e reduz a provisão de serviços ecossistêmicos para as comunidades locais. Estudos recentes mostraram que, uma vez que a cobertura vegetal das paisagens atinge determinados níveis, o número de espécies diminui mais rapidamente, o que é chamado limiar de perda de espécies. É urgente realizar esses estudos em paisagens modificadas pelos seres humanos, a fim de fornecer informações relevantes para a tomada de decisões e conservação em terras públicas e privadas. Além disso, é altamente relevante incluir ecossistemas não florestais no escopo, como o Hotspot do Cerrado, uma vez que esses tipos de ecossistemas têm sido frequentemente negligenciados para conservação no Brasil. Este estudo aborda o limiar de perda de espécies em paisagens modificadas pelos seres humanos em duas perspectivas diferentes. Primeiro, faz uma revisão de estudos empíricos em todo o mundo que usam a abordagem do limiar de perda de espécies com aves e encontra 31 artigos publicados de 1994 a 2018, com 24 estudos realizados em latitudes temperadas e sete em regiões tropicais, observando a tendência crescente de os estudos e sua potencial aplicação a estratégias de conservação e restauração de paisagens para conservação de aves. Em seguida, realiza uma pesquisa empírica no planalto da Serra da Bodoquena com 18 mamíferos de médio e grande porte e seis espécies de aves, utilizando dados coletados com armadilhas fotográficas. Concentra-se nos 9 mamíferos e 2 aves que responderam negativamente à perda de vegetação nativa a 500 m de buffer, resultando em um limiar médio de 56% da cobertura vegetal nativa. Ao interpolar esse valor em mapas de conversão de uso antropogênico modelados para 2030 e 2050 para projetar como a probabilidade de ocupação mudará ao longo do tempo, a perda anual prevista foi 22,6 km2 acima do valor limite médio, indicando que quase metade da área atual com valores acima do limite estará abaixo deles em 2050. Além disso, este estudo explora um componente mais social investigando a percepção do habitante local sobre a riqueza e o declínio de mamíferos no nível da propriedade. Para entender as diferenças de percepção de acordo com a principal atividade econômica, realizei entrevistas com 37 habitantes locais dedicados à produção agrícola, pecuária e turismo em uma área do Cerrado no estado de Mato Grosso do Sul. Embora não encontre diferença significativa na riqueza total percebida de acordo com a atividade econômica, há uma diferença significativa na percepção de riqueza de espécies de áreas abertas e de florestas dentro de propriedades turísticas (t 0,0194, n = 6), o que sugere que essa categoria de os proprietários de terras, contando com atividades econômicas relacionadas à biodiversidade, têm um melhor conhecimento sobre sua biodiversidade e podem estar dispostos a proteger grandes áreas de florestas em suas propriedades.
                              FLORA, FENOLOGIA REPRODUTIVA E REDE DE INTERAÇÕES PLANTAS-LEPIDÓPTEROS NA BORDA OESTE DO PANTANAL SUL
                              Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                              Tipo Tese
                              Data 03/06/2020
                              Área ECOLOGIA
                              Orientador(es)
                                Coorientador(es)
                                Orientando(s)
                                  Banca
                                  • André Rodrigo Rech
                                  • Camila Silveira de Souza
                                  • Erich Arnold Fischer
                                  • Maria Rosangela Sigrist
                                  Resumo A borda oeste do Pantanal engloba enclaves de relevo residual caracterizados por diversas fitofisionomias, que contrastam com a vegetação aquática na planície inundável pantaneira. Dentre essas formações, encontram-se as vegetações típicas de mata decídua, que ocorrem nas encostas calcáreas e manchas de solo ferruginoso, e as vegetações de cangas, que ocorrem sobre lajedos ferruginosos. Ambas as vegetações estão sujeitas a condições ambientais extremas, definidas pela constituição edafo-topográfica, baixa precipitação e retenção hídrica do solo, resultando em uma heterogeneidade de microhabitats que determina a distribuição, abundância e interações entre as espécies. Essas áreas estão também sujeitas à intensa ação antrópica, que constitui em importante risco na manutenção de populações de espécies endêmicas ou vulneráveis. Estudos ecológicos sobre a distribuição espacial e temporal das espécies, bem como suas interações com polinizadores locais, são ferramentas importantes em projetos de conservação. Seis áreas distribuídas entre fitofisionomias de canga, mata decídua ferruginosa e mata decídua calcárea foram monitoradas durante o período de janeiro de 2017 a dezembro de 2018, quanto aos seus aspectos florísticos, de diversidade funcional, fenologia reprodutiva e de suas interações com lepidópteros visitantes florais. As matas decíduas calcárea e ferruginosa foram semelhantes tanto na prevalência dos atributos funcionais quanto no arranjo dos grupos funcionais. Os grupos funcionais de canga refletem o arranjo espacial das espécies (espécies abundantes e esparsas no lajedo, além de espécies relacionadas às ilhas de vegetação) e as estratégias ecológicas frente ao estresse ambiental (herbáceas anuais, árvores e arbustos, suculentas), mas as três áreas estudadas apresentaram baixa riqueza funcional. A floração e a frutificação nesses ecossitemas foram anuais, não-sazonais e fracamente sincrônicas no nível de espécie, mas com forte sincronia entre indivíduos na comunidade. Como era esperado, de acordo com outros estudos em ambientes sazonais, as fenofases apresentaram correlação com fatores abióticos, como temperatura, precipitação e comprimento do dia. As redes de interações com lepidópteros visitantes florais apresentaram baixa conectância, mas especialização, aninhamento e modularidade significativos. E como estudo de caso, cangas da região do Maciço do Urucum possuem uma grande riqueza de espécies e alta diversidade beta, semelhantes a de outros afloramentos ferruginosos do Brasil. As informações resultantes desse estudo podem nortear e embasar futuras ações de manejo e conservação de espécies endêmicas e dos ecossistemas sazonais da borda oeste do Pantanal.
