| Efeitos da urbanização na variabilidade intra- e interespecífica de atributos fenotípicos em metacomunidades de anfíbios |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
28/05/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Leandro Batista da Cunha Menezes
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| Banca |
- Camila Chiamenti Both
- Fernando Rodrigues da Silva
- Marcus Vinicius Cianciaruso
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| Resumo |
A conversão de paisagens naturais em novos ecossistemas urbanos altera diversos processos ecológicos e evolutivos, e consequentemente, a montagem de comunidades. Isso provoca não só uma mudança na identidade de espécies nas comunidades, mas também uma modificação na distribuição dos fenótipos e distância filogenética entre as espécies co-ocorrentes. No entanto, pouco se sabe sobre como a idade e tamanho da cidade impactam o fenótipo de espécies com limitação de dispersão. Nesta dissertação, testei se gradientes de urbanização restringem a variação de atributos fenotípicos em anfíbios, e o papel da evolução de atributos na montagem de comunidades. Para isso, estimamos variáveis ambientais locais e de paisagem em 20 poças em Campo Grande (MS) e outras 20 em São José dos Campos (SP). Medimos atributos fenotípicos relacionados ao nicho de impacto, como: comprimento e largura da cabeça (mm); e nicho de requerimento: comprimento rostro-cloacal, comprimento da coxa, tíbia e pé (mm) para cada espécie em cada poça. Particionamos a variação fenotípica em níveis hierárquicos e testamos o efeito das variáveis ambientais locais e de paisagem nos atributos fenotípicos. Por fim, testamos como o componente fenotípico herdado e adaptativo da variação fenotípica é influenciado pelo gradiente urbano. Houve uma homogeneização dos atributos nas populações de anuros na escala de comunidade em ambas as cidades. O efeito das variáveis ambientais locais e de paisagem e fontes de variação fenotípica diferiram entre cidades. A dissimilaridade funcional pura foi maior dentro das cidades, mas a sua magnitude mudou entre elas. Somente São José dos Campos demonstrou evidências de convergência evolutiva, como no tamanho do corpo. Nossos resultados sugerem que não só a idade, mas também o ritmo de urbanização, pode mudar a magnitude do efeito e a resposta dos anuros até mesmo entre cidades tropicais. |
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| Taquari River Basin: a basin of contrasts, environmental challenges, and ecosystem opportunities |
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| Curso |
Doutorado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Tese |
| Data |
22/04/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
- Ivan Bergier Tavares de Lima
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Catia Nunes Da Cunha
- Geraldo Alves Damasceno Junior
- Mauricio de Almeida Gomes
- Michael Matthew McGlue
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| Resumo |
As bacias hidrográficas são áreas geograficamente definidas onde a água escoa para um rio principal. Esses sistemas de drenagem refletem o ambiente, espelhando a interação de fatores físicos como relevo, solo, geologia e hidrografia, juntamente com elementos biológicos como a vegetação e a fauna. Consequentemente, perturbações nesses sistemas geram impactos locais, que podem se agravar em consequências a jusante. Compreender como esses impactos evoluem no tempo e no espaço e como podem ser mitigados por meio de serviços ecossistêmicos compensatórios (offsets) é o foco central deste estudo, que oferece uma análise abrangente da Bacia Hidrográfica do Rio Taquari, no centro-oeste do Brasil.
A Bacia do Rio Taquari é uma das mais degradadas do Brasil. Sofre com processos erosivos em larga escala em sua região superior (UTRB - Upper Taquari River Basin) e com sedimentação excessiva em seus trechos inferiores, dentro do Pantanal. Esse acúmulo de sedimentos levou a mudanças no curso do rio (avulsão) e a inundações generalizadas desde o final do século XX. O estudo foi dividido em duas seções: a UTRB e o Pantanal, para avaliar essas mudanças ambientais.
Um amplo conjunto de dados, incluindo sensoriamento remoto, análise espacial e modelagem estatística, foi utilizado para investigar a dinâmica dos sedimentos e seus impactos em toda a bacia. Um método de álgebra booleana baseado em SIG revelou que 65% da UTRB apresenta risco alto ou muito alto de perda de solo, enfatizando a necessidade urgente de estabilizar as voçorocas na região. Uma análise complementar, utilizando sensoriamento remoto orbital (dados ópticos e de radar), identificou quase 3.000 voçorocas, das quais 60% ainda estão ativas e apenas 2% estabilizadas, destacando a necessidade de esforços imediatos de restauração.
Além disso, os dados do MapBiomas e do Cadastro Ambiental Rural (CAR) subestimam as áreas de solo exposto, sugerindo a necessidade de classificações de uso da terra mais precisas. Uma análise temporal dos pixels de solo exposto de 1985 a 2024 revelou que a exposição do solo atingiu seu pico em 2021 (3,4% da UTRB) e diminuiu para 0,6% em 2024. Até 2024, algumas áreas indicam uma tendência negativa nos pixels de solo exposto, como resultado de um processo natural de regeneração da vegetação. No entanto, fatores como os preços das commodities, a variabilidade climática e as políticas ambientais podem influenciar essa trajetória de recuperação.
No Pantanal, um modelo de avulsão fluvial prevê a formação de um novo canal do rio até 2080, reduzindo a área inundada e convertendo-a em terra firme. Essa transição melhora a fertilidade do solo por meio do acúmulo de matéria orgânica, mas exige monitoramento rigoroso para evitar efeitos negativos, como o desmatamento e os incêndios florestais.
