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TRABALHO Ações
Efeitos de características das cavernas sobre a comunidade de morcegos cavernícolas no cárste da Bodoquena, Mato Grosso do Sul
Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
Tipo Dissertação
Data 26/02/2025
Área ECOLOGIA
Orientador(es)
  • Erich Arnold Fischer
Coorientador(es)
  • Livia Medeiros Cordeiro
Orientando(s)
  • Aléxia Murgi Leonardo
Banca
    Resumo Cavernas são parte importante dos ecossistemas terrestres por conterem comunidades biológicas ricas e peculiares, principalmente quando há aporte de matéria orgânica trazida por morcegos habitantes. Neste estudo, descrevo a fauna de morcegos cavernícolas na região cárstica da Serra da Bodoquena, assim como o efeito de características físicas das cavernas sobre a abundância, a riqueza e a composição de espécies de morcegos. Foram amostradas 17 cavernas que abrangeram a variação estrutural das cavernas da região. Capturamos os morcegos com redes de neblina dispostas nas entradas das cavernas, e medidas físicas das cavernas foram tomadas ou obtidas através de mapas disponíveis. Foram capturados 361 indivíduos de 15 espécies e quatro famílias. Cada caverna apresentou entre duas e oito espécies de morcegos (4,8 ± 1,79; média ± DP). Cavernas em altitudes mais baixas, contendo salões mais altos, e entradas mais estreitas e protegidas apresentaram mais indivíduos. A riqueza de espécies diminuiu com o aumento da largura da entrada, e a composição de espécies por caverna foi influenciada pela altitude, largura da entrada, altura máxima, exposição da entrada, e extensão da caverna. Os resultados sustentam grande diversidade de morcegos cavernícolas na Serra da Bodoquena, e a ocupação diferencial das cavernas pelas espécies de morcegos conforme características internas e externas. Os resultados aportam amplo conhecimento da fauna de morcegos cavernícolas da região, e podem contribuir para o planejamento de ações de conservação na Serra da Bodoquena.
    Fenologia e sazonalidade da condição corpórea de morcegos fitófagos no Pantanal
    Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
    Tipo Dissertação
    Data 24/02/2025
    Área ECOLOGIA
    Orientador(es)
    • Erich Arnold Fischer
    Coorientador(es)
      Orientando(s)
      • Vinícius Santos Pereira
      Banca
      • Alan Fredy Eriksson
      • BRUNO HENRIQUE DOS SANTOS FERREIRA
      • Carolina Ferreira Santos
      • Marlon Zortéa
      Resumo O Pantanal, uma vasta planície de sedimentação da América do Sul, abriga 66 espécies de morcegos, importantes na polinização e dispersão de sementes. O comportamento e a reprodução desses mamíferos são influenciados pela sazonalidade climática, o que reflete variações na disponibilidade de recursos. Este estudo tem como objetivo descrever a fenologia reprodutiva e a variação mensal da condição corpórea de morcegos frugívoros e nectarívoros, e avaliar a relação dessas variáveis com temperatura, pluviosidade e riqueza de frutos e flores. Utilizou-se um banco de dados com 4.867 capturas nas sub-regiões de Nhecolândia, Miranda e Aquidauana, ao longo de 10 anos, com registros de fenofases e medições da condição corpórea. Os resultados indicaram variações significativas no índice de condição corpórea (ICC) de acordo com as estações climáticas e a disponibilidade de recursos. Fêmeas grávidas e adultas apresentaram maior ICC na estação úmida, com maior disponibilidade de frutos e flores, enquanto os menores valores ocorreram na estação seca. Entre as espécies, Artibeus lituratus e Carollia perspicillata mostraram picos de ICC na estação úmida, enquanto Sturnira lilium apresentou correlação negativa entre a riqueza de frutos e o ICC. Entre os nectarívoros, Anoura caudifer teve uma relação positiva entre a riqueza de flores e ICC, e Glossophaga soricina com a pluviosidade. Espécies onívoras como Phyllostomus discolor e Phyllostomus hastatus não apresentaram efeitos significativos das variáveis ambientais. Esses resultados demonstram que a variação no ICC está fortemente associada à sazonalidade e à disponibilidade de recursos alimentares.
      Percepções e comunicação sobre riscos ambientais na Paisagem Modelo Pantanal: governança e dinâmica da rede social
      Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
      Tipo Dissertação
      Data 22/11/2024
      Área ECOLOGIA
      Orientador(es)
      • Fabio de Oliveira Roque
      Coorientador(es)
        Orientando(s)
        • Jéssica Schlosser de Sa Teles
        Banca
        • André Valle Nunes
        • Jose Manuel Ochoa Quintero
        Resumo Desastres ambientais, como mudanças climáticas e desastres naturais, exigem abordagens de
        governança adaptativas que integrem comunidades e instituições. Este estudo explora esses desafios na
        governança da Paisagem Modelo Pantanal, uma região afetada por eventos ambientais, tais como
        incêndios florestais, secas extremas e perda de biodiversidade. Aplicou-se questionários para captar as
        percepções das comunidades e instituições locais sobre os riscos ambientais, resultando em um ranking
        dos riscos prioritários e na construção de um mapa da rede social dos atores envolvidos. Utilizando
        análises de redes sociais (ARS), avaliou-se a estrutura da rede com métricas de centralidade,
        modularidade e assortatividade. A ARS revelou uma rede fragmentada, com baixa centralidade de grau
        entre muitos atores periféricos e uma alta dependência de poucos nós centrais, o que indica
        vulnerabilidade estrutural. Com uma modularidade de 0,68, observou-se subgrupos internamente
        coesos, mas com interação limitada entre si, e uma assortatividade negativa (-0,29), sugerindo uma
        estrutura hierárquica que restringe o fluxo de informações. Análises textuais adicionais no IRaMuTeQ,
        incluindo nuvem de palavras e análise de similitude, revelaram um desalinhamento nas prioridades:
        enquanto a comunidade foca em necessidades locais e imediatas, as instituições priorizam intervenções
        de maior alcance e longo prazo. Essa divergência, refletida no ranking de riscos, reforça a necessidade
        de estratégias para um fluxo contínuo de informações e um alinhamento conjunto nas percepções de
        risco entre os grupos. Medidas sugeridas pelos atores, como a criação de sistemas de alerta, o
        fortalecimento de lideranças e a melhoria da infraestrutura local, mostram-se essenciais para uma
        governança eficaz. Conclui-se que o alinhamento entre a estrutura da rede e as percepções dos grupos
        pode reduzir a fragmentação, fortalecer o engajamento comunitário e construir uma rede social mais
        coesa e resiliente, capaz de enfrentar de forma mais eficiente os riscos ambientais na região.