                                  Aggregation, biogeography and landscape ecology of bat ectoparasites
                                  Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                                  Tipo Tese
                                  Data 12/03/2020
                                  Área ECOLOGIA
                                  Orientador(es)
                                  • Gustavo Graciolli
                                  Coorientador(es)
                                    Orientando(s)
                                    • Alan Fredy Eriksson
                                    Banca
                                    • Boris Krasnov
                                    • Ciro Libio Caldas dos Santos
                                    • Luiz Eduardo Roland Tavares
                                    • Romeo Alberto Saldana Vásquez
                                    Resumo Parasitismo é um dos estilos de vida mais bem-sucedido na natureza. Estimativas mostram que praticamente metade das espécies na Terra são parasitas. Essa diversidade reflete a importância dos parasitas para os ecossistemas. Parasitas controlam a população de hospedeiros, influencia no comportamento e no fenótipo dos animais, são importantes para as redes alimentares e o fluxo de energia. Apesar desta importância, a ecologia dos parasitas ainda é pouco estudada quando comparada com organismos de vida livre. Morcegos são extremamente importantes nos ambientes naturais devido a suas funções como polinizador, dispersor, predador e vetor de doenças. Sobre o corpo dos morcegos são encontrados uma diversa comunidade de artrópodes ectoparasitas. Esses organismos influenciam o comportamento dos morcegos, o acasalamento o uso de abrigos e podem ser responsáveis pela disseminação de patógenos. Nesta tese eu avaliei três aspectos da ecologia de ectoparasitas de morcegos: a distribuição espacial, biogeografia e os efeitos da mudança na paisagem sobre a prevalência. Primeiro, comparei os padrões de agregação de duas espécies de moscas ectoparasitas de Artibeus planirostris no Pantanal e Cerrado. Meus resultados mostraram que as populações de moscas ectoparasitas são mais agregadas no Pantanal que nos planaltos de entorno. Essa diferença no padrão de distribuição espacial reflete os diferentes tipos de abrigos disponíveis para os morcegos nas duas regiões. Segundo, analisando dados publicados de abundância de moscas e seus hospedeiros nos Neotrópicos, abordei os efeitos da distância geográfica, variáveis ambientais e composição de espécies de hospedeiros sobre a estrutura das comunidades de moscas ectoparasitas. Mostro que a composição de espécies hospedeiras e diferenças ambientais foram as variáveis mais importantes na estruturação das comunidades de moscas ectoparasitas de morcegos. Argumento que a especificidade e o tempo que o parasita passa fora do hospedeiro são características importantes na estruturação das comunidades de ectoparasitas. Por último, através de coletas sistemáticas em vinte sítios amostrais eu analisei os efeitos da mudança na paisagem sobre a prevalência de nove ectoparasitas em quatro espécies de morcegos. Eu encontrei que apenas a prevalência do carrapato Ornithodoros hasei sobre A. planirostris foi afetada pela quantidade de cobertura vegetal. Eu argumento que esse resultado advém da densidade de morcegos dentro dos abrigos. O fato de a perda de habitat influenciar apenas os carrapatos pode ser explicado pela sobrevida do parasita quando não está em contato com o hospedeiro. Meus resultados elucidam importantes aspectos da ecologia de ectoparasitas de morcegos na região Neotropical: o ambiente influencia na distribuição de ectoparasitas sobre os morcegos; a especificidade e o tempo que o parasita passa fora do hospedeiro influenciam a estrutura das comunidades de ectoparasitas; e os efeitos da mudança da paisagem na prevalência de ectoparasitas de morcegos são espécies específicas.