Os resultados apresentados aqui fornecem uma avaliação abrangente da bacia, oferecendo subsídios para proprietários rurais que enfrentam erosão ou inundações, bem como equipando as autoridades públicas com dados críticos para o planejamento territorial. O estudo contribui para estratégias de controle da erosão na parte superior da bacia e para a preservação dos serviços ecossistêmicos emergentes no Pantanal, especialmente no que diz respeito à conservação da biodiversidade e à retenção de carbono. |
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| Long-term population dynamics of jaguars (Panthera onca) and the importance of refuge during extreme fire events |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
11/04/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
- Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
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| Resumo |
Compreender o impacto de eventos ambientais extremos sobre predadores de topo é fundamental para o planejamento da conservação em um clima em mudança. Este estudo examina a dinâmica populacional de longo prazo das onças-pintadas (Panthera onca) no norte do Pantanal, Brasil, com foco no papel ecológico das florestas ripárias. Ao longo de 11 anos, realizamos levantamentos sistemáticos de marcação-recaptura, registrando 4.161 avistamentos de onças-pintadas e analisando parâmetros populacionais, incluindo sobrevivência, recrutamento e crescimento populacional em todos os grupos demográficos (sexo e idade). Nossos resultados revelam que as florestas ripárias mitigam o impacto demográfico dos incêndios florestais ao oferecerem habitat de refúgio para indivíduos deslocados e ao apoiar populações locais durante distúrbios. Embora as taxas de sobrevivência tenham diminuído durante e após os incêndios, o recrutamento aumentou à medida que os indivíduos buscaram refúgio. Notavelmente, o recrutamento de filhotes aumentou após os incêndios, destacando a importância da qualidade do habitat para o sucesso reprodutivo. Essas dinâmicas ressaltam o papel duplo dos refúgios em amortecer impactos imediatos e facilitar a recuperação populacional a longo prazo. Esta pesquisa destaca a necessidade de preservar os sistemas ripários como refúgios ecológicos e de implementar políticas de conservação para mitigar os impactos de distúrbios induzidos pelas mudanças climáticas. |
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| Inferindo relações sociais de onças-pintadas (Panthera onca) durante o consumo de carcaças no Pantanal-MS |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
31/03/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
- Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos
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| Coorientador(es) |
- Aline da Silva Giroux
- Fernando Rodrigo Tortato
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Andre dos Santos Souza
- Grasiela Edith de Oliveira Porfirio Petry
- Henrique Villas Bôas Concone
- Ronaldo Gonçalves Morato
- Suellen da Silva Santos
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| Resumo |
A onça-pintada (Panthera onca) é tradicionalmente considerada um carnívoro solitário, apresenta interações sociais complexas, especialmente no contexto do compartilhamento de alimentos. Investigamos como a massa média da presa, o sexo dos indivíduos e o grau de parentesco entre eles influenciam as formas de consumo das carcaças (solo, síncrono e assíncrono). Entre 2012 e 2022, foram monitoradas 1097 carcaças na Caiman Pantanal, Miranda, Mato Grosso do Sul, Brasil, e foram identificadas 152 onças-pintadas por meio de armadilhas fotográficas e observações diretas. Embora o consumo solo tenha sido o mais frequente (49,4%), observamos que, a cada acréscimo de 100kg na massa média da presa, o número de indivíduos envolvidos no consumo aumentou em 11% e a probabilidade de consumo síncrono, em comparação ao assíncrono, aumentou 24%. Fêmeas formaram a maior parte das díades de consumo síncrono (90,8%), sendo o único grupo com influência estatisticamente significativa. Além disso, o aumento no grau de parentesco entre as onças-pintadas esteve associado a uma maior probabilidade de consumo síncrono. Esses resultados sugerem que a disponibilidade de alimento e a presença de fêmeas aparentadas favorecem a formação de agrupamentos rudimentares durante o consumo da carcaça, o que contribui no comportamento social e desenvolvimento de um sistema social matrilinear. |
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| Relationships between Sacred Natural Sites, Ecological Corridors, andPriority Resilience Climate Change Areas in the Upper Paraguay RiverBasin |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
31/03/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- KÁREN ARINE ALMEIDA DE SOUZA
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| Banca |
- Henrique Fernandes de Magalhaes
- Maria Helena da Silva Andrade
- Silvio Mancini
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| Resumo |
Esta dissertação destaca o papel crítico dos Sítios Naturais Sagrados (SNS), definidos por Wild & McLeod (2008) como "áreas de terra ou água com significado espiritual especial para pessoas e comunidades", como ferramentas complementares para a conservação da biodiversidade.Com a meta global de proteger 30% das áreas terrestres e aquáticas até 2030, estabelecida pelo Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, os SNS são propostos como medidas eficazes a serem incluídas no Target 3, como Outras Medidas de Conservação Baseadas em Áreas (OECMs). No entanto, para que isso seja alcançado, é necessário reavaliar, em nível nacional, o conceito de biodiversidade utilizado nos processos de tomada de decisão para a criação de áreas protegidas, que deve incorporar perspectivas culturais e espirituais, bem como o conhecimento tradicional de povos indígenas e comunidades locais, cujas práticas estão profundamente ligadas à conservação desses sítios sagrados.
O estudo também investiga as relações espaciais dos SNS no Pantanal e no planalto da Bacia do Alto Paraguai (BAP), com foco em parâmetros-chave para a conservação da biodiversidade, como Corredores Ecológicos, que é o resultado da pesquisa realizada
por Da Rosa Oliveira (2024) e Áreas Prioriárias Resilientes às Mudanças Climáticas, que foramdelimitadas pela pesquisa da The Nature Conservancy (2024).