        Palavras-chave: governança ambiental, análise de redes sociais, riscos ambientais, resiliência
        comunitária
        Um estudo histórico sobre a malacofauna sul mato-grossense e as influências ambientais da área urbana de Campo Grande, MS, sobre a comunidade de moluscos terrestres e nematofauna associada.
        Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
        Tipo Dissertação
        Data 22/10/2024
        Área ECOLOGIA
        Orientador(es)
        • Luiz Eduardo Roland Tavares
        Coorientador(es)
        • SUZETE RODRIGUES GOMES
        Orientando(s)
        • Karina Leal de Oliveira
        Banca
          Resumo O arranjo espacial e a variação na quantidade de organismos, conhecidos como padrão de distribuição de espécies, são moldados por fatores como o clima, recursos, barreiras geográficas e interações entre espécies. O primeiro capítulo deste estudo abordou a distribuição de moluscos no estado do Mato Grosso do Sul, preenchendo uma lacuna de conhecimento desse grupo para o Estado. Com base em banco de dados de coleções científicas do Brasil e de outros países, apresentamos uma compilação inédita, que mapeia e organiza espécies de moluscos terrestres. Registramos uma concentração expressiva de moluscos em áreas úmidas como o Pantanal, incluindo espécies vetoras de doenças, como Biomphalaria e Pomacea, espécies aquáticas. Também documentamos o primeiro registro de Allopeas gracile e Gastrocopta pellucida no estado, caracois terrestres. Esses resultados são base para futuras pesquisas taxonômicas e ecológicas. O segundo estudo avaliou de que forma fatores climatológicos e características do solo afetam as comunidades de moluscos e nematodas em áreas urbanas de Campo Grande, MS. A rápida urbanização é reconhecida como uma fonte de transformações nos ecossistemas, destacando a urgência de estratégias eficazes de conservação. Descobertas recentes indicam associações e interações especializadas entre espécies de moluscos terrestres na área urbana, identificando habitats específicos para as populações. Foram identificadas 11 espécies com variações significativas em riqueza e abundância entre as áreas estudadas. Bulimulus corumbaensis, Sarasinula linguaeformis e Achatina fulica mostraram ampla distribuição. Áreas menos populosas favoreceram maior diversidade e ambientes distintos, enquanto regiões mais densamente povoadas apresentaram predominância de espécies invasoras, como A. fulica. A distribuição das espécies variou entre as áreas estudadas, com o Centro se destacando como um ponto focal de riqueza. A diversidade mostrou-se influenciada pelas estações, com baixas temperaturas e umidade elevando a mortalidade dos espécimes no inverno, e um retorno populacional a partir do outono, com pico no verão. O estudo também revelou uma alta prevalência de larvas de nematódeos, especialmente em lesmas da família Veronicellidae, destacando a adaptabilidade dessas espécies a ambientes urbanos e seu potencial para transmissão de patógenos.
          Relationships between the risk of emerging zoonotic diseases and the architecture of interactions between people, domestic animals and wildlife in the Pantanal
          Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
          Tipo Dissertação
          Data 02/10/2024
          Área ECOLOGIA
          Orientador(es)
          • Fabio de Oliveira Roque
          Coorientador(es)
            Orientando(s)
            • Giulia Armani Araujo
            Banca
            • Aiesca Oliveira Pellegrin
            • João Augusto Rossi Borges
            • Rudi Ricardo Laps
            Resumo Há um reconhecimento crescente dos riscos à saúde pública relacionados às interações humanas com animais selvagens e domésticos. Aproximadamente 70% das Doenças Zoonóticas Emergentes (DZE) e muitas pandemias recentes podem ser atribuídas ao aumento das interações entre humanos e animais. Fatores como dinâmicas sociais e papéis de gênero influenciam significativamente essas interações, afetando a epidemiologia das doenças infecciosas. A percepção dos riscos associados às DZE varia entre diferentes grupos sociais, sendo as populações socialmente vulneráveis as que enfrentam riscos aumentados devido a barreiras, como o acesso a serviços de saúde e educação. O papel das paisagens na dinâmica das doenças zoonóticas também é enfatizado. Mudanças no uso da terra causadas por atividades antropogênicas prejudicaram a biodiversidade e alteraram os padrões de interação entre humanos e animais. Estudos anteriores sugeriram que esse contexto poderia levar a um aumento na transmissão de patógenos e a uma maior frequência de interações. No entanto, as respostas nas redes de interação são vistas como dependentes do contexto, influenciadas por fatores socioeconômicos e práticas culturais. Acredita-se que esses fatores moldem as estruturas agrícolas e, subsequentemente, afetem a abundância das espécies e os riscos à saúde pública. Esta dissertação é composta por dois capítulos interconectados que investigam fatores socioeconômicos, de gênero e ambientais nas interações entre pessoas e animais no Pantanal. Um apêndice apresenta uma estrutura de avaliação de risco para doenças zoonóticas emergentes na área úmida do Pantanal, desenvolvida de forma colaborativa com pesquisadores.