                                    Distribution and ecological traits of amphibians in the Pantanal-Paraguay Basin and the efficiency of protected areas under changing climate
                                    Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                                    Tipo Tese
                                    Data 10/02/2020
                                    Área ECOLOGIA
                                    Orientador(es)
                                    • Diego Jose Santana Silva
                                    Coorientador(es)
                                    • Mário Ribeiro de Moura
                                    Orientando(s)
                                    • Matheus de Oliveira Neves
                                    Banca
                                    • Débora Leite Silvano
                                    • Emanuel Teixeira da Silva
                                    • Priscila Lemes de Azevedo SIlva
                                    • Thaís Barreto Guedes da Costa
                                    Resumo O mundo está enfrentando uma grave crise global do meio ambiente com uma acelerada extinção em massa e medidas que busquem a conservação das espécies são necessárias cada vez mais. O estabelecimento de Áreas de Proteção (APs) é o principal meio de conservar a biodiversidade, porém a rede de APs existentes apresenta relativa ineficiência em abrigar padrões de riqueza e diversidade. Alterações no uso da terra e mudanças climáticas causam grandes efeitos na distribuição das espécies com uma acelerada taxa de extinção, principalmente para os anfíbios, que são considerados um dos grupos mais afetados. Para melhores resultados nas tomadas de decisão em conservação, é necessário levar em consideração as alterações causadas pelas mudanças climáticas e o uso da terra. Muitos trabalhos tem recorrido ao uso de modelos de distribuição de espécies (SDM – Species Distribution Models), porém a escassez de dados de ocorrência e erros de identificação tem prejudicado resultados mais robustos. Outras informações, como traços ecológicos, também podem auxiliar em estudos posteriores já que estes determinam a capacidade das espécies de persistirem no ambiente. Informações acerca de anfíbios são muitas vezes escassas em algumas regiões, como ocorre na Bacia do Alto Paraguai (BAP). A BAP cobre a maior parte do Pantanal e outras ecorregiões circundantes e localiza-se no centro da América do Sul entre Brasil, Bolívia e Paraguai. A região apresenta muitas lacunas amostrais e muitas espécies fora de APs em uma visão continental. Assim, o objetivo deste trabalho foi disponibilizar dados verificados e corrigidos de ocorrência de espécies de anfíbios, assim como avaliar a eficiência das APs existentes da região em abriga-las atualmente e sob mudanças climáticas e uso da terra usando estes dados verificados. Também, disponibilizamos traços ecológicos das espécies e indicamos áreas com alta riqueza e valores de conservação para estabelecimento de novas APs. No primeiro capítulo desta tese, compilamos mais de 17 mil registros de ocorrência de espécies e 30 características de traços ecológicos para 113 espécies de anfíbios que ocorrem na BAP. As informações compiladas são disponibilizadas através de dois conjuntos de dados diferentes. O primeiro contém os registros de ocorrência das espécies e informa a sua identificação, coleção científica, localidade, coordenadas geográficas, acurácia, data e coletores. O segundo conjunto de dados abrange atributos de traços ecológicos em nível de espécie para morfometria, dieta, atividade, habitat e estratégia reprodutiva. No segundo capítulo, através do uso de SDMs encontramos que os padrões de riqueza de anfíbios atualmente se estabelecem principalmente nas regiões sudeste da BAP e relacionado a áreas de altitude. Em cenários futuros grandes mudanças ocorrerão tanto em riqueza de espécies quanto em substituição (turnover) dentro de comunidades. As APs mostraram baixa eficiência em abrigar as espécies de anfíbios atualmente com um relevante decréscimo no futuro, porém abrigam áreas importantes para absorver os impactos das mudanças na distribuição das espécies causadas pelas mudanças climáticas e uso da terra. O procedimento de priorização de áreas através do Zonation indicou regiões com altos valores para conservação espalhadas pela BAP, principalmente nos planaltos de entorno. Algumas regiões são importantes para a conservação das espécies, tanto atualmente quanto no futuro, mas não possuem nenhuma proteção, tais como a Serrania de Santiago na Bolívia e a região de Chaco Úmido no Brasil. É de extrema importância a disponibilidade de dados para que estudos ecológicos posteriores sejam realizados, principalmente em áreas negligenciadas como a BAP. Além disso, avaliar a situação da rede de APs e indicar novas áreas com altos valores conservacionistas não são suficientes. Necessita-se também mitigar as emissões de gases poluentes e de exploração humana e também restaurar alguns ambientes já perdidos, principalmente aumentando a conectividade entre APs.