Os resultados revelam que os SNS estão significativamente associados aos Corredores Ecológicos, destacando sua importância na manutenção da conectividade ecológica e no suporte ao movimento das espécies. No entanto, a sobreposição entre os SNS e as Áreas Prioritárias de Resiliência Climática não foi estatisticamente significativa, possivelmente devido a critérios de seleção distintos e às características únicas dos ecossistemas de áreas úmidas. Apesar disso, os achados reforçam o papel essencial dos SNS na preservação da biodiversidade e do patrimônio cultural, especialmente em regiões de alta diversidade biológica e cultural, como o Pantanal. Ao integrar os SNS nas estratégias de conservação, essas áreas são uma abordagem complementar para alcançar as metas globais de biodiversidade e garantir a resiliência de ecossistemas e comunidades tradicionais. |
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| Ranchers’ Inten ons to Adopt Biodiversity Conserva on Schemes in the Pantanal: Exploring the Role of Social Ecological and Behavioral Approaches |
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| Curso |
Doutorado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Tese |
| Data |
31/03/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
- RAFAEL MORAIS CHIARAVALLOTI
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Rogerio Rodrigues Faria
- Rudi Ricardo Laps
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| Resumo |
O Pantanal, a maior planície alagada tropical do mundo, possui um valor ecológico, econômico e cultural significativo. Embora pesquisas extensas tenham se concentrado em sua biodiversidade e hidrologia, a interação entre conservação e atividades humanas, particularmente a pecuária, ainda é pouco explorada. A pecuária tradicional de baixa intensidade historicamente coexistiu com a biodiversidade do Pantanal, mas mudanças recentes para práticas intensificadas ameaçam esse equilíbrio. Programas de certificação sustentável visam mitigar esses impactos, mas a adoção ainda é baixa. Este estudo examina os fatores psicológicos, sociais e econômicos que influenciam o comportamento de conservação dos pecuaristas, utilizando a Teoria do Comportamento Planejado e o modelo de Difusão de Inovações. Além disso, explora como as dinâmicas de uso da terra, incluindo a extensão das áreas agrícolas, moldam a tomada de decisões ambientais. Compreender esses fatores é crucial para desenhar políticas eficazes que integrem a produtividade agrícola com a conservação da biodiversidade. Ao identificar os principais motores e lacunas nos esforços de conservação, esta pesquisa fornece insights para aprimorar iniciativas de pecuária sustentável no Pantanal e em paisagens agrícolas semelhantes, ricas em biodiversidade, globalmente. |
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| Dinâmicas eco-evolutivas e evolução de atributos fenotípicos em populações de anuros ao longo de um gradiente de urbanização |
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| Curso |
Doutorado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Tese |
| Data |
17/03/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Ana Paula Aprígio Assis
- Monique Nouailhetas Simon
- Tiana Kohlsdorf
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| Resumo |
O processo de urbanização aumenta a fragmentação de habitats, produz ilhas de calor, poluição sonora, luminosa e química, e introduz novos patógenos. Essas modificações no ambiente provocam alterações em atributos fenotípicos, que por sua vez alteram as dinâmicas eco-evolutivas, impactando negativamente o fitness de organismos. No entanto, estudos sobre como a urbanização impacta a biodiversidade em países tropicais permanecem incipientes. Além disso, pouco se sabe como animais com baixa capacidade de dispersão, como os anfíbios respondem à urbanização nos trópicos. Os anfíbios ocupam ambientes aquáticos e terrestres, são ectotérmicos, possuem respiração cutânea e utilizam a vocalização para comunicação e encontro de parceiras. Portanto, são altamente propensos a responder às alterações ambientais associadas à urbanização. Para entender o impacto da urbanização em atributos morfológicos, acústicos, fisiológicos e comportamentais de anuros, essa tese foi dividida em três capítulos. No primeiro capítulo, testamos como efeitos diretos e indiretos da taxa de urbanização, heterogeneidade ambiental local, temperatura da superfície terrestre e gradiente espacial afetam a média e a variância de atributos morfológicos relacionados à aquisição de recursos, uso do ambiente, e capacidade de dispersão. Encontramos que o tamanho médio do corpo aumentou em poças mais urbanizadas, enquanto a variabilidade do tamanho do corpo e da forma da cabeça diminuiu. A variabilidade do comprimento da perna diminuiu com o aumento da temperatura da superfície. Entretanto, não há um padrão espacial claro de variação dos atributos ao longo do gradiente de urbanização, o que sugere uma seleção natural mais relaxada que pode ser explicada por um processo de urbanização recente. No segundo capítulo, estávamos interessados em testar como parâmetros acústicos do canto de anúncio variam ao longo de um gradiente de urbanização e se esses atributos estavam sob diferentes regimes de seleção natural. A média da frequência dominante (FD) não mudou entre as áreas, porém a variabilidade foi menor em áreas urbanas. Ainda, as populações rurais e urbanas parecem estar sob um fraco regime de seleção direcional em que indivíduos que vocalizam em altas frequência tiveram menor fitness. Nossos resultados apontam para um fraco regime de seleção estabilizadora em áreas urbanas, apesar da menor variabilidade da FD. Ainda, um