            O primeiro capítulo examina a percepção de risco e as dinâmicas de gênero no Pantanal. Postula que, embora os homens tenham mais interações com animais (uma rede com maior riqueza de animais), eles possuem uma percepção de risco mais baixa; em contraste, as mulheres têm uma percepção de risco elevada vinculada a papéis de cuidadores. O estudo também antecipou uma correlação negativa entre percepção de risco e número de interação, esperando que comunidades ribeirinhas mostrassem mais interações devido à maior biodiversidade. Os resultados revelaram que os homens realmente interagiram mais com os animais do que as mulheres apresentando uma rede mais rica em composição, o mesmo aconteceu com as comunidades ribeirinhas em relação aos assentamentos. No entanto, os níveis de risco percebidos não variaram significativamente entre os gêneros ou grupos sociais. Observações feitas em campo ainda indicaram maior simetria no papel dos gêneros entre os moradores das comunidades ribeirinhas. O segundo capítulo investiga como os gradientes de vegetação nativa impactam as redes de interação entre humanos e animais em assentamentos agrários do pantanal. A hipótese sugeriu uma correlação positiva entre interações e a porcentagem de vegetação nativa. A análise da rede revelou que apenas uma pequena parte das interações poderia ser explicada pelo gradiente de vegetação nativa, e a rede apresentou assortatividade de grau, indicando que nós com graus semelhantes tendem a se conectar. Não houve uma relação significativa entre interações compartilhadas, vegetação nativa e distância entre propriedades. Embora as evidências não tenham apoiado fortemente a hipótese, fatores como conectividade funcional através de fragmentos de vegetação nativa foram sugeridos. O estudo enfatiza a necessidade de entender as interações entre humanos e animais no Pantanal para formulação de políticas públicas de saúde e conservação eficazes. Defende um modelo de conservação participativa que envolva as comunidades locais no processo de formulação de políticas, promovendo a coprodução de estratégias de saúde e conservação para melhorar a aceitação e a eficácia. A importância das métricas de rede na epidemiologia e conservação é destacada, juntamente com um apelo à colaboração brasileira com bancos de dados globais de zoonoses para um melhor rastreamento de surtos de doenças. Recomenda-se a integração da conservação da biodiversidade em programas de One Health, com foco em gênero, na mudança de comportamentos humanos e na conscientização sobre os benefícios da biodiversidade para mitigar os riscos de doenças zoonóticas, ao mesmo tempo em que se apoiam os esforços de conservação.
            Palavras-chave: One Health; Conservação; Socio-metacomunidade; Zoonoses
            Assimetria flutuante de Paraponera clavata (Fabricius, 1775) em fragmentos urbanos e áreas de regeneração
            Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
            Tipo Dissertação
            Data 07/06/2024
            Área ECOLOGIA
            Orientador(es)
            • Gustavo Graciolli
            Coorientador(es)
              Orientando(s)
              • BEATRIZ OLIVEIRA GARBIN
              Banca
              • Luan Dias Lima
              • Mauricio Osvaldo Moura
              • Rodrigo Aranda
              • Rodrigo Pires Dallacqua
              Resumo A assimetria flutuante pode ser definida pela diferença entre o lado direito e esquerdo de um indivíduo, sendo essa diferença normalmente influenciada por fatores externos. O objetivo desse estudo foi verificar a diferença do nível de assimetria flutuante em populações de Paraponera clavata (Fabricius, 1775) em fragmentos urbanos e áreas em regeneração. O estudo foi realizado em uma área com influência antrópica, localizada dentro do município de Campo Grande, Mato Grosso do Sul e uma área com tempo de regeneração maior que 40 anos, localizada na Fazenda Santa Fé, no município de Santa Rita do Pardo, Mato Grosso do Sul. Os ninhos foram localizados e as coletas foram realizadas pelo método de busca ativa. Além de mensurar as medidas do comprimento do escapo antenal e o fêmur e tíbia de todos os pares de pernas para a realização da morfometria linear, foi realizado também morfometria geométrica através da estrutura da cabeça. Foram obtidos 12 ninhos no total, sendo sete ninhos na APP-UFMS e cinco ninhos na Fazenda Santa Fé. A área com maior influência antrópica apresentou uma diferença significativa na PCoA, mostrando uma variação de tamanho nos indivíduos coletados. Já a área em processo de regeneração, apresentou uma menor variação de tamanho na realização da morfometria linear. Quando realizada as análises de morfometria geométrica, foi possível concluir uma assimetria flutuante, sendo que não houve diferença significativa na forma das cabeças de P. clavata, porém levando em consideração o tamanho, é possível verificar uma diferença, a qual é maior na área com influência antrópica, além disso é possível concluir que a variação de tamanho está relacionada ao processo de regeneração e antropização das áreas.
              Ocorrência de agentes infecciosos em carnívoros silvestres e cães domésticos no Pantanal Sul
              Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
              Tipo Dissertação
              Data 05/04/2024
              Área ECOLOGIA
              Orientador(es)
              • Fernando Paiva
              Coorientador(es)
                Orientando(s)
                • Mario Henrique Alves
                Banca
                • Fernando de Souza Rodrigues
                • Luiz Gustavo Rodrigues Oliveira Santos
                • MEIRE CHRISTINA SEKI
                • rogério ribas lange
                Resumo A maioria das doenças infecciosas emergentes e reemergentes no mundo são zoonoses com origem no ambiente silvestre. Entre os fatores associados à emergência e reemergência de doenças pode-se destacar urbanização, desmatamento e fragmentação de habitats, características que aumentam o contato entre animais domésticos ou silvestres e humanos. Os carnívoros selvagens e os cães semi-domiciliados podem compartilhar parasitos através do contato direto ou indireto em diversas regiões do mundo, como por exemplo o Pantanal. O objetivo do presente estudo foi determinar, por meio de diagnósticos moleculares qualitativos (PCR), a presença de patógenos transmitidos por vetores como: Borrelia spp., Rickettsia spp., Cytauxzoon felis, Hepatozoon spp., Leishmania spp., e Trypanosoma spp.; ou mesmo infecciosos por cistos ou oocistos como Neospora caninum e Toxoplasma gondi usando amostras de baço de carnívoros silvestres atropelados e amostras de sangue de cães domésticos obtidas nas margens da rodovia BR262 entre Aquidauana e Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Do total de 54 amostras examinadas, sendo 26 de carnívoros silvestres e 28 de cães domésticos, 20 (37%) estavam positivas para ao menos um dos agentes patógenos analisados, sendo o agente mais prevalente o Hepatozoon spp., diagnosticado em 15 amostras. O presente estudo apresenta os primeiros relatos diagnóstico molecular positivo de Neospora caninum e Hepatozoon spp. em cachorro-vinagre (Speothos venaticus) e de Hepatozoon spp. em lontras de vida livre (Lontra longicaudis) e ressalta a importância da utilização de carcaças de animais atropelados como ferramenta epidemiológica com potencial para detecção de agentes importantes para a saúde pública.