                                    Are scattered trees crow's nests in a crop ocean? A dispersal experiment using release platforms
                                    Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                                    Tipo Trabalho de Conclusão de Curso
                                    Data 31/01/2020
                                    Área ECOLOGIA APLICADA
                                    Orientador(es)
                                    • Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos
                                    Coorientador(es)
                                      Orientando(s)
                                      • Vitor Quadros Altomare Sanches
                                      Banca
                                      • Manoel Comes Muanis
                                      • Marcus Vinicius Vieira
                                      • Mauricio de Almeida Gomes
                                      • NILTON CARLOS ROSA JÚNIOR
                                      Resumo A fragmentação dos ecossistemas naturais e a perda de habitat para atividades humanas faz com que
                                      populações naturais restrinjam-se a ilhas de remanescentes de ecossistemas naturais em um oceano
                                      de variados tipos de matriz. A persistência nessas ilhas das espécies silvestres depende da
                                      capacidade dos indivíduos de movimentarem-se entre elas formando metapopulações ou
                                      populações. Para estudarmos movimentos dispersivos, devemos considerar a conectividade
                                      funcional entre fragmentos que é influenciada por fatores intrínsecos e extrínsecos. Movimentos
                                      dispersivos podem ser separados em três estágios: (1) emigração, (2) transição e (3) imigração. No
                                      estágio 2, que geralmente ocorre na matriz, os indivíduos são expostos a vários perigos. Árvores na
                                      matriz podem, além de muitas outras funções, facilitar a orientação, funcionando como cestos da
                                      gávea (ponto de observação em navios) em um oceano de monoculturas. Nosso objetivo foi
                                      identificar o impacto de árvores isoladas na performance de dispersão de indivíduos de Didelphis
                                      albiventris em diferentes tipos de matriz. A performance de dispersão varia proporcionalmente com
                                      a capacidade perceptual, habilidade de orientação e sucesso de dispersão e é inversamente
                                      proporcional à tortuosidade dos trajetos desenvolvidos. D. albiventris é o maior didelfídeo brasileiro,
                                      onívoro, generalista, escansorial e comum em áreas antropizadas, mas sua presença está relacionada
                                      a fragmentos de habitats naturais. Realizamos solturas de indivíduos em três tipos de matriz: campo
                                      colhido, milho e soja, nas distâncias de 30, 50 e 100m do fragmento mais próximo. Nas distâncias e
                                      matrizes fora da capacidade perceptual dos indivíduos, realizamos solturas sobre plataformas de
                                      aproximadamente 2m de altura para testar se a altura traria alguma melhora para a performance de
                                      dispersão dos indivíduos. O fragmento-alvo foi um remanescente de floresta de cerrado com árvores com altura média de 15m. As solturas foram realizadas através de um aparato que minimiza a
                                      influência da presença dos pesquisadores no comportamento de orientação dos indivíduos. Para
                                      rastreamento foram utilizados carretéis de linha presos aos indivíduos que, após pelo menos 12h da
                                      soltura, tiveram os trajetos medidos com o auxílio de bússola e trena. Para cada tipo de soltura,
                                      considerando tipo de matriz, distância e altura de soltura, foi realizado um teste de Rayleigh. A maior
                                      distância, em cada tipo de matriz, onde o teste apontou orientação significativa para o fragmento foi
                                      considerada como capacidade perceptual das espécies naquela matriz. Calculamos a tortuosidade, a
                                      habilidade de orientação e o sucesso de dispersão para cada distância, matriz e altura de soltura.