menor fitness em vocalizações com altas frequências sugere que a urbanização pode impactar diretamente a seleção sexual nesses organismos. No terceiro capítulo, investigamos como o comportamento e atributos morfofisiológicos mudam em ambientes rurais e urbanos. Encontramos que animais de área urbana exibem comportamento de fuga menos intenso, indicando uma possível habituação à presença humana. Valores elevados do índice hepatosomático e glicose sugerem estresse crônico e exposição a xenobióticos. A coloração mais escura e as camadas mais espessas da pele em áreas urbanas conferem uma maior resposta desidratação e proteção contra patógenos. Ainda, animais mais velhos nas áreas urbanas tiveram uma diminuição das células brancas e vermelhas, o que pode estar associado a estresse oxidativo e possível imunossenescência precoce. Em conjunto, nossos resultados contribuem para elucidar os efeitos da urbanização sobre diferentes eixos do fenótipo em cidades tropicais, e como eles possivelmente alteram dinâmicas eco-evolutivas em populações naturais. |
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| Eficácia do padrão de coloração Preto-Laranja-Preto como estratégia aposemática em formigas-feiticeiras (Hymenoptera: Mutillidae) |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
28/02/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Gisela Barbosa Sobral De Oliveira
- Rhainer Guillermo Nascimento Ferreira
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| Resumo |
Algumas espécies de Mutillidae exibem um padrão de coloração característico comum em micro-himenópteros, denominado Preto-Laranja-Preto (BOB, do inglês “Black-Orange-Black”). O padrão BOB observado nos mutilídeos está correlacionado com o tamanho do corpo, sendo mais comum em espécies de menor tamanho. É especulado que os indivíduos menores possuam um tegumento menos resistente, tornando-os mais vulneráveis a ataques predatórios. Portanto, essas espécies poderiam se beneficiar significativamente de um sinal que reduzisse as chances de serem alvos de predadores. O objetivo do estudo foi avaliar a eficácia da coloração BOB como estratégia antipredatória via aposematismo em fêmeas de Mutillidae. Foram realizados testes de alimentação com 31 aranhas sendo: papa-moscas Plexippus paykulli (10), aranhas-lobo (10) e Nothroctenus sp. (11). Cada aranha foi submetida a dois testes com a vespa com padrão BOB, onde foram registrados os dados: I – se houve investida (sim/não), II – tempo para a primeira investida na presa (s), III – número de investidas (n), e IV – se houve sucesso na predação (sim/não). Após cada um dos testes era oferecido um inseto típico da alimentação das aranhas para verificar se havia predação. Nenhuma aranha conseguiu consumir a vespa oferecida, possivelmente por não conseguirem perfurar o exoesqueleto. As aranhas-lobo evitaram as vespas com padrão BOB, indicando uma possível adaptação inata ou aprendizado prévio. Não houve diferença significativa no tempo para primeiro ataque entre encontros com a vespa, porém a quantidade de ataques entre encontros foi significativamente diferente para as P. paykulli. Os resultados trazem indícios de uma defesa aposemática eficaz contra os predadores invertebrados testados. Pesquisas adicionais com outros predadores e em outros contextos serão essenciais para entender mais a fundo o padrão de coloração BOB em Mutillidae. |
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| Efeitos da fragmentação florestal sobre a estrutura trófica de morcegos filostomídeos na região da Serra da Bodoquena |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
26/02/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Carolina Ferreira Santos
- Fernando Henrique Martin Gonçalves
- Josue Raizer
- Maurício Silveira
- Rafael Soares De Arruda
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| Resumo |
A perda e fragmentação de florestas são processos simultâneos que impactam a biodiversidade em regiões tropicais. A resposta das comunidades de morcegos à fragmentação florestal é ainda pouco estudada no Cerrado brasileiro, e pode diferir entre espécies com diferentes hábitos alimentares, tamanho e locais de forrageamento. O objetivo deste trabalho foi avaliar como a perda e a fragmentação florestal influenciam as comunidades e a estrutura trófica de morcegos filostomídeos ao longo de 20 paisagens que constituem um gradiente de cobertura florestal na região da Serra da Bodoquena, Mato Grosso do Sul. Especificamente avaliar efeitos da cobertura florestal, número de fragmentos, e comprimento de bordas, em três escalas espaciais (buffers de 500, 1000, e 2500 m de raio), sobre a biomassa, riqueza, dominância e diversidade de espécies e guildas tróficas. Foram registrados 2.646 indivíduos pertencentes a 24 espécies de filostomídeos e cinco guildas tróficas. A guilda de frugívoros foi dominante, seguida pelas guildas de animalívoros e nectarívoros. Filostomídeos insetívoros e onívoros foram relativamente raros. A riqueza de guildas das comunidades de morcegos da Serra da Bodoquena apresentou resposta positiva ao comprimento de borda florestal, e resposta negativa com respeito à cobertura florestal e ao número de fragmentos florestais. Entretanto, a biomassa, dominância e diversidade das comunidades não apresentaram resposta significativa às variáveis da paisagem. Os resultados indicam que o aumento de bordas devido à fragmentação florestal promove o aumento da riqueza de guildas de morcegos filostomídeos na Serra da Bodoquena. Paisagens com grande cobertura florestal ou, no outro extremo, com pouca cobertura e fragmentos pequenos, tendem a conter menor área de bordas, levando a um efeito negativo sobre a riqueza.