                Aspectos ecológicos das relações parasita-hospedeiro em morcegos na Serra da Bodoquena, Mato Grosso do Sul
                Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                Tipo Dissertação
                Data 23/02/2024
                Área ECOLOGIA
                Orientador(es)
                • Fernando Paiva
                Coorientador(es)
                  Orientando(s)
                  • Carolina Barbosa de Souza
                  Banca
                  • Felipe Bisaggio Pereira
                  • Gustavo Graciolli
                  • Gustavo Lima Urbieta
                  • Priscilla Soares dos Santos
                  Resumo A diversidade de hábitos alimentares e de vida dos morcegos favorece a ocorrência de uma grande riqueza parasitária, esses atributos funcionais os expõem a diferentes grupos parasitários e propicia aos parasitas a exploração de diferentes nichos ecológicos. Com isso, os morcegos constituem um grupo de hospedeiros com potencial para serem estudados afim de compreender as dinâmicas parasitológicas. O objetivo deste estudo foi descrever a composição e a estrutura das infracomunidades de endoparasitos em morcegos cavernícolas, com diferentes hábitos alimentares, capturados na Serra da Bodoquena, Mato Grosso do Sul. Para investigação parasitológica uma amostra de 68 morcegos, distribuídos em doze espécies, pertencentes a três famílias: Anoura caudifer, Glossophaga soricina (nectarívoras; Phyllostomidae), Carollia perspicillata, Sturnira lilium cf., Micronycteris microtis cf., Micronycteris sanborni cf., Platyrrhinus lineatus (Phyllostomidae), Phyllostomus hastatus (Phyllostomidae), Chrotopterus auritus (Phyllostomidae), Desmodus rotundus (Phyllostomidae), Peropteryx macrotis (Emballonuridae), e Natalus macrourus (Natalidae). Foram encontrados representantes com hábitos alimentares insetívoros, carnívoros, hematófagos, frugívoros, nectárivoros e onívoros. Ao total, 207 espécimes helmintos foram identificados; Rictularia sp., Capillaria sp. Seuratum sp. cf., Physaloptera sp., Litomosoides sp. Nematoda, Vampirolepis sp., Diphyllobothriidae gen. sp., Urotrema scabridum, Prosthodendrium conturbatum e Anenterotrema mesolecitha, além do hematozóario Trypanosoma sp. As prevalências dos organismos parasitas variou DE 25% a 100% entre as espécies hospedeiras, a abundância dos helmintos revelou predominância de espécies de Trematodas (70%). Pela análise de rede bipartida, a modularidade revelou cinco módulos, indicando que há associações especializadas. A modularidade, uma característica de interações especialistas, foi influenciada pela dieta do hospedeiro, corroborando com estudos anteriores. A especificidade helmíntica relacionou-se com a dieta dos morcegos, evidenciando a influência da alimentação na dinâmica parasitária. Por exemplo, Chrotopterus auritus, com hábito carnívoro, apresentou maior diversidade de conexões com diferentes grupos parasitários. Por outro lado, Desmodus rotundus, com hábito hematófago, apresentou apenas parasitismo por Trypanosoma sp. Este estudo pioneiro na região contribui para compreender os padrões de transmissão de helmintos e tripanossomatídeos ressaltando a importância dos hábitos alimentares na dinâmica parasitária. Essas informações enriquecem o conhecimento sobre parasitas de morcegos na Serra da Bodoquena, Mato Grosso do Sul, Brasil, e serão fundamentais para estudos futuros.

                  PALAVRAS-CHAVES: Helmintos; Endoparasitos; Morcegos; Cavernas; Ecologia Parasitária

                  Incorporating Agricultural, Socioeconomic, and Political Factors into Conservation Strategies for the Giant Armadillo (Priodontes maximus) in the Cerrado
                  Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                  Tipo Dissertação
                  Data 20/12/2023
                  Área ECOLOGIA
                  Orientador(es)
                  • Fabio de Oliveira Roque
                  Coorientador(es)
                  • Jose Manuel Ochoa Quintero
                  Orientando(s)
                  • Bruna Gomes de Oliveira
                  Banca
                  • André Valle Nunes
                  • Katia Maria Paschoaletto Micchi de Barros Ferraz
                  • Nina Attias
                  Resumo Modelos de distribuição de espécies são essenciais para a proposição de estratégias de conservação para grandes mamíferos. No entanto, fatores antrópicos devem ser incorporados para que essas estratégias sejam mais efetivas. No presente estudo escolhemos o tatu-canastra (Priodontes maximus) como espécie alvo, mapeamos a sua distribuição e analisamos a estrutura da paisagem em sua área de potencial ocorrência. Paralelamente, mapeamos as dimensões socioeconômicas, agrárias e de governança pública dos municípios do Cerrado, que foram classificados em grupos a fim de se acessar o contexto local. A partir da combinação desses resultados, discutimos estratégias de conservação para a espécie em contexto local-regional. Para a modelagem de distribuição foram usados 486 pontos de presença independentes e 14 variáveis preditoras, resultando em um modelo com 695.367 km2 de habitat remanescente para a espécie, o que corresponde a 33% do bioma Cerrado, com 7,6% dessa área no interior de Unidades de Conservação ou Terras Indígenas. Cinco variáveis antrópicas foram usadas para classificar os 1434 municípios da área de estudo, resultando em 3 grupos de perfis municipais distintos. Foram então gerados um mapa e um quadro que combinam as informações de perfil municipal e quantidade de habitat remanescente por município a fim de orientar os primeiros passos na tomada de decisão para estratégias de conservação. Um grupo se destacou devido a presença de grandes porções de áreas de vegetação nativa remanescente tanto em propriedades privadas quanto em áreas protegidas, indicando grande oportunidade de conservação.
                  Vulnerability of Rural Properties in the Pantanal Amid Recent Exceptional Environmental Changes
                  Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                  Tipo Dissertação
                  Data 20/12/2023
                  Área ECOLOGIA
                  Orientador(es)
                  • Geraldo Alves Damasceno Junior
                  Coorientador(es)
                    Orientando(s)
                    • Pablo Pinheiro Dutra
                    Banca
                    • Christian Niel Berlinck
                    • Jose Marcato Junior
                    • Renata Libonati dos Santos
                    • Rosa Helena da Silva
                    Resumo Este trabalho analisou as mudanças ambientais excepcionais recentes (REECs) no Pantanal, com foco nas propriedades rurais de diferentes tamanhos afetadas. Os resultados destacam que as REECs não ocorrem uniformemente no espaço e afetam propriedades de diferentes tamanhos de maneira desigual. Propriedades pequenas foram particularmente atingidas por incêndios excepcionais, o que tem implicações significativas, pois essas áreas abrigam comunidades com recursos limitados e dependem da agricultura de subsistência. Estratégias de prevenção e combate a incêndios, diversificação de fontes de renda e fortalecimento da capacidade adaptativa dessas comunidades são recomendadas para redução da vulnerabilidade frente a essas mudanças. Nosso estudo ressalta a importância de intervenções direcionadas de acordo com a necessidade local e colaboração para promover a resiliência das comunidades afetadas por REECs no Pantanal.