                                      Testamos os efeitos dos tipos de matriz, distância e da altura da soltura na performance de dispersão
                                      dos indivíduos através do modelo parametrizado por completo. Soltamos e rastreamos 14 indivíduos
                                      no campo colhido, todos no chão; 30 indivíduos no milho, 22 no chão e 8 em plataformas; 17 na soja,
                                      12 no chão e 5 em plataformas. O tipo de matriz influenciou significativamente a capacidade
                                      perceptual que foi de 100m no campo colhido, 50m no milho e menos que 30m na soja. As
                                      plataformas aumentaram a capacidade perceptual dos indivíduos somente no milho de 50 para
                                      100m. No campo colhido os indivíduos apresentam a melhor performance de dispersão. As
                                      plataformas aumentaram significativamente a performance de dispersão somente para indivíduos
                                      libertados no milho. Árvores isoladas podem exercer um efeito de cesto da gávea em plantações de
                                      milho, mas não em plantações de soja. Esse efeito deve estar relacionado às pistas visuais e olfativas
                                      às quais os indivíduos têm acesso ao se orientarem inicialmente em um lugar acima da altura das
                                      plantas da matriz. Na soja, o efeito de cesto da gávea provavelmente é perdido durante a
                                      movimentação devido à alta obstrução provocada pelas plantas durante o trajeto na matriz. A soja
                                      pode ser uma matriz problemática, uma vez que as espécies não ocorrem nela e aparentemente têm
                                      grandes dificuldades de realizar movimentos entre fragmentos quando ela forma a matriz. Árvores
                                      isoladas desenvolvem vários papéis importantes na manutenção da biodiversidade em ambientes
                                      alterados, nós concluímos que, para a fauna, além dos efeitos já conhecidos de abrigar, alimentar e
                                      hidratar, as árvores podem exercer o papel de cesto da gávea na orientação durante migrações entre
                                      fragmentos
                                      Population ecology of freshwater turtles in urban area of Southern Brazil
                                      Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                                      Tipo Tese
                                      Data 17/12/2019
                                      Área ECOLOGIA APLICADA
                                      Orientador(es)
                                      • Vanda Lucia Ferreira
                                      Coorientador(es)
                                        Orientando(s)
                                        • Sabine Borges da Rocha
                                        Banca
                                        • Camila Kurzmann Fagundes
                                        • Carlos Rouco Zufiaurre
                                        • Elizângela Silva de Brito
                                        • Franco Leandro de Souza
                                        • Luis Arias de Reyna Martínez
                                        Resumo O processo de urbanização representa uma ameaça significativa aos ecossistemas,
                                        especialmente para os aquáticos. Mudanças na vegetação ripária e na estrutura do corpo
                                        d'água, bem como a introdução de espécies exóticas e o contato de animais silvestres e
                                        seres humanos, são alguns dos impactos enfrentados nas áreas urbanas. Como
                                        conseqüência das mudanças no ambiente, as espécies selvagens podem ser afetadas.
                                        Dessa forma, os principais objetivos deste estudo são: i) avaliar os parâmetros
                                        populacionais de de três espécies de quelônios de água doce urbanas, uma nativa
                                        (Phrynops geoffroanus) e duas espécies exóticas (Trachemys dorbigni dorbigni,
                                        Trachemys scripta elegans); ii) analisar sua área de vida, seleção de habitat e distância
                                        máxima percorrida por cada espécie; iii) identificar quais características urbanas podem
                                        influenciar seu padrão de movimento. Coletamos quelônios entre Julho de 2016 e
                                        Agosto de 2018 em um parque urbano no estado do Paraná, Brasil, e usamos o método
                                        de captura-recaptura e radiotelemetria para monitorar populações durante esse período.
                                        Tanto as espécies nativas quanto as exóticas apresentaram parâmetros populacionais
                                        semelhantes, a área de vida variou de acordo com o método de coleta dos dados e
                                        estimador utilizado (MCP100 e KDE95), e elas selecionam habitats com características
                                        urbanas (principalmente com a presença humana). Nosso estudo é o primeiro no Brasil a
                                        analisar a ecologia populacional de espécies nativas e exóticas de quelônios de água
                                        doce que coexistem. O monitoramento a longo prazo das três espécies deve ser
                                        considerado pelas autoridades brasileiras para evitar a extinção local das espécies
                                        nativas e controlar as espécies exóticas. Além disso, as atividades de educação
                                        ambiental ajudarão a população a se preocupar com os danos que a introdução de novos
                                        indivíduos (liberando animais de estimação) pode causar aos ecossistemas, mesmo nas
                                        áreas urbanas.