Palavras chave: Riqueza de morcegos, cobertura florestal, números de fragmentos, borda florestal |
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| Efeitos de características das cavernas sobre a comunidade de morcegos cavernícolas no cárste da Bodoquena, Mato Grosso do Sul |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
26/02/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
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| Resumo |
Cavernas são parte importante dos ecossistemas terrestres por conterem comunidades biológicas ricas e peculiares, principalmente quando há aporte de matéria orgânica trazida por morcegos habitantes. Neste estudo, descrevo a fauna de morcegos cavernícolas na região cárstica da Serra da Bodoquena, assim como o efeito de características físicas das cavernas sobre a abundância, a riqueza e a composição de espécies de morcegos. Foram amostradas 17 cavernas que abrangeram a variação estrutural das cavernas da região. Capturamos os morcegos com redes de neblina dispostas nas entradas das cavernas, e medidas físicas das cavernas foram tomadas ou obtidas através de mapas disponíveis. Foram capturados 361 indivíduos de 15 espécies e quatro famílias. Cada caverna apresentou entre duas e oito espécies de morcegos (4,8 ± 1,79; média ± DP). Cavernas em altitudes mais baixas, contendo salões mais altos, e entradas mais estreitas e protegidas apresentaram mais indivíduos. A riqueza de espécies diminuiu com o aumento da largura da entrada, e a composição de espécies por caverna foi influenciada pela altitude, largura da entrada, altura máxima, exposição da entrada, e extensão da caverna. Os resultados sustentam grande diversidade de morcegos cavernícolas na Serra da Bodoquena, e a ocupação diferencial das cavernas pelas espécies de morcegos conforme características internas e externas. Os resultados aportam amplo conhecimento da fauna de morcegos cavernícolas da região, e podem contribuir para o planejamento de ações de conservação na Serra da Bodoquena. |
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| Fenologia e sazonalidade da condição corpórea de morcegos fitófagos no Pantanal |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
24/02/2025 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Alan Fredy Eriksson
- BRUNO HENRIQUE DOS SANTOS FERREIRA
- Carolina Ferreira Santos
- Marlon Zortéa
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| Resumo |
O Pantanal, uma vasta planície de sedimentação da América do Sul, abriga 66 espécies de morcegos, importantes na polinização e dispersão de sementes. O comportamento e a reprodução desses mamíferos são influenciados pela sazonalidade climática, o que reflete variações na disponibilidade de recursos. Este estudo tem como objetivo descrever a fenologia reprodutiva e a variação mensal da condição corpórea de morcegos frugívoros e nectarívoros, e avaliar a relação dessas variáveis com temperatura, pluviosidade e riqueza de frutos e flores. Utilizou-se um banco de dados com 4.867 capturas nas sub-regiões de Nhecolândia, Miranda e Aquidauana, ao longo de 10 anos, com registros de fenofases e medições da condição corpórea. Os resultados indicaram variações significativas no índice de condição corpórea (ICC) de acordo com as estações climáticas e a disponibilidade de recursos. Fêmeas grávidas e adultas apresentaram maior ICC na estação úmida, com maior disponibilidade de frutos e flores, enquanto os menores valores ocorreram na estação seca. Entre as espécies, Artibeus lituratus e Carollia perspicillata mostraram picos de ICC na estação úmida, enquanto Sturnira lilium apresentou correlação negativa entre a riqueza de frutos e o ICC. Entre os nectarívoros, Anoura caudifer teve uma relação positiva entre a riqueza de flores e ICC, e Glossophaga soricina com a pluviosidade. Espécies onívoras como Phyllostomus discolor e Phyllostomus hastatus não apresentaram efeitos significativos das variáveis ambientais. Esses resultados demonstram que a variação no ICC está fortemente associada à sazonalidade e à disponibilidade de recursos alimentares. |
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| "Hímen Imperfurado com Formação de Hematocolpo: Relato de Caso e Revisão de Literatura." |
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| Curso |
Especialização em Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia |
| Tipo |
Artigo Científico |
| Data |
05/02/2025 |
| Área |
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA |
| Orientador(es) |
- Nadia Stella Viegas dos Reis
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Benedito de Oliveira Neto
- Nadia Stella Viegas dos Reis
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| Resumo |
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| Tratamento de Púrpura Trombocitopênica Imune Refratária a Corticoterapia em Gestantes: Uma Revisão de Literatura |
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| Curso |
Especialização em Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia |
| Tipo |
Artigo Científico |
| Data |
17/01/2025 |
| Área |
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA |
| Orientador(es) |
- Nadia Stella Viegas dos Reis
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
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| Resumo |
A Púrpura Trombocitopênica Imune é definida como contagem de plaquetas abaixo de 100x109/L marcada por sinais de sangramento espontâneo. É uma patologia frequentemente observada em gestantes. A fisiopatologia é uma reação de autoanticorpos que se ligam às proteínas da membrana das plaquetas. O diagnóstico é realizado por exclusão e confirmado pela resposta a terapêutica. Apresenta-se como um desafio durante o pré-natal e as diretrizes atuais apresentam protocolos de tratamento baseados em opiniões de especialistas e resultados de estudos retrospectivos. Método: Revisão narrativa de literatura com base nas plataformas de dados: Scielo e PubMed. Critérios de inclusão e exclusão foram aplicados, totalizando 34 artigos aqui discutidos. Resultados e Discussão: O