                    Efeito de cercamentos sobre a mortalidade de fauna na rodovia BR-262/MS
                    Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                    Tipo Dissertação
                    Data 20/11/2023
                    Área ECOLOGIA
                    Orientador(es)
                    • Rudi Ricardo Laps
                    Coorientador(es)
                      Orientando(s)
                      • Débora Regina Yogui
                      Banca
                      • LARISSA OLIVEIRA GONÇALVES
                      • Simone Rodrigues de Freitas
                      Resumo Colisões veiculares com fauna causam impactos aos animais e às suas populações e colocam em risco a segurança humana. Estruturas que visam impedir a passagem de animais pela rodovia são uma potencial solução para esse problema, mas a eficácia delas é altamente variável. Este estudo tem como objetivo avaliar se os cercamentos longos e curtos instalados na rodovia BR-262/MS tiveram efeito sobre a mortalidade das espécies registradas. Em um desenho amostral BACI (“Before After Control Impact”), com registros obtidos em seis anos de monitoramento sistemático, foram comparadas as contagens de carcaças antes e após o cercamento, e entre os trechos cercados e trechos-controle sem mitigação, utilizando modelos generalizados mistos (GLMM). Os resultados indicam que os cercamentos longos levaram a uma redução significativa na mortalidade dos jacarés-do-pantanal (Caiman yacare): enquanto nos trechos-controle houve um aumento de 20% na mortalidade, nos trechos cercados houve uma redução de 70%. No entanto, as cercas não foram eficazes em reduzir a mortalidade geral de fauna nos trechos mitigados. Para que a eficácia das cercas seja melhorada, visto que ela é espécie-dependente, é necessária, inicialmente, a escolha das espécies-alvo, para que a localização, extensão e modelo das cercas sejam adequados às particularidades de cada espécie. Além disso, para que a integridade das cercas seja mantida, é essencial a manutenção constante das estruturas e uma boa comunicação com a comunidade local. Entretanto, para que a mortalidade geral de fauna seja reduzida na rodovia como um todo, é necessário um minucioso planejamento, com metas bem definidas e múltiplas estratégias para reduzir as colisões com as diferentes espécies-alvos. O monitoramento de fauna atropelada a longo prazo é essencial para a avaliação periódica das estruturas instaladas e a identificação de possíveis adaptações. Por fim, para que o conhecimento científico-tecnológico seja incorporado à fase de planejamento, é necessária uma melhor conexão entre pesquisadores, analistas ambientais e tomadores de decisão, assim como vontade política para que a problemática das colisões veiculares seja realmente enfrentada.
                      Assembleias avifaunísticas de ambientes naturais e antropizados: uma abordagem ecomorfológica
                      Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                      Tipo Dissertação
                      Data 08/11/2023
                      Área ECOLOGIA
                      Orientador(es)
                      • Rudi Ricardo Laps
                      Coorientador(es)
                        Orientando(s)
                        • Henrique da Cunha Raupp
                        Banca
                        • Caio José Carlos
                        • LISIANE ACOSTA RAMOS
                        • Sandra Maria Hartz
                        Resumo Na ornitologia, mesmo em escalas espaciais pequenas, estudos ecomorfométricos que utilizam combinações holísticas de características morfométricas conseguem evidenciar relações morfométricas de comunidades ou guildas ecológicas que podem divergir dependendo do contexto ambiental que estão inseridas. O Litoral Norte do Rio Grande do Sul (LN/RS) abrange uma zona de transição de biomas (Pampa e Mata Atlântica), propiciando à região uma composição paisagística heterogênea, com ampla diversidade biológica. Entretanto, há décadas que formações nativas são convertidas em conglomerados urbanos ou de uso agropecuário, criando assim, um desafio para a conservação e preservação da biodiversidade local, em especial, para as espécies de aves restritas a ambientes nativos. Desta forma, escolhemos cinco assembleias de Passeriformes vinculadas a ambientes nativos ou antropizados em Osório, cidade-sede do LN/RS, e utilizando nove características morfométricas (corporais e do bico), avaliamos a morfometria geral das assembleias, bem como a morfometria de dez grupos ecológicos em cada assembleia. Além disso, avaliamos a similaridade taxonômica, compartilhamento de táxons e a composição ecológica destas assembleias. Para alcançar nossos objetivos, utilizamos a ciência cidadã, literatura, testes estatísticos e análise de componentes principais (PCA). Frente a ocorrência e distribuição de espécies, encontramos diferentes valores na similaridade taxonômica e diferenças estatisticamente significativas na distribuição de guildas ecológicas e espécies ameaçadas em assembleias vinculadas a ambientes naturais. Na ecomorfometria de guildas e assembleias, identificamos diferenças estatisticamente significativas em características relacionadas à capacidade de voo, deslocamento e alimentação; correlações entre características morfométricas e especializações ecológicas; morfoespaços de volumes distintos e parcialmente sobrepostos; e morfoespaços ocupados exclusivamente por uma assembleia ou guilda. Assim, a existência de particularidades morfométricas entre as assembleias de Passeriformes sugerem que ocorrem pressões seletivas distintas em relação aos ambientes amostrados, o que reforça a importância da conservação de formações nativas vinculadas ao Pampa, Mata Atlântica, lagoas e zonas costeiras para a manutenção da biodiversidade avifaunística LN/RS.