                                        Multi-taxa responses to different environmental gradients: a taxonomic, functional and phylogenetic approach
                                        Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                                        Tipo Tese
                                        Data 13/12/2019
                                        Área ECOLOGIA APLICADA
                                        Orientador(es)
                                        • Fabio de Oliveira Roque
                                        Coorientador(es)
                                          Orientando(s)
                                          • Clarissa de Araujo Martins
                                          Banca
                                          • Damien Picard
                                          • Mauricio de Almeida Gomes
                                          • Natália Mossmann Koch
                                          • Tadeu de Siqueira Barros
                                          Resumo Comunidades biológicas são compostas por espécies que interagem ou potencialmente interagem entre si. Elas são o resultado de eventos relacionados à história e neutralidade, e também podem ser resultado de mecanismos evolutivos e ecológicos. Em relação aos mecanismos ecológicos, as espécies em uma determinada comunidade podem responder às interações ecológicas, como por exemplo, competição, mutualismo, facilitação. E também podem responder ao meio abiótico, por exemplo, gradientes ambientais de clima, solo, cobertura florestal. Nesse sentido, o principal objetivo da minha tese é entender como diferentes gradientes ambientais moldam as comunidades biológicas. Utilizando dois tipos de gradientes ambientais, (i) diversidade latitudinal e (ii) intensificação do uso da terra (particularmente, perda de vegetação nativa na Serra da Bodoquena, MS, Brasil). No primeiro capítulo, investiguei como os padrões filogenéticos nas comunidades de plantas, metazoários e microrganismos diferem entre as regiões tropical e temperada. Discutimos as hipóteses clássicas de padrões latitudinais de diversidade e conectamos com possíveis mecanismos que podem ter gerado esses padrões. No segundo capítulo, usamos métricas taxonômicas, funcionais e filogenéticas para entender como a perda de vegetação nativa afeta vários fatores biológicos. Especificamente, testamos se a resposta à perda de vegetação nativa de insetos aquáticos, odonatas, anuros e mamíferos terrestres é linear ou não. No terceiro capítulo, investigamos se o tamanho do corpo de odonatas, anuros e mamíferos terrestres influencia na resposta à perda de vegetação nativa. Aqui, discutimos mecanismos relacionados à capacidade de dispersão, taxas metabólicas e algumas características intrínsecas de cada um dos grupos taxonômicos.
                                          Land use scenarios for the Pantanal: Implications for conservation, management and ecosystem functioning
                                          Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                                          Tipo Tese
                                          Data 08/11/2019
                                          Área ECOLOGIA APLICADA
                                          Orientador(es)
                                          • Rafael Dettogni Guariento
                                          Coorientador(es)
                                            Orientando(s)
                                            • Angélica Guerra
                                            Banca
                                            • Aliny Patricia Flauzino Pires
                                            • Arnildo Pott
                                            • Mauricio de Almeida Gomes
                                            Resumo A construção de cenários é uma ferramenta fundamental para entendermos como a natureza responderá a diferentes caminhos do desenvolvimento humano e de políticas públicas. Além disso, entender como será o futuro de ecossistemas importantes como o Pantanal, uma das maiores áreas úmidas do mundo e considerada hotspot de serviços ecossistêmicos, pode contribuir para formulação de políticas públicas que diminuam ou amenizem os impactos da atividade humana. Por isso, nesta tese usamos cenários para avaliar como diferentes leis ambientais podem impactar a perda de vegetação. No Capítulo 1, usamos um modelo espacialmente explícito para identificar fatores de perda de vegetação no planalto e na planície da Bacia do Alto Paraguai (UPRB) e projetar a perda de vegetação até 2050, de acordo com a tendência de uso da terra (2008 a 2016) e considerando as taxas de Reserva Legal previstas na Lei de Proteção à Vegetação Nativa (NVPL), popularmente conhecida como “Novo Código Florestal”. Identificamos que os fatores de perda de vegetação são diferentes entre o planalto e a planície e que mais de 14.000 km² de vegetação nativa espera-se que a UPRB se perca em 2050. Além disso, identificamos um Arco de perda de vegetação no Pantanal. A identificação do arco é de extrema importância para que políticas públicas emergenciais sejam implementadas nesta área, por apresentar rápida conversão. No capítulo 2 usamos o mesmo modelo usado no capítulo 1 para projetar a perda de vegetação na BAP sob diferentes taxas de reserva legal previstas em leis ambientais ou projetos de lei. (i) BAU: Business as usual, que considera as leis existentes: a Lei de Proteção à Vegetação Nativa (NVPL) e o Decreto Estadual de Mato Grosso do Sul (14.273 