manejo da Púrpura Trombocitopênica Imune é bastante complexo, contando com corticoides orais e imunoglobulinas como primeira linha. Pacientes que refratárias ao tratamento de primeira linha podem fazer uso de agonistas do receptor de TPO, o qual tem apresentado bons resultados em relatos de casos, estudos retrospectivos e estudo experimental em animais publicados. A esplenectomia também é uma opção terapêutica de segunda linha, porém, apresenta maiores riscos quando realizadas em gestantes. Conclusão: A Púrpura Trombocitopênica Imune pode apresentar resistência a primeira linha de tratamento e protocolos de tratamento para gestantes resistentes são escassos. Dentre as opções terapêuticas de segunda linha, destacam-se o uso de Agonistas do Receptor de Trombopoietina e menos recomendado, a esplenectomia. Ensaios clínicos com terapias de segunda linha e protocolos
de tratamento para gestantes resistentes a corticosteroides são recomendados. |
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| CORRELAÇÃO HISTOPATOLÓGICA DE LESÕES MAMÁRIAS COM IMAGENS ULTRASSONOGRÁFICAS EM MULHERES COM CLASSIFICAÇÃO BI-RADS 4 NO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO MARIA APARECIDA PEDROSSIAN NO PERÍODO DE JANEIRO DE 2020 A JULHO DE 2024 |
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| Curso |
Especialização em Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia |
| Tipo |
Trabalho de Conclusão de Curso |
| Data |
14/01/2025 |
| Área |
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA |
| Orientador(es) |
- Raquel Cristina Rodrigues
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Thays Andressa Albuquerque Monteiro
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| Banca |
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| Resumo |
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| ASSOCIAÇÃO ENTRE SINTOMAS ANSIOSOS E QUALIDADE DO SONO EM MULHERES NO ÚLTIMO MÊS DA GESTAÇÃO NO PERÍODO DE DEZEMBRO DE 2022 A MARÇO DE 2023 |
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| Curso |
Especialização em Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia |
| Tipo |
Trabalho de Conclusão de Curso |
| Data |
27/11/2024 |
| Área |
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA |
| Orientador(es) |
- Nadia Stella Viegas dos Reis
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
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| Resumo |
Objetivo: Estimar a prevalência de má qualidade de sono entre pacientes com sintomas ansiosos no último mês da gestação na maternidade do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HUMAP). Métodos: O presente estudo compreende um estudo observacional, transversal e descritivo, o qual compreende a análise de dados secundários de um estudo maior, de desenho transversal multicêntrico com coleta de dados em cidades das cinco macrorregiões brasileiras. A amostra abrangeu mulheres que deram à luz no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, em Campo Grande, MS, no período de 03 de dezembro de 2022 a 30 de março de 2023. Resultados: A maioria das gestantes apresentou sonolência e baixa qualidade de sono, segundo a Escala de Sonolência de Epworth e o Índice de Qualidade de Sono de Pittsburgh, com uma média de 10,05±3,98 pontos no PSQI. A ansiedade foi avaliada como mínima ou leve na maioria das mulheres, mas houve uma correlação significativa entre sintomas ansiosos e pior qualidade do sono. Sintomas de ansiedade classificados como moderado/grave estiveram associados a complicações adicionais e a autodeclaração racial branca, enquanto ansiedades mínima/leve foram mais comuns em mulheres pretas/pardas. Não foram encontradas associações entre distúrbios do sono ou ansiedade e outras comorbidades gestacionais, como hipertensão, pré-eclâmpsia e diabetes. Conclusão: O estudo encontrou uma correlação entre sintomas de ansiedade e distúrbios do sono no último mês de gestação, com variação entre grupos raciais e presença de comorbidades, sugerindo a necessidade de políticas públicas para melhorar o sono das gestantes. Apesar de não associar esses sintomas a desfechos obstétricos específicos devido ao tamanho da amostra, os achados reforçam a importância de avaliar e tratar a ansiedade e problemas de sono para reduzir a morbidade materna e fetal. |
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| Percepções e comunicação sobre riscos ambientais na Paisagem Modelo Pantanal: governança e dinâmica da rede social |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
22/11/2024 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
- Jéssica Schlosser de Sa Teles
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| Banca |
- André Valle Nunes
- Jose Manuel Ochoa Quintero
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| Resumo |
Desastres ambientais, como mudanças climáticas e desastres naturais, exigem abordagens de
governança adaptativas que integrem comunidades e instituições. Este estudo explora esses desafios na
governança da Paisagem Modelo Pantanal, uma região afetada por eventos ambientais, tais como
incêndios florestais, secas extremas e perda de biodiversidade. Aplicou-se questionários para captar as
percepções das comunidades e instituições locais sobre os riscos ambientais, resultando em um ranking
dos riscos prioritários e na construção de um mapa da rede social dos atores envolvidos. Utilizando
análises de redes sociais (ARS), avaliou-se a estrutura da rede com métricas de centralidade,
modularidade e assortatividade. A ARS revelou uma rede fragmentada, com baixa centralidade de grau
entre muitos atores periféricos e uma alta dependência de poucos nós centrais, o que indica
vulnerabilidade estrutural. Com uma modularidade de 0,68, observou-se subgrupos internamente
coesos, mas com interação limitada entre si, e uma assortatividade negativa (-0,29), sugerindo uma
estrutura hierárquica que restringe o fluxo de informações. Análises textuais adicionais no IRaMuTeQ,
incluindo nuvem de palavras e análise de similitude, revelaram um desalinhamento nas prioridades:
enquanto a comunidade foca em necessidades locais e imediatas, as instituições priorizam intervenções
de maior alcance e longo prazo. Essa divergência, refletida no ranking de riscos, reforça a necessidade
de estratégias para um fluxo contínuo de informações e um alinhamento conjunto nas percepções de
risco entre os grupos. Medidas sugeridas pelos atores, como a criação de sistemas de alerta, o
fortalecimento de lideranças e a melhoria da infraestrutura local, mostram-se essenciais para uma
governança eficaz. Conclui-se que o alinhamento entre a estrutura da rede e as percepções dos grupos
pode reduzir a fragmentação, fortalecer o engajamento comunitário e construir uma rede social mais
coesa e resiliente, capaz de enfrentar de forma mais eficiente os riscos ambientais na região.