                        Ácaros parasitos em roedores em diferentes gradientes de paisagem, na Serra da Bodoquena, MS, Brasil
                        Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                        Tipo Dissertação
                        Data 19/10/2023
                        Área ECOLOGIA
                        Orientador(es)
                        • Fernando Paiva
                        Coorientador(es)
                          Orientando(s)
                          • Luana da Silva Fernandes
                          Banca
                          • Gustavo Graciolli
                          • JOÃO LUIZ HORACIO FACCINI
                          • Katia Denise Saraiva Bresciani
                          • Marcos Valério Garcia
                          • Paulo Henrique Duarte Cançado
                          Resumo O parasitismo em roedores vem recebendo destaque devido à grande expansão de doenças zoonóticas; principalmente, porque mamíferos são importantes hospedeiros para várias espécies de ectoparasitos. Essas interações parasito-hospedeiro são relevantes nos processos de coevolução, atuando tanto sobre o hospedeiro quanto ao parasito, o que contribui, de certo modo, a manterem sua sobrevivência. No presente trabalho o objetivo foi abordar a interação parasitária entre ácaros e pequenos roedores em diferentes gradientes de paisagens na Serra da Bodoquena no estado do Mato Grosso do Sul; em uma área monitorada por um Projeto de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD). Para tanto, as paisagens foram caracterizadas em relação ao seu grau de conservação; como baixo, médio e alto. Assim, foram capturados 62 espécimes de roedores, e neles encontrados e recuperados 2103 ácaros; sendo todos pertencentes a ordem Mesostigmata, distribuídos em apenas dois gêneros: Laelaps spp. e Gigantolaelaps spp.. Estes foram identificados e estimados os descritores ecológicos de parasitismo como prevalência, abundância e intensidade para cada uma das espécies de hospedeiros. Modelo teórico de redes de interações foi estruturado, considerando as variáveis: parasito/hospedeiro, parasito/paisagem e hospedeiro/paisagem. Até o momento, este é o primeiro estudo sobre comunidade de ectoparasitos em roedores na Região da Serra da Bodoquena, MS; o qual deverá contribuir para a compreensão de aspectos ecológicos das relações entre os ácaros e os roedores no bioma Cerrado e Pantanal.
                          Seleção e uso de habitat pelo Jacaré-paguá (Paleosuchus palpebrosus) no Rio Verde, Mato Grosso do Sul.
                          Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                          Tipo Dissertação
                          Data 24/09/2023
                          Área ECOLOGIA
                          Orientador(es)
                          • Diego Jose Santana Silva
                          Coorientador(es)
                            Orientando(s)
                            • João Emilio de Almeida Júnior
                            Banca
                            • Fábio de Lima Muniz
                            • Jessica Rhaiza
                            • Luís Antonio Bochetti Bassetti
                            Resumo Entre os crocodilianos brasileiros, o jacaré-paguá (Paleosuchus palpebrosus) se destaca devido aos seus comportamentos peculiares e por ser um dos jacarés que mais utilizam ambientes terrestres durante sua vida. No entanto, a maioria dos estudos com essa espécie se concentra em ambientes de menores proporções, como igarapés e riachos de águas frias e cristalinas, sendo escassas as pesquisas com populações em rios de grandes dimensões. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi investigar se existe uma preferência por um determinado habitat por parte dos P. palpebrosus em uma parcela do Rio Verde, localizado no município de Água Clara, Mato Grosso do Sul. Durante um período de 6 meses, foram realizadas 5 de campo e análises de sensoriamento remoto para acompanhar uma população de P. palpebrosus (N=151), averiguando uma possível preferência por um habitat, relacionando esses dados com o tamanho de cada jacaré. Os dados obtidos revelaram que os jacarés possuem preferências por ambientes alagados, evitando áreas abertas e próximas a áreas urbanizadas. Além disso, na área estudada o tamanho dos indivíduos não influenciou na escolha desses animais por diferentes ambientes. Este estudo contribui para o conhecimento sobre a ecologia dos P. palpebrosus, que é uma espécie pouco estudada, na região do Rio Verde, em Água Clara, Mato Grosso do Sul. As informações obtidas nesse trabalho podem ser úteis para a gestão e conservação da biodiversidade na área, incluindo a identificação de áreas prioritárias para a conservação e restauração de habitats do P. palpebrosus e incrementando os conhecimentos sobre a espécie em ambientes antes desconhecidos.
                            A influência das tocas do tatu-canastra (Priodontes maximus) na diversidade de artrópodes
                            Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                            Tipo Dissertação
                            Data 30/08/2023
                            Área ECOLOGIA
                            Orientador(es)
                            • Gustavo Graciolli
                            Coorientador(es)
                            • Arnaud Léonard Jean Desbiez
                            Orientando(s)
                            • Mateus Yan de Oliveira
                            Banca
                            • Adriana Bocchiglieri
                            • THIAGO FERNANDES MARTINS
                            Resumo A engenharia do ecossistema é um mecanismo importante para a manutenção e aumento de espécies na escala da paisagem. Engenheiros do ecossistema criam habitats que são utilizados por várias espécies. É o caso do tatu-canastra (Priodontes maximus), pois suas tocas servem de abrigo e refúgio térmico para muitos organismos, como as mais de 70 espécies de vertebrados já relatadas utilizando suas tocas. Essas tocas também podem favorecer a comunidade de artrópodes, uma vez que apresentam condições ideais, como umidade e temperaturas constantes, para o desenvolvimento desses animais. Entretanto, ainda não há informações sobre as espécies de artrópodes que podem utilizar as tocas de tatus. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar a importância das tocas do tatu-canastra para a comunidade de artrópodes e verificar se a presença delas influencia na abundância, riqueza e diversidade de espécies da região. Para isso, amostramos 43 tocas de tatu-canastra e 43 pontos controle com armadilhas de CO2, pitfall e moericke durante junho e setembro de 2021 no Pantanal da Nhecolândia, Mato Grosso do Sul, Brasil. Os dados gerados demonstraram que as tocas do tatu-canastra favorecem mais de 300 espécies de artrópodes no Pantanal e que a sua presença aumenta 24,3% a diversidade de espécies regional. Além disso, pulgas e carrapatos foram mais abundantes e ocorreram principalmente nas tocas, indicando que este ambiente pode favorecer a transmissão de patógenos no ecossistema. Concluímos que o tatu-canastra parece ter grande importância na estruturação da comunidade de artrópodes e que pode ser um importante aliado na conservação, já que a preservação desta espécie pode favorecer indiretamente muitas espécies de vertebrados e invertebrados que utilizam as suas tocas.A engenharia do ecossistema é um mecanismo importante para a manutenção e aumento de espécies na escala da paisagem. Engenheiros do ecossistema criam habitats que são utilizados por várias espécies. É o caso do tatu-canastra (Priodontes maximus), pois suas tocas servem de abrigo e refúgio térmico para muitos organismos, como as mais de 70 espécies de vertebrados já relatadas utilizando suas tocas. Essas tocas também podem favorecer a comunidade de artrópodes, uma vez que apresentam condições ideais, como umidade e temperaturas constantes, para o desenvolvimento desses animais. Entretanto, ainda não há informações sobre as espécies de artrópodes que podem utilizar as tocas de tatus. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar a importância das tocas do tatu-canastra para a comunidade de artrópodes e verificar se a presença delas influencia na abundância, riqueza e diversidade de espécies da região. Para isso, amostramos 43 tocas de tatu-canastra e 43 pontos controle com armadilhas de CO2, pitfall e moericke durante junho e setembro de 2021 no Pantanal da Nhecolândia, Mato Grosso do Sul, Brasil. Os dados gerados demonstraram que as tocas do tatu-canastra favorecem mais de 300 espécies de artrópodes no Pantanal e que a sua presença aumenta 24,3% a diversidade de espécies regional. Além disso, pulgas e carrapatos foram mais abundantes e ocorreram principalmente nas tocas, indicando que este ambiente pode favorecer a transmissão de patógenos no ecossistema. Concluímos que o tatu-canastra parece ter grande importância na estruturação da comunidade de artrópodes e que pode ser um importante aliado na conservação, já que a preservação desta espécie pode favorecer indiretamente muitas espécies de vertebrados e invertebrados que utilizam as suas tocas.