de 2015); (ii) LRE: extinção da Reserva Legal (LR) devido ao projeto de lei recentemente proposto; (iii) LR50: considera a proposta de 50% da LR para o Pantanal; e (iv) LR80: sugerimos uma proposta de 80% da LR para as planícies do Pantanal e 35% para o planalto do Pantanal. Além disso, avaliamos como cada cenário de perda de vegetação afetaria a erosão do solo, exportação de sedimentos e custos de reposição de nutrientes do solo. O cenário LRE geraria perda de mais de 30.000 km² de vegetação nativa no Pantanal. Os cenários LR80 e LR50 podem impedir a perda de 3% e 2% de vegetação nativa, respectivamente, em comparação com o cenário da BAU. A redução das taxas de RL aumentará a erosão do solo e a produção de sedimentos no Pantanal em até 7% e 10%, respectivamente, onde mais de 90% dos sedimentos transportados para a planície pantaneira vieram do planalto. O cenário LR80 projeta uma redução nos custos de reposição de nutrientes do solo em 10% em comparação com o BAU, enquanto o cenário LR50 diminui em 1,5%. O cenário LRE prevê um aumento de 8% dos custos de reposição de nutrientes do solo quando comparado ao BAU. Nossos resultados mostram a importância da reserva legal no Pantanal para evitar perdas de serviços ecossistêmicos como a qualidade do solo, e também a importância para a agricultura
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                                            From large to small-scale: drivers of Geoffroy´s cat diet across South America and ecological features in a human-modified landscape on southern Brazil
                                            Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                                            Tipo Tese
                                            Data 31/07/2019
                                            Área ECOLOGIA APLICADA
                                            Orientador(es)
                                            • Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos
                                            Coorientador(es)
                                            • Jorge Fernando Saraiva de Menezes
                                            Orientando(s)
                                            • Marcos Adriano Tortato
                                            Banca
                                            • Grasiela Edith de Oliveira Porfirio Petry
                                            • Jayme Augusto Prevedello
                                            • Ronaldo Gonçalves Morato
                                            • Tatiane Campos Trigo
                                            Resumo Os mamíferos carnívoros desempenham um papel crucial na natureza, exercendo controle ‘top-down’ nas comunidades. Sua influência ecológica é principalmente impulsionada pelas características espaciais e interações intra e interespecíficas. Compreender a relação predador-presa e como carnívoros lidam com as mudanças na paisagem são questões centrais nos estudos desta guilda. Por apresentar ampla distribuição geográfica e por habitar diferentes ambientes, o gato-do-mato Leopardus geoffroyi se tornou um excelente modelo para estudar essas relações. Neste estudo foram abordados dois aspectos da ecologia do gato-do-mato. O primeiro em larga escala, onde investigamos como a composição da dieta muda no gradiente de latitude, altitude e distúrbios humanos. O segundo em pequena escala, com o objetivo de estimar o tamanho da área de vida, seleção de habitat e o padrão de atividade deste pequeno carnívoro em uma paisagem intensamente modificada pelo homem. Nós revisamos 20 estudos de dieta do gato-do-mato em toda a América do Sul e medimos os efeitos dos impulsionadores de mudanças na composição da dieta, especialização e tamanho médio do mamífero presa. Além disso, rastreamos 14 gatos-do-mato utilizando colares GPS para determinar como os felinos usam o espaço em uma área no Bioma Pampa no sul do Brasil. Utilizamos Modelagem de Equações Estruturais para testar as hipóteses de relações de mudanças na dieta em larga escala. E estimamos os tamanhos das áreas de vida por meio das técnicas de mínimo polígono convexo e Kernel, além de determinar a seleção de habitat e o padrão de atividade por meio da análise de seleção de passos. Cavia, Ctenomys e Lepus são as principais presas do gato-do-mato em toda a América do Sul. A latitude, distúrbios humanos e especialmente a altitude tiveram efeitos diretos e indiretos na composição da dieta, especialização e seleção do tamanho de presas. No sul do Brasil, o tamanho das áreas de vida é tão grande quanto as outras regiões da América do Sul. Áreas de vida de machos são maiores do que as áreas de fêmeas e a área de vida aumenta com o aumento do peso de machos. O gato-do-mato seleciona floresta durante todo o dia. Arrozais, áreas úmidas e entorno de casas de fazendas foram selecionados no período noturno e evitados na fase clara do dia. Pastagens foram sempre evitadas. Todos os impulsionadores de mudanças da dieta levaram à substituição de espécies de presas ao longo dos gradientes biogeográficos e antropogênico. Limitações físicas e biológicas da paisagem podem explicar essas mudanças. A especialização da dieta foi correlacionada com o consumo de presas grandes, principalmente Lepus. Nossos dados reforçam as predições de que este pequeno felino é tolerante quando submetido a habitats antropizados. O uso intenso de áreas manejadas apoia esta afirmação. A floresta ripária e áreas úmidas são essenciais para o gato-do-mato nas paisagens modificadas pelo homem no extremo sul do Brasil.