Palavras-chave: governança ambiental, análise de redes sociais, riscos ambientais, resiliência
comunitária |
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| Ciclídeos e seus helmintos: síntese global da diversidade parasitária, fatores determinantes da riqueza de parasitos e estruturação das comunidades em diferentes níveis tróficos. |
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| Curso |
Doutorado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Tese |
| Data |
14/11/2024 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
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| Resumo |
A família Cichlidae tem ampla distribuição em rios de água doce, da África, América do Sul e partes da Ásia. Com cerca de 3.000 espécies descritas, os peixes dessa família são economicamente importantes para a alimentação, aquarismo e pesca esportiva. Devido à sua ampla distribuição, podem ser modelos úteis para estudar como ocorre a estruturação de suas comunidades parasitárias. Os parasitos desempenham papeis cruciais nos ecossistemas, regulando populações de hospedeiros e estabilizando cadeias alimentares. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo compilar e analisar os dados de parasitos de ciclídeos, discutindo sua distribuição geográfica e buscando padrões relacionados à estrutura da comunidade parasitária. Além disso, o estudo buscou entender como os atributos dos hospedeiros (tamanho e nível trófico) podem atuar na estruturação da comunidade parasitária, e identificar se esses atributos, em especial o nível trófico, podem predizer a riqueza parasitária. O estudo identificou o baixo número de registros parasitários em ciclídeos, com apenas 6% das espécies descritas apresentando algum estudo parasitológico. Não foi observada relação entre o tamanho do hospedeiro e a riqueza de parasitos, sugerindo que fatores ecológicos e ambientais podem influenciar essa dinâmica. A ausência de relação forte entre tamanho do hospedeiro e a riqueza parasitária pode estar associada a fatores mais complexos que não foram investigados. Nosso trabalho mostra a urgência do acréscimo de estudos descritivos para compreender melhor as interações parasito-hospedeiro e promover a conservação desses organismos. |
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| Um estudo histórico sobre a malacofauna sul mato-grossense e as influências ambientais da área urbana de Campo Grande, MS, sobre a comunidade de moluscos terrestres e nematofauna associada. |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
22/10/2024 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
- Luiz Eduardo Roland Tavares
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
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| Resumo |
O arranjo espacial e a variação na quantidade de organismos, conhecidos como padrão de distribuição de espécies, são moldados por fatores como o clima, recursos, barreiras geográficas e interações entre espécies. O primeiro capítulo deste estudo abordou a distribuição de moluscos no estado do Mato Grosso do Sul, preenchendo uma lacuna de conhecimento desse grupo para o Estado. Com base em banco de dados de coleções científicas do Brasil e de outros países, apresentamos uma compilação inédita, que mapeia e organiza espécies de moluscos terrestres. Registramos uma concentração expressiva de moluscos em áreas úmidas como o Pantanal, incluindo espécies vetoras de doenças, como Biomphalaria e Pomacea, espécies aquáticas. Também documentamos o primeiro registro de Allopeas gracile e Gastrocopta pellucida no estado, caracois terrestres. Esses resultados são base para futuras pesquisas taxonômicas e ecológicas. O segundo estudo avaliou de que forma fatores climatológicos e características do solo afetam as comunidades de moluscos e nematodas em áreas urbanas de Campo Grande, MS. A rápida urbanização é reconhecida como uma fonte de transformações nos ecossistemas, destacando a urgência de estratégias eficazes de conservação. Descobertas recentes indicam associações e interações especializadas entre espécies de moluscos terrestres na área urbana, identificando habitats específicos para as populações. Foram identificadas 11 espécies com variações significativas em riqueza e abundância entre as áreas estudadas. Bulimulus corumbaensis, Sarasinula linguaeformis e Achatina fulica mostraram ampla distribuição. Áreas menos populosas favoreceram maior diversidade e ambientes distintos, enquanto regiões mais densamente povoadas apresentaram predominância de espécies invasoras, como A. fulica. A distribuição das espécies variou entre as áreas estudadas, com o Centro se destacando como um ponto focal de riqueza. A diversidade mostrou-se influenciada pelas estações, com baixas temperaturas e umidade elevando a mortalidade dos espécimes no inverno, e um retorno populacional a partir do outono, com pico no verão. O estudo também revelou uma alta prevalência de larvas de nematódeos, especialmente em lesmas da família Veronicellidae, destacando a adaptabilidade dessas espécies a ambientes urbanos e seu potencial para transmissão de patógenos. |
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| Relationships between the risk of emerging zoonotic diseases and the architecture of interactions between people, domestic animals and wildlife in the Pantanal |
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| Curso |
Mestrado em Ecologia e Conservação |
| Tipo |
Dissertação |
| Data |
02/10/2024 |
| Área |
ECOLOGIA |
| Orientador(es) |
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
- Aiesca Oliveira Pellegrin
- João Augusto Rossi Borges
- Rudi Ricardo Laps
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| Resumo |
Há um reconhecimento crescente dos riscos à saúde pública relacionados às interações humanas com animais selvagens e domésticos. Aproximadamente 70% das Doenças Zoonóticas Emergentes (DZE) e muitas pandemias recentes podem ser atribuídas ao aumento das interações entre humanos e animais. Fatores como dinâmicas sociais e papéis de gênero influenciam significativamente essas interações, afetando a epidemiologia das doenças infecciosas. A percepção dos riscos associados às DZE varia entre diferentes grupos sociais, sendo as populações socialmente vulneráveis as que enfrentam riscos aumentados devido a barreiras, como o acesso a serviços de saúde e educação. O papel das paisagens na dinâmica das doenças zoonóticas também é enfatizado. Mudanças no uso da terra causadas por atividades antropogênicas prejudicaram a biodiversidade e alteraram os padrões de interação entre humanos e animais. Estudos anteriores sugeriram que esse contexto poderia levar a um aumento na transmissão de patógenos e a uma maior frequência de interações. No entanto, as respostas nas redes de interação são vistas como dependentes do contexto, influenciadas por fatores socioeconômicos e práticas culturais. Acredita-se que esses fatores moldem as estruturas agrícolas e, subsequentemente, afetem a abundância das espécies e os riscos à saúde pública. Esta dissertação é composta por dois capítulos interconectados que investigam fatores socioeconômicos, de gênero e ambientais nas interações entre pessoas e animais no Pantanal. Um apêndice apresenta uma estrutura de avaliação de risco para doenças zoonóticas emergentes na área úmida do Pantanal, desenvolvida de forma colaborativa com pesquisadores.