                            Efeito do Fogo Sobre a Diversidade Funcional de Aves do Ecótono Cerrado-Pantanal
                            Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                            Tipo Dissertação
                            Data 11/08/2023
                            Área ECOLOGIA
                            Orientador(es)
                            • Danilo Bandini Ribeiro
                            Coorientador(es)
                              Orientando(s)
                              • Allan Corral Anjos
                              Banca
                              • FLÁVIO KULAIF UBAID
                              • Franco Leandro de Souza
                              • TULIO DORNAS DE OLIVEIRA
                              Resumo As queimadas representam uma das questões ambientais mais relevantes em muitos ecossistemas. Na maioria das vezes decorrentes da ação antropogênica, os incêndios florestais comportam-se como um dos principais redutores da diversidade biológica, elevando os números de extinções locais. Em alguns ecossistemas, o fogo atua como um elemento importante na dinâmica ecológica. No caso do Pantanal e Cerrado, ambientes chamados de pirofíticos, o fogo é um processo naturalmente sazonal que molda a dinâmica das comunidades de animais e plantas. O presente trabalho teve como objetivo analisar a influência do fogo sobre a comunidade de aves. Foi realizado um levantamento qualitativo e quantitativo da avifauna, através da metodologia de pontos de escuta em dez tratamentos, e dois ambientes distintos, assim como em diferentes frequências de queima. Dessa forma, buscou-se entender como a comunidade de aves, e também seus atributos funcionais respondem frente ao regime de fogo. O fogo de fato afetou a comunidade de aves, principalmente quando comparadas em diferentes frequências e intensidades de queimas, apresentando respostas distintas em ambientes florestados e campestres, e por consequência, afetando também os traços funcionais das espécies presentes.
                              Efeitos do fogo na assembleia de borboletas na transição Pantanal-Cerrado
                              Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                              Tipo Dissertação
                              Data 14/07/2023
                              Área ECOLOGIA
                              Orientador(es)
                              • Danilo Bandini Ribeiro
                              Coorientador(es)
                              • Thiago Silva Teles
                              Orientando(s)
                              • Rafaela Aparecida Mariano Fernandes
                              Banca
                              • JESSIE PEREIRA DOS SANTOS
                              • MARINA DO VALE BEIRÃO
                              Resumo O fogo é uma das principais fontes de distúrbio em diversos ecossistemas, tendo influência na sua
                              composição, estrutura, disponibilidade de recursos e consequentemente, a composição das
                              comunidades animais, As borboletas são sensíveis às mudanças que ocorrem em seu hábitat e
                              podem responder aos diferentes regimes de fogo (frequência e época de ocorrência). O objetivo
                              desta dissertação é saber como as borboletas respondem aos diferentes regimes de fogo, em relação
                              à frequência (número de eventos de fogo) e época da ocorrência de fogo na estação seca (início ou
                              fim). Para isso, esta dissertação está estruturada em dois capítulos, sendo o primeiro uma revisão
                              sistemática e o segundo um estudo observacional. O primeiro capítulo avalia as lacunas existentes
                              em ecossistemas que foram sujeitos a eventos de fogo e utilizaram borboletas como objeto de
                              estudos e o segundo capítulo avalia os possíveis efeitos das diferentes épocas de queimadas na
                              fauna de borboletas no Pantanal sul-mato-grossense.
                              Modelagem de distribuição para espécies sul-americanas de Podicipedidae
                              Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                              Tipo Dissertação
                              Data 06/06/2023
                              Área ECOLOGIA
                              Orientador(es)
                              • Rudi Ricardo Laps
                              Coorientador(es)
                                Orientando(s)
                                • Dinah Vitória dos Santos Madruga
                                Banca
                                • Demetrio Luis Guadagnin
                                • Luisa Maria Diele Viegas Costa Silva
                                • Thadeu Sobral de Souza
                                Resumo Podicipedidae é uma família da Ordem Podicipediformes caracterizada por possuir adaptações morfológicas ao ambiente aquático. Esse grupo apresenta uma gama de ameaças e pressões de extinção, sendo elas, principalmente, as ações antrópicas, na qual podemos citar a introdução de espécies exóticas e invasoras, caça e degradação de habitat. Três espécies das vinte e duas da família já estão extintas, e outras oito são consideradas ameaçadas pela IUCN. Uma ferramenta para auxiliar na conservação desse grupo é a modelagem de distribuição de espécies, que identifica áreas potenciais de ocorrência para as espécies da família. O objetivo deste trabalho foi de identificar possíveis variáveis que influenciam a distribuição das espécies sul americanas de Podicipedidae e de prever cenários de distribuição potencial dessas espécies. Para isso, foram realizadas duas modelagens de distribuição de espécies para as espécies Sul americanas de Podicipedidae, sendo a primeira utilizando variáveis bioclimáticas e variáveis de uso de solo e a segunda utilizando apenas variáveis bioclimáticas. Nossos resultados apontaram que a precipitação em meses secos e a temperatura em meses frios são as variáveis que mais influenciam a distribuição desses seres vivos. Ao contrário do que esperávamos, as variáveis de uso de solo (presença de agricultura, presença de pecuária, utilização de nitrogênio e utilização de fósforo) não se provaram influentes na distribuição das espécies. Para cada espécie, 4 modelos foram gerados, um modelo utilizando o algoritmo BIOCLIM com variáveis bioclimáticas e de uso de solo, um modelo utilizando o algoritmo MaxEnt com as variáveis bioclimáticas e de uso de solo, um modelo BIOCLIM apenas com variáveis bioclimáticas e um modelo MaxEnt apenas com variáveis bioclimáticas. O algoritmo BIOCLIM apresentou distribuições potenciais mais restritas para as espécies, incluindo também a extinção de Podiceps taczanowskii e uma possível extinção de Podiceps gallardoi, enquanto isso, o algoritmo MaxEnt sugeriu novas áreas de ocorrência para as espécies, principalmente em regiões com características climáticas semelhantes.
                                As interações tróficas de um pequeno peixe predador podem ser preditas pelas características ambientais? Um estudo de caso com Piabarchus stramineus (Characidae)
                                Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                                Tipo Dissertação
                                Data 14/04/2023
                                Área ECOLOGIA
                                Orientador(es)
                                • Yzel Rondon Súarez
                                Coorientador(es)
                                  Orientando(s)
                                  • Karoline Aparecida de Sena
                                  Banca
                                  • CLARICE BERNHARDT FIALHO
                                  • Elaine Antoniassi Luiz Kashiwaqui
                                  • ROSEMARA FUGI
                                  Resumo Na literatura, encontramos muitos estudos que descrevem a alimentação de peixes e possibilitam caracterizar as suas dietas. Esses estudos deram luz a abordagem experimental para avaliar as interações entre as taxas de consumo e as características ambientais. Espécies generalistas usualmente alteram suas dietas de acordo com a disponibilidade no ambiente e, portanto, devem ter sua alimentação influenciada pelas características ambientais locais, que definem a diversidade e disponibilidade de recursos alimentares. Avaliamos se as características abióticas dos riachos pertencentes ao Alto Rio Paraná podem influenciar na estruturação das redes de interação trófica de uma espécie de peixe insetívora e de pequeno porte. Ao todo, analisamos a dieta de 425 espécimes em 17 trechos de riachos em três sub-bacias do Alto Rio Paraná, sendo o recurso mais representativo os insetos autóctones, seguido de insetos alóctones. A principal fonte de variação na dieta foi o comprimento dos indivíduos, seguida da variação espacial (sub-bacias), com maior amplitude de nicho trófico em riachos na porção inferior das bacias e com baixa condutividade elétrica da água. A rede trófica de P. stramineus não apresentou comportamento aninhado. Não constatamos variabilidade na posição trófica em resposta ao gradiente ambiental, no entanto, a complexidade das redes tróficas, modularidade e especialização complementar foram significativamente explicadas pela altitude e condutividade elétrica da água. Portanto, nossos dados demonstram que as características ambientais podem influenciar na estruturação das redes de interação entre P. stramineus e suas presas.
                                  Comportamento reprodutivo e territorialidade de tocas do tatu- bolinha (Tolypeutes matacus)
                                  Curso Mestrado em Ecologia e Conservação
                                  Tipo Dissertação
                                  Data 10/03/2023
                                  Área ECOLOGIA
                                  Orientador(es)
                                  • Guilherme de Miranda Mourão
                                  Coorientador(es)
                                  • Nina Attias
                                  Orientando(s)
                                  • Amanda de Melo
                                  Banca
                                  • Adriana Bocchiglieri
                                  • Alessandra Bertassoni da Silva
                                  • Arnaud Léonard Jean Desbiez
                                  • Guilherme de Miranda Mourão
                                  Resumo Os tatus (Cingulata) de modo geral são pouco conhecidos e informações básicas sobre a
                                  biologia e ecologia são quase inexistentes para a maioria das espécies. Informações sobre
                                  ecologia espacial e o comportamento de acasalamento de espécies de vida livre possibilitam
                                  a elaboração de planos de conservação mais eficientes. Por isso, este estudo se propõe a
                                  descrever o repertório de comportamentos de acasalamento de tatus-bolinha (Tolypeutes
                                  matacus) em indivíduos de vida livre e o uso espacial do território de toca. No primeiro
                                  capítulo, objetivamos descrever aspectos da biologia comportamental de acasalamento dos
                                  tatus-bolinha, através da observação direta de grupo focal. Para isto, fêmeas foram
                                  monitoradas via rádio telemetria VHF. Durante o monitoramento, ao menos 4 fêmeas
                                  entraram em estro. Foram registrados os seguintes repertórios comportamentais associados
                                  ao acasalamento: os "rallies" de perseguição dos machos às fêmeas em estro, disputas
                                  agonísticas entre machos para o acesso a fêmea receptiva, implantação de plugue copulatório
                                  na genitália da fêmea após a cópula, sendo esse o primeiro registro de plugue copulatório
                                  em tatus. Os comportamentos observados resultaram nas seguintes conclusões: a ocorrência
                                  de uma intensa competição entre machos para obter sucesso reprodutivo; a confirmação de
                                  um sistema de acasalamento promíscuo para esta espécie; as fêmeas têm estratégia de
                                  controle para a interrupção da cópula a qualquer momento, elas iniciam a corrida ou entram
                                  em uma toca; e a “colocação” de plugue copulatório com uma estratégia de guarda passiva
                                  do macho para obter acesso exclusivo à fêmea. O segundo discute a dinâmica espacial e o
                                  estabelecimento de um território de tocas por fêmeas de Tolypeutes matacus. Por meio do
                                  rastreamento de fêmeas adultas e subadultas equipadas com rádio VHF, foram obtidas as
                                  localizações das tocas utilizadas por elas durante o repouso. Com os dados obtidos, foram
                                  calculados o tamanho do território de tocas, por meio do estimador MCP 95%. Em seguida,
                                  foi calculado o índice de sobreposição do território de tocas entre pares de indivíduos
                                  vizinhos. Para determinar a longevidade dos tatus-bolinha na área de estudo. Para tal
                                  objetivo, foram comparadas fotografias do escudo cefálico de todos os tatus capturados neste
                                  estudo com os de um estudo anterior, de 2015, constatando a recaptura de quatro indivíduos.
                                  Com relação ao território de tocas observamos que as fêmeas monitoradas preferencialmente
                                  mantém áreas exclusivas em relação às outras fêmeas. Adicionalmente, pudemos concluir
                                  que os tatus-bolinha vivem mais de sete anos em vida livre.
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