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                                            Padrões e processos ecológicos e evolutivos de Deuterocohnia meziana (Bromeliaceae)
                                            Curso Doutorado em Ecologia e Conservação
                                            Tipo Tese
                                            Data 28/06/2019
                                            Área ECOLOGIA APLICADA
                                            Orientador(es)
                                            • Aline Pedroso Lorenz
                                            Coorientador(es)
                                            • Gecele Matos Paggi
                                            Orientando(s)
                                            • Luciana Vicente da Silva
                                            Banca
                                            • Clarisse Palma da Silva
                                            • Fábio Pinheiro
                                            • Márcia Goetze
                                            • Thadeu Sobral de Souza
                                            Resumo Deuterocohnia meziana Kuntze ex Mez é uma espécie de bromélia saxícola que habita
                                            afloramentos áridos. Estes afloramentos estão distribuídos de forma fragmentada no Brasil, na
                                            Bolívia e no Paraguai. Espécies como D. meziana que apresentam distribuição restrita são
                                            consideradas bons modelos para avaliar o efeito do isolamento ecológico na evolução,
                                            diversidade e estrutura genética populacional. Sendo assim, o objetivo da tese foi investigar a
                                            história evolutiva de Deuterocohnia meziana avaliando aspectos demográficos, genéticos e
                                            morfológicos. Nós usamos a modelagem de nicho ecológico para avaliar a distribuição
                                            potencial atual de D. meziana e para testar a hipótese de refúgio glacial, além de avaliar os
                                            efeitos das mudanças climáticas futuras na distribuição de D. meziana. Nós projetamos o
                                            modelo para o UMG (Último Máximo Glacial ~21 m.a.a.), para o Médio Holoceno (~6
                                            m.a.a.) e também para 2050 (RCP8.5) e 2070 (RCP8.5). A projeção do modelo para o UMG
                                            mostrou que o clima seco e frio foi desfavorável para D. meziana, apresentando menor
                                            distribuição potencial e menor adequabilidade ambiental. Dessa forma, D. meziana pode ter
                                            permanecido em refúgios glaciais em pequenas regiões com melhores condições para sua
                                            sobrevivência. Já durante o Médio-Holoceno, a distribuição potencial de D. meziana
                                            aumentou, provavelmente devido à elevação da temperatura e da precipitação. Nas projeções
                                            de 2050 e 2070, o clima (seco e quente) deve reduzir as áreas de alta adequabilidade climática
                                            (0,8-1,0), porém deve aumentar a disponibilidade de habitat adequado total (<0,8) expandindo
                                            a distribuição de D. meziana. Nós também utilizamos dados de microssatélites nucleares e de
                                            cloroplasto para avaliar os efeitos da distribuição fragmentada na diversidade e estruturação
                                            genética de seis populações de D. meziana. Para investigar os possíveis mecanismos
                                            envolvidos na manutenção da diversidade genética de D. meziana, nós avaliamos a proporção
                                            de rametes e genetes, o número de migrantes entre as populações e a contribuição relativa do
                                            pólen e da semente para o fluxo gênico. Além disso, nós combinamos os dados genéticos com
                                            a modelagem de nicho ecológico para descrever o efeito das oscilações climáticas do passado
                                            nas rotas de dispersão. De acordo com nossos resultados D. meziana apresentou alta
                                            diversidade e moderada estruturação genética entre suas populações. O número de rametes foi
                                            alto em relação aos genetes e a dispersão via pólen foi aproximadamente quatro vezes mais
                                            eficiente do que pela semente. O número de migrantes entre as populações foi baixo e os
                                            maiores valores de estruturação foram encontrados nas comparações entre as populações do
                                            Maciço do Urucum e da Serra da Bodoquena. O baixo número de migrantes e a grande
                                            abundância local indicam que a reprodução clonal somada a poucos eventos de dispersão podem ser suficientes para manter alta diversidade genética de D. meziana, garantindo a
                                            estabilidade local dessas populações. Os mapas das rotas de dispersão entre o Maciço do
                                            Urucum e a Serra da Bodoquena, mostraram a uma barreira entre estas regiões. Esta barreira
                                            pode ser causada pela distância entre as morrarias e/ou pela baixa adequabilidade ambiental
                                            da região que está sujeita aos ciclos de inundação do Pantanal. Por fim, nós descrevemos o
                                            polimorfismo na cor das flores de D. meziana e avaliamos o efeito da cor da flor no número
                                            de visitas e na preferência dos polinizadores. O polimorfismo na cor das flores de D. meziana
                                            ocorre devido à variação na cor das sépalas e dos ramos florais que varia conforme um
                                            gradiente que vai de amarelo claro até vermelho escuro. A variação gradativa da cor e o fato
                                            da maior parte dos indivíduos da população apresentarem inflorescências laranja podem
                                            indicar uma herança quantitativa poligênica das cores das flores. O número de visitas dos
                                            polinizadores foi maior nas inflorescências amarelas quando comparadas com as vermelhas.
                                            Esse resultado pode estar relacionado à faixa do espectro visível dos polinizadores, que reduz
                                            a detectabilidade relativa das inflorescências vermelhas em relação às amarelas. Sendo assim,
                                            o contexto ecológico e a história natural de D. meziana subesp. meziana podem ser
                                            responsáveis pela manutenção do polimorfismo da cor das flores.
                                            Página 3 de 7 (20 de 140 registros).