O primeiro capítulo examina a percepção de risco e as dinâmicas de gênero no Pantanal. Postula que, embora os homens tenham mais interações com animais (uma rede com maior riqueza de animais), eles possuem uma percepção de risco mais baixa; em contraste, as mulheres têm uma percepção de risco elevada vinculada a papéis de cuidadores. O estudo também antecipou uma correlação negativa entre percepção de risco e número de interação, esperando que comunidades ribeirinhas mostrassem mais interações devido à maior biodiversidade. Os resultados revelaram que os homens realmente interagiram mais com os animais do que as mulheres apresentando uma rede mais rica em composição, o mesmo aconteceu com as comunidades ribeirinhas em relação aos assentamentos. No entanto, os níveis de risco percebidos não variaram significativamente entre os gêneros ou grupos sociais. Observações feitas em campo ainda indicaram maior simetria no papel dos gêneros entre os moradores das comunidades ribeirinhas. O segundo capítulo investiga como os gradientes de vegetação nativa impactam as redes de interação entre humanos e animais em assentamentos agrários do pantanal. A hipótese sugeriu uma correlação positiva entre interações e a porcentagem de vegetação nativa. A análise da rede revelou que apenas uma pequena parte das interações poderia ser explicada pelo gradiente de vegetação nativa, e a rede apresentou assortatividade de grau, indicando que nós com graus semelhantes tendem a se conectar. Não houve uma relação significativa entre interações compartilhadas, vegetação nativa e distância entre propriedades. Embora as evidências não tenham apoiado fortemente a hipótese, fatores como conectividade funcional através de fragmentos de vegetação nativa foram sugeridos. O estudo enfatiza a necessidade de entender as interações entre humanos e animais no Pantanal para formulação de políticas públicas de saúde e conservação eficazes. Defende um modelo de conservação participativa que envolva as comunidades locais no processo de formulação de políticas, promovendo a coprodução de estratégias de saúde e conservação para melhorar a aceitação e a eficácia. A importância das métricas de rede na epidemiologia e conservação é destacada, juntamente com um apelo à colaboração brasileira com bancos de dados globais de zoonoses para um melhor rastreamento de surtos de doenças. Recomenda-se a integração da conservação da biodiversidade em programas de One Health, com foco em gênero, na mudança de comportamentos humanos e na conscientização sobre os benefícios da biodiversidade para mitigar os riscos de doenças zoonóticas, ao mesmo tempo em que se apoiam os esforços de conservação.
Palavras-chave: One Health; Conservação; Socio-metacomunidade; Zoonoses |
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| Etiologia e Prognóstico da Hidropisia Fetal Não Imune: Uma Revisão de Literatura |
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| Curso |
Especialização em Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia |
| Tipo |
Artigo Científico |
| Data |
09/09/2024 |
| Área |
GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA |
| Orientador(es) |
- Nadia Stella Viegas dos Reis
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| Coorientador(es) |
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| Orientando(s) |
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| Banca |
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| Resumo |
Introdução: A Hidropisia Fetal é definida como acúmulo anormal de líquido nos compartimentos fetais. Estima-se que 1 em casa 1700 a 3000 gestações sejam acometidas por tal patologia. Podendo ser subdividida em isoimune ou não imune. A causa não imune corresponde a 90% dos casos e apresenta etiopatogenia variável. O prognóstico varia de acordo com a etiologia. Método: Revisão de literatura com buscas nas bases de dados PubMed e Scielo, conforme a pergunta norteadora: “Qual a causa etiológica e o prognóstico de pacientes acometidos por Hidropisia Fetal não imune?”. Resultados e Discussão: a Hidropisia Fetal é uma condição rara com alta taxa de morbimortalidade. Em relação a etiologia, estudos de coorte apresentam que a maior parte dos casos diagnosticados no primeiro trimestre apresentam como principal causa as anormalidades genéticas, tendo como principais síndromes associadas a síndrome de Down, Turner e Edwards. No segundo e terceiro trimestre as doenças hematológicas ganharam destaques com as talassemias, seguidas pelas alterações cardiológicas e infecções congênitas. Todas as causas de Hidropsia Fetal foram associadas a óbito fetal, parto prematuro e perdas neonatais. Conclusão: Os estudos discutidos nesta revisão evidenciaram que as principais causas etiológicas relacionadas a HF não imune são anormalidades genéticas, hematológicas e cardíacas. Quanto maior a idade gestacional ao diagnóstico, melhor o prognóstico. Estudos estabelecendo protocolos de manejo/aconselhamento são estimulados